Quem Precisa De Media Training
Se você já gaguejou durante entrevistas, teve a sensação de estar num beco sem saída ou até se negou a responder perguntas de jornalistas realmente precisa ser treinado para o contato com a imprensa. Não adianta adiar, negar ou deixar para segundo plano: a necessidade da prática existe e quem não treina não aprende. Falar com a imprensa requer a mesma dinâmica de qualquer outro desafio: conhecer como deve funcionar o relacionamento e aprender a se relacionar. Em toda relação existem particularidades que, se familiarizadas, são facilmente vencidas.
Falando assim sobre o assunto até parece que dar uma entrevista para a imprensa é coisa do outro mundo. É certo que alguns dizem ter traumas da experiência, mas existe muita fantasia também. A ideia de que o jornalista vai preparar o seu fim a partir de uma conversa é pura mania de perseguição. Quem deve, pode até temer, mas não deveria se esconder e evitar o contato. O que todo porta-voz tem que entender é que precisa da imprensa. Por um motivo ou outro, o político, executivo, profissional liberal, artista ou atleta busca exposição na imprensa: para ganhar votos, novos clientes, fãs ou simpatizantes. É claro que o objetivo é sempre o da visibilidade positiva. Mas se a negativa aparecer, melhor que você saiba administrar o caos da forma mais adequada. E de novo, vai precisar da imprensa para se defender, explicar, justificar e mostrar a sua verdade. Se não aproveitar a oportunidade, vai cair na história do ‘quem cala, consente’ e o público vai fazer o juízo que quiser do que aconteceu.
Portanto, não há saída: a imprensa é o melhor caminho para se divulgar, aparecer, se mostrar. A comunicação leva à exposição, à visibilidade. E para conseguir clientes, eleitores e fãs, a melhor alternativa é ter postura adequada diante da câmera e do microfone. Um dos aspectos do treinamento de mídia, conhecido como media training, é treinar o porta-voz para ter sucesso na tarefa. Para começar a entender o processo, confira as dicas abaixo. Se as orientações teóricas não forem suficientes, o melhor é praticar, simular as entrevistas para adquirir segurança e transmitir credibilidade.
Dicas práticas:
1 A lente da câmera não é espelho, portanto não fique olhando diretamente na lente, se estiver sendo entrevistado por um jornalista. É pra ele que você tem que olhar, em respeito e consideração à oportunidade de estar sendo ouvido. Exceção para horário político: durante a gravação você deve olhar diretamente à câmera, como se estivesse olhando nos olhos do eleitor.
2 Se o microfone for direcional, não pegue no equipamento de jeito nenhum. O repórter tem que ficar autônomo para movimentar o microfone a qualquer momento. É o jornalista que vai dirigi-lo a você. Se o microfone for o de lapela, um técnico vai instalá-lo na gola da sua camisa ou paletó. Cuide para não bater as mãos no microfone, nem tossir em direção a ele.
3 E por falar em movimentos, cuidado com gestos exagerados. Segurar as mãos para trás não é uma boa pedida, porque pode restringir sua liberdade. O melhor é dosar a movimentação das mãos e da cabeça, sem afetação. O corpo nunca se mexe. Quando estiver em pé, abra um pouco as pernas e mantenha-as em paralelo para facilitar o equilíbrio. Se estiver sentado, capriche na postura.
4 É a linguagem não-verbal, que também poderá ser notada, se você não prestar atenção nesse tipo de manifestação, ou seja, regule gestos, caretas, movimentos com a sombracelha e, principalmente, com a cabeça.
5 É fundamental apresentar visual limpo e asseado na hora da entrevista. Roupa amassada ou com manchas de suor devem ser trocadas. Para as mulheres, não à transparência ou decotes sensuais que comprometem a credibilidade e tiram a atenção do telespectador. Os cabelos devem ter bom corte e estar penteados.
6 Para não sobrar tecido do blazer nos ombros, estique a peça nas costas e sente-se na sobre do tecido. Assim você prende a roupa e fica na estica!
7 As cores também têm que ser estudadas. Se o fundo do estúdio é azul royal, não apareça com uma camisa ou terno da mesma cor: corre o risco de ficar transparente. Tecidos listrados, quadriculados ou com estampas grandes provocam o efeito de ‘batimento’ que ‘borra’ a imagem no vídeo. Portanto prefira as cores lisas e tecidos sem brilho.
8 É no uso do vocabulário que o porta-voz tem que fazer bonito. Nada de reduzir palavras no final, engolir ‘ésses’ ou errar a concordância verbal. Independente do seu cargo ou ocupação, o português tem que ser falado corretamente.
9 O tom de voz é o termômetro para o seu humor. Se falar forte, com raiva, vai parecer que está bravo. Se falar muito macio (para as mulheres), pode mostrar sensualidade fora de hora. Encontre o tom de voz que passa firmeza e credibilidade, com simpatia. Se for necessário demonstrar alegria, sorria e fale: vai apresentar uma voz simpática e feliz.
10 Para os homens, a maquiagem é necessária quando o local da gravação é o estúdio. Para as mulheres, se houver o costume a maquiagem cai bem, mas não se deve usar o artifício com exagero para parecer que foi feita uma produção para a entrevista.
Outras dicas estão no Manual do Porta-Voz, que pode ser baixado gratuitamente no site www.treinamentodemidia.com.br
Aurea Regina de Sá é jornalista, pós graduada em Comunicação Empresarial e especialista em Media Training, treinamento que capacita porta-vozes no relacionamento com a imprensa.
(Artigonal SC #985191)
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