Amor

Publicado em: 10/11/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 67

Amor

 

Já pensei que amava e é pior que amar. Digo pior que amar porque amar não é tarefa fácil, mas ação que nos obriga a anularmos um pouco de nós mesmos. É difícil, mas ação que nos traz uma satisfação imensurável. Pensar que se ama, ao contrário, nos conduz por uma longa caminhada sem rumo e repleta de insatisfação.

Por pensar que amava, construí uma história que deveria ser sem fim, que teve fim, com um meio todo distorcido, inclusive o entendimento do que era amar. Confundi, como a maioria das pessoas também faz, paixão com amor. Talvez não tenha confundido, mas aprendido a dicotomia terrível, ocidental. Separei o amor da paixão. Dividi. Dividi-me. Vivi, desse modo, separado, a distância, invisível, que se tornava cada vez mais visível. Por causa da distância, da dicotomia, olhos no corpo... Desejo apenas. Mãos no corpo... Tesão. Corpo no corpo... Sexualidade. Olhos nos olhos... Sem enxergar. Boca na boca... Sem dialogar. Belas palavras... Sem nada dizer. Elogios bastantes... Sem revelar.

A paixão apenas!

Agora amo. Sem desprezar, é claro, a paixão. Sem dicotomia, quero e me anulo, por que quero, e sinto, com essa difícil ação, uma profunda satisfação. Agora não separo. Vivo bem perto e a distância é tão pequena que é invisível. Construo novamente, não minha história, apenas, mas nossa história que terá fim, eu sei, mas agora com um meio apenas contorcido e com um início que impede a distorção. Sem a dicotomia, terrível, ocidental, os sentimentos se complementam, se confundem, e, também, o corpo nos olhos... O desejo profundo. Por que os olhos apenas no corpo não me deixavam enxergar a pessoa. O corpo nas mãos... A intimidade. Por que as mãos somente no corpo não me deixavam acariciar a alma. O corpo no corpo... A cumplicidade. Por que o corpo apenas no corpo me separava assim que terminava. Os olhos nos olhos... Os sonhos comuns. Por que os olhos nos olhos sem enxergar me desviaram do caminho. A boca na boca... O perdão. Por que a boca na boca, sem dialogar, não me deixou conhecer e ser conhecido. Belas palavras... Palavras ditas. Por que palavras ditas, sem nada dizer, dizem muita coisa ruim, tornam-se malditas. Elogios modestos... Sinceros. Por que elogios bastantes escondem muita coisa.

 

(Artigonal SC #1442285)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/literatura-artigos/amor-1442285.html

    Palavras-chave do artigo:

    amor; paixão; dicotomia; intimidade; cumplicidade

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