Relato de experiência de um paciente acometido por leptospirose

Publicado em: 23/10/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 2,412 |

RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM PACIENTE ACOMETIDO POR LEPTOSPIROSE

Azevedo, Bárbara; Cruz, Liliane

Acadêmicas de Enfermagem da Universidade Federal do Pará

1- INTRODUÇÃO

A leptospirose é um problema de saúde pública, principalmente em países tropicais e sub-tropicias devido a sua principal transmissão ser através de água contaminada, advindas de enchentes ou chuvas, isso evidencia a falta de saneamento básico, como ineficácia ou inexistência de rede de esgoto, falta de drenagem de águas pluviais e a coleta de lixo inadequada contribuindo para a alta incidência e epidemias, principalmente em bairros onde há índice de baixa renda. Por nossa vivência nas práticas na enfermaria de doenças infecto parasitaria realizadas no Hospital Universitário João Barros Barreto, observamos o alto índice de pacientes acometidos por Leptospirose, verificando assim a necessidade de aprimorar o conhecimento sobre essa patologia e sobre a realização da assistência de enfermagem, através da analise de literaturas cientificas, aplicadas no nosso relato de caso.

OBJETIVO GERAL: Traçar intervenções de enfermagem para a Leptospirose. OBJETIVO ESPECÍFICO: orientar e mostrar as medidas de prevenção da doença; orientar sobre ações educacionais à população para a prevenção da doença e orientar sobre ações que contribuam para diminuir a forma de transmissão.

2 - REFERENCIAL TEÓRICO

2.1- LEPTOSPIROSE

A leptospirose, conhecida também por Febre dos pântanos, febre outonal, febre dos sete dias, doença dos porqueiros, tifo canino, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria, a Leptospira interrogan, possui cerca de mais de 200 sorovares, sendo o que mais acomete os seres humanos são os icterohaemorrgahiae e copenhagueni. Ocorre no mundo inteiro, exceto em regiões polares. Acomete pessoas de qualquer idade e sexo e na maioria dos casos (90%) a evolução é benigna.

É uma patologia infecciosa aguda com comprometimento sistêmico e de caráter endêmico, podendo se apresentar também na forma epidêmica sob determinadas condições. A infecção pode ser assintomática, sub-clínica ou ocasionar quadros clínicos graves, anictéricos ou ictéricos com alta letalidade.

O principal reservatório da doença são os roedores, normalmente os domésticos, como cães, gatos, bovinos, suínos ovinos, eqüinos e caprinos. O período de transmissibilidade de animais dura enquanto a leptospira estiver na urina do transmissor, podendo permanecer durantes meses, devido a isso se deve atentar para evitar esse tipo de contato, pois alguns portadores são assintomáticos.

2.1.1 – TRANSMISSÃO

A infecção humana ocorre com contato direto ou indireto com a urina de animais infectados. A penetração da bactéria ao organismo se dá através de lesões na pele ou nas mucosas da boca, nariz e olhos. Outras formas de contaminação são através de contatos com sangue, tecidos e órgãos de animais infectados ou ingestão de água ou alimentos contaminados. Por sua ocorrência está diretamente relacionada às precárias condições de infra-estrutura sanitária e alta infestação de roedores infectados, isso se faz muito freqüente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, devido às freqüentes enchentes, sendo um fator favorável para a persistência da ocorrência dos altos índices da doença.

O principal transmissor humano é o rato de esgoto (Rattus norvegicus), devido existir em grande quantidade e ter contato direto, quando infectado pela L. interrogans ela se instala e se multiplica nos rins, porém não provoca nenhum dano ao animal, sendo, portanto eliminada na urina, onde prevalece no solo ou na água que possuem pH neutro ou alcalino.

2.1.2 – MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Os sinais e sintomas se manifestam de três formas: assintomática, sub-clínica pode se assimilar a uma "síndrome gripal", a anictérica que ocorre em 60 a 70% dos casos ou ictéricos com alta letalidade.

  • Forma sub-clínica: Os principais sintomas são: febre, cefaléia, mialgias, principalmente nas panturrilhas, podendo também ocorrer icterícia na pele e/ou mucosas.
  • Forma anictérica se apresenta de duas formas:

a) Fase septicêmica - Caracterizada por hepatomegalia e, mais raramente, esplenomegalia, hemorragia digestiva, mialgia que envolve panturrilhas, coxa, abdômen e musculatura paravertebral, fotofobia, dor torácica, tosse seca, com ou sem hemoptóicos, exantemas maculares, máculo-papulares, urticariformes ou petéquias, hiperemia de mucosas com duração de 4 a 7 dias;

b) Fase imune - Quando há cefaléia intensa, vômitos e sinais de irritação meníngea, uveíte, com duração de 1 a 3 semanas.

