CONTOS DE FADAS: SIGNIFICAÇÃO OCULTA RESULTANTE EM UMA LITERATURA INFANTILIZADA

02/06/2010 • Por • 1,854 Acessos

INTRODUÇÃO

 

O presente artigo trás uma discussão acerca dos contos de fadas, juntamente com sua significação oculta e seu translado de adulto para infantil. Entendendo-se que são uma variação do conto popular ou até mesmo da fábula. Partilham com estes os fatos por serem narrativas curtas transmitidas oralmente, caracteristicamente envolvendo algum tipo de magia, metamorfose ou encanto.

Posto isso, tal literatura destaca o amor mágico e imortal vinculado as figuras da fadas, o que evidencia o status social elevado das mulheres na cultura celta, na qual possuíam uma ascendência e um poder muito maiores do que outros povos contemporâneos. Na maioria das tradições as fadas aparecem ligadas ao amor, ou sendo mediadoras entre os amantes. A partir da cristianização do mundo, foi esse último sentido que predominou, perdendo-se completamente aquela outra dimensão mágica sobrenatural.

Para tanto, realizou-se uma pesquisa laboral para melhor enriquecer o tema do referido artigo e foi estudada uma seqüência lógica de escritores para melhor embasar o conteúdo proposto, diante das limitações encontradas, por ser um assunto comprovadamente de difícil explanação, em virtude de trazer consigo uma série de discussões acerca do real significado do conto de fada.

 

 

  1. 1. MORFOLOGIA DOS CONTOS DE FADAS

 

O conto maravilhoso atribui freqüentemente ações iguais a personagens diferentes, estas ações, posteriormente denominadas funções, nos permitem estudar os integrantes do conto a partir dos mesmos até mesmo para melhor entendê-lo e analisá-lo. Dessa forma, Propp (1978) vai mais além, observando que:

 

Vimos que o conto de fada é uma narrativa que funciona explicitando funções, cujo número é limitado e cuja ordem de sucessão é constante. A diferença formal entre vários contos resulta da escolha, operada individualmente, entre as trinta e uma funções disponíveis e da eventual repetição de certas funções (pag. 85).

 

 

Segundo Propp, nada impede a realização de contos com a presença de fadas, sem que a narrativa obedeça a norma precedente. Todos os contos de magia são monotípicos quanto à construção, haja vista, que há neles um interessante cruzamento de princípios, entre os quais predominam os judaicos cristãos e os da vertente mítica da antiguidade grego-latina. Pode-se dizer que os contos de fadas, na versão literária, atualizam ou reinterpretam, em suas variantes, questões universais como conflitos do poder e a formação dos valores, misturando realidade e fantasia.

Essas produções vão representar, na conformação das suas personagens, os valores burgueses que surgiram e se consolidaram entre os séculos XVII e XIX, sendo interessante atentar para as suas significativas diferenças. Portanto, é possível encontrar, segundo Khéde (1990): "... nesses contos reminiscências dos ritos totêmicos de iniciação, numa mistura de estilos culturais e ciclos históricos..." (pag. 17).

 

 

  1. 2. O SIGNIFICADO OCULTO DOS CONTOS DE FADAS

Ao longo dos últimos cem anos, os contos de fadas e seu significado oculto tem sido objeto de analise dos seguidores de diversas correntes da psicologia, Sheldon Cashdan, por exemplo, sugere que os contos seriam psicodramas da infância, espelhando lutas reais. Na visão de Cashdan, embora o atrativo inicial de um conto de fada possa estar em sua capacidade de encantar e entreter, seu valor duradouro reside no poder de ajudar as crianças a lidar com os conflitos internos que elas enfrentam no processo de crescimento. Cashdan prossegue em sua analise sobre a vinculação entre os contos de fadas e os conflitos internos infantis:

 

Cada um dos principais contos de fadas é único, no sentido em que se trata de uma predisposição falha ou doentia do eu. Logo que passamos do "era uma vez", descobrimos que os contos de fadas falam de vaidade, gula, inveja, luxuria, hipocrisia, avareza ou preguiça – os sete pecados capitais da infância. Embora um determinado conto de fada possa tratar de mais de um pecado, em geral, um deles ocupa o centro da trama.

