O Sonho, A Fantasia E O Delírio Na Obra De Antônio Torres
Edneide Costa e Verônica Aelo[1]
O sonho, a fantasia e o delírio na obra de Antônio Torres
Neste trabalho procuramos analisar a representação da realidade através do sonho e o papel da memória enquanto elemento presente na vida do sujeito.
Para isso, tomaremos como base a obra de Antônio Torres Pelo fundo da agulha, o texto de Elga Pérez Laborde El sueño como lenguaje em la poética de Borges e o texto de Regina Pentagna Petrillo A desespacializacão da cidade na literatura brasileira contemporânea.
Sabemos que todo autor ou todo artista, pois autor é um artista por trabalhar com a arte literária, tem direito às suas obsessões e as realiza enquanto sujeito e senhor de suas ações.
Antônio Torres não foge a essa regra e realiza suas obsessões através de sua obra, cujo romance Pelo fundo da agulha completa a trilogia que começa com “Essa terra” e que aborda um tema recorrente que é o suicídio.
O autor através de Totonhim, protagonista da obra, reflete acerca do homem, colocando na balança sua vida e a sua história. Essa reflexão é feita através de suas lembranças enquanto personagem desterritorializado ou desespacializado, característica própria e inerente ao personagem flâneur.
Ao escrever Pelo fundo da agulha, Torres, condensa espaço e tempo. Espaço esse, que de acordo com PETRILLO (internet), passou a ser priorizado e recebeu ultimamente um tratamento novo na prosa brasileira, e é esse espaço que se mistura ao tempo e faz com que o presente se construa sobre o passado que mesmo longe está perto do protagonista.
A viagem introspectiva feita por Totonhim entre o sonho e a vigília tem talvez como objetivo, fazer com que o autor, assim como Borges e Kafka de acordo com LABORDE (2003), transite em espaços irreais na tentativa de modificar as formas e o mundo em que ele circula. Aqui, cabe-nos uma pergunta: até onde Antônio Torres é ele mesmo e até onde ele se desdobra para emergir o outro (Totonhim) que se observa pelo fundo da agulha sem saber, assim como Borges, quem é e nem onde? Cremos que é essa dúvida que o leva a sonhar e para isso, usa a memória.
Laborde diz em seu texto que “não sabemos quando o poeta tem chegado à vigília e a mistura que faz com que os elementos dentro do poema (recordações, sonhos e realidade) se percam em seu labirinto”. Labirinto este que é tanto do autor quanto do leitor, o que faz com que não saibamos em que momento ocorre o sonho e a vigília em Pelo fundo da agulha, pois para Borges em Arte Poética (1960), “sentir a vigília é outro sonho” e Antônio Torres, assim como Borges que de acordo com Laborde transita dentro do poema entre o sonho, a fantasia e o delírio, faz esse trânsito em seu romance.
Assim, cremos que esse trânsito entre sonho, fantasia e delírio se dá em Pelo fundo da agulha no momento em que o autor representa sua realidade através do sonho e da vigília de Totonhim, que mistura o presente ao seu passado guardado na memória; realizando assim suas obsessões que são fruto do imaginário. Imaginário que nos faz descrever a realidade que nos circunda e faz frutificar a literatura que nos permite possuir liberdade de expressão, criação e recriação.
REFERÊNCIAS
LABORDE, Elga Pérez. El sueño como lenguaje em la poética de Borges. In: Água-viva – Revista de estudos literários. ISSN 168 – 7471. Brasília – Jan/Jun – 2003. P. 31-42.
PETRILLO, Regina Pentagna. A desespacialização da cidade na literatura brasileira contemporânea.
TORRES, Antônio. Pelo fundo da agulha. . Rio de Janeiro: Editora Record, 2006.
[1] Alunas do 8º e do 4º semestre da Univarsidade do Estado da Bahia – Uneb – Campus II – Alagoinhas.
(Artigonal SC #1522392)
Palavras-chave do artigo:
realidade; sonho; memória.
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