O Moderno Antimodernista

04/07/2008 • Por • 3,796 Acessos

                      

  O Moderno Antimodernista

 

A literatura brasileira ficou conhecida em três períodos distintos.  Os pré-modernos, modernos e antimodernista. O período considerado pré-modernista vai de 1902 a 1922, vinte anos de duração. O Pré-Modernismo não pode ser considerado uma escola literária, mas sim um período literário de transição do Realismo/Naturalismo para o Modernismo. De caráter inovador, a maioria de seus membros não se enquadra como Modernistas por não terem sobrevivido o suficiente para participar ou terem criticado o movimento. Outro pré-modernista, que se encontra em página separada foi Lima Barreto. Numa simples conotação diremos que o pré-modernismo é o período anterior ao modernismo, pertencente ou relativo ao pré-modernismo. Encontramos várias nuanças para classificação, com definição mais consistente de pré-modernismo. O pré-modernismo (ou ainda estética impressionista) foi um período literário brasileiro, que marca a transição entre o parnasianismo e simbolismo e o movimento modernista seguinte. Já além mar, em Portugal, o pré-modernismo configura o movimento denominado saudosismo

O termo pré-modernismo parece haver sido criado por Tristão de Athayde, para designar os "escritores contemporâneos do neo-parnasianismo, entre 1910 e 1920", no dizer de Joaquim Francisco Coelho. Representa, assim, um período eclético (que possui várias correntes de idéias, sem se fixar numa delas) e não uma escola ou movimento. Para os autores, o momento histórico brasileiro interferiu na produção literária, marcando a transição dos valores estéticos do século XIX para uma nova realidade que se desenhava, essencialmente pautado por uma série de conflitos como o fanatismo religioso do Padre Cícero e de Antônio Conselheiro e o cangaço, no Nordeste, as revoltas da vacina e da Chibata, no Rio de Janeiro, as greves operárias em São Paulo e a Guerra do Contestado, além disso a política seguia marcadamente dirigida pela oligarquia rural, o nascimento da burguesia urbana, a industrialização, segregação dos negros pós-abolição, o surgimento do proletariado e, finalmente, a imigração européia. Meio complicado esse período da literatura brasiliana, mas, além desses fatos somam-se as lutas políticas constantes pelo coronelismo, e disputas provincianas como as existentes no Rio Grande do Sul entre maragatos e republicanos. Queria abrir um espaço nesse contexto literário e falar de um escritor que se notabilizou no período de 1882 a 1948, seu nome Monteiro Lobato.

Paulistano, nascido no interior paulista, mas precisamente na cidade de Taubaté, considerado um dos escritores brasileiros de maior prestígio, devido a sua grande atuação como intelectual, sua polecimidade e dedicação a construção de histórias infantis que fizeram grande sucesso. Sua luta está ligada tembém ao plano político e social. Seu aspecto moralista e doutrinador levou a frente seu ideal de transformar o brasileiro num povo com progresso moral e mental. Notabilizou-se pelo persomgem Jeca Tatu, um tipo caipira mostrando a face do seranejo brasileiro doente e com verminose. Sua paixão pela escrita era grande demais, com isso fundou a Monteiro Lobato & Cia., a primeira nacional, sendo mais tarde transformada em Companhia Editora Nacional e a Editora Brasiliense. Defensor  do meio ambiente e das reservas nacionais. Escreveu o escândalo do petróleo em 1936, atoridades brasileiras visando interesses internacionais, a velha corrupção. Preso durante a ditadura Vargas, em 1941. Com a prisão o país entristeceu. Regionalista e pré-modernista se destacou no ramo dos contos. Uma curiosidade: “José Bento Monteiro Lobato nasceu em 18/04/1882 como José Renato Monteiro Lobato e mudou seu nome mais tarde para poder usar a bengala com as iniciais JBML do pai.

Bacharel em Direito contra a vontade, dizia sempre o que pensava e defendia a verdade. Escreveu livros para crianças e iniciou o movimento editorial brasileiro. Meteu-se em encrenca ao afirmar que o Brasil tinha petróleo (e estava certo). Editou livros para adultos e, desgostoso, voltou à literatura infantil. Morreu a 04/07/48. Em Urupês aparece pela primeira vez à figura de Jeca Tatu. Seu outro livro de contos muito famoso, que se junta a sua bibliografia de 30 obras é Cidades Mortas. Uma característica única de Monteiro Lobato é sua linguagem, simplificada, mais até do que a atual gramática oficial. Ficou famoso pelo artigo publicado no jornal o Estado de são Paulo em 1917, que tinha como título ‘Paranóia ou mistificação’? Criticou violentamente a exposição de pintura expressionista de Anita Malfattti, pintora paulista radicada na Europa. Chamou o trabalho da pintora de uma deformação mental. Na literatura infantil foi um dos pioneiros em nosso país e toda a América Latina. Personagens como Narizinho, Pedrinho, a boneca Emília, Dona Benta, a negra Tia Anastácia, o Visconde de Sabugosa e o porco Rabicó, tornaram-se conhecidos mundialmente. 

