Revolução - Patriotismo - 31 De Março De 1964

Publicado em: 29/04/2009 |Comentário: 3 | Acessos: 1,525 |

Patriotismo: 31 de Março de 1964
Por:
Rômulo José Ferraz

As aventuras de Rominho
31 de Março de 1964


Rominho e Luiz Carlos
Estava eu Rominho, e meu irmão Luiz Carlos, capinando uma roça de feijão que meu pai tinha no município de Dom Aquino estado de Mato Grosso. Pois bem, estávamos trabalhando ao som musical da Rádio Mariqueyveiga do Rio de Janeiro, quando derrepênte começou a tocar músicas patrióticas, como, Hino Nacional, Canção do Soldado, Canção dos Marinheiros, etc., enfim, fora da rotina, foi então que ouvimos o pronunciamento do atual Presidente do Brasil, João Goulart dizendo que estava decretada a Revolução e convidando o povo para que não deixasse o País virar ditadura.



Capítulo II
= Um idealista

Bom, para continuar a falar desta Revolução, primeiro eu tenho que contar a história política de meu pai.José Dias Ferraz, nascido em 01 de janeiro de 1909, nasceu em Ibitinga - São Paulo, mas viveu desde a idade de 5 anos no Sul de Minas, morou em diversas cidades.Sempre foi um homem defensor dos oprimidos, não era advogado mas ganhava causas que mesmo os advogados enjeitavam, era um homem simplesmente fantástico, a biblioteca que ele tinha era de fazer inveja para muitos.


Luiz Carlos Prestes 1945

Em 1945 Luiz Carlos Prestes e outros dirigentes são anistiados e o PCB retorna à legalidade, obtendo seu registro eleitoral. Nas eleições presidenciais, realizadas em dezembro, o PCB lança a candidatura de Ioedo Fiúza e obtém cerca de 10% do total de votos, tanto para o candidato apoiado como para a chapa do partido para a Assembléia Nacional Constituinte, elegendo 14 deputados federais, e um senador, o próprio Prestes.Pesquisado em Wikipédia, a enciclopédia livre onde assombrou o governo,14 deputados e um senador 10% do eleitorado desta época. Meu pai era seguidor do PCB, quando ouve essa eleição e foi cabo eleitoral do partido PCB em todo o Sul de Minas, e com isso recebeu muitos insultos e ameaças dos Coronéis. Mas nunca se intimido e tão pouco quando o partido foi caçado mais uma vez. (Com cerca de duzentos mil filiados em 1947, seu registro é novamente cancelado em abril deste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral, no governo do marechal Eurico Gaspar Dutra, e, no ano seguinte, seus parlamentares também são cassados.)
Pesquisado em Wikipédia, a enciclopédia livre


Jose Dias Ferraz e
Marino Briguentt
Capítulo III – Correlegeonário do PCB
Meu pai continuou com as reuniões, mais agora clandestinamente, pois a perseguição do governo foi terrível.Quando o exercito pegava um era torturado na prisão. A intenção dos adeptos do PCB eram e precisavam fazer política a prol dos oprimidos, então infiltraram nos partidos consentidos que nessa época era a UDN, União Democrática Nacional, PSD, Partido Social Democrático e PTB –Partido dos trabalhadores Brasileiros mas o PCB escolheu o partido que estava mais próximo dos ideais do partido que era o PTB.(O PTB foi fundado no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), em 15 de maio de 1945 sob a inspiração de Getúlio Vargas, seu maior líder e no bojo do Queremismo, movimento popular cuja consigna era Queremos Getúlio e que propunha uma Assembléia Constituinte com Getúlio na Presidência da República. Além de Getúlio, a fundação do PTB foi articulada pelo seu Ministro do Trabalho, Alexandre Marcondes Filho.) Pesquisado em Wikipédia, a enciclopédia livre (O Golpe Militar de) 1964 designa o conjunto de eventos ocorridos em 31 de março de 1964 no Brasil, e que culminaram em um golpe de estado (chamada pelo Estado que se seguiu como uma Revolução de 1964) que interrompeu por meio da força, o governo do presidente


