Estagiário em Direito, Técnico em Qualidade, escritor em diversos sites, colaborador de jornais regionais e participante em palestras e apresentações sobre temas diversos.
email: adrianopinheiro.direito@gmail.com
O ambiente de trabalho deve ser tranqüilo, na medida do possível é obvio, e deve proporcionar aos colaboradores a possibilidade de um bom desempenho profissional e boa execução de suas atividades.
Uma das coisas que contribuem, e muito, para que o rendimento dos profissionais não atinja boa produtividade é a falta de concentração nas tarefas. Essa falta de concentração é resultado de fatores diversos, dentre os quais, abordaremos a falta de postura de profissionais, que de forma ingênua ou não, se excedem no volume da voz.
Há pessoas que tem um comportamento exagerado ao falar pessoalmente, ao telefone ou até mesmo quando ri. Segundo o tema, a psicóloga e recrutadora de recursos humanos da Fundação Mudes Ana Paula Furlan diz;
“Outro cuidado a ser observado é tom de voz. Como o espaço de trabalho entre um colega e outro é limitado, falar alto pode atrapalhar quem está perto de você, além de conturbar o ambiente."
O ambiente de trabalho fica altamente comprometido, quanto à concentração, eficiência e desempenho, quando o barulho, ruído e conversas paralelas, chamam a atenção daqueles que estão em atividades, pois o raciocínio é interrompido a todo o momento, fazendo com que se perca a linha de pensamento, tenha que retomá-la e talvez não consiga mais alcançá-la novamente.
Além do atraso das atividades, essa repetição de tentativas para raciocinar, pode causar desânimo quanto à continuação daquela tarefa, gerando mal-estar e estresse.
Diante do exposto, não é fácil compreender porque algumas pessoas insistem em falar em voz gritante em uma sala fechada quando se falasse em voz ponderada seriam ouvidas da mesma forma.
Causa mais estranheza ainda, quando consideramos que se alguém a uma distância de meio metro de outro, seria ouvido com facilidade, mesmo em um diálogo com voz baixa, ao invés disso, falam a uma altura que podem ser ouvidos a 10 metros.
É cediço que fatores diversos influenciam para este tipo de inconveniente. Alguns definem de forma taxativa que o problema resume-se à educação, bom-senso, senso-crítico, “berço” e respeito aos demais colegas. No entanto, na opinião de outros, não é tão simples assim, pois há fatores emocionais e psicológicos a serem considerados, quais sejam:
Algumas pessoas são carentes, precisam de atenção, precisam se sentir percebidas, querem compartilhar o seu dia-a-dia, necessitam de serem percebidas. Isso faz com que tenham que falar alto, e, o tempo todo, para que envolvam todos os presentes compartilhando seus problemas pessoais, desafetos, alegrias ou momentos de felicidade.
Constata-se que outros usam a voz alta como estratégias para fazer a comunicação a todos os presentes, mesmo estando bem próximo da pessoa com que supostamente ela desejaria conversar. Falam a uma altura exagerada de modo que ela tenha certeza que todos estão ouvindo. Não importará se estão trabalhando, se perderão a concentração ou se, simplesmente, não querem ouvir. Ela falará tudo e a todo o tempo, até sentir-se satisfeita.
Diante disso, entende-se que, além de tudo, há também desrespeito, falta de educação e menosprezo as necessidades dos companheiros de trabalho.
Também há, vale registrar, aqueles que entendem que falar em voz alta pode promover marketing pessoal, pois concluem que podem divulgar aos presentes, a execução de suas tarefas, as suas ocupações, e ainda, que podem “tocar trombeta” daquilo, que para eles, é motivo de méritos.
Com freqüência, descobre-se que muitos que conseguiram fazer crer serem ótimos profissionais, por ficarem o tempo todo fazendo barulho, correndo, gritando e chamando a atenção de todos para o que ele está fazendo, na verdade, não eram tão bons, fizeram-se parecer serem bons, mas, admita-se, a intensidade do áudio nunca deve ser referência para capacidade e desenvolvimento profissional.
Conta-se de um pai que, conversando com o seu filho, de repente ouve um som, que identificou ser de uma carroça, mas ele enfatizou que se tratava de uma carroça vazia, mesmo não a vendo. Seu filho, curioso, perguntou como ele identificou o fato da carroça estar vazia, somente por ouvi-la, foi quando seu pai explicou que ele conhece carroças vazias pelo som que produzem, pois fazem muito barulho quando não levam nada consigo.
Desta ilustração, pode-se inferir que muitas pessoas que fazem muito barulho, o fazem, porque estão vazias e precisam de auto-afirmação, auto-estima e carecem de realização pessoal. A solução, insta salientar, o que não consideram é o fato de que a solução não está em obrigar aos presentes ouvi-los, tirando deles o direito de escolha.
Contribuamos para um ambiente de trabalho mais tranqüilo, mais leve e mais harmonioso.
Orientemos os mais exaltados, agitados e que vivem em instáveis mudança de humor e euforia, para que não sintamos uma sensação de estarmos em uma feira, em uma casa de samba, ou ainda, em uma manifestação de protesto. Embora em alguns casos é muito difícil manter o silêncio, pois a característica das atividades exijam o dinamismo de comunicação pessoal, o que sempre deve acompanhar um bom e maduro profissional é o bom senso, que, embora conhecido de todos, ainda é uma rara qualidade.
Evitemos os nossos estresses provocados por ruídos constantes, a nossa indisposição e procuremos proporcionar a nós mesmos e a outros um ambiente de trabalho saudável.



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