Imprinting
Imprinting
Ninguém precisa se preocupar em traduzir a palavra acima, basta saber que ela tem a ver com as primeiras impressões, com as primeiras experiências e que estas ficam para sempre em nós gravadas. É um tipo de marca que carregaremos pelo resto de nossas vidas, quer queiramos ou não. Eu tinha uns nove anos quando fui beijado na boca pela primeira vez – vejam bem, fui beijado, não beijei – por uma prima mais velha do que eu uns sete ou oito anos. Ela tinha a boca grande e deixou a minha toda molhada de saliva. Aquele cheiro de saliva, que me deixou uma impressão mista de coisa gostosa e coisa ruim, eu trouxe na bagagem pela vida afora, e toda vez que beijo a sensação volta. A mesma prima gostava que eu, menino, dormisse na cama dela. Ela alegava para o pai que eu tinha medo de dormir sozinho – o que era verdade, mas, o que ela queria mesmo era ficar se esfregando em mim. Por ser menor eu ficava no lado da parede, de ladinho e ela, também de ladinho, me apertava por um tempão até que adormecíamos. Hoje, adulto, quando faço amor, a posição que mais sinto prazer é de ladinho. Minha tia Efigênia gostava muito de tomar uma cachacinha antes do almoço e da janta, só que ela tinha o maior cuidado para que ninguém soubesse. Por isso guardava a garrafa em baixo da pia. De vez em quando ela me dava o restinho que ficava no fundo do copinho de pinga para que eu não ficasse aguado – dizia. Na minha juventude eu bebi pinga no copinho de pinga por muitos anos, e a cada gole eu me lembrava da garrafa da tia Efigênia em baixo da pia. Todas as vezes que meu pai tinha que ir à igreja sem que minha mãe fosse, ele tinha que me levar. Acho que era um jeito que ela dava pra ter certeza que ele iria mesmo. Mas, assim mesmo ele dava um jeitinho. Nós íamos para a casa da minha avó. No caminho ele comprava um monte de paçoquinha de amendoim – e me comprava – e dizia para eu não contar para minha mãe que não tínhamos ido à igreja. Muitas vezes, no meu primeiro casamento, eu dizia para minha mulher que iria à igreja e ia fazer coisas bem diferentes do que ela poderia imaginar. Todas as vezes que eu tinha que sentar na privada, minha mãe me ensinava: “quando você for ao banheiro na casa dos outros segura o ‘pipi’ pra não encostar no vaso”. Até hoje é eu sentar e a mão vai lá. Quando minha mãe falava em Deus ela falava com um tom de mistério que me dava medo. Mudava até a voz. Mas não era só ela. Não sei com quantos anos eu comecei a perceber que as pessoas tinham uma voz na igreja e outra fora dela. Também percebi que muitas pessoas tinham um jeito de ser dentro da igreja e outro fora dela. E esta esquizofrenia eu trouxe comigo na minha relação com a divindade. Desde adolescente sempre fui uma pessoa dentro da igreja e outra fora dela. Sempre usei de uma linguagem diferente para conversar com os “irmãos” e de outra para conversar com o restante das pessoas. Por muito tempo falei de Deus de uma maneira e acreditei de outra. Por isso acredito naquele ditado popular que diz que a primeira impressão é que fica.
(Artigonal SC #1532063)
Palavras-chave do artigo:
experiências; impressões; infância; juventude
O presente trabalho refere-se à experiência que tive com os grupos de tambor de crioula na cidade de São Luís do Maranhão e na cidade de Brasília, Distrito Federal. Analiso a relação entre essa performance musical e o turismo. Através da evidencia do trabalho de campo, argumento como a indústria turística interfere na execução dessa performance e como essa modificação se insere no cotidiano dos músicos e dançarinos. Analiso como conduta performática é modificada dentro do novo enquadramento promovido pela indústria turística. Mostro também a relação de poder existente entre essa indústria e os mantenedores do tambor de crioula e como essa indústria se utiliza da performance e a exotiza com o objetivo de atrair visitantes.
MAR ALTO ¨E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar.¨- (Lucas, 5:4.)
Este artigo investiga a relação entre o romance machadiano e o leitor oitocentista brasileiro. Trata-se de uma análise comparativa entre as personagens Jorge e Luís Garcia, da obra Iaiá Garcia, de Machado de Assis, partindo não só do estudo do lugar social ocupado por ambos na trama, como também das representações de formas e preferências de leituras a eles concernentes. Será discutida a influência das práticas sociais e culturais nas escolhas de leitura masculina e feminina, quanto à natureza e às formas de realização.