Comício de jango Jango é empossado Chefe de Estado do Brasil

João Belchior Marques Goulart, também conhecido como Jango, que havia sido democraticamente eleito vice-presidente, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PT – nas mesmas eleições que conduziram Jânio da Silva Quadros à presidência pela União Democrática Nacional (UDN). Jânio renunciou o mandato no mesmo ano de sua posse (1961) e João Goulart, que deveria assumir a presidência, segundo a Constituição vigente à época, promulgada em 1946, estava em viagem diplomática na República Popular da China. Militantes de direita acusaram Jango, como era conhecido, por ser comunista e o impediram de assumir seu legítimo lugar como mandatário no regime presidencialista. Foi feito um acordo político e o Parlamento brasileiro cria o regime parlamentarista, sendo João Goulart chefe de Estado. Em 1963 há um plebiscito que teve como resultado a volta do regime presidencialista, e João Goulart finalmente assume a presidência da república com amplos poderes.E nessa marcha meu pai vinha sempre lutando para ajudar a crescer mesmo o PTB para a derrota de outros partidos.Lembro-me do movimento que parou o Brasil para deixar o país não parlamentarismo.


Presidente João Goulart e primeira dama Maria Tereza

Tivemos o parlamentarismo no Brasil na fase final do Império (1847-1889). Na República, vigorou o presidencialismo, com exceção de um curto período de tempo (setembro de 1961 a janeiro de 1963), em que o parlamentarismo foi adotado como solução para a crise política consecutiva renúncia do presidente Jânio Quadros. Em 1993 tivemos um plebiscito nacional igual, com a exigência determinada na Constituição de 1988, e o povo votou pela manutenção do presidencialismo como sistema de governo.Neste plebiscito de 1963 eu já fazia parte da corrente de meu pai, o patriotismo já predominava em mim, e a cada vitória que o PTB fazia eu vibrava pois para mim era o partido que iria tirar o povo da tirania dos Coronéis. (Então surgiram os sindicatos dos trabalhadores e com isso o PTB cresceu até que veio O Golpe de 1964 submeteu o Brasil a uma ditadura militar, alinhada politicamente com os interesses dos Estados Unidos da América, que durou até 1985.) Pesquisado em Wikipédia, a enciclopédia livre


Último comício do Presidente João Goulart
mais de um milhão de pessoas

Pois bem, agora vamos voltar ao dia 31 de março de 1964, dia que nunca me saiu da memória, senti assim, como se fosse uma força estranha subindo pela minha espinha, e eu arrepiávamos todo quando ouvindo aquelas canções patrióticas ao apelo que o Governo Jango fazia na Rádio Mariquyveiga. Para mim, eu já estava na guerra, só que estava perdido sem saber por onde começar. E assim fiquei nessa agonia até que meu pai chegou acompanhado por outros correligionários, e falou: a guerra começou precisamos de muitos voluntários e pediu para eu e mais um
senhor que conhecia bem a região.



E lá fomos nós, saímos do acampamento meia noite, andamos o dia todo e fomos recrutando homens para a luta até a noite chegando de volta as 02: horas do outro dia.


Preparados para a luta

Em três dias formamos um contingente de mais ou menos 100 pessoas, todas armadas com as armas que tinha, que era espingarda, revolver, carabinas, fuzis, mausa e até carregar pela boca. O plano nosso já estava estabelecido.

Os primeiros ataques seriam onde a gente já sabia que tinha armas poderosas, seriam ataques surpresas, passamos mais ou menos uma semana entrincheirados numa serra por nome de Morro do Perigo.
Assistimo uma companhia do exército de Cáceres, passar bem por debaixo de nós, poderíamos ter feito um bom estrago pois estávamos precisando de armas, mas a ordem de atacar ainda não tínhamos, de modo que deixamos passar sem deixar ele nos perceber.


Rio de Janeiro, o Exército na rua obedecendo o comando de Carlos Lacerda, atual Governador

Capítulo IV
A revolução que não aconteceu:

Pelo rádio portátil a gente estava acompanhando todos os movimentos do Rio Minas e São Paulo, movimentos de Brasília e os movimentos do III exercito no Rio Grande do Sul que foi o último a se render para o golpe.
Realmente nós já estamos decepcionadas com o exército mudar de lado, mas a vontade da gente era tão grande que achávamos que poderíamos vencer os tiranos com as nossas armas.
Os líderes se acovardaram, se asilaram a maior parte, mas o povo estava firme, e se fosse preciso morreria por um Brasil melhor.
Foi tristeza para todos nós no acampamento, quando um estafeta chegou com ordem expressa de que cada um ir para suas casas porque a revolução já tinha acabado.

