O Silêncio Cúmplice
1
Um dia, deixará de subir esses degraus, estará morando noutra casa, que não seja no alto, no morro! Quanta vez se prometeu de repente otimista, ao subir a escadaria estreita, na noite alta, com a madrugada chegando? Mas, o que seria da gente se não sonhássemos, idealizasse um dia melhor, com outras cores? Ergue a cabeça e vai observando as residências nas laterais, de porta e janela, o terracinho à frente, com ou outro morador, na cadeira de balanço e ouve o choro de uma criança; o latir de um cão; o grito de alguém xingando:
- Vai te lascar Edi!
Sorri compreensivo. Conhecedor dessa maneira descontraída dos habitantes do lugar. Será que a Marta está ainda acordada, à frente da televisão, esperando-o? Bem provável. Sua companheira de anos e anos! Ah, merecia sim, uma vida melhor, bem melhor.
Conclui a subida. E a Graça já estará em casa, de volta da saída com a amiga vizinha?
- Juarez eu não me agrado dessa colega de Graça. Muito avançada, moderna demais pra o meu gosto!
Marta sempre censura as saídas da filha em companhia da jovem morena, esguia, alegre e bonita. Reclama inclusive à própria Graça:
- Menina você não acha que está saindo demais não? Não tem uma semana que você não ganhe a rua à noite, para chegar de madrugada!
A filha cabisbaixa, evitando os olhos da mãe, mas, logo responde, justificando-se:
- Mãe, a Tânia é legal. A gente “curte numa boa”. A turma é unida.
Contudo Marta não concorda, entende que a filha se desculpa mentindo, fugindo à realidade:
- Falo para o seu próprio bem. Você é muito nova e o mundo é cruel, não é como a gente imagina não. A realidade é bem diferente. Já vivi muito, tenho experiência do que digo, na própria pele.
O silêncio de Graça e após a nova saída, então ela, Marta, se desabafa com ele, como se buscasse apoio ao receio do temível inesperado.
- Você tá certa, Marta. Eu também me preocupo com essas saídas, que afinal ninguém sabe para aonde vão às duas... Mas, um dia, numa hora eu resolvo tudo isso. Nem que seja apelando pra minha ignorância.
Então silenciam, entregando-se às reflexões angustiantes.
A luz da sala acesa. Marta ainda está acordada, como calculou. Devagar empurra a porta. Entra. E o rosto magro, pálido, se volta, acolhendo-o.
- Já estava preocupada...
Ele sorri, entendendo-a, como em outras vezes ao chegar.
- É, o expediente hoje foi puxado.
Senta-se n o sofá ao lado do outro, onde está a mulher, que torna a falar:
- A Graça saiu de novo com a Tânia...
Ante o silêncio do marido, ela continua falando:
- Não me agrado dessa mocinha. Sempre fico pensando no pior quando elas saem. É como se pressentisse algo ruim...
Juarez sente-se cansado, incapaz de manter o diálogo conhecido, que tanto o preocupa, que tanto o persegue nos últimos dias... E responde:
- Você está certa de se preocupar com Graça, ela é muito nova, bonita e com tanta violência, desajustes por aí... Mas, um dia, eu resolvo esse problema, nem que seja à base da ignorância!
Ergue-se e deixando a sala, ruma em sentido do banheiro, após o corredor, conjugado à sala vizinha.
- Vou me banhar. Vá esquentando a comida, Marta.
- Sim, sim.
2
O barzinho. As mesas com casais adolescentes. As conversas. As risadas. O tilintar dos talheres nos pratos. Os garçons servindo-os. Apressados. Profissionais. O som das ondas que morrem na praia deserta. Os coqueiros que se agitam à carícia do vento frio, que circula, enchendo a noite alta.
- Com o é Graça, está gostando daqui?
Ela fita o rosto à frente do rapaz forte, moreno, bonito, sorridente e aquiesce:
- Legal. Muito legal.
Ele continua sorrindo e, imaginoso, se vê no leito do motel próximo, com a mocinha que conheceu a pouco, apresentada que foi pela Tânia, amante do seu amigo, o João.
- Onde estão a Tânia e o Ricardo?
Indaga a jovem, como se de repente despertasse à realidade ante a ausência da amiga.
- Devem ter ido até o carro...
O sorriso. E os olhos de Graça buscam o casal. O carro estacionado, próximo, sem os dois. Então ela sente o repentino receio, o temor que... E, sente também a mão, por baixo da mesa, buscando-lhe a coxa desnuda pelo short. Nervosa toma a bebida de uma só dose. Contendo-se. Entendendo.
Atrevida, a mão vai subindo, ante a acolhida cúmplice do silêncio do casal.
Sim, logo se conhecerão melhor, no jogo dos prazeres.
A madrugada então substitui a noite e, indiferente ao que testemunha, prossegue em sua marcha, enquanto Graça e João se beijam com ardor.
(Artigonal SC #1807850)
Ainda no século XVI representantes da coroa portuguesa se aventuraram pelas brenhas amazônicas, tendo, passado pelos vales do Madeira-Guaporé-Mamoré. Na realidade se pensava em utilizar essa região como ponte de passagem e ligação entre as colônias do Sul e as do extremo Norte. Uma ligação extremamente arriscada e difícil de ser realizada.