  • Forma ictérica: A forma ictérica, Doença de Weil, evolui com insuficiência renal, acontecimentos hemorrágicos e alterações hemodinâmicas. Sintomas mais intensos que a forma anictérica, com duração de 1 a 3 semanas, com taxas de letalidade de 5 a 20%.

Podem ocorrer também complicações como hemorragia digestiva e pulmonar maciça, pneumonia intersticial, insuficiênciarenal aguda, distúrbios do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico, colapso cardiocirculatório, insuficiência cardíaca congestiva, comfalência de múltiplos órgãos e morte.

2.1.3 – DIAGNÓSTICO

Habitualmente, devem ser solicitados: hemograma, bioquímica do sangue (uréia, creatinina, FAL, bilirrubinas, TGO, TGP, CPK e eletrólitos), radiografia de tórax e eletrocardiograma. O líquor deve ser coletado apenas se houver indícios clínicos de meningite.

Freqüentemente as principais alterações encontradas na bioquímica do sangue são: leucocitose, plaquetopenia, elevação das bilirrubinas, TGO usualmente mais elevada que a TGP, uréia e creatinina elevadas.

A suspeita clínica deve ser confirmada por métodos laboratoriais específicos. Testes simples de macro-aglutinação e ELISA IgM são utilizados para o diagnóstico rápido de casos humanos. O isolamento de leptospiras, reação de polimerase em cadeia (PCR do sangue, urina, líquor e amostras de tecidos) e o teste sorológico de micro-aglutinação são também recomendados para diagnóstico e in-vestigações epidemiológicas.

Para esclarecimento etiológico de óbitos deve-se realizar os testes histopatológicos convencionais e a pesquisa de leptospiras por colorações especiais ou imunohistoquímica (cérebro, pulmão, rim, fígado, pâncreas e coração).

*Diagnóstico diferencial:

a) Forma anictérica - "Virose", dengue, influenza, hantaviroses, arboviroses, apendicite aguda, sepse, febre tifóide, pneumonias da comunidade, malária, pielonefrite aguda, riquetsioses, toxoplasmose, meningites e outras;

c) Forma ictérica - Sepse com icterícia, hepatites virais agudas, febre tifóide com icterícia, febre amarela, malária grave, principalmente por P. falsiparum, riquetsioses, colangite, colecistite aguda, coledocolitíase, síndrome hemolítico-urêmico grave com icterícia, síndrome heptorrenal, esteatose aguda da gravidez e outras.

2.1.4 – TRATAMENTO

É praticamente baseado no uso de antibióticos, hidratação e suporte clínico, prescrito por um médico, relacionado com os sintomas apresentados. Os casos leves podem ser tratados em ambulatório, mas os casos graves necessitam de internação.

O principal antibiótico utilizado é a penicilina G cristalina, sendo que para adultos recomenda-se 6 a 12 milhões de unidades ao dia divididas em 4 doses diárias, por 7 a 10 dias; ou, como alternativas podem ser utilizadas a ampicilina (4 g/dia para adultos), tetraciclina (2g ao dia para adultos) ou doxiciclina (100 mg de 12/12h) por igual período.

A tetraciclina e a doxiciclina são contra-indicadas em gestantes, crianças menores de 9 anos e em pacientes com insuficiência renal aguda ou insuficiência hepática. Para pacientes alérgicos à penicilina ou que apresentarem lesão renal e icterícia, sugere-se o uso do cloranfenicol (2 g/dia para adultos).

O tratamento deve ser administrado até ou após o 5° dia de doença, pois, mesmo quando iniciado mais tarde, pode provocar a evolução dos casos graves. Medidas de suporte, como reposição hidroeletrolítica por via endovenosa e oxigenioterapia.

Um pacientes que desenvolvem complicações, devido os efeitos colaterais que os antibióticos proporcionam, deve-se promover assistência imediata para que isso não se agrave, como a insuficiência renal, indica-se a instalação de diálise peritoneal precoce (aos primeiros sinais de oligúria) e que diminui significativamente as taxas de letalidade da doença.