[photo]11999588[/photo]
Exército atrás dos revolucionários

Capítulo V
Conseqüências:
Dissolvendo o pelotão, os líderes que estavam com a gente, à maioria pediu exílio na Bolívia, menos meu pai, que junto comigo e meu irmão voltamos para Várzea Grande onde era a nossa casa. Chegando em casa meu pai já foi direto na sua biblioteca, e foi pegando tudo que poderia comprometer ele e fez uma fogueira, queimou tudo, até troféu que tinha ganhado.Dai passou uns dois dias, mais ou menos a meia noite, batem na porta.Meu pai, levanta só de cueca e pergunta: Quem é?
Lá de fora responde:
Quero falar com o Sr. Jose Dias Ferraz.
Meu pai respondeu: Venha amanhã de dia.
Ele disse novamente:Mais precisa ser agora, eu sou Sargento do Exercito e eu preciso conversar com o Sr.
Então meu pai abre a porta e tem nada menos que uns trinta soldados em roda de nossa casa, daí meu pai
perguntou:
Para que essa montoeira de soldado, vão me prender?
O sargento falou: Não, Sr. José, mas o sr. esta convidado a nos acompanhar até ao batalhão de Infantaria que o coronel está esperando para falar contigo.
Meu pai respondeu: Então tenho que trocarde roupa.
O sargento de novo: Não, sr., vai ter que ir assim mesmo,
Eu e meu irmão mais velho, estávamos armados, e meu irmão quis alterar com o Sargento mas eu o cortei, disse a ele:
Esta louco cara, se apontar essa arma para eles nós todos morrem
Então meu pai pediu para minha mãe sua roupa para que ele vestisse ali mesmo.O sargento consentiu, minha mãe trouxe calça e paletó, ele vestiu e foi escoltado por uma frota de caminhão de combate do Exercito.
A notícia era que o meu pai foi transportado para a Ilha das Cobras, presídio de torturar os líderes do movimento.
Meu pai era considerado, o chefe supremo de toda Região de Cuiabá e arredor, foi preso ficou 60 dias incomunicável.


Cadeia do Exército

Capítulo V
Percieguição
Ninguém dava notícia dele, lá no Exercito ninguém sabia de nada.Logo depois que prenderam meu pai, ou seja no outro dia cedo, o mesmo pelotão chegaram em casa todos armados, e puseram todo mundo para fora da casa.
Revistaram tudo, deixaram a casa de cabeça para baixo, revistaram até no forro da casa, estavam atrás de provas para incriminar meu pai, levaram quase todos os livros de sua biblioteca.
Lá em casa felizmente nada encontraram porque o meu pai já tinha queimado tudo que pudesse comprometê-lo.
Eu também estava na mira por fazer parte do grupo de onze, e eu era líder de grupo, não iria ter escapatória para mim, pois os nomes estavam todos registrados nos livros do Sindicato.
Fiquei sem saber o que poderia fazer para livrar o meu pai, fui atrás de Advogados e todos falaram a mesma coisa, esse é um caso sem defesa, ele está incomunicável. E eu na rua, e o Exercito estava me procurando, e foram em casa duas vezes atrás de mim.



Vila de Porto dos Gauchos
Fui obrigado a sair da cidade para não ser preso também.
Como eu tinha um seringal particular em Porto dos Gaúchos e já estava chegando o tempo de exploração da borracha, arrumei a mala e fui para lá.
Ai passei oito meses isolado lá em Porto do Gaúcho, tendo notícias de casa de cada mês, e por carta.