O Município de Paulo Afonso desponta para o cenário nacional e internacional pela prática dos Esportes de Aventura. Vale ressaltar que a evolução do turismo em Paulo Afonso é marcada pela forte relação do município com a construção das usinas hidrelétricas da CHESF, com seus aspectos pitorescos, dos atrativos proporcionados pelas belezas naturais do Rio São Francisco e pelo potencial paisagístico da caatinga.
1. A empresa é obrigada a fornecer vale-transporte aos funcionários? Sim. O vale-transporte é um direito do funcionário, assegurado por lei. A Lei que instituiu o vale-transporte em 16 de dezembro de 1985 (Lei n.º 7.418) não obrigava o fornecimento do vale-transporte. Com a alteração da Lei n.º 7.619, de 30 de setembro de 1987, assinada por José Sarney, tornou-se obrigatório a empresa custear o transporte residência-trabalho e vice-versa. www.refeitorios.com.br
A educação ambiental alimenta uma esperança da preservação da natureza, mas os esforços dos defensores do viver na “Onda da Bioética” ainda é uma abstração, um sufoco.
Este trabalho é fruto de um projeto de pesquisa, que propõe identificar a contribuição da Associação dos Transportes Alternativos do Vale para o desenvolvimento local de Mutuípe-Ba, bem como sua relevância na dinâmica sócio-econômica desta cidade. Nesta perspectiva, pretende-se analisar o fluxo populacional entre as cidades de Mutuípe, Jiquiriçá e Ubaíra, através desta associação, a fim de entender de que forma esta dinâmica interfere no contexto socioeconômico da cidade de Mutuípe.
No mês de janeiro milhares de proprietários de imóveis situados no município de São Paulo receberão o boleto para pagamento do IPTU. Contudo, é pouco divulgado que a lei concede isenções ao pagamento do imposto para aposentados, pensionistas e beneficiários de renda mensal vitalícia que recebam até três salários mínimos mensais; bem como para proprietários de imóveis atingidos por enchentes e alagamentos.
Consultoria promove evento que discutirá as inovações apresentadas na maior convenção do varejo mundial, a National Retail Federation
O objetivo deste artigo é o de conscientizar graduandos e graduados sobre as vantagens do curso de pós-graduação lato sensu e como tirar o máximo de proveito das aulas e das atividades extraclasse.
Centenas delas estão na web oferecendo conteúdo de qualidade para diferentes áreas do conhecimento. As diretorias comunicativas buscam qualificar suas revistas junto aos órgãos de fomento à pesquisa para terem seus conteúdos reconhecidos nacional e internacionalmente, garantindo, assim, um incremento no currículo de quem nelas publica. A Revista "Polêmico, eu?" é direcionada a questionar os padrões de comportamentos sociais.
O tema da amizade na literatura antiga e medieval, tratada de forma velada ou gratuita, nos oferece que elementos para pensar o que pode ser amizade no âmbito dos relacionamentos contemporâneos? São estas abordagens possíveis? Seriam anacrônicas? É possível – ou viável – uma releitura?
No automóvel com a filha, o idoso vendo o prédio onde trabalhara se lembra do passado e, entendendo-lhe essa contemplação, ela de repente sente uma "coisa"...
Porque o amor é pintado com as cores que tu sonhas, sem nenhum pudor ou recato. É como um voar sem asas, porém livre, leve, solto e belo.
UM CASO HISTORICO PESQUISADO EM UMA EDIÇÃO DE 1953.
EM 1920 NA CATEDRAL DE SANTA MARIA O DOUTOR HILLEL BEN ABA E SOPHIA SE CASAM. PADRE MELLINHO FALA SOBRE A IMPORTANCIA DESSA ALIANÇA SAGRADA. HILLEL AO BEIJAR A NOIVA LEMBRA DA NOITE DA VASSOURA DA VIRGEM.
A Bahia fervilha de poesia, artistas e alegria. Foi a alegria da criançada do bairro Calabar, em Salvador-BA, que contagiou o mecenas Valdeck Almeida de Jesus. Há cinco anos o poeta patrocina o Projeto Literário Valdeck Almeida de Jesus, o qual já publicou mais de 600 poetas do mundo inteiro, desde 2005.
Crônica sobre a importância de se ler.
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Conto e novela que bem retratam com realismo o difícil cotidiano do trabalhador em sua luta pela sobrevivência na cidade grande.
O operário que caminha de retorno a casa e é assaltado; os encapuzados que matam o adolescente inocente e a mocinha que salta do carro após satisfazer os caprichos sexuais do homem idoso... São cenas ocorridas na madrugada, que vai passando indiferente a tudo.
Marta reclama das saídas noturnas da filha, a Graça, em companhia de Tânia, a vizinha e, como mãe sente o pressentimento ruim...
A noite chega e as batidas discretas na porta, anunciando alguém. Quem será? E a jovem loura, esguia, de cabelos longos, afilada, bonita surge, trazendo a surpresa. Terrível surpresa!
Os braços longos de Ana Paula envolvem a anciã, no agasalho do aconchego, enquanto seu pai, Seu Ernesto, desvia o rosto de lado. Sensibilizado. Tudo entendendo.
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O retorna a casa do operário após receber o aviso de demissão. Seu silêncio. As reflexões. A mulher que lhe respeita o mutismo. Depois ele no banheiro, ela se sentan do na cadeira de balanço fica se cadenciando. Então a chuva cai, forte.

