Textos Comentados Da Literatura Brasileira - Poesias - Infância (Carlos Drummond De Andrade)

Publicado em: 05/09/2009 | Acessos: 7,126 |

INFÂNCIA

                                                                                   Carlos Drummond de Andrade

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.

Minha mãe ficava sentada cosendo.

Meu irmão pequeno dormia.

Eu sozinho menino entre mangueiras

lia a história de Robinson Crusoé,

comprida história que não acaba mais.

 

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu

a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu

chamava para o café.

Café preto que nem a preta velha

café gostoso

café bom.

 

Minha mãe ficava sentada cosendo

olhando para mim:

- Psiu... Não acorde o menino.

Para o berço onde pousou um mosquito.

E dava um suspiro... que fundo!

 

Lá longe meu pai campeava

no mato sem fim da fazenda.

 

E eu não sabia que a minha história

era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

                                                                                                                  

Poesia e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1988.

Robinson Crusoé – novela do escritor inglês Daniel Defoe (1660 – 1731).

 

Os temas (assuntos, idéias) da poesia de Carlos Drummond de Andrade (1902/1987 - Modernismo) são as reminiscências (lembranças, impressões que ficam de uma experiência passada) da infância, a tranquilidade da vida no interior e a segurança oferecida por seu núcleo familiar no tempo em que o poeta-menino vivia em Itabira (MG). O autor relata sua infância na pequena fazenda de sua família, registrando o dia-a-dia de todos: o pai montado a cavalo indo para o campo (Zona fora do perímetro urbano das grandes cidades, no qual predominam as atividades agrícolas), a mãe cosendo e prestando atenção ao sono reparador do irmão menor, e ele próprio, entre as mangueiras, lendo (valorizando o hábito da leitura desde os tempos de menino) e fazendo comparações entre a sua história e a de Robinson Crusoé (Daniel Defoe – 1660/1731 – escritor inglês). Relembra também, ao meio-dia de sol forte (“...branco de luz...”) a preta velha, livre, longe da senzala, que faz um café muito bom, muito gostoso e sinal de hospitalidade.  Notamos certa analogia com a história de Robinson Crusoé, que devido a um naufrágio fica afastado da civilização, ou seja, solitário, isolado do contato humano, fato que o poeta relaciona com sua infância (“Eu sozinho menino...”), não em virtude de acidentes, mas, talvez pelo fato de viver no interior de Minas Gerais, onde grandes distâncias de terras apresentam ou apresentavam baixos índices populacionais, ou ainda, em virtude da idade, isto é, pelo fato de ser criança. Finaliza com a observação de que toda história é bonita, e que para isso, basta felicidade para seus “personagens”, a de Robinson Crusoé, mas também a nossa, são histórias belas, comoventes, interessantes. Temos nessa

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/literatura-artigos/textos-comentados-da-literatura-brasileira-poesias-infancia-carlos-drummond-de-andrade-1199159.html

    Palavras-chave do artigo:

    infancia

    ,

    menino

    ,

    historia

    Comentar sobre o artigo

    Paulo Matheus de Souza

    A história é basicamente cômica, mas tendo o enredo voltado para um futuro trágico e nada convencional na Terra. A história caminha perto do ano 2400, e o humanos são considerados os causadores de todo o sofrimento do povo que agora habita a Terra: Yesterdays, além de outras criaturas bizarras. Conforme o texto vai se desenvolvendo, alguns pontos de vista sobre como a Terra ficou assim vão sendo jogados na narrativa, que foca também diversos personagens no decorrer do contexto (Parte II).

    Por: Paulo Matheus de Souzal Literatural 11/09/2009 lAcessos: 158
    Dinis Xerinda

    Não se pode ter dúvidas de que Walt Disney teve o grande mérito de trazer muita diversão e cultura a pessoas de todas as idades, principalmente às crianças de todas as gerações desde a década de 1920 até hoje. A influência de seu trabalho foi tão grande que encantou gerações do mundo inteiro durante sua vida e ainda encanta, mesmo 43 anos depois de sua morte.

    Por: Dinis Xerindal Psicologia&Auto-Ajuda> Auto-Ajudal 13/05/2011 lAcessos: 2,585
    Prof. JV de Miranda Leão Neto

    Um animal hibernando num clima quente e a estranheza de ter passado desapercebido durante várias semanas, levou a um dado curioso e ao presente artigo.