2.1.5 – PREVENÇÃO

Para que os índices de leptospirose diminuam se faz necessário orientar a população sobre as principais formas de prevenção da doença, que são:

  • Alerta a população sobre a transmissão e prevenção da doença;
  • Controle da população de roedores (anti-ratização e desratização);
  • Armazenamento apropriado de alimentos em locais inacessíveis a roedores;
  • Coleta, condicionamento e destino adequado do lixo;
  • Eliminar entulho, materiais de construção e objetos que estejam em desuso que sirvam de abrigo para roedores;
  • Cuidados com água para consumo humano direto;
  • Lavar corretamente os alimentos antes de consumir;
  • Não tomar banho em canais;
  • Não entrar em contato com águas advindas de bueiros;
  • Não entrar em contato com locais alagados.

2.1.6 – EPIDEMIOLOGIA

Segundo dados obtidos no Ministério da Saúde de uma pesquisa realizada no período de 1997 a 2008, foram obtidos dois dados relevantes para esse estudo, no gráfico 1 mostra que a Região que apresentou os maiores índices de Leptospirose no Brasil foi a Região Sudeste e a que apresenta menor índice é a Região Centro Oeste. Já o gráfico 2 evidencia a prevalência da doença na Região Norte, onde a cidade que apresentou maiores índices foi  o Pará e que a apresentou menor número foi Tocantins.

3 – METODOLOGIA

3.1. TIPO DE ESTUDO

Trata-se de um relato de caso descritivo de abordagem qualitativa.

3.2. LOCAL

O presente estudo foi realizado com dados coletados do prontuário, do próprio paciente e dos familiares na enfermaria de doenças infecto parasitária, no Hospital Universitário João Barros Barreto.

3.3. FONTE DE INFORMAÇÃO

Paciente D.F, seu prontuário e familiares. O principal critério utilizado para a seleção foi de que o paciente apresentasse Leptospirose.

3.4. PRODUÇÃO DOS DADOS

Os dados e informações obtidos neste estudo foram recolhidos por meio de análise do prontuário, exames físicos realizados e perguntas feitas ao paciente e familiares.

3.5.  ASPECTOS ÉTICOS

Será respeitado o anonimato da paciente de acordo com a resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde

4 - ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.1. RELATO DE CASO

HISTÓRICO

Admissão realizada no dia 24/05/2010: D. F., 20 anos, evangélico, reside em Abaetetuba no bairro do Riacho Doce, ensino fundamental completo, ajudante de pedreiro, procedente HPSM do Guamá.

Queixas: febre e dor no corpo.

HDA: Paciente refere que no dia 16/05/2010 evolui com febre e dor no corpo, após exposição em região alagada, chuva e uso de roupa contaminada (contato com rato) no bairro do Condor. Refere também que apresentava ferimento no pé direito. Evoluiu com febre alta não aferida, cefaléia, astenia e mialgia generalizada. No dia 19/05/2010 evoluiu com êmese pós-prandial e náuseas que o impediam de ingerir alimentos.  Tia refere início de icterícia. Apresenta diurese colúria e não evacua desde quarta-feira. No dia 21/05/2010 apresentou piora do quadro clinico, refere edema em MMII e MMSS e face. Intensificação da icterícia e da dor em panturrilhas de grande intensidade o que o impediam de deambular. Buscou atendimento no HPSM Guamá, onde foi internado na CTI. Recebeu cauterização vesical e SNG devido êmese e dificuldade de se alimentou. Não sabe referir a ultima vez que teve febre. No momento refere melhorou do estado geral e não refere mais mialgia. Nega náusea e vômitos, sono e apetite pré-servidos. Diurese presente por SVD. Não evacua à 5 dias.

EXAME FÍSICO

  • 24/05/2010 - Exame físico: consciente, orientado, afebril ao toque, acianotico, mucosas descorada e icterícia 3/4+, desidratado 2/4+, eupineico. A.C: BCNF, RCR 2T sem sopros F: 110 bpm. A.P: MV+ bilateralmente sem ruídos adventícios, R: 24rpm. Abdome plano flácido indolor a palpação superficial e profunda, RHA+ presença de petéquias em flanco direito. Extremidades: sem edemas, panturrilhas indolores a palpação pulsos pediosos presença de petéquias no braço esquerda. Icterícia cutânea generalizada 3/4+.
  • 27/05/2010- Exame físico: Consciente, orientado, respondendo a estímulos verbais. Sinais vitais: normotérmico (37°c); eupnéico (24rpm); normocardíco (94bpm); normotenso (110x80mmHg). Ao exame físico: ictérico 4/4+, tórax simétrico, A.P: MV+ bilateralmente sem ruídos adventícios, abdôme levemente distendido e indolor a palpação superficial e profunda, A.C: BCNF rítmico em 2T. A.A: ruídos hidroaéreos presentes. Edema 1/2+ em MSD, astênico, dificuldade de locomoção. Tolera parcialmente a dieta. Diurese e evacuação presentes e espontâneas. Diurese colurica (cor de coca-cola).
  • 01/06/2010 - Exame físico: Consciente, orientado, colaborativo, respondendo aos estímulos verbais. Sinais vitais: eupnéico (17rpm), normotérmico (37°C), normotenso (130x70 mmHg), normocardíco (96ppm). Ao exame físico: ictérico 2/3+, tórax simétrico. A.P: murmúrios vesiculares presentes sem ruídos adventícios. A.C: BCNF ritmos em 2T, abdôme plano e flácido, indolor a palpação superficial e profunda. A.A: ruídos hidroaéreos presentes. Artralgia em MMSS, dificuldade de locomoção, utilizando cadeiras de roda; vertinges; aceitando dieta; diurese e evacuação presente.

