Mercado brasileiro de embriões bovinos - FIV

Publicado em: 04/04/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 271 |

EVOLUÇÃO DO MERCADO Tecnologia disponível para todo o território nacional, o Brasil vem utilizando amplamente a técnica de Fertilização In Vitro – FIV. Com uma interessante rede de atendimento, os laboratórios de biotecnologia podem atuar nos estados mais longínquos, já que o processo permite uma logística mais flexível por parte das equipes de coleta e de transferência, possibilitando, destarte, que exista uma distância considerável entre a propriedade atendida e o laboratório. Atualmente, o Brasil é o maior produtor de embriões de FIV no mundo, tendo aproximadamente 85% do mercado mundial, considerando todas as raças.

Mesmo com tanta expansão, a produção de embriões zebuínos no Brasil está chegando a uma estabilidade de mercado, sendo balanceado pelo aumento de embriões FIV nos últimos anos e pela diminuição da utilização das técnicas de Transferência de Embriões -TE. De 2006 a 2011, houve um crescimento de 28% no número de embriões FIV produzidos e uma diminuição de 73% na produção de embriões In Vivo. De acordo com a análise da Figura 1 abaixo, podemos apreender que a produção de embriões In Vitro está chegando a essa estabilidade já mencionada, a qual tem ligação direta com a demanda pelo total produzido. Ou seja, para haver uma evolução positiva, é necessário que esta demanda aumente, o que, no entanto, já é uma tendência mundial, vez que a necessidade de produção de alimentos de alta qualidade no mundo vem crescendo vertiginosamente.
Figura 1 Comparando-se os anos de 2009 e 2010, percebe-se que a produção de embriões In Vitro teve um aumento de pouco mais de 2%. A outra possibilidade de aumento desta produção decorreria da abertura de novos mercados internacionais interessados em comprar genética de qualidade para melhorar seus rebanhos, o que implicaria um aumento de produção de embriões para exportação. Embora alguns protocolos sanitários ainda não contemplem regras para embriões produzidos por FIV, tudo indica que haverá uma adequação para abranger esta técnica e não somente embriões produzidos por coleta convencional (in vivo).

Ainda no mesmo gráfico (Figura 1), podemos observar que a produção de embriões In Vivo vem diminuindo. A necessidade de aceleração da produção combinada com os custos envolvidos e os índices atuais de produção pela técnica In Vitro são fatores que contribuem para a queda na produção destes embriões. Não podemos deixar de considerar, também, que a demanda internacional pode ser uma forte influenciadora destes números, já que os protocolos atuais possuem diretrizes para importação de embriões produzidos através da técnica In Vivo.

2.1 – REGIONALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE EMBRIÕES FIV A produção de embriões zebuínos no Brasil está bem concentrada nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, bem como a localização da maioria dos laboratórios de FIV. Estas regiões reúnem o maior número de exposições de gado do Brasil, fazendo com que o mercado fique mais aquecido, servindo de vitrine aos pecuaristas melhoradores, que se utilizam desta técnica de reprodução. As regiões Norte e Nordeste, embora tenham produzido menos embriões, vêm crescendo ao longo destes três anos. As duas regiões juntas apresentaram um crescimento de 13% em 2010. Tudo isso é um reflexo da utilização da técnica que possibilita, como dito anteriormente, uma flexibilidade logística que pode ser aplicada em um país com dimensões continentais como o Brasil. Figura 2

O mercado nordestino concentra-se basicamente nos estados da Bahia, Alagoas e Maranhão, sendo que a produção no Maranhão e em Alagoas tem a raça Nelore como a de maior representatividade; já no estado da Bahia, o total produzido se divide entre as
raças Nelore e Gir (49% e 50%, respectivamente)1. No Sudeste a produção está basicamente ligada às raças Gir e Nelore, sendo esta última também a de maior representatividade. Podemos destacar microrregiões de Belo Horizonte e Rio de Janeiro como sendo aquelas que mais possuem diversidade de raças na produção In Vitro, tendo as raças Nelore, Gir, Brahman e Guzerá como as mais representativas dentro do total produzido.

3 – TENDÊNCIAS DE MERCADO A tendência de mercado, conforme já aludido, mostra que algumas raças estão se destacando dentro da produção In Vitro. Sem mencionarmos a raça Nelore, que obtém o maior número de embriões produzidos (Nelore Padrão e Nelore Mocho), a raça Gir vem ganhando mercado na produção de embriões e foi a única que manteve registros de crescimento ano após ano, ganhando espaço no total de embriões produzidos.
Figura 3
Tendência é um direcionamento ou sequência de eventos, com certa força ou durabilidade (KOTLER 2006), se fizermos uma análise mais profunda, observaremos que houve um aumento no consumo de produtos lácteos no Brasil e no mundo, o que impulsionou ainda mais a busca por uma produção barata, porém de qualidade. Cada vez mais o produtor terá de se adequar sanitariamente para atender legislações e mercados exigentes, preparando-se ainda mais para o mercado internacional. O aumento na produção de embriões ainda é conservador pois temos de levar em consideração que a produção de embriões não está diretamente ligada ao oferecimento do produto final ao consumidor e sim é apenas a primeira etapa do processo de produção. Porém, existe uma tendência de aumento desta produção, atrelada obviamente à demanda e aos mercados – interno e externo – que pode fazer com que a produção de embriões aumente ainda mais nos próximos anos.

