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Literatura. Crônica, Conto Ou O Quê?


Um dia me meti a escrever. Apenas atendia a uma solicitação lá das entranhas, um sentimento pedindo a palavra... Queria se pronunciar! Coincidentemente, incentivo de amigos me indicavam a seara da palavra escrita. 

 Comecei a escrever crônicas, e, como a intenção era iniciar uma seqüência, dei logo o título: “Crônicas Rurais I”.  II , III e toda a seqüência lógica jamais viria compor o projeto intentado. Pior... Escrevi e publiquei em um site. Aí conheci outro universo: o mundo que não pertence às pessoas anônimas - o que é o meu caso - Vieram os comentários: “Desculpe, fui clicar em 5 estrelas e quando marquei a primeira, valeu como  nota mínima, vais ver uma incoerência entre os elogios e a nota dada”, “Ah...você se expôs demais, fique escondida no pseudônimo, não se revele tão abertamente, dizendo o seu nome verdadeiro”, - Quando aconteciam aqueles fatos em Crônicas Rurais I, seu personagem ainda nem tinha nome, qualquer um de que o chamasse seria mesmo um pseudônimo, então  dei o nome que  muitos anos depois escreveu-se na certidão de nascimento -  “Esse texto não é uma crônica, uma crônica relata algo do cotidiano, é curto, próprio pra ser publicado em jornais, deveria se chamar Contos Rurais I”, “Quando me dispus a ler uma crônica colhida na internet, esperava ver um texto pequeno, enxuto...não tenho muito tempo disponível”, “Estou, eu, presenteada, lendo seus escritos tão envolventes”, (assim, cautelosamente, sem indicar a classificação.) 

Então comecei a averiguar as incorreções, mas o tal escrito já corria pelo mundo da internet. Lembrei-me daquele ditado chinês: “Três coisas não podem voltar atrás: O tempo passado, a chance perdida, e a flecha lançada".  O texto publicado! 

Como remediar tão grotesco erro! 

Tiro o nome próprio que identifica o personagem, não; mudo o título sem dizer que é uma crônica, direi que é um conto? Lá vem outra chuva de comentários, não; encurto o tamanho da (crônica.....?) ... O site não vai gostar. Cara escritora, antes de submeter seu artigo verifique sua coerência e que ele já esteja terminado, temos muito o quê fazer.  

Melhor deletar esse artigo, não tem classificação! Por quê fui chamar de crônica? Depois de perder uma noite de sono, com muita culpa:  fui a asneira da web, às cinco horas da manhã vou ao pc tirar o tal escrito de circulação, mas quando acesso a tecnologia que não perde tempo, leio uma mensagem vinda de Santa Catarina: “Cara escritora, minha professora  passou pra nossa turma uma tarefa: Pesquisar o seu texto “Crônicas Rurais I”, analisar as figuras de linguagem, a classificação... Pronto. Caiu no domínio público. Se eu apagar, como vão fazer a tarefa? Se a professora indicou , a turma toda vai pesquisar no site...!

 - i n c o n s i s t ê n c i a -

Na verdade, quando me levantei trôpega, decidida a dar fim ao texto que já rodava o mundo, vinha como a mãe pra matar o próprio filho.  Assassina!!! - Melhor fazer terapia - Não, você precisa encontrar a solução por si  mesma.  

Ah! Mas, outros comentários chegam por e-mail ou msn...carinhosos, envolventes... “Vc eh d+”, “Espero toda semana sua nova publicação”, “O mundo das letras espera por vc”. Essa noite veio um sonho: Esqueça a classificação ... Não mate ... Não morra. Escreva. Caro leitor, alguma sugestão?

Lila Brasil

Terapeuta Holística pelo Ayurveda Hospital Pankajakasthuri – Kerala - Índia, Amríta Kerala Ayurvedic – Puna e Goa – Índia, Pós-graduação em Ciências Sociais Aplicadas – UPIS/Instituto de Ciências Sexológicas e Orientação Familiar, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília,Técnico Judiciário-lilabrasil2005@yahoo.com.br

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