Literatura Infantil E Educação

15/02/2010 • Por • 4,603 Acessos

Dentro do contexto da literatura infantil, a função pedagógica implica a ação educativa do livro sobre a criança. De um lado, relação comunicativa leitor-obra, tendo por intermédio o pedagógico, que dirige e orienta o uso da informação; de outro, a cadeia de mediadores que interceptam a relação livro-criança: família, escola, biblioteca e o próprio mercado editorial, agentes controladores de usos que dificultam à criança a decisão e a escolha do que e como ler. (OLIVEIRA, 1998, p. 13)

As literaturas Infantis nesse universo escolar, têm como finalidade reforçar esses conhecimentos adquiridos anteriormente, e dar novos conhecimentos à criança. Essa literatura é transmitida oralmente à criança através das histórias, e têm como objetivo conduzir a criança na arte da boa leitura, na compreensão daquilo que lê, da pronúncia e articulação, no enriquecimento do vocabulário e dar maior conhecimento à língua vernácula, facilitando com isso os meios de expressão falada e escrita, também proporcionar um crescimento cultural, despertar valores, éticos, morais e espirituais na criança.

Segundo Abramovich (1994, p. 17),

Ler histórias para crianças, sempre, sempre... É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelas personagens, com a idéia do conto ou com o jeito de escrever dum autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento...                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

A autora ainda destaca que, é ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranqüilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve.

Paulo Freire (1996, p.28) declara que, “A leitura de mundo precede a leitura da palavra e a leitura desta implica a comunidade da leitura daquela”

A leitura nos dá condições para entendermos o mundo, ela nos decifra aquilo que está escrito, nos comunica ou informa sobre algo, e a leitura juntamente com as literaturas, ambas dão ao homem autonomia, pois amplia a visão holística do ser humano, dando-lhe o ato da reflexão, da análise, proporcionando-lhe um raciocínio mais claro e lógico, e na Educação Infantil melhora o desenvolvimento cognitivo da criança, que por sua vez torna-se capaz de opinar e decidir com segurança seus objetivos.

Abramovich (1994, p. 17) destaca que é através duma história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, outra ótica.

É ficar sabendo História, Geografia, Filosofia, Política, Sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Porque, se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer e passa a ser Didática, que é outro departamento (não tão preocupado em abrir as portas da compreensão do mundo. (ABRAMOVICH, 1994, p. 17)

Segundo Cunha (1988, p. 42) definido que a literatura deve ser “aprendida” pelo aluno, um silêncio total preenche o tempo entre a apresentação do título da obra a ser lida e a prova que comprove sua leitura.

Ensinar o “ato” de ler, por meio da Literatura Infantil, não é simplesmente ensinar a criança a ler o mundo, mas sim um “ato” de amor, uma vez que, “Literatura é arte. Foi a maneira mais bonita que a palavra encontrou para expressar-se verbalmente bela”.

Para Abramovich (1994, p. 23) o ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo.

A literatura mexe com a imaginação, pensamento e ajuda na formulação de idéias, visto que, um homem evoluído tem mente evoluída, e esta é a tarefa principal da Literatura Infantil, formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres nesta sociedade.

Desta forma, cabe ao professor, rever a literatura utilizada na sua escola, afastando da sua prática a literatura de cunho pedagógico, pois ela tem a finalidade de ensinar mediante normas contidas em suas histórias, tendo sempre um final moralizante.

Essas histórias fazem o aluno perceber que devemos trabalhar, ficar contentes com o que possuímos, ajudar, ser bonzinhos..., contribuindo para formar crianças passivas, seguidoras de modelos e de normas, uma formação inadequada para nossa época.

Mas, “não basta colocar a criança em contato com o livro, na escola, para se conseguir formar um leitor. É preciso atentar para alguns detalhes extremamente importantes...”(COELHO, 2000, p. 27)

Então, se faz necessário, que o professor introduza na sua prática pedagógica a literatura de cunho formativo, que contribui para o crescimento e a identificação pessoal da criança, propiciando ao aluno, a percepção de diferentes resoluções de problemas, despertando a criatividade, a autonomia, a criticidade, que são elementos necessários na formação da criança de nossa sociedade atual.

Ouvir histórias é viver um momento de gostosura, de prazer, de divertimento dos melhores... è encantamento, maravilhamento, sedução... O livro da criança que ainda não lê é a história contada. E ela é (ou pode ser) ampliadora de referenciais, poetura colocada, inquietude provocada, emoção deflagrada, suspense a ser resolvido, torcida desenfreada, saudades sentidas, lembranças ressuscitadas, caminhos novos apontados, sorriso gargalhado, belezuras desfrutadas e as mil maravilhas mais que uma boa história provoca... (ABRAMOVICH, 1994, p. 24)

É necessário que o professor faça a seleção de livros de literatura que tenham boa estética, texto apropriado, uma ilustração motivadora, etc. É através da literatura infantil  que se pode fornecer condições da criança ter “conhecimento do mundo e do ser” por intermédio da realidade criada pela fantasia do escritor.

Como diz Louis Paswels (apud Abramovich , 1994, p. 24) quando uma criança escuta, a história que se lhe conta penetra nela simplesmente, como história. Mas existe uma orelha detrás da orelha que conserva a significação do conto e o revela muito mais tarde.