O texto, desenvolvido para a disciplina de História Social do Brasil em 2008, divide-se em quatro partes: a primeira faz um resumo breve do conteúdo de Raízes do Brasil, a segunda descreve aspectos da vida pessoal e intelectual de Sérgio Buarque de Holanda, a terceira promove um diálogo com outras obras historiográficas que abordam fundamentos históricos e teóricos do livro e, por fim, na última parte faço uma avaliação pessoal sobre a leitura de Raízes do Brasil.
Homenagem aos encantos femininos. Poesia dedicada a mulher em sua magnetude. Um dos momentos de maior inspiração do autor.
A criação de um poema imortal se faz com sangue.
“Quando você Sonhar em Ser diferente, pense que sonhar com aquilo que você queria Ser é desperdiçar o que você É”.
"Um vampiro psíquico só fala a verdade quando fala para si mesmo."
Acróstico em homenagem ao inesquecível, talentoso e mui amado amigo, o poeta Rômulo José Ferraz, por sua singular escrita na jornada terrena pessoal, intelectual e humana. Eis o meu louvor!
Uma incursão xamânica, além, muito além...
O presente artigo discute o mito heróico presente no romance Ubirajara, de José de Alencar.
Bom, tratarei sobre o que gosto e vivo.
Minha tia Efigênia gostava muito de tomar uma cachacinha antes do almoço e da janta, só que ela tinha o maior cuidado para que ninguém soubesse. Por isso guardava a garrafa em baixo da pia. De vez em quando ela me dava o restinho que ficava no fundo do copinho de pinga para que eu não ficasse aguado – dizia. Na minha juventude eu bebi pinga no copinho de pinga por muitos anos, e a cada gole eu me lembrava da garrafa da tia Efigênia em baixo da pia.
Por pensar que amava, construí uma história que deveria ser sem fim, que teve fim, com um meio todo distorcido, inclusive o entendimento do que era amar. Confundi, como a maioria das pessoas também faz, paixão com amor.
Para atrair a admiração das pessoas, muitas vezes nos comportamos de maneiras diferentes daquelas que realmente temos vontade de nos comportar, somos externamente aquilo que internamente não somos apenas para agradar, atrair a admiração das pessoas com as quais convivemos.
existe um “corredor” de guloseimas e outras quinquilharias, que na sua maioria, são totalmente desnecessários, mas, que ao final do dia, foram quase todos consumidos. Já reparou como são padronizados? Todos enfileirados, com seus computadores, suas esteiras, suas “sacolinhas” plásticas, seus operadores de caixa... Isso mesmo! Eles também fazem parte do “caixa”.
Quando minha filha nasceu me senti o homem mais orgulhoso e feliz do mundo. Bebi um litro de vinho seco sozinho, pra comemorar minha alegria. O que ninguém entende, é o porquê disso tudo. É porque, quando jovem, perdido, sem direcionamento nenhum, sem objetivos, nunca pensei que seria pai. Aliás, casar, ter uma família, ter uma filha, então, eram questões nunca discutidas entre os pobres de espírito com os quais eu convivia.
Com tantos questionamentos sem respostas plausíveis, tornei-me o que mais temia: um cristão nominal! Um “evangélico”! Um sal insípido! Um ser insatisfeito com a vida, desiludido com a fé que um dia professara. Tornei-me esquizofrênico: cristão na comunidade e “sem-religião” na sociedade. Pastor no púlpito e lobo no dia a dia. Tornei-me o que mais temia: hipócrita.
O coxo, ao olhar nos olhos de Pedro e João, descobre, depois, quem sabe, de décadas de exclusão do convívio social, de centenas de ações assistencialistas que nunca mudaram sua situação, que a solidariedade ainda existe. Ocorre um milagre: O “imprinting cultural”, a primeira impressão gravada no cérebro do recém-nascido ao ser solidariamente recebido no mundo vem à tona neste instante de reciprocidade de olhares. Há um curto diálogo sem palavras. Há compreensão. Há compaixão. Há esperança!
Temos que trabalhar! Trabalhar significa produzir bens vitais para a sobrevivência humana. Para produzir bens para a nossa sobrevivência, o homem precisa tirar da natureza o necessário para a produção desses bens. Até aí tudo bem. Mas quando a ganância passa a ser a base das relações entre os seres humanos e desses com a natureza, estamos em sérios apuros...