    Por: Prof. JV de Miranda Leão Netol Lar e Família> Animaisl 23/02/2011 lAcessos: 153
    Patricia Cassia Pereira Porto

    Todo discurso está impregnado de impressões muito pessoais, subjetivas; mas todo discurso também parte de uma cultura socializada, na qual, ideologicamente, as palavras simbolizam um universo coletivo. Os textos, principalmente os orais, estão marcados por valores éticos, estéticos, políticos, culturais, religiosos. Tanto nos estudos literários quanto nos estudos históricos notamos a crescente busca pelas marcas orais e sócio-temporais que não foram documentadas pelo registro da escrita.

    Por: Patricia Cassia Pereira Portol Educação> Línguasl 11/04/2011 lAcessos: 551
    SONIA OLIVEIRA SILVA

    INFÂNCIA EM UM SÍTIO NO SUL DE MINAS Trata-se de um sítio, próximo da cidade, onde tudo era lindo e cheirava gostoso. Há mais de trinta anos atrás ainda não tinha energia elétrica naqueles lados. Nem postes acesos na noite. O povo que por lá vivia acostumara-se a seguir a lua cheia. Era a única luz que tinham nas noites escuras. Em casa, só lampiões e lamparinas.

    Por: SONIA OLIVEIRA SILVAl Educação> Ciêncial 09/07/2008 lAcessos: 740 lComentário: 3
    Agnaldo Paulino da Silva

    Meu maior defeito, nos despreocupados dias da infância, consistia em desanimar com demasiada facilidade quando uma tarefa qualquer me parecia difícil. Eu podia ser tudo, menos um menino persistente. Foi quando, certa noite, meu pai me chamou para conversarmos.

    Por: Agnaldo Paulino da Silval Negócios> Negócios Onlinel 11/11/2010 lAcessos: 324
    Edjar Dias de Vasconcelos

    Ele era um estranho no palácio, viveu a infância em outros lugares. Nunca foi visto com seu pai, curiosamente, Akhenaton jamais foi referenciado como filho de Amenófis III, tomou sua mulher como esposa

    Por: Edjar Dias de Vasconcelosl Educação> Ensino Superiorl 04/09/2013 lAcessos: 51

    A partir da década de 30 houve uma ampliação e consolidação do romance brasileiro, isto devido ao engajamento político e social de escritores como Graciliano Ramos com a obra Angústia e José Lins do Rego com a obra Menino de Engenho que fizeram um regionalismo, tanto urbano quanto rural, comprometido com o mundo brasileiro, através do documentário e estudo do meio social em que se inserem seus personagens. As duas obras fazem uma viagem pelas paisagens locais enfocando problemas, tipos sociais, a linguagem e os costumes do povo.

    Por: Rosana Pereira de Souzal Literatura> Ficçãol 17/09/2009 lAcessos: 1,554
    Reginaldo Silva Ribeiro

    Este trabalho retrata a história de um menino, que nasceu em um lugarejo, onde seria impossível, reencontrar sua felicidade, porém, mostrou que é possível alcançar o que se busca quando se busca.

    Por: Reginaldo Silva Ribeirol Literatura> Crônicasl 21/04/2014 lAcessos: 30

    A política brasileira além de ferver virou um inferno. Um inferno com muitos diabos que não têm medo da cruz. Deus, o nosso Pai morreu e Jesus não estão mais em seus corações. A caridade, a fraternidade e os bons princípios não foram sublimados, e sim exterminados juntamente com a ética. No coração do brasileiro só resta esperança, as forças já estão combalidas, vítimas de uma politicagem escarnecida. O encanto do Brasil antigo evaporou-se diante das aberrações e das corrupções eleitorais.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatural 13/10/2014

    Pensei nas pessoas sofredoras e fui orando para as entidades protetoras. Vi no semblante de uma criança solitária, a fome que a consumia. Imantei o amor em prol de um pequeno ser. Vi no sol da primavera seus momentos bons e ruins, mas não almejamos sofrimentos, principalmente para os seres indefesos e inocentes. Como diria Cornélio Pires, sempre noto com reserva as dores que vêm do herdeiro; não sei se o choro é de mágoa ou de briga por dinheiro.

