A Intenção De Formação Identitária Em Espaços Públicos Com Incorporação De Traços Étnicos Em Curitiba, Como Estratégia De Marketing
O objetivo principal do autor é pontuar numa perspectiva teórica a questão contemporânea dos espaços públicos destinados à participação cidadã e citadina onde se configuram parcerias com diferentes etnias, como estratégia de planejamento urbano de Curitiba e as correlações com o marketing de cidades advindas desta relação.
02. METODOLOGIA
A metodologia empregada foi a de revisão bibliográfica de autores diversos, de natureza informativa e remissiva. Numa segunda etapa deste exercício, o autor coleta impressões advindas de periódicos e impressos diversos (SANTOS, 1999, ps. 26-27).
03. DESENVOLVIMENTO
Um posicionamento teórico-conceitual de espaço público, modalidades, especialmente os vinculados com etnias em Curitiba, pode ser analisado tomando como referência as políticas públicas empregadas na construção dos mesmos e pela análise dos Relatórios Anuais da Prefeitura de Curitiba, de 1970 à 2004, de forma a contemplar as estratégias utilizadas pelo Estado, e o envolvimento de marketing incluindo a especulação imobiliária igualmente, em termos de valorização dos espaços urbanos e os benefícios comunitários advindos desta relação. Apresenta-se inicialmente elementos demonstrativos da intenção das últimas gestões da Prefeitura Municipal de Curitiba (1970-2004), em formar identidade nos espaços públicos da cidade, pelo planejamento estratégico de espaços considerados vazios urbanos, mas relevantes quanto à riqueza de recursos naturais, como áreas de mananciais, e de fundo de vale, que acabaram por se tornar também em parques temáticos vinculados a etnias, embora cenograficamente. Esta organização promoveu indiretamente um fluxo maior de pessoas especialmente nas conexões de ciclovias nos fins de semana, como igualmente valorizou as residências próximas a estas áreas.
Segundo Evelina Dagnino, em sua obra “Sociedade Civil e Espaços Públicos no Brasil”, “a sociedade civil brasileira, profundamente marcada pela experiência autoritária do regime militar em 1964, experimenta, a partir da década de 70, um significativo ressurgimento (DAGNINO, 2002, p.09). Em Curitiba, não é outra a postura das gestões posteriores a Omar Sabbag, senão a de ressurgir na conquista dos espaços urbanos, dotando-os de equipamentos culturais, formando cenários e transformações sociais.
Jaime Lerner, foi o protagonista da dotação de características de embelezamento urbano de Curitiba, entusiasmado pela possibilidade de criar interfaces culturais, étnicas e sociais pelos espaços recriados, de forma a promover a participação social e reforçar a identidade 01. Tornou-se um mito pela sua criatividade e desempenho na conquista destas transformações o que lhe garantiu apoio junto às elites da cidade (especialmente as étnicas) a ponto de se tornar prefeito três vezes no período de análise (1970-2004).
Em relação a estes grupos étnicos, vale ressaltar o posicionamento de Manuel Castells, em sua obra “O poder da identidade” segundo o qual, a presença de comunidades locais, que conservaram por muito tempo sua hegemonia ao que ele atribui à “tendência a agruparem-se em organizações comunitárias que, ao longo do tempo, geram um sentimento de pertença e, em última análise, em muitos casos, uma identidade cultural, comunal” (CASTELLS, 2000, p.79).
O Estado, responde a esta expectativa, abrindo concorrência pública para a ocupação dos espaços disponíveis nos parques, segundo informações da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Janeiro/2005), para que os grupos étnicos ocupassem os mesmos, e neles promovessem a cultura, por uma parceria entre Estado e sociedade civil.
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01 Castells bem define o termo identidade em sua obra “O poder da identidade” como sendo “a fonte de significado de um povo” (CASTELLS, 2000, p.21).
Da mesma forma, os portais étnicos da cidade – Santa Felicidade e Polonês, foram construídos, tomando por base, concursos e eleição do melhor projeto arquitetônico.
Um ponto fundamental desta discussão consiste em verificar de que forma o espaço considerado público é priorizado para atender determinados interesses de grupos ou comunidades na perspectiva étnica, valendo-se de justificativas históricas da colonização de Curitiba. Em termos de parques e bosques, o envolvimento é singelo, especialmente dos grupos folclóricos, italiano, polonês, e ucraniano. Nas praças, destaca-se a cultura japonesa (Praça do Japão). Em termos de eventos, toma lugar a Páscoa dos poloneses no Bosque do Papa João Paulo II, (FENIANOS, 2001, p. 62 ss). Realiza-se a FEIARTE no Parque Barigüi, que reúne etnias diversas, numa feira de arte e cultura típicas dos muitos países participantes, assim como o Teatro Guaíra realiza anualmente o Festival Folclórico que reúne grupos de dançarinos de muitas etnias, inclusive as de municípios vizinhos.
Quanto aos portais, o de Santa Felicidade conduz a um polo gastronômico da culinária italiana, onde as evidências demonstram ter se transformado, sendo primeiramente um bairro de dominação de imigrantes italianos, característica não mais predominante, o que retrata exatamente a interferência provocada pelo marketing na vida das cidades.2 Já o Portal dos Poloneses, demarca um território na Rua Mateus Leme, do Bosque João Paulo II, bem como uma certa concentração de famílias polonesas.
A Cidade Industrial, incorporou inúmeras empresas internacionais em seus espaços, vinculou atores com uma cidade dotada de infra-estrutura e modernização provocando um envolvimento identitário para os atores advindos de vários países do mundo. Assim, a perspectiva de modernização estreitou laços com um passado que possibilitasse esta visão de cidade que conta com uma pluralidade de culturas étnicas, organizando estes espaços com equipamentos culturais e dando-lhes formato. Tem-se desta forma a formação de imagens diferenciadas das gestões municipais, adequando estruturas produtivas às promotoras de qualidade de vida urbana conciliadas.03
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02 Um depoimento sintético de uma visitante italiana sobre Santa Felicidade: Ho percorso la strada principale di Santa Felicidade piuttosto frettolosamente. Ne ho avuto un’impressione di banalizzazione e accostamento forzato di culture e tradizioni regionali italiane: veneto, siciliano, piemontese, ecc. Mi sembra piú una promozione commerciale che un recupero dell’ídentitá italiana. Utile forse per gli abitanti, che hanno ricreato la scenografia di un modo di vivere italiano con i ristoranti, i caffe’ con il gioco del biliardo, le sedie fuori daí locali dove sedersi per chiacchierare. Sicuramente il quartiere intorno dove vivono le famiglie degli immigrati italiani risulta piú reale della parte risistemata; la quale sembra quasi soltanto una ricostruzione fatta per fini turistici ed economici.
03 A imagem de um local é um determinante básico da forma como os cidadãos e os negócios reagem a um lugar. Consequentemente um local tem de tentar administrar sua imagem ( KOTLER, 1994, 151).
3.1 Traços característicos de manifestações étnicas quanto à formação identitária como processo histórico, demonstrada nos espaços públicos.
Assim sendo, se por um lado houve a contemplação de espaços urbanos destinados aos movimentos sociais de determinados grupos étnicos, em contraponto, um discurso de pobreza e de pouca valorização da cultura afro-brasileira foi se instaurando em muitos pontos da cidade, especialmente na periferia e em alguns bairros centrais da cidade, bem como no entorno da Cidade Industrial de Curitiba 04
A questão do etnocentrismo e multiculturalismo é bem focada por Boaventura de Souza Santos, em sua obra “A crítica da razão indolente”: ... “o nosso lugar é hoje, um lugar multicultural, um lugar que exerce uma constante hermenêutica de suspeição contra supostos universalismos ou totalidades”(BOAVENTURA, 2000, p.27).
Curitiba tornou-se uma cidade mundialmente conhecida pela forma diferenciada de sua administração pública, e logo, vista virtualmente como exemplo de cidade globalizada.
Nesta diversidade, fortalecem-se as comunidades que se configuram em redes sociais no formato real e/ou virtual. Vale lembrar que ... “Rede é uma proposta de ação, um modo espontâneo de organização em oposição a uma dimensão formal e instituída (MINHOTO, 2001, p. 90). Através delas o turismo e a economia, são agilizados uma vez que constituem indicadores referenciais importantes para configurar os movimentos sociais e múltiplos deslocamentos na perspectiva de conquista dos espaços urbanos, bem como a imagem da cidade com suas virtudes e defeitos vista como mercadoria.
3.2 Movimentos sociais e articulação racional dos espaços no sentido de valorizar a cultura local e regional de Curitiba a partir dos anos 70, na forma de políticas públicas e culturas de contraponto.
A força dos grupos movimentalistas se faz notar em fins dos anos 70. É quando Curitiba se fortalece com o advento do PNDU (Plano Nacional de Desenvolvimento Urbano), e onde as grandes medidas foram tomadas para a retomada do desenvolvimento sustentável na capital do estado. O Plano Agache contempla Curitiba, com especial graça ____________
04 I Curitibanos di oggi discendono per la maggior parte da immigrati italiani, tedeschi e polacchi (NOBLE, 2002, p. 407) ... I parchi sono una piacevole caratterística di Curitiba, in particolare quelli dedicati alle popolazioni autoctone e alle diverse comunità di immigrati. Il complesso del parco compina le aree verdi com monumenti, ristoranti e la riconstruzione delle primecase e chiese edificate daí pionieri ucraini, tedeschi, giapponesi e italiani al lépoca del loro arrivo in Brasile (Ibid., p. 409).
A fusão do caráter necessariamente socialista da luta dos trabalhadores (MST) urbanos e da luta democrática pela conquista do espaço urbano é uma constante nas cidades, com ocupações irregulares dentro e fora do perímetro urbano. Como fato, destaca Eleonaldo Teixeira, em sua obra “O local e o global” a questão da sociedade civil situar-se num determinado território, no qual desenvolve suas relações e constrói seus espaços públicos para expressão e participação de seus atores (TEIXEIRA, 2001, p.55).05 Logo, nem só de planos, vivem as cidades, mas da condição de vida de sua gente.
3.3 Estratégias de diferenciação da imagem da cidade vista como produto a partir da identidade local, e posicionamento nas arenas nacional e internacional.
Manejar estes problemas urbanos, especialmente os de resistência às políticas públicas adotadas em determinada fase da vida de uma cidade, inserida num contexto global, requer planejamento estratégico. Vale lembrar”: “Planejar é mais do que um exercício de futurologia, é sobretudo uma forma de quantificar expectativas para perseguir metas (COBRA, 1989, p.09).
Neste sentido, Curitiba foi conectada por um invejável sistema de transporte que sobrevive por mais de 30 anos sem que para tanto a experiência do metrô fosse colocada como primeira opção. Coloca-se em evidência a relação da intenção de melhorar um local, e a idéia errônea de que vender significa promovê-lo. Mais que isso: “... fazer com que ele satisfaça as necessidades de seus mercados-alvo.” Disto, depende o desejo que faz deste local, uma atração turística (KOTLER 1994, p.106). Além disso, há características especiais, como habitabilidade, investibilidade e visitabilidade. O local acaba sendo constituído de personalidade de tal forma que vira um personagem .Nesta condição coloca-se a dotação de infra-estrutura. Tem-se o local, como fornecedor de serviços, como ambiente fixo, e como local de entretenimento e recreação (Ibid. p. 107).
3.4 Formas como a sociedade civil, governo e empresas públicas, se organizam para dotar a polis de características de embelezamento.
Esta diversidade cultural e étnica pode ser melhor entendida no discurso de Cândido Mendes, em sua obra “Crise e Mudança Social” em termos de sociedade civil, configurada
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05. Adverte Teixeira: “Os conflitos entre grupos sociais se agravam em determinados países, exacerbando-se diferenças étnicas e religiosas ou identidades culturais (TEIXEIRA, 2001, p. 57).
em elite ou classe social. Segundo o autor a mais recente literatura sobre o assunto, vem manifestando clara tendência no sentido de considerar que a classe social é determinada por fatores de renda e de ocupação, com um coeficiente de atributividade estatisticamente elevado, e a elite é determinada por uma diferenciação status-prestígio, com elevada correlação entre status e capacidade pessoal (MENDES, 1972).
A condição hereditária da elite corresponderia às facilidades de qualificação transmitidas e confirmadas por desempenho adequado. Várias elites portanto coexistiram numa sociedade, cada qual correspondendo a uma espécie distinta de desempenho. Neste sentido, Fernanda Ester Sanchez Garcia, em sua obra “Cidade Espetáculo: política, planejamento e city-marketing”, destaca que a imagem urbana revisitada é uma forma de reflexão crítica a organização do discurso dominante e da imagem de síntese de Curitiba que codificam as representações acerca da vida urbana bem como as práticas cotidianas de apropriação social do espaço (GARCIA, 1997, p. 175 e ss.)
3.5 Possibilidade de criar oportunidades de interação social, interfaces culturais, étnicas e sociais pelos espaços recriados, nas modalidades de participação social
Esta perspectiva vem ao encontro da participação cidadã e citadina pelo envolvimento de atores na construção da imagem da cidade vista como produto. Destacam-se as muitas estratégias da Administração Pública, no sentido de promover eventos que permitam fazer dos espaços públicos urbanos algo muito mais dinâmico do que a simples ocupação, com rotinas conhecidas e traçadas, dotando-os de infra-estrutura e dinamizando sua utilização, não esquecendo das questões de conservação e preservação.
Uma estratégia recente da Fundação Cultural de Curitiba, rompeu com práticas tradicionais, tais como levar livros aos parques para sessões de leitura (Parque Barigui), ou o próprio Bonde da Rua XV de Novembro (local de lazer para crianças cujos responsáveis fazem compras), mas manteve outras, como a “contação de histórias” na casa de bonecas do Bosque do Alemão. Com o advento das Ruas da Cidadania (Pólos de informação e serviços públicos nos bairros de Curitiba) e dos Faróis do Saber (Pólos de material didático e informática em pontos estratégicos da cidade) as populações ditas “segregadas” tiveram mais acesso a informação e a cultura rompendo com paradigmas sociais de favoritismo étnico e privilégios sociais, como acesso aos cinemas, teatros, locais de lazer, compras, centralizados a ponto de promover deslocamentos constantes de atores sociais economicamente diferenciados, numa segunda leitura do cidadão, qual seja a sua postura sócio- econômica. A expansão da cidade se dá de dentro para fora mas mantém suas interfaces de comunicação, alvo este pontual na crítica de muitos de seus visitantes e habitantes, ao promover comentários que a desqualificam na posição que ocupa como Capital Americana da Cultura (2004). Em 2005, as tarifas de transporte público foram barateadas aos domingos, para que os atores possam circular na cidade e usufruir dos equipamentos culturais dotados nestas áreas de lazer, esporte e cultura, rompendo com hábitos elitistas e democratizando-os.
3.6 A cidade transpondo as barreiras do tempo
- Para demonstrar as relações específicas entre espaço urbano, políticas públicas e atores sociais, vale-se da obra de Jorge Samek “A Curitiba do terceiro milênio”.Segundo o autor, aponta-se para as utopias concretas no que pode esta obra contribuir para a formação de consenso sobre a experiência política deste município (SAMEK, 1996). A Lei Orgânica do Município de Curitiba, atende aos princípios da Democracia Participativa, o que implica dizer, respeitar a diversidade étnica de todos os atores sociais que a compõe, permitindo sempre que possível o estudo de viabilidade de planos, programas e projetos, a partir do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, do Plano Plurianual, das Diretrizes Orçamentárias e do Orçamento Anual (Art. 79, II). Assim sendo, observa-se a necessidade de criação de espaços onde a cultura possa estar tomando parte, como forma de consolidar as relações sociais especialmente apoiadas pela Lei de Incentivo à Cultura, que passou a vigorar a partir de 1993, viabilizando a criação de centenas de espetáculos e obras artísticas. oriundos das receitas de IPTU e ISS, porém segundo reclames não absolutamente democráticos, porque apoiam eventos de caráter elitista enquanto os mais populares ficam carecendo deste apoio.
Segundo Samek, a cultura de Curitiba, tem um forte viés clientelista, protegendo artistas que estão próximos das estruturas de poder. A produção local dificilmente consegue apoio local. Curitiba tornou-se um dos principais pontos de cultura do país e a cidade está toda adaptada para ser o que é, ou seja, a capital que organiza o festival de teatro anualmente em vários pontos da cidade, inclusive ao ar livre. Sabe-se que os principais espaços culturais da cidade encontram-se na região central e nos bairros mais próximos ao centro e a programação acontece nestes espaços. O que se observa é a total marginalização de centros culturais mais afastados. Porém, a manifestação cultural pode ser evocada em qualquer espaço, e para qualquer público. No entanto, esta ainda é uma verdade que desafia os planejadores de espaços urbanos.(SAMEK, 1996, p. 181). Apresenta-se em seguida, uma simplificada cartografia destes espaços públicos e suas correlações étnicas.
3.7 Envolvimento de marketing incluindo a especulação imobiliária
A valorização dos espaços urbanos, fundamento do marketing de cidades, contempla entraves. Em 2004, o prosseguimento da decomposição do tecido social ensejará o crescimento de todas as formas de violência social, com destaque para a criminalidade organizada e não organizada, no campo e na cidade, não raro como estratégias de sobrevivência. Segurança pública torna-se pois uma questão relevante, nas áreas de circulação pública, na manutenção da ordem social e respeito a propriedade privada.
Esta evidência de exclusão e tentativa de inclusão requer cuidado na gestão pública das grandes cidades, especialmente Curitiba, onde há muita segregação em bairros mais isolados e desgarrados de interesses elitistas das comunidades locais, centradas em bairros privilegiados com espaços públicos organizados, e conseqüente valorização imobiliária. Logo, melhor assistidos em termos de infra-estrutura urbana. Os espaços públicos antes de mais nada devem ser promotores da qualidade de vida, e não um ponto de disputa e de reforço do paradigma que divide o “nós” e “eles”, pois teoricamente não parece ter sido esta a razão da concepção dos mesmos, embora os entraves de dominação étnica e territorial em Curitiba, estejam presentes e reforçados politicamente.
04. CONCLUSÃO
Emerge, sobretudo a necessidade de que se pense racionalmente em promover interfaces de mediação de espaços e interesses, fazendo valer o slogan conferido à Curitiba, como “Capital Social”. Tem-se, contudo que relevar a questão étnica e os determinantes sócio-econômicos na definição das políticas urbanas de Curitiba na forma como já relevaram pela diversidade da mesma, especialmente a partir da década de 70, quando a cidade se reconfigura numa perspectiva de futuro, observando a forma participativa e contributiva dos grupos étnicos na sustentabilidade dos processos sócio-econômicos, políticos e culturais desta cidade em especial relação com as políticas urbanas contemporâneas (1970-2004). Como sugere Samek, somos partícipes das construções desta nova cidade como espaço de vida, de cultura, de civilização e de desenvolvimento (SAMEK, 1996, p. 17).
Pelo seu grande potencial de diferenciação étnica em Curitiba, criatividade e desempenho de seus gestores, uma vez projetado o interesse do Estado neste sentido, sua intenção direcionou-se para estes atores, etnicamente diversos, numa perspectiva que rompia com os laços históricos coloniais tão somente, mas que resgatava uma projeção dos mesmos, na pretendida reurbanização da cidade, incluindo-os em suas estratégias de gestão urbana, o que tornou-se um traço marcante da paisagem urbana desta cidade, por estratégia de marketing, complementada pela dotação de equipamentos culturais, em alguns setores da cidade, tornando-se verdadeiros ícones das culturas que se fazem representar nestes espaços, tornando-as mais presentes e atuais na vida das comunidades, pela dinamização de agendas culturais que contribuam para a sustentabilidade dos movimentos sociais e das políticas públicas que lhes dão escopo, bem como conseqüente cristalização da vocação destes espaços, para que não se banalizem pela força de resistência social oriunda dos diversos setores da sociedade.
REFERÊNCIAS
CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. Ed. Paz e Terra São Paulo-SP, 2000.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em rede. 3a.ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
DAGNINO, Evelina. Sociedade civil e espaços públicos, Paz e Terra, São Paulo-SP, 2002.
FENIANOS, Eduardo Emílio. Manual Curitiba: A cidade em suas mãos - Curitiba: Univer Cidade, 2003. 160 p.
FERNANDES, Carlos Renato. O Paraná, 3a ed. Hamburg Gráfica editora Ltda. São Paulo-SP, 1996.
KOTLER, Philip. Marketing Público, MAKRON Books do Brasil Editora Ltda, 1994.
MINHOTO, Laurindo Dias. As redes e o desenvolvimento social, cadernos FUNDAP, no 22, ps. 81-101, 2001.
NOBLE, John. Brasile. Lonely Planet, 2a ed. Italiana, Melbourne, VIC 3011, Austrália, 2002.
PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA, Relatórios Anuais 1970-2003, Curitiba: PMC, 2000.
SAMEK, Jorge. A Curitiba do terceiro milênio, Editora Palavra, Curitiba – Pr, 1996.
GARCIA, Fernanda Ester Sanchez. Cidade espetáculo: política, planejamento e city-marketing. Curitiba: Palavra, 1997.
SANTOS, Antonio Raimundo. Metodologia Científica, DP&A Editora, Rio de Janeiro-RJ, 1999.
TEIXEIRA, Elenaldo. O local e o global. Limites e desafios da participação cidadã. São Paulo: Cortez, 2001.
(Artigonal SC #1106644)
Palavras-chave do artigo:
espaços públicos / etnias / identidade / estratégia / marketing/ políticas públicas
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