Feitoria de Seringueiro

Nesse intervalo de tempo em que estava no seringal, estudei bastante nos livros que levei, e procurava tirar proveitos dos programas educativos que a rádio nacional mantinha no ar.
A rádio mariquyveiga ainda manteve no ar o resto do ano quando o Exército a fechou, mas até então a gente ia tendo notícia da revolução e sentindo que o movimento ainda não tinha terminado. Sonhava acordado, passava horas imaginado como seria uma revolução, e o meu objetivo seria entrar no Exercito para aprender as táticas do Exercito.
Demorei a chegar em Cuiabá já em 1965, mas, já tinha passado o prazo para alistamento.
Bom mas voltando o caso da revolução.
Quando cheguei em casa meu pai estava lá, depois de abraçá-lo ele me contou tudo o que tinha acontecido com ele nesses dois meses que ficou preso.
Na verdade a prisão dele foi somente isolamento do lado externo do quartel, pois ele tinha liberdade de andar por onde quisesse, escoltado naturalmente e que não encontraram provas nenhuma para incriminá-lo inclusive foi correligionários da própria UDN, que foi a força maior para libertá-lo.Na noite de quando meu pai foi preso, ele para não ir só de cueca pediu para a minha mãe calça e paletó.
Mas, como meu pai eram um homem que tinha amizades com todos os partidos ele tinha pedido uma carta de corregionário para uma mulher política muito influente da UDN Sarita Baracatt, e para o Secretário da Agricultura Dr. Bais Neto, pois tinha certeza que o Exercito iria pega-lo mais cedo ou mais tarde.
E os amigos dele mesmo sabendo que ele estava na linha de fogo, deram a carta sem rodeio.
E meu pai já tinha predimitado tudo, colocou as cartas no bolso do paletó em que foi preso e lá no quartel descobriram as cartas e foi o meio caminho para sua liberdade, e impedir seu transporte para o presídio da Ilha das Cobras.


José Dias Ferraz, um herói anônimo.

Meu pai foi solto, mais vigiado dia e noite, acho que eles queriam prova para levá-lo de novo.Bom, com o saldo da borracha e a venda do seringal e comprei uma casa para minha mãe em Dom Aquino, e também para afastar o meu pai dos olhos dos de seus perseguidores.
O ano de 1965 passou, eu tinha os meus contatos, o movimento de revolução ainda continuava, jornais clandestinos, circulavam, emissoras de rádios clandestina também funcionavam sem as autoridades descobrissem de onde vinha o sinal, mas eu mantinha o meu pai longe do movimento, por estar sendo vigiado.Resolvi o que já tinha em mente, entrar para o Exercito, já estava com 25 anos mas assim mesmo fui convocado.


Batalhão do II batalhão de Fronteiras
Companhia de Comando e Serviço

Capítulo VI
Servindo nas fileiras do Exército
No dia 15 de maio de 1966 passei a ser um soldado do 2º Batalhão de Fronteira na cidade de Cáceres.
Entrei no Exército por querer aprender tudo para ser um bom comandante em tempo de guerra. Não desperdicei momentos nenhum, venci todas as seleções, fui classificado para o curso de cabo, sendo destacado para ser burocrata na secretaria do Comando do Quartel, onde permaneci até dar baixa do exercito em 15 de maio de 1967. Mas nesse intervalo em que estive servindo muita coisa aconteceu dentro do Quartel e fora também.
Quando entrei no Exército, eu era obcecado pela revolução que nunca aconteceu, cheguei a fazer coisas no Exercito que se fosse pego seria expulso do Exército e entregue a justiça comum, cheguei a ponto de usar da noite para revirar o Quartel, principalmente minha Companhia CCS Companhia de Comando e Serviço.
Entrar no almoxarifado sem usar as portas, pelo forro do pavilhão entrava pelo banheiro, percorria todo o alojamento de mais de cem soldados, descia direto no almoxarifado, onde estava o arsenal de guerra de quase todo o quartel. Até ponte 50 estava ali, mas o que eu estava de olho era nos Faus (fizil automático com pente de 50 balas seme automático). Cheguei a pegar um e atravessar por dentro da Sargenteação com o fuzil na mão e sala de material bélico até uma janela que dava para a rua. Nesta janela era um vitro basculante, e cheguei a experimentar se conseguia passar a arma pelo espaço do basculante. Passava certinho, mas estava esperando a hora certa, afinal iria permanecer no Exercito pelo mais ou menos um ano.