As outras raças zebuínas totalizam 1% da produção restante no estado.
De acordo com o demonstrado no gráfico, existe uma forte tendência de que o número de embriões produzidos da raça Gir siga crescendo nos próximos anos. A participação desta raça em feiras agropecuárias no país é um reflexo da aceleração na produção, a qual vem tendo mais representatividade, inclusive no exterior, onde interessados em adquirir genética melhoradora participam de eventos no Brasil. Neste caso, existem alguns fatores que precisam ser ajustados à demanda de mercado como a adequação de protocolos sanitários, contemplando as técnicas utilizadas atualmente (congelamento FIV), e a transferência de tecnologia específica para produção de embriões em outros países. Com estes ajustes, o Brasil poderá criar um fluxo contínuo de exportação de embriões, fornecendo genética melhoradora diretamente a países interessados, e em poucos anos ter liderança na exportação de embriões. O mercado de lácteos prospecta um crescimento para os próximos anos, principalmente em países em desenvolvimento que tenham clima favorável e espaço para a expansão da produção. A cadeia de produtos lácteos promete remunerar cada vez mais a produção pela qualidade e pelo controle sanitário envolvidos no processo. Neste sentido, animais com alto teor genético se destacarão como provedores de características ímpares na produção de alimento adequado à necessidade mundial. 4 – PERSPECTIVAS FUTURAS O Brasil continuará liderando na produção de embriões In Vitro e passará a fornecer cada vez mais genética a países interessados. O crescimento da produção de embriões, por sua vez, dependerá de outros fatores e o Brasil provavelmente manterá um crescimento entre 5 a 7% por ano, estabilizando sua produção e consolidando o mercado ainda mais, atendendo o segmento Elite. Existe uma tendência de que a produção de embriões comerciais aumente nos próximos anos, contemplando grandes projetos – no Brasil e no exterior. Para isso a cadeia em si terá de se adequar, desde seus custos até a remuneração por qualidade e padronização, valorizando o investimento em biotecnologia feito pelo produtor. Neste caso, o ganho terá uma relação direta com o volume produzido e dependerá de um crescimento mais agressivo nos primeiros anos. Países importadores de carne podem ser os primeiros a se interessarem por esta tecnologia que oferece segurança alimentar, entre outros valores agregados que podem ser complementados. É o caso do emprego, por exemplo, de marcadores moleculares, que podem destacar quais características o animal possui, direcionando sua utilização para cada mercado específico, além de permitir um rastreamento mais completo, podendo ser visualizada toda a cadeia.

A demanda mundial por alimentos vem crescendo e a produção terá de ser acelerada, porém respeitando as leis ambientais, e para isso investimentos em tecnologia se fazem necessários. Estudos de mercado se mostram cada vez mais efetivos na busca de novos negócios onde a inteligência comercial procura, através de pesquisas, atribuir um diferencial competitivo a produtos e serviços. Estratégias mercadológicas de diferenciação se encaixam no perfil de produção de embriões no Brasil que hoje atribui qualidade genética, sanidade, valores competitivos entre outras características, o que os torna interessantes a mercados-alvo, seja no exterior ou no próprio país, atendendo o mercado brasileiro de carne e leite. Outros mercados são aquecidos com o aumento da produção de embriões, como o de exames DNA que comprovam a paternidade do animal para finalidades de registro, servindo de uma espécie de certificação de qualidade, garantindo a genealogia, atualmente exigidos pelas associações de raças em 100% dos casos de animais registrados gerados a partir das técnicas In Vitro e In Vivo. Os nascimentos totalizam aproximadamente 120 mil animais por ano, considerando todas as raças bovinas produzidas no Brasil através das técnicas acima mencionadas. Este número é variável, pois não considera os embriões congelados que podem ou não resultar em nascimentos no mesmo ano de produção ou no ano seguinte. Para o mercado de DNA a tendência é de aumento, já que o exame passará, no futuro, a ter cada vez mais importância dentro das associações e dentro do próprio Ministério da Agricultura, abrindo mais possibilidades para pesquisas e implementação de novas tecnologias voltadas aos desempenhos de cada animal. Em poucos anos, as barreiras sanitárias existentes entre países importadores e o Brasil irão se abrir já que a demanda mundial por carne e leite aumenta juntamente com a população mundial. O Brasil, que é classificado como celeiro do mundo, irá concorrer com outros países em desenvolvimento, na América Latina e na África, que já conhecem a genética brasileira e estão se preparando para utilizar seu potencial no mercado mundial de alimentos. Para os embriões existe um grande mercado para animais com potencial genético elevado e com preços acessíveis e não para animais de elite, comercializados no Brasil em leilões de preços mais elevados. Quanto mais a genética ganhar força no mercado internacional, mais as autoridades brasileiras que regulamentam a produção e a comercialização internacional irão se interessar e, assim, a genética de alto valor poderá fazer parte da mesa de discussões de produtos que são mais expressivos na balança comercial como a carne por exemplo. Políticas cambiais e de incentivo são marcos críticos ao sucesso da produção de embriões tanto no Brasil quanto no exterior e possuem um peso essencial para alavancar de vez a produção e a internacionalização da genética de bovina de qualidade existente em nosso país e demandada por vários outros países.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KELLER, Kevin Lane; KOTLER, Philip. Administração de Marketing. São Paulo: Editora Prentice Hall, 2006.

ABCZ. Disponível em:. Acesso em 05 Mar. 2011.

NEVES, Marcos Fava; SCARE, Roberto Fava. Marketing & Exportação. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2001.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/marketing-internacional-artigos/mercado-brasileiro-de-embrioes-bovinos-fiv-5799665.html

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    embrioes brasil fiv

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