O Sentido Da Poesia

29/11/2009 • Por • 796 Acessos

Teorizar sobre Poesia é quase fazer um poema, mas sem rimas e repleto da natureza humana. A poesia é abstração do homem, que vem da criatividade instantânea, em prol ou na tentativa de autoconhecimento e conhecimento com objetivo maior de situar-se, enquanto homem, no mundo. Não há no poema uma busca de significados, mas sim de sentidos, que se formam com a intertextualização do leitor com outros textos, momentos passados , vividos ou não, e vão se acumulando na busca de sentidos, percepções no texto versado.

Como sentido depende dos diálogos que o leitor tem com os demais campos textuais linguistícos verbais e não-verbais, condiciona-se que a produção de sentido sempre estará condicionada a uma realidade do leitor, onde não é impessoal essa produção, texto e contexto são como indissociável (DEUSDARÁ:57). Todavia, podemos inserir na produção de sentido formas subjetivas que têm como objetivo construir ou desconstruir, pelo enunciado, sujeitos (OLIVEIRA: 15). Mas nem sempre o contexto é levado em consideração ou será o mais importante e sim outros recursos estilísticos que se fazem presentes na poesia que é a possibilidade de os sentidos se produzirem sempre em relação a outros sentidos. Então será através dessa circulação de sentidos, proporcionada pelo conhecimento e leitura de mundo do sujeito, que o leitor extrairá sentido(s) da poesia numa leitura verbal,e principalmente, não-verbal.

Dessa forma criamos a base do que chamamos de interdiscurso em que cria os efeitos de sentidos, pois nenhum poema ou texto qualquer está desprovido de ideologias, entretanto não é papel do leitor “procurar” estas ideologias, pois assim perderíamos o caráter de texto poético. Então, na função poética, mesmo provida de ideologias, não são ideias que sobressai, mas sim possibilidades que ganham forma quando o leitor faz seu discurso com os demais campos lingüísticos e pessoais.

Outra peça fundamental no estudo da poesia é o sujeito (leitor). O sujeito, como vimos até agora, cria sentido no poema através de fatos lingüísticos em que há conversação entre suas experiências e aquilo que ele “consome” textualmente ao longo da vida. Todo sujeito é criado e criador de opiniões, nada é, inteiramente, próprio do sujeito, sempre há mescla de ideias que formam o sujeito, o leitor. E como a produção de sentido está ligada a realidade do leitor, inferimos que sentido também é produzido sobre duas vertentes: a dos marxistas e a de Foucault, em que o primeiro se baseia na construção do sujeito a partir das práticas sociais e o segundo afirma que as práticas sociais não são dadas previamente.

O que nos importa é salientar, para o momento, que o sujeito é uma entidade produzida no discurso, organizada pela ideologia, conceituação marxista, e pelo inconsciente, conceituação foucaultiana. É, nesta segunda que reside o sujeito da poesia, no inconsciente, no diálogo com outros textos e no conhecimento e vivência de mundo.

 

REFERÊNCIAS

[1] DEUSDARÁ, Bruno. Imagens da alteridade no trabalho docente: enunciação e produção de subjetividade. Tese de Mestrado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2006. p. 57.

[2] OLIVEIRA, Francisco H. Arruda. Um Estudo Estilístico-discursivo de A Causa Secreta de Machado de Assis. Monografia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2008. p.15.

Perfil do Autor

Chico Arruda

Chico Arruda é graduado em Letras Português/Literaturas - UERJ(licenciatura plena)