Cabo Romulo

Capítulo VII
Mas esse dia felizmente nunca aconteceu, que na medida em que fui freqüentando os cursos do Exercito minha mentalidade ia mudando de direção, mas antes disso acontecer, no dia que fui selecionado e apresentado para o sargento instrutor, foi uma surpresa para mim, por ser o mesmo sargento que prendeu o meu pai, e nas seqüências das aulas por mais de uma vez ele mencionou a prisão do líder supremo dos comunistas em Cuiabá que era o meu pai, ainda fez uma narrativa que deu vontade de desmenti-lo, contou que deu um trabalho terrível para prender o meu pai, foi uma operação de guerra dizia ele.
Mas, conforme foi passando, eu muito dedicado e disciplinado, pois queria sair do Exercito sabendo tudo, mas, fui ficando contaminado pelas lavagens celebrais que tem nos boletins cedo e a tarde, e fui passando a gostar do Exercito, aí fiz curso de sargento também e fui aprovado e já fazia planos de engajar definitivamente nas fileiras do Exército.
Também aconteceu de eu ser convocado para tirar uma guarda na vila dos oficiais na residência de um major estava dando uma festa, e eu, cabo Romulo e mais dois soldados, ficamos de prontidão bem no canto do salão onde tinha diversas mesas com seus ocupantes quase todos oficiais.Já no final da festa uma morena de cabelos lisos engraçou-se de mim, e foi lá conversar comigo.


Guarda Vila dos Ofíciais

Capítulo VIII
Morena de cabelos lisos
Com um copo na mão chegou perto de mim e perguntou se eu não queria um gole e estendeu o copo para mim, eu disse que estava de serviço e que não podia beber.
Ela perguntou de novo, até que horas eu estaria de serviço.
Eu disse, até na hora que terminar a festa.
Era um almoço, e não chegou até a janta e acabou.
Quando ia saindo da residência mais os soldado para recolher para o Quartel, uma surpresa a menina que me ofereceu a bebida estava me esperando, e já foi falando: entra lá no quartel, desfaça dessa roupa de serviço e venha aqui que estarei te esperando.
Corri para o quartel, tomei banho e já fui atrás da menina por nome de Dalila que passei a namorar e que depois fui saber que era filha do major em que fazia guarnição.
Fiquei muito amigo do pai dela e ele via em mim um bom partido para a filha.
Fez de tudo para que eu conseguisse permanecer no Exército, mas uma das táticas do contingente era que não tinha vaga de burocrata que era a minha QM, passou telegrama para todas as unidades que tinha na Fronteira, e nada de vaga e no dia 15 de maio de 1967 na leitura do boletim à tarde.

Capítulo IX
3º Sargento Romulo

O Coronel deu uma ordem:
Batalhão, sentido;
Todo o batalhão, mais de seicentos soldados ficaram de prontidão de sentido;
Depois outra ordem: Cabo Rômulo, fora de forma, marche;
Obedeci, sai marchando em linha reta até uma altura;
Depois outra ordem: esquerda mover;
Fiz o movimento de esquerda e segui em frente;
Quando chega bem em frente do comando, outra ordem: direita mover;
Fiz o movimento de direita e segui em frente até junto com os oficiais que deu a ordem: Alto;
Fiquei de prontidão de sentido;
Uma nova ordem: meia volta, mover;
Fiz o movimento de meia volta e permaneci em prontidão de sentido de frente para todo o batalhão.
Foi então que um oficial começou a fazer um comentário sobre mim, dizendo do meu conceito da minha dedicação do meu comportamento, enfim foi um louvor.
Depois da leitura do boletim comigo ali em posição de sentido, o Coronel tomou a palavra e disse: Cabo Rômulo, hoje estará dando baixa deste batalhão não como um cabo, mais sim como um sargento da reserva, por ter concluído e aprovado no curso de sargento.
Em seguido um subtenente veio com as divisas de sargento, e pos em cima das de cabo prendeu com um alfinete.
Mais uma vez o Coronel da uma ordem de comando:
Sargento Rômulo, fora de forma, marche;
Dei um passo à frente e sai de forma, e o primeiro a me dar os parabéns foi o Coronel, com um elogio me levando nas alturas.