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatural 03/10/2014

    Lágrimas são emoções materializadas que romperam bandeiras do corpo físico. Em realidade, representam os excessos de energia que necessitamos extravasar. Nem sempre são as mesmas fontes que determinam as lágrimas, pois variadas são as nascentes geradoras que as expelem através dos olhos. Em épocas de política o Brasil se transforma, e denotamos como são grandes os aparatos, que os candidatos fazem para chamar a atenção do eleitor. Festival de publicidades, bandeirolas são tremuladas pelo vento d

    Por: Antonio Paiva Rodriguesl Literatural 24/09/2014

    Não temos como negar a influência da literatura da Idade Média, na literatura do cancioneiro popular da atualidade. Mesmo escritores eruditos, como Guimarães Rosa, Ariano Suassuna e outros, buscam fontes para suas obras, na literatura antiga.O cancioneiro popular adapta suas canções, sem negar o conhecimentos adquirido, ainda nos tempos de Carlos Magno, que forneceu assunto vasto para a poesia popular.

    Por: lúcia nobrel Literatural 19/09/2014

    Através do ensino de literatura estaremos levando aos nossos alunos ao conhecimento do fenômeno literário em seus aspectos: histórico-estético-cultural, através do contato com os artistas da palavra. Sendo a obra literária reflexo de vida, exteriorização verbal de uma experiência humana, nós, professores, evidentemente faremos uso dela para orientar a educação integral dos nossos alunos.

    Por: Sandra da Silva Cavalaro Zagol Literatural 29/07/2014

    Na poesia, o elemento diferenciador – o verso e tudo que nele se implica -, não deve ser tomado como recurso exclusivo e caracterizado da poesia, pois ela exprime-se por metáforas, tomadas no sentido genérico de figuras de linguagem, isto é, significantes carregados de mais de um sentido, ou conotação. a prosa é genericamente entendida com aposta ao verso.

    Por: Sandra da Silva Cavalaro Zagol Literatural 29/07/2014

    A literatura é uma forma de conhecimento da realidade que se serve da ficção e tem como meio de expressão a linguagem artisticamente elaborada. Esta nossa definição apresenta, de uma forma sucinta, a natureza e a função da literatura, bem como sua diferenciação das ciências e das outras artes.

    Por: Sandra da Silva Cavalaro Zagol Literatural 29/07/2014
    Jeferson Lopes Ribeiro

    Uma introdução ao conto. Uma espécie de continuação de contos de filhos de deuses, como hércules filho de Zeus e Percy Jackson filho de Posseidon.

    Por: Jeferson Lopes Ribeirol Literatural 25/06/2014 lAcessos: 17

    História (inventada) de um triângulo amoroso moderno: o homem tolo, a mulher travessa (Flor) e o pedreiro chinês.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Ficçãol 15/10/2010 lAcessos: 330 lComentário: 3

    Romance de José Martiniano de Alencar (1829 a 1877 - Romantismo) que narra a bela história de Carolina (A viuvinha que dá nome ao romance) e Jorge da Slilva.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Ficçãol 13/09/2010 lAcessos: 593

    Pequenos comentários sobre a obra de Joaquim Manuel de Macedo e o romance A moreninha (1844), considerado o primeiro romance da Literatura Brasileira.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Ficçãol 28/04/2010 lAcessos: 1,222

    Pequenos estudos sobre os mais belos sonetos das Literaturas Portuguesa e Brasileira.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatural 10/12/2009 lAcessos: 2,571 lComentário: 2

    As observações de Maria José sobre os vários setores (político, moral, religioso, educacional, etc.) que compõem a nossa sociedade e sua "receita" para alcançar a felicidade.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Crônicasl 19/09/2009 lAcessos: 285

    Análise de um das mais bonitos e famosos sonetos da Literatura Brasileira, obra de Vinicius de Moraes (1913/ 1980 - Modernismo Brasileiro). O poeta discute a luta eterna entre o Amor e a fidelidade.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Poesial 19/09/2009 lAcessos: 10,061 lComentário: 6

    Pequenos comentários sobre duas velhas questões literárias: a) O que é poesia? b) O que é o poeta? E a tentativa (Será que é possivel?) de encontrar respostas aceitáveis.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatural 22/08/2009 lAcessos: 2,250

    Pequenos comentários sobre a arte de "construir" poesias e a tentativa (Será que é possivel?)de explicar o fenômeno poético, sendo apresentadas várias definições.

    Por: Augusto de Sêniorl Literatura> Poesial 10/08/2009 lAcessos: 938 lComentário: 2
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