Os Portugueses No Brasil Colonial:formação Étnica Do Povo Brasileiro

18/08/2009 • Por • 8,009 Acessos

OS PORTUGUESES NO BRASIL COLONIA: FORMAÇÃO ÉTNICA DO POVO BRASILEIRO. Vários povos contribuíram para a nossa formação no Brasil Colônia; porém,dentre todos,os portugueses,talvez por serem nossos descobridores e colonizadores,suplantaram todos os outros. A nossa cultura foi desenhada pelos lusos,começando pela língua falada e escrita –a Língua Portuguesa- e pelos costumes e tradições que repassaram para nós. É importante salientar que, eles mesmo,os portugueses,nunca tiveram uma unidade étnica e cultural,fruto que foram de uma mistura de muitos povos(ligúrios,celtas,iberos,fenincios,visigodos,vândalos,alanos,árabes e judeus)que traçaram até seu tipo físico,pois existem portugueses louros,morenos,baixos e altos,,de olhos verdes,azuis ou negros. Os povoadores que vieram para o Brasil procediam das regiões do Douro e do Minho, da Beira,Trás-os-Montes,da Estremadura, do Alentejo e,embora em pequena quantidade,das Ilhas. A presença do português está na língua ,que dominou as comunicações e é falada até hoje num país continental como o Brasil.no traçado das cidades antigas-igrejas,cadeia,casa da Câmara-,nos sobrados,nos fortes que protegiam as cidades,nos utensílios domésticos e nas festas religiosas. A casa tradicional baiana era sem tirar nem por,uma réplica da casa portuguesa::mesmo traçado original,mesma fachada,mesma divisão de cômodos. Depois da porta de entrada, vinha um corredor comprido,ladeado de quartos semi-escuros e terminando numa ampla sala de jantar. A cozinha, o banheiro,incrivelmente desconfortável e o alojamento dos escravos eram construídos fora da casa. Essa divisão estava presente também nos suntuosos sobrados,construídos sem fundações e com paredes de madeira recobertos de barro;durava assim até os proprietários melhorarem de condição,quando ,então,fincavam as fundações e refaziam paredes de adobe ou tijolo. No início a construção das vilas obedecia a uma planta tradicional;praça central quadrada,igreja,cadeia e casa da Câmara com ruas partindo á direita e á esquerda,tanto transversais como longitudinais,porém sempre estreitas e irregulares. Com o passar dos anos as cidades criaram vida própria e foram crescendo desordenadamente, com vielas e becos desalinhados,como se via em Coimbra e Lisboa. O português,povo muito tradicionalista ,trouxe consigo para o Novo Mundo a fé nos dogmas da sua religião,os atos litúrgicos da Igreja de Roma e as festas tradicionais;trouxe também as superstições,os costumes e as comidas. Mas,o colonizador não era segregacionista;incorporou elementos da cultura africana,como,por exemplo a festa de maior prestígio em Salvador,a do Senhor do Bonfim,que dura quase quinze dias no mês de Janeiro. A origem desta festa está na devoção ao Cristo Crucificado trazida de Setúbal pelo Capitão Teodósio Rodrigues de Faria que construiu a Igreja do Bonfim no alto da Colina Sagrada. A cultura negra incorporou a esta festa as Águas de Oxalá,(Sr.do Bonfim na cultura ioruba)tradicional lavagem das escadarias da igreja,na terceira quinta feira do mês de Janeiro,quando centenas de baianas nos seus trajes típicos e carregando porrinhas de água de cheiro,acompanhadas de milhares de fiéis e espectadores deslumbrados,lavam as escadarias para expulsar as más energias e o mau olhado. A presença,na Bahia,de uma cultura agrária,escravista e mercantil,com uma estrutura social fundamentada na hierarquia,na oligarquia e na repressão,é um remanescente da sociedade desta época colonial e predomina nos dias de hoje,principalmente no Nordeste. Ao chegar numa terra de nômades,caçadores e pescadores,o colono português implantou uma economia açucareira , capitalista e mercantil,conforme predominava do século XIV. Trouxe a cana de açúcar dos Açores e da Madeira e plantou nas terras conquistadas;construiu engenhos e começou a produzir açúcar,o artigo de maior procura no mundo europeu. Plantou também o algodão e fumo. É necessário esclarecer que,em Lisboa estava o poder central que mandava em tudo,representado na pessoa do rei e seus conselheiros a quem obedeciam os governadores e vice-reis;logo abaixo vinham os grandes fazendeiros e senhores de engenho,parceiros coloniais;em seguida vêm os plantadores de cana de açúcar,pequenos fazendeiros dependentes dos senhores de engenho para a moagem da cana e a comercialização do açúcar,o ouro-branco da época. Quase na base desta pirâmide social estavam os lavradores pobres que só possuíam seus braços para o trabalho e estavam quase ao nível dos escravos que fechavam a pirâmide.A única diferença é serem brancos. Os moradores urbanos,oficiais militares,funcionários,altos comerciantes,exportadores,mestres,artesãos eram considerados “homens bons” apesar de lhe faltarem terras ou riquezas. Senhor de baraço e cutelo no seu engenho,o português,dirigia suas propriedades com mão de ferro,submetidos ás suas ordens e desejos seus escravos,seus agregados e sua numerosa família que incluía avós,tios,sobrinhos,primos,além da esposa e filhos legítimos e dos milhares de bastardos tidos com negras e índias. Talvez não tivesse poder político,mas,não era carta fora do baralho e freqüentemente era consultado nas questões que diziam respeito á província. Prova disto é a proibição de 1663 que tornava ilegal a penhora e execução por dívidas nas fábricas e nos engenhos.

Perfil do Autor

Miriam de Sales

Baiana,mulher,66 anos,professora,escritora Profissional,trilingue;gosto de arte,literatura,cinema,viagens. Livros Publicados: Livro de...