Rominho

Capítulo X
Final na carreira Militar
A minha vida de militar já tinha sido concluída, agora eu pensava na namorada, o que iria fazer,deixar, passar uns dias para voltar e ficar noivo, pois minha vida de trabalho seria muito longe dali, e foi de tanto conversar que viramos a noite andando pela cidade, sempre fazendo planos e namorando.
Foi decidido, ficamos noivos quando votasse, já tinha recebido uma carta de meu irmão dizendo que estava precisando de um agrimensor para lotear uma área de 4.000 hectares em lote de 25 hectares.
E foi o que tirei proveito do quartel, foi justamente a topografia que foi dois cursos, uma no curso de cabo, e outra mais aprofundada no curso de sargento. Desde então eu sou agrimensor.
Fui para o norte trabalhar com o mano, e por causa da distância as cartas foi se distânciando também até que apareceram outras nos nossos caminhos.
Quando deixei a vida de militar, minha mentalidade referente à revolução era completamente diferente;
Já enxergava numa revolução um inferno e não uma solução, e graças a Deus que veio o final da ditadura e nosso país tornou-se gigante pela própria natureza, e eu me orgulho de ser brasileiro.
O que mais me emociono quando lembro dessas lutas com meu pai é de que ele não chegou a ver o fim da ditadura, pois morreu enfartado em 02/08/1981, mais onde ele estiver tenho certeza que esta sorrindo em saber que o nosso querido Brasil pegou o rumo certo.
Composição de Rômulo José Ferraz

Composição de: Romulo Jose Ferraz
rominho_ferraz@hotmail.com

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 1 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/literatura-artigos/revolucao-patriotismo-31-de-marco-de-1964-892948.html

    Palavras-chave do artigo:

    revolucao

    Comentar sobre o artigo

    O presente artigo tem como objeto analisar a maneira como as principais revistas e jornais de circulação nacional e local discutiram a transformação nos costumes e também na moda em Florianópolis nas décadas de 60 e 70. Em primeira instância procura-se historicizar a transformação dos corpos, principalmente femininos no período em destaque relacionando com a revolução dos costumes e sexual. Num segundo momento, remete-se a questão do desnudamento através da moda, principalmente em Florianópolis.

    Por: Rejane Esther Vieiral Notícias & Sociedade> Cotidianol 02/07/2008 lAcessos: 20,548 lComentário: 2

    Análise que aborda o desenrolar da Revolução Francesa e seus resquícios. Ano do aniversário da França no Brasil, a conjuntura desenvolvida ao decorrer da análise será primoridial para a sua compreensão.

    Por: Sérgio Costal Educação> Ensino Superiorl 21/06/2009 lAcessos: 13,905 lComentário: 3

    Uma pequena análise do Livro " A revolução dos Cravos" do autor Lincoln Secco. A Revolução dos Cravos foi um acontecimento histórico em Portugal.

    Por: Rafael Francisco Bensil Educação> Ensino Superiorl 02/03/2009 lAcessos: 1,010
    Edjar Dias de Vasconcelos

    A revolução industrial permaneceu na Europa até os meados do XIX, quando mudou de continente sendo transferida da Europa para América do Norte, particularmente os Estados Unidos, tendo como desenvolvimento econômico, servindo de modelo para o resto do mundo.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 15/03/2013 lAcessos: 27
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Foi aos poucos superando a visão metafísica do mundo por meio de uma metodologia que garanta um conhecimento que tenha fundamento de natureza prática para a sociedade e para as relações sociais produtivas, a superação do modo de produção feudal, a morte em definitivo do Antigo Regime. A revolução nasceu nesse bojo descrito.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 06/10/2012 lAcessos: 109
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Por tudo isso a importância de estudar esse grande fato político. Foi um movimento liderado pela burguesia orientada pela filosofia iluminista, com a participação de outras forças como agentes sociais da revolução.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 18/11/2012 lAcessos: 50
    Edjar Dias de Vasconcelos

    O que foi a segunda Revolução Industrial, o momento da segunda Revolução Industrial coincidiu com o rompimento com o sistema colonial, o que aconteceu praticamente na metade do século XIX, era necessário nações livres para a nova fase do capitalismo.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 22/01/2014 lAcessos: 50
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Os motivos da Guerra: suas principais causas, problemas econômicos relacionados com as classes dominantes do sul com a produção do charque o que se denomina de carne seca.

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 13/01/2014 lAcessos: 12
    Denise Jaskulski

    Antes da revolução Industrial as atividades produtivas eram feitas artesanalmente e manualmente, o trabalho era demorado e exigia muito tempo do fabricante, porém o mesmo conhecia e era responsável por todas as etapas da fabricação, desde a busca pela matéria-prima até o produto final.