O ato de ouvir uma história não fica somente na audição das palavras, mas é fixado na mente da criança, fazendo com que ela possa interpretar o mundo social onde está inserida, transformando-se num sujeito ativo e participativo.

Segundo Abramovich (1994, p. 98) querer saber de todo o processo que acontece, do nascimento até a morte, faz parte da curiosidade natural da criança, pois se trata da vida em geral e da sua própria em particular...

Saber sobre seu corpo, sua sexualidade, seus problemas de crescimento, sua relação (fácil ou dificultosa) com os outros faz parte do se perguntar sobre si mesma e do precisar encontrar respostas... Querer discutir relações familiares fáceis/ difíceis/ conflituadas/ dispersivas/ gregárias/ simpationas etc., e até a nova estruturação das famílias – nestas décadas onde há tantos casamentos desfeitos e refeitos – faz partes do repertório indagativo e questionar de toda pessoa. (Abramovich, 1994 , p. 98)

Para a autora (p. 99) qualquer assunto pode ser importante, e isso não depende apenas da curiosidade da criança. Depende também do desenvolvimento do mundo, das contradições que a criança vive e encontra à frente.

A autora (p.120) ainda destaca:

Os contos de fadas mantêm uma estrutura fixa. Partem de um problema vinculado á realidade (como estado de penúria, carência afetiva, conflito entre mãe e filho), que desequilibra a tranqüilidade inicial. O desenvolvimento é uma busca de soluções, no plano de fantasia, com a introdução de elementos mágicos (fadas, bruxas, anões, duendes, gigantes, etc). A restauração da ordem acontece no desfecho da narrativa, quando há uma volta ao real. Valendo-se desta estrutura, os autores, de um lado, demonstram que aceitam o potencial imaginativo infantil e, de outro, transmitem à criança a idéia de que ela não pode viver indefinidamente no mundo da fantasia, sendo necessário assumir o real, no momento certo. (AGUIAR apud ABRAMOVICH, 1994, p. 120)

Os contos de fadas se envolvem num mundo maravilhoso, num universo que detona a fantasia, pois parte duma situação real, lidando com emoções que as crianças vivem em seu cotidiano.

Nos contos de fadas os personagens têm que procurar uma resposta para resolver o conflito que está envolvido, com isso a criança se coloca no lugar dos personagens, vive emoções e tenta resolver os conflitos existentes dentro de si.

Segundo Abramovich (1994, p. 121) os contos de fadas são tão ricos que têm sido fonte de estudo para psicanalistas, sociólogos, antropólogos, psicólogos, cada qual dando sua interpretação e se aprofundando no seu eixo de interesse.

A autora (p.122-123) destaca os autores mais famosos:

Perrault, um erudito e acadêmico francês, é autor de vários livros para adultos, tornando-se célebre e imortal por seu único volume de contos para crianças. São histórias recolhidas junto ao povo, respeitando o que tivessem de cruel, de moral própria e de poético.

Os irmãos Grimm, Jacob e Wilhelm, foram estudiosos, pesquisadores, que em 1800 viajaram por toda a Alemanha conversando com o povo, levantando suas lendas e sua linguagem e recolhendo um farto material oral que transcreviam á noite... Não pretendiam escrever para crianças, tanto que seu primeiro livro não se destinava a elas... Só em 1815 Wilhelm mostrou alguma preocupação de estilo, usando seu material fantástico de forma sensível e conservando a ingenuidade popular; a fantasia e o poético ao escrevê-lo.

Andersen é filho do povo, e seus contos brotam de sua própria infância. (ABRAMOVICH, 1994, p. 122-123)

 

Esses autores são muito importantes para a Literatura Infantil e são utilizados em sala de aula, com o intuito de promover o pleno desenvolvimento dos alunos.

Para Abramovich (1994, p. 143) ao ler uma história a criança também desenvolve todo um potencial crítico. A partir daí ela pode pensar, duvidar, se perguntar, questionar...

Pode se sentir inquietada, cutucada, querendo saber mais e melhor ou percebendo que se pode mudar de opinião... E isso não sendo feito um vez ao ano... mas fazendo parte da rotina escolar, sendo sistematizado, sempre presente – o que não significa trabalhar em cima dum esquema rígido e apenas repetitivo. (ABRAMOVICH, 1994, p. 143)

A literatura infantil desenvolve não só a imaginação das crianças, como também permite que elas se coloquem como personagens das histórias, das fábulas e dos contos de fada, além de facilitar a expressão de idéias.

Sendo assim, para que se consiga sucesso nesse sentido, pode-se           inventar e improvisar situações gostosas e significativas como trabalhos em grupos, debates, leitura crítica de jornais, dramatização de histórias, etc. É através de situações como estas que o aluno irá perceber-se como um sujeito atuante, que sente liberdade, prazer e gosto pela leitura e com certeza sentir-se-á também valorizado por participar desse processo.

Perfil do Autor

SANDRA VAZ DE LIMA

Nascida no município de Telêmaco Borba - Paraná. Graduada em Letras/ Inglês/Espanhol e Pedagogia. Especialista em Educação Especial e...