Por apresentarem uma obra significativa para uma nova interpretação da realidade brasileira e por seu valor estilístico, limitaremos o Pré-Modernismo ao estudo de Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos. Assim, abordaremos o período que se inicia em 1902 com a publicação de dois importantes livros - Os sertões, de Euclides da Cunha, e Canaã, de Graça Aranha - e se estende até o ano de 1922, com a realização da Semana de Arte Moderna. A literatura brasileira atravessa um período de transição nas primeiras décadas do século XX. De um lado, ainda há a influência das tendências artísticas da segunda metade do século XIX; de outro, já começa a ser preparada a grande renovação modernista, que se inicia em 1922, com a Semana de Arte Moderna. A esse período de transição, que não chegou a constituir um movimento literário, chamou-se Pré-Modernismo. Escreveu “Imposto Único depois publicou seus primeiros livros: “Urupês”, “Cidades Mortas” e “Negrinha”“. Segundo Marisa Lajolo, Lobato nestes livros traz o melhor de sua literatura, principalmente em Urupês - Negrinha’, nos quais, segundo ela, “comparecem os diferentes brasis que até hoje, sob diferentes formas, assombram as esquinas da nossa história”. Os contos contam do trabalho do menor, do parasitismo da burocracia, da violência contra negros, imigrantes e mulheres, da empáfia dos que mandam do crescimento desordenado das cidades, da degradação progressiva da vida interiorana; enfim, os contos contam do preço alto do surto de modernidade autofágica que desemboca na crise de 30."

Os dois livros mostram a "aguda sintonia de Lobato com um tempo que reclamava novas linguagens" e marcam a vigorosa entrada no mundo literário brasileiro de um grande escritor que, segundo ele mesmo disse, "talento não pede passagem, impõe-se ao mundo". Logo depois ao glorioso início da carreira literária, Lobato viajou para os Estados Unidos, voltando somente em 1931. Lá enfrentou sérios problemas. Seu livro "O Presidente Negro e o Choque de Raças”; uma história que narra à vitória de um candidato negro à Presidência dos EUA; não foi muito aceito e acabou por custar-lhe grandes desgostos, mas aqui, sempre foi um ardoroso defensor daquele país, chegando a afirmar, em carta enviada a Érico Veríssimo, que considerava os "Estados Unidos como uma dessas famosas composições musicais que são impostas a todos os grandes executantes a fim de tirar a prova dos noves fora do seu valor real, a rapsódia húngara de Lizt (sic), certas fugas de Bach". Nessa mesma carta, ao comentar o novo livro de Érico, Lobato afirmou: “Escrever bem é mijar”. “É deixar que o pensamento flua com o à vontade da mijada feliz.”. Aqui coloco a disposição dos que gostam dessa figura maravilhosa, muitos aspectos importantes sobre a vida desse maravilhoso escritor. Fui buscar detalhes na http://www.geocities.com; na http://almanaque.folha.uol.com.br/monteirolobato.htm e Wikipédia. Somos ardorosos fãs de Monteiro Lobato que sempre afirmava que a ciência não descobriu porque o escrito erra, mesmo depois de várias e várias revisões. Quando o livro é editado e o leitor poe o olho, naturalmente ele vai encontrando erros, quer sejam de digitação, falta de concentração ou memo de edição. Algumas histórias infantis: Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho e Hans Staden, Memórias de Emília e Peter Pan, Emília no País da Gramática, A Aritmética de Emília, O Poço do Visconde, Geografia de Dona Benta, Histórias de Tia Anastácia, O Minotauro, O Marquês de Rabicó.

Outras obras de Monteiro Lobato: Urupês (contos 1919); Idéias de Jeca Tatu (contos 1919); Cidades Mortas (contos 1919); Negrinha (contos 1920); A chave do Tamanho; A Reforma da Natureza; Aritmética da Emília; Bugio Moqueado; Dom Quixote das Crianças; Emília no País da Gramática; Giandanton; Histórias de Tia Nastácia; Negrinha; O Colocador de Pronomes;O Presidente Negro; Os Doze Trabalhos de Hércules;  Sítio do Pica-Pau Amarelo Vol.1;Sítio das Reinações de Narizinho;Sítio do Pica-Pau Amarelo Vol 2; Viagem ao Céu; e Sítio do Pica-Pau Amarelo Vol 3 e Caçadas de Pedrinho.. Monteiro Lobato é uma verdadeira enciclopédia brasileira. Valeu meu estimado escritor e que Deus te abençoe, onde estejas.

 

ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI-ALOMERCE E AOUVIR

 

 

 

 

 

 

 

 

Perfil do Autor

Antonio Paiva Rodrigues

Sou espírita, calmo, compreensivo, gosto de escrever crônicas, poesias, contos, faço resenha de livros, comento, faço novelas de rádio e...