Um dia inesquecível

26/11/2010 • Por • 4,603 Acessos

UM DIA INESQUECÍVEL

 

Maria Eli Alves da Silva

 

Manhã de sexta-feira, 13 de agosto... Dia ensolarado. Tempo perfeito para ir... Não à praia, mas ao dentista. Será? Sei não... Assim comecei ou começaram para mim aquele sacrifício.

– Acorda menina! Que diacho de tanto sono! Vamos, é hora de tomar banho!

Despertei com os berros da comandante. Chegou o momento da consulta com o dentista.  Que sofrimento! Que tortura! Ao lembrar-me do barulho do motorzinho.

– Vai perder o ônibus! Só tem outro daqui a uma hora! Anda, diacho de menina preguiçosa! – berra a comandante do lar.

Cansei de tanto "acorda" e "vai perder o ônibus." Peguei o buzu... Cheguei ao edifício Kaufman. Entrei, pensei... pensei: "Pela escada ou pelo elevador?" O elevador é mais rápido e ainda desfruto da companhia daqueles que também irão ao dentista. Que triste o nosso destino!

Entramos no elevador. O clima era de tensão e muita expectativa, havia medo em cada olhar. Caro leitor, imagine a minha situação. Acordei aquela manhã sob pressão e xingamentos. Cheguei ao local da consulta e todos estavam aflitos, inclusive, e, sobretudo, eu. Mas o pior ainda estava por vir. Sim, estávamos no elevador... Quando, de repente, ouvimos um barulho e em seguida fez-se um silêncio... A escuridão...

– Estamos presos, gente!

– Tira a mão daí, seu...!

– So-cor-ro! Não quero morrer!

– Me tira daqui, tenho claustrofobia e nictofobia!

– Tá veno, muié, bem que eu ia pela iscada!

– Nunca gostei dessas novidade da cidade, é mió ficá  com o denti pôdi do que vim a essi tá de dotõ de denti!

As vozes gritavam desesperadas em meio à escuridão e ao aperto daquele lugar fechado. Por um momento esquecemos o objetivo de estarmos naquele ambiente. Porque todos nós queríamos apenas sair com vida do elevador. Quando, de repente...

– Olá! Tudo bem?

– Fiquem calmos!

– Já resolvemos o problema!

– Oi! Vocês estão me ouvindo?

– Esperem um minutinho e estarão livres!

Que alívio ouvir as vozes que falavam conosco pelo interfone! Saímos do sufoco. Retomamos os nossos pensamentos para o inicio do calvário.

"Que situação!" Além do susto que passamos presos, ainda tínhamos que sofrer nas mãos do dentista. Ninguém merece! Que dia! Só poderia ser uma sexta-feira, treze!

Enfim, chegamos à sala do sofrimento, e logo o pulpo-san com seu cheiro agradável nos deu as boas- vindas! "Que vida difícil, pagar para sofrer!" Tudo isso por um sorriso perfeito...

Chego à conclusão, pacientes leitores, de que escolhemos o dia errado para consultarmos o dentista.

 

 

27/12/2009