    Por: Denise Jaskulskil Educação> Educação Onlinel 17/04/2010 lAcessos: 3,605 lComentário: 3

    A política brasileira além de ferver virou um inferno. Um inferno com muitos diabos que não têm medo da cruz. Deus, o nosso Pai morreu e Jesus não estão mais em seus corações. A caridade, a fraternidade e os bons princípios não foram sublimados, e sim exterminados juntamente com a ética. No coração do brasileiro só resta esperança, as forças já estão combalidas, vítimas de uma politicagem escarnecida. O encanto do Brasil antigo evaporou-se diante das aberrações e das corrupções eleitorais.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatural 13/10/2014

    Pensei nas pessoas sofredoras e fui orando para as entidades protetoras. Vi no semblante de uma criança solitária, a fome que a consumia. Imantei o amor em prol de um pequeno ser. Vi no sol da primavera seus momentos bons e ruins, mas não almejamos sofrimentos, principalmente para os seres indefesos e inocentes. Como diria Cornélio Pires, sempre noto com reserva as dores que vêm do herdeiro; não sei se o choro é de mágoa ou de briga por dinheiro.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatural 03/10/2014

    Lágrimas são emoções materializadas que romperam bandeiras do corpo físico. Em realidade, representam os excessos de energia que necessitamos extravasar. Nem sempre são as mesmas fontes que determinam as lágrimas, pois variadas são as nascentes geradoras que as expelem através dos olhos. Em épocas de política o Brasil se transforma, e denotamos como são grandes os aparatos, que os candidatos fazem para chamar a atenção do eleitor. Festival de publicidades, bandeirolas são tremuladas pelo vento d

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatural 24/09/2014

    Não temos como negar a influência da literatura da Idade Média, na literatura do cancioneiro popular da atualidade. Mesmo escritores eruditos, como Guimarães Rosa, Ariano Suassuna e outros, buscam fontes para suas obras, na literatura antiga.O cancioneiro popular adapta suas canções, sem negar o conhecimentos adquirido, ainda nos tempos de Carlos Magno, que forneceu assunto vasto para a poesia popular.

    Por: lúcia nobrel Literatural 19/09/2014

    Através do ensino de literatura estaremos levando aos nossos alunos ao conhecimento do fenômeno literário em seus aspectos: histórico-estético-cultural, através do contato com os artistas da palavra. Sendo a obra literária reflexo de vida, exteriorização verbal de uma experiência humana, nós, professores, evidentemente faremos uso dela para orientar a educação integral dos nossos alunos.

    Por: Sandra da Silva Cavalaro Zagol Literatural 29/07/2014

    Na poesia, o elemento diferenciador – o verso e tudo que nele se implica -, não deve ser tomado como recurso exclusivo e caracterizado da poesia, pois ela exprime-se por metáforas, tomadas no sentido genérico de figuras de linguagem, isto é, significantes carregados de mais de um sentido, ou conotação. a prosa é genericamente entendida com aposta ao verso.

    Por: Sandra da Silva Cavalaro Zagol Literatural 29/07/2014

    A literatura é uma forma de conhecimento da realidade que se serve da ficção e tem como meio de expressão a linguagem artisticamente elaborada. Esta nossa definição apresenta, de uma forma sucinta, a natureza e a função da literatura, bem como sua diferenciação das ciências e das outras artes.

    Por: Sandra da Silva Cavalaro Zagol Literatural 29/07/2014
    Jeferson Lopes Ribeiro

    Uma introdução ao conto. Uma espécie de continuação de contos de filhos de deuses, como hércules filho de Zeus e Percy Jackson filho de Posseidon.

    Por: Jeferson Lopes Ribeirol Literatural 25/06/2014 lAcessos: 18
    Romulo José Ferraz

    Se eu pudesse tê-la comigo amor dos meus sonhos, amor da minha vida, Se eu pudesse num acalento dos meus braços te acariciar e te beijar, Ah! Como seria maravilhoso sentir-te novamente no aconchego do meu corpo, E tê-la junto ao meu peito sentindo teu calor e teu cheiro, Cheiro de flor perfumando toda a minha vida , E desabrochando sobre o meu olhar ínfimo,

    Por: Romulo José Ferrazl Literatural 18/04/2010 lAcessos: 219
    Romulo José Ferraz

    Este é um poema que fala de um amor de um homem por uma mulher, de tamanha beleza que o encantou como uma princesa que encanta e fascina seu príncipe. Eles viveram momentos especiais, se encantaram, se admiraram, se amaram. Construíram uma vida juntos. Mas um dia o principe teve que partir, foi fazer morada num outro plano e teve que deixar sua princesa, seu tesouro, seu bem mais precioso. Mas na sua nova morada, ele espera a chegada de sua princesa, de seu tesouro, de seu único amor.