ANTECEDENTES PESSOAIS E FAMILIARES

Nega doença crônica, nega TB e MH, etilista social, nega tabagismo, nega cirurgias anteriores e alergias a medicamentos.

EXAMES REALIZADOS

Data da Coleta: 25/05/10

Hemograma Completo-Eritrograma

Hemácias

2.79milhões/mm3 4.4 a 5.9 milhões/mm3

Hemoglobina

9.17g/dl                              13.8 a 18.0g/dl

Hematócrito

26.3%                                 40 a 52%

Data da Coleta: 25/05/10

Leucograma

Leucócitos

6.420/mm3 5.000 a 10.000/mm3

Neutrófilos

55% 3,53. 1mm3 1.850 a 7.000/mm3

Plaquetas Contagem

233, 000/mm3 130.000 a 400.000/mm3

Data da Coleta: 25/05/10

Leucograma

Uréia

175mg/dl                                 10 a 40 mg/dl

Creatinina

2.5mg/dl                                   0,4 a 1,2 mg/dl

Tgo

67UI/dl

Tgp

57UI/ml

Bilirrubina

Total: 38.0mg/dl

Potássio

3.1                                      3,5 a 5,5 mmol/l

Sódio

143.0                                    130 a 146 mmol/l

Cálcio

6.9                                        8,6 a 11,0 mg/dl

 

Data da Coleta: 01/06/10

Hemograma Completo-Eritrograma

Hemácias

2.47milhões mm3 4.4 a 5.9 milhões/mm3

Hemoglobina

8.22g/dl                                13.8 a 18.0g/dl

Hematócrito

23.3%                                  40 a 52%

Data da Coleta: 01/06/10

Leucograma

Leucócitos

31, 700/mm3 5.000 a 10.000/mm3

Neutrófilos

66 % 20, 922/mm3 1.850 a 7000/mm3

Plaquetas Contagem

969, 000 /mm3 130.000 a 400.000/mm3

Uréia

31 mg/dl                               10 a 40 mg/dl

Creatinina

1.0 mg/dl                             0,4 a 1,2 mg/dl

Potássio

4.5 mol/l                              3,5 a 5,5 mmol/l

Sódio

136.0 mmol/l                       130 a 146 mmol/l

Cálcio

10.0 mg/dl                             8,6 a 11,0 mg/dl

Magnésio

1.7 mg/dl                               1,6 a 2,4mg/dl

PRESCRIÇÃO MEDICAMENTOSA

24/05/2010

  • Dieta branda sem irritantes gástricos;
  • Soro fisiológico 500 ml, 40gts por minuto, continuo;
  • Ranitidina 1amp + 18 ml de ABD de 12/12h;
  • Dipirona 1 amp + 10 ml ABD de 6h/6h se a T for superior à 37,8°C ou dor;
  • Bromoprida 1 amp + 100 ml de soro de 8h/8h se náusea ou vômito.

25/05/2010

  • Dieta branda sem irritantes gástricos;
  • Soro fisiológico 500 ml, 40gts por minuto, continuo;
  • Ranitidina 1amp + 18 ml de ABD de 12/12h;
  • Dipirona 1 amp + 10 ml ABD de 6h/6h se a T for superior à 37,8°C ou dor;
  • Bromoprida 1 amp + 100 ml de soro de 8h/8h se náusea ou vômito;
  • Xarope de KCl 6% + 10 ml via oral de 8h/8h.

26/05/2010

  • Dieta branda sem irritantes gástricos;
  • Soro fisiológico 500 ml, 40gts por minuto, continuo;
  • Ranitidina 1amp + 18 ml de ABD de 12/12h;
  • Dipirona 1 amp + 10 ml ABD de 6h/6h se a T for superior à 37,8°C ou dor;
  • Bromoprida 1 amp + 100 ml de soro de 8h/8h se náusea ou vômito;
  • Xarope de KCl 6% + 10 ml via oral de 8h/8h.

