PRECONCEITO: LINGUÍSTICO OU SOCIAL

29/07/2010 • Por • 2,018 Acessos

PRECONCEITO: LINGUÍSTICO OU SOCIAL?

Leide Vilma Pereira Santos

O preconceito lingüístico, entre tantos preconceitos já existentes no nosso país, diz respeito ao fator social, o qual distingue e separa classes sociais, estigmatizando ou prestigiando falantes da língua portuguesa, ou seja, língua materna, sendo concebido como forma de preconceito a determinadas variedades lingüísticas. Para a lingüística os chamados erros gramaticais não existem nas línguas primitivas, salvo por patologias de ordem cognitivas. Segundo os lingüistas a noção de correto imposta pelo ensino tradicional da gramática normativa, originando assim um preconceito contra as variantes. O sociólogo Nildo Viana, foi quem primeiro apresentou uma visão marxista deste fenômeno, relacionando-o com a educação escolar e a dominação de classe como se questionado pesquisadores deste tema. Para Viana a linguagem é um fenômeno social e está ligada ao processo de dominação, tal como o sistema escolar, que é a fonte da dominação lingüística. A ligação indissolúvel entre linguagem escrita e educação com os processos de dominação declara o autor, é a fonte do preconceito lingüístico, pois a língua escrita veiculada pela escola se torna a língua padrão e esta transforma-se norma geral que todos devem seguir, mais seu modelo está  entre os setores privilegiados e dominantes da sociedade.

Este tema é freqüentemente abordado, pois é de grande importância para a educação, pois tem como objetivo valorizar e conscientizar da existência das variedades lingüísticas, sendo a língua portuguesa como qualquer outra língua heterogênea,  mutável. É perceptível a influência que a língua, um fator social, tem na vida das pessoas. O modo de falar e escrever diz ou pode dizer até mesmo de onde o falante se origina e em qual classe está inserido. Assim como o modo de se vestir, andar, a cor da pele e do cabelo, o nível social do falante. A fala e a escrita de nosso cotidiano não devem ser confundidas como sendo a mesma coisa, porque fala é inerente a pessoa, enquanto a escrita pode ou não ser aprendida. Diante disso, é preciso enfatiza que língua é identidade e cultura, mas também é poder e isso vale ainda mais numa sociedade desigual, que tem na competição um dos traços mais característicos de sua sociabilidade o que contribui, diretamente na formação de preconceitos e nas disputas em seu interior. Entretanto, através dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNS (1997, p 31) de língua Portuguesa, um referencial para educação brasileira, temos ciência de que a questão não é falar certo ou errado, mas saber qual o modo de falar, para ser  utilizado, atentando para as características do contexto de comunicação, ou seja, sabendo adequar o registro as diferentes situações interativas, sendo que as instituições oficiais encarregadas de planejar a educação no país reconhece a realidade lingüística preenchida pela diversidade. A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis, pois ela sempre existiu independente de qualquer ação normativa, todavia quando se fala em língua portuguesa esta se falando de uma unidade que se constitui em muitas variedades. Esta variação lingüística tem como objeto no ensino de línguas, uma educação lingüística voltada para a construção da cidadania numa sociedade verdadeiramente democrática, pois não se pode desconsiderar os modos de falar dos diferentes grupos sociais, pois constituem elementos fundamentais de identidade cultural da comunidade e dos indivíduos e que denegrir ou condenar uma variedade lingüística equivale a denegrir e condenar seres humanos que falam como se fossem deficientes ou menos inteligentes. Portanto, este assunto se tornou referencia no âmbito educacional, despertando polêmica, referente à forma de falar e se expressar das pessoas, contudo somos a favor de uma educação lingüística de inclusão social e pelo conhecimento e valorização da diversidade cultural brasileira, pois a educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida.

Perfil do Autor

Leide Vilma

* Aluna Especial do Mestrado de Letras pela Universidade Federal de Sergipe, cursando a disciplina Estudos Sociolinguísticos.