 

 

Assim sendo, o processo pelo qual as crianças podem utilizar os contos na resolução de seus próprios problemas é visto de acordo com o fato de eles oferecerem as crianças um palco, no qual elas podem representar seus conflitos interiores. As crianças, quando ouvem um conto de fada, projetam inconscientemente parte delas mesmas em vários personagens da historia, usando-os como repositórios psicológicos para elementos contraditórios do eu.

Entretanto, seguindo um caráter revolucionário sobre a evolução dos contos de fadas, Chapeuzinho vermelho, por exemplo, em sua primeira versão divide o leito com o lobo. Diferentemente do que se poderiam pensar, essas obras não foram escritas para crianças, muito menos para transmitir ensinamentos morais, pois em sua forma original, os textos traziam dados fortes de adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas. Segundo registra Cashdan: "Originalmente concebidos como entretenimento para adultos, os contos eram contados em reuniões sociais, nas salas de fiar, nos campos e em outros ambientes onde os adultos se reuniam.

É por isso que muitos dos primeiros contos de fadas incluíam exibicionismo, estupro e voyeurismo. Em uma das versões de chapeuzinho vermelho, a heroína fazia um streptease para o lobo, antes de ir pra cama com ele. Em uma das primeiras interpretações de A bela adormecida, o príncipe abusa da princesa em seu sono e depois parte, deixando-a grávida.

Segundo alguns folcloristas, estes acreditam que os referidos enredos transmitem lições sobre comportamento correto, e assim, ensinam aos jovens como ter sucesso na vida, por meio de conselhos.

 

 

2.1 Contos de fadas para crianças

As versões infantis de contos de fadas, hoje consideradas clássicas, devidamente expurgadas e suavizadas, teriam nascido quase por acaso na frança do século XVII, pelas mãos de Charles Perrault. Para Sheldon Cashdan, em referencia aos países de língua inglesa, a transformação dos contos de fadas em literatura infantil, ou sua popularização, só teria mesmo ocorrido no século XIX, em função da atividade de vendedores ambulantes, que viajavam de um povoado para outro vendendo artigos domésticos, partituras e pequenos volumes de livros baratos, que vendidos por poucos centavos continham historias simplificadas do folclore e contos de fadas expurgados das passagens mais fortes, o que lhes facultava o acesso a um publico mais amplo e menos sofisticado.

No entanto, uma das tarefas mais importantes dos pais e educadores, nos dias de hoje, é despertar o desejo da criança pela escola, fazendo-a um lugar de revelação, e na qual ela busque entrar em contato coma realidade, de forma criativa e estimulante. Dessa forma, o resgate dos contos de fadas na sala de aula, parte da forma imaginaria e simbólica os passos essenciais do crescimento e da aquisição de uma existência independente.

Por conseguinte, tanto as meninas quanto os meninos, graças ao conto de fadas gozar plenamente as satisfações edípicas na fantasia e na vida real, mantendo boas relações com aqueles que estão a sua volta. É também essa capacidade que a criança tem de se apossar desses contos e simbolizar algo tão problemático como o conflito edípico que garante a esses enredos um lugar especial em suas vidas.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Diante do tema estudado neste artigo, podemos perceber que a teoria central os contos de fadas parte da idéia de que estes têm bases cientificas, e não são apenas mitos. São reportagens de eventos realmente ocorridos ao longo da historia humana e que chegaram até nós sob esta referida forma.

É perceptível ainda que o maravilhoso atenda a uma função literária e a uma função psicossocial, sendo o elemento mais propicio para a passagem de uma situação de equilíbrio para outra de desequilíbrio, ou vice-versa, geralmente com o retorno ao equilíbrio inicial, modificado. Da mesma forma, o fantástico é um dos meios de se lidar com tais censuras, pois se atribuirmos a voracidade sexual ao lobo ou o canibalismo ao ogro, essas ações serão mais bem aceitas porque foram trabalhadas alegoricamente, deixando de lado a tão falada significação oculta.

Perfil do Autor

sonia maria ferreira magalhães

sonia maria ferreira magalhães academica do 5° semestre do curso de licenciatura plena em letras da universidade vale dop acaraú