    Por: Romulo José Ferrazl Literatura> Poesial 22/02/2010 lAcessos: 693 lComentário: 2
    Romulo José Ferraz

    Eu estou vindo aqui amor, só para me despedir, Das últimas palavras desse nosso amor, há, você vai ter que ouvir. Eu sei que estou perdido, pois me deixei cair, nas armadilhas do coração, E perdido eu sei que estou, há, quanto te amei, Te entreguei minha vida e meu coração.

    Por: Romulo José Ferrazl Literatura> Poesial 04/01/2010 lAcessos: 491
    Romulo José Ferraz

    Menina só e sem ninguém...! Por quê? Tão jovem e tão bonita, terás medo do amor? Porque sentires perdida, diante do tão nobre sentimento?

    Por: Romulo José Ferrazl Literatura> Poesial 03/01/2010 lAcessos: 141
    Romulo José Ferraz

    Minha querida meu amor, tu sempre foste o meu tesouro, Minha pedra preciosa, que um dia conquistei. No garimpo desta vida, correndo e correndo sempre, Querendo encontrar, a minha jóia preciosa, para comigo ficar.

    Por: Romulo José Ferrazl Literatura> Poesial 23/12/2009 lAcessos: 418
    Romulo José Ferraz

    Como é bom amar você, como é bom ser amado por você, O amor sempre chega sem pedir licença, e nem tem hora certa. Muitas vezes estamos carentes de um amor do sexo oposto, Cruzamos por centenas, milhares de rostos, e pessoas bonitas em que admiramos, mas, sem aquele brilho do amor.

    Por: Romulo José Ferrazl Literatura> Poesial 23/12/2009 lAcessos: 1,805 lComentário: 1
    Romulo José Ferraz

    Não sei se ainda lembra, que você me encantou, Com seus lindos comentários, nas minhas singelas poesias, Apaixonei-me por ti, sem ao menos saber quem era. Foi amor à primeira vista...

    Por: Romulo José Ferrazl Literatura> Poesial 20/12/2009 lAcessos: 454 lComentário: 1
    Romulo José Ferraz

    Porque não falarmos do amor, se é amando que sentimos o gosto de ser feliz, é amando que esquecemos as tristezas que muitas vezes nos pega de surpresa.

    Por: Romulo José Ferrazl Literatura> Poesial 16/12/2009 lAcessos: 430

    Comments on this article

    0
    Lídia S. Cruz Ribeiro 15/09/2009
    Comentários
    Puxa, Rominho! Que história mais triste!
    No entanto, por trás de todos esses relatos tristes, há uma força maior que nos faz regozijar pelos êxitos alcançados.
    E quanto ao seu pai, concordo com você, que é uma pena que ele não tenha vivenciado os direitos políticos que hoje podemos usufruir, mas, com certeza, o que hoje nos é realidade, é fruto dos esforços desses heróis incansáveis que souberam um dia, em meio a risco de morte, lutar por aquilo que hoje chamamos de LIBERDADE.
    Rominho, mais uma vez PARABÉNS, por contribuir com informações tão importantes para que possamos conhecer um pouco mais de nossa história. Você é uma lição de vida.
    ABRACEIJOS
    0
    Lídia S. Cruz Ribeiro 28/06/2009
    Interessante o relato que Rômulo faz neste texto, dando especial teor à história política de seu país. Muitos alunos saem atualmente de nossas escolas e não conseguem grafar no papel o seu entendimento acerca da política, ou seja, não experimentam, à sua essência, a representatividade que assuntos nesse patamar assumem em nossas vidas, em seus vários contextos. Parabéns!
    0
    Rita de Cássia Ferraz Cavalcante 04/06/2009
    Parabéns ao autor e para esses herois brasileiros já que o conto é verídico
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast