Witer Brasil
Lagoa Santa, MG, Brazil
Consultor em Administração de Empresas com especialização em Marketing. Acumulou boa experiência em empresas multinacionais nas áreas de venda. Já realizou trabalhos com repercução a nível nacional em empresas de telecomunicações. Como professor leciona Economia, Marketing e Estatística. Contato: witerbrasil@gmail.com Fone 31-9197.8178/31-3681.8844- webprofessores.com
Witer Brasil 12/10/2006
Crônica
Geralmente em bairros de classe A das grandes cidades, existem praças com pistas de Cooper. Em uma dessas, com bastante vegetação e belos jardins, quiosques que vendem água de coco, refrigerantes e salgadinhos, vai ser o nosso cenário e ponto de observação.
À parte, o conceito pouco lisonjeiro de Maquiavel, é o local onde a prefeitura monta seu grande circo e distribui pães ao povo, realiza suas promoções, eventos e outras formas de comunicação, independente de interesses políticos. É a aplicação do Marketing Social, junto à natureza estruturada com pista de Cooper. Um verdadeiro cenário verde e palco do marketing ecoeficiente.
A praça que conhecemos é repleta de grandes figuras, personagens constantes, mas efêmeras pelas manhãs ou final de tardes, na pista de Cooper.
São atores despretensiosos, de um palco visível aos expectadores que surpreendidos passam, de carro ou a pé, contemplando curiosas formas de comportamento para caminhar ou correr. Isso é a principal curiosidade, o ponto alto, a janela das almas, por onde nos penetramos indiscretamente, para ver a interpretação de personagens tão diferentes e às vezes bizarras. Chega a ser divertido:
A “Pista de Cooper da Praça” é uma verdadeira passarela por onde desfilam homens e mulheres. As mulheres mais discretas, porem mais fascinantes.
São tantas! umas alegres, outras falantes, umas caminhando e outras correndo. Despojadas de roupas tradicionais exibem uma indumentária justa ao corpo, colante, mostrando o que têm de mais bonito, as formas e curvas do corpo, tornozelos abaulados, pernas bem torneadas, barriguinhas sedutoras e bumbuns rechonchudos. Um verdadeiro desafio aos estereótipos do superego, onde se funda em paradoxo e fica subentendida a proibição.
Os homens são mais engraçados. Também nessa passarela de exibição se apresentam de forma muito variada, cada um com a sua própria característica, sua maneira de ser, o modo de exibir a técnica inovadora que criou para correr, para fazer alongamentos, modo correto de respirar e articular.
Sentado em um banco da praça, saboreando água de coco e observando as pessoas, a gente vai se deliciando com o desenrolar dos acontecimentos e comportamentos de diferentes corredores ou andarilhos de uma “Pista de Cooper da Praça”, sem saberem que estão sendo observados.
Há, por exemplo, um tipo pitoresco que a gente avista de longe. Vem ao nosso encontro, caminhando altivo e se movimentando todo, braços e pernas, pisando no chão com muita firmeza e esbanjando vigor, parecendo mais um daqueles soldados comunistas que marchava na praça vermelha, mas sem farda militar, com roupas descontraídas, tipo bermuda e camiseta, fica insinuando apenas o desejo de ser um grande sargento.
Há também o tipo remador; é aquele que corre com os braços levemente dobrados e mãos fechadas, como se estivesse segurando remos e movimentando-os alternadamente conforme os passos e movimento do corpo, a uma altura, de modo a sugerir o remar dos dois lados de uma canoa.
Um tipo interessante, porem com menos freqüência, é o caso de um personagem que corre com pouca velocidade e com os dois braços sem movimentá-los e esticados um pouco para frente, com as mãos fechadas e tensas, como se estivesse empurrando um carrinho, articula passos bem miúdos e dá a nítida impressão que está o tempo todo segurando um Pum.
Outro tipo pitoresco é aquele que para correr assume uma postura graciosamente original, se posicionando levemente inclinando para frente, como se estivesse querendo dar uma cabeçada em alguém e com os braços um pouco abertos e tensos, também sem movimentá-los, como se estivesse cercando galinhas é um dos tipos mais engraçados. Corre em zig-e-zag com pouca velocidade, costurando entre as pessoas, e dessa forma, desempenhando a cena que faz lembrar, também, uma galinha choca, com asas abertas, protegendo seus pintainhos.
Muito comum, são aqueles que para fazer alongamento usam uma arvore qualquer no seu caminho. Posicionam-se na frente dela, com as duas mãos depositam toda força que têm sobre o tronco. Se fingirmos que não sabemos o motivo desse procedimento, fica parecendo que estão querendo, inutilmente, derrubar a arvore.
Enquanto esses atores desfilam pela passarela da “Praça com Pista de Cooper”, funcionários da prefeitura distribuem graciosamente para as pessoas mudas de hibisco. Em um palanque improvisado palhaços de um grupo teatral divertem as crianças, o jornaleiro da banca fica atarefado, e daqui a pouco –diz o pipoqueiro-, uma dupla sertaneja vai cantar. A satisfação toma conta do lugar, alegria se manifesta e tudo no seu devido tempo normalmente acontece. Mas, nalgum lugar, existe um casmurro, a observar cada um dos modelos sociais, buscando com ansiedade e expectativa de mais um tipo pitoresco para contar.
Há! Se todas as prefeituras desse país tivessem espaços estruturados, como esse, para oferecerem as pessoas satisfação de necessidades tão nobres e por meios tão engraçados. Se soubessem montar circos e distribuir pães corretamente, (no bom sentido). Então seriamos todos cidadãos mais notáveis, mais ricos de saúde, mais civilizados e com mais esperança na competência dos governantes. O Marketing Social e ecoeficiente seria indispensável e o mais aplicado por todos governantes municipais. Os resultados seriam nossos. Nosso bem estar, nossa satisfação, nosso prazer pela vida e cidadania altamente justificada com IDH tão elevado quanto aos dos escandinavos.
Bem-aventurado os que caminham e correm felizes e indiferentes ao bobo do observador que se recusa inventar, também, um tipo esquisito para desfilar na 'Pista de Cooper da Praça'.


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