27/05/2010

  • Dieta branda sem irritantes gástricos;
  • Soro fisiológico 500 ml, 40gts por minuto, continuo;
  • Ranitidina 1amp + 18 ml de ABD de 12/12h;
  • Dipirona 1 amp + 10 ml ABD de 6h/6h se a T for superior à 37,8°C ou dor;
  • Bromoprida 1 amp + 100 ml de soro de 8h/8h se náusea ou vômito;
  • Xarope de KCl 6% + 10 ml via oral de 8h/8h.

28/05/2010

  • Dieta branda sem irritantes gástricos;
  • Soro fisiológico 500 ml, 40gts por minuto, continuo;
  • Ranitidina 1amp + 18 ml de ABD de 12/12h;
  • Dipirona 1 amp + 10 ml ABD de 6h/6h se a T for superior à 37,8°C ou dor;
  • Bromoprida 1 amp + 100 ml de soro de 8h/8h se náusea ou vômito;
  • Xarope de KCl 6% + 10 ml via oral de 8h/8h.

29/05/2010

  • Dieta branda sem irritantes gástricos;
  • Soro fisiológico 500 ml, 40gts por minuto, continuo;
  • Ranitidina 1amp + 18 ml de ABD de 12/12h;
  • Dipirona 1 amp + 10 ml ABD de 6h/6h se a T for superior à 37,8°C ou dor;
  • Bromoprida 1 amp + 100 ml de soro de 8h/8h se náusea ou vômito;
  • Xarope de KCl 6% + 10 ml via oral de 8h/8h.

30/05/2010

  • Dieta branda sem irritantes gástricos;
  • Soro fisiológico 500 ml, 40gts por minuto, continuo;
  • Ranitidina 1amp + 18 ml de ABD de 12/12h;
  • Dipirona 1 amp + 10 ml ABD de 6h/6h se a T for superior à 37,8°C ou dor;
  • Bromoprida 1 amp + 100 ml de soro de 8h/8h se náusea ou vômito;
  • Xarope de KCl 6% + 10 ml via oral de 8h/8h.

ALTA

Motivo conduta médica.

Resumo da alta: Paciente deu entrada neste hospital queixando-se de febre, astenia, cefaléia e mialgia generalizada. Historia de contato com região alagada e ratos. Evoluiu com colérica e icterícia importante. Recebeu tratamento clinico e obteve melhora do quadro clinico inicial. Recebeu alta melhorando, sendo encaminhado para acompanhamento ambulatorial na DIP.

5 - SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é o principal passo da equipe que visa identificar os principais problemas de saúde citados pelo paciente durante a consulta, facilitando assim as possíveis intervenções diante dos processos vitais alterados.

A SAE tem como elementos fundamentais os diagnósticos de enfermagem, pois as prescrições de cuidados dependem diretamente da precisão correta e a relevância de todas as queixas relatadas pelo paciente, conseguindo dessa maneira identificar os problemas quanto suas causas. Somente através do julgamento clínico correto é possível prever os diagnósticos de risco e, portanto, planejar cuidados que promovam a saúde e previnam problemas antes desses aparecerem. Os recursos e os pontos fortes identificados pelo enfermeiro são a chave para a redução dos custos e maximização da eficiência.

DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM

1. Risco de Hipertermia relacionada com o processo inflamatório;

2. Nutrição Alterada: Menor que as necessidades corporais relacionada com inapetência;

3. Deambulação Prejudicada;

4. Déficit no Auto-cuidado;

5. Dor Aguda;

6. Intolerância à atividade física relacionada com a fadiga;

7. Excesso de volume de líquidos e formação de edema.

INTERVENÇÃO

1.- Monitorar a temperatura corporal;

- Administrar antipirético;

- Monitorar e registrar a ingestão e o débito hídrico;

- Tomar medidas para reduzir a febre.

2.- Oferecer refeições menores e mais freqüentes;

- Incentivar o paciente a ingerir refeições e alimentações suplementares.

3. - Oferecer cadeira de rodas e acompanhar ou orientar na locomoção.

4. - Realizar ou auxiliar o cliente para realizar sua higiene.

5.- Avaliar o tipo e a intensidade da dor;

- Administrar analgésicos;

- Proporcionar conforto ao cliente.

6.- Assistir nas atividades e higiene quando fadigado e observar o mesmo;

- Providenciar dieta rica em carboidratos com ingesta protéica consistente com a função hepática.

7.- Restringir a ingestão de sódio e líquidos;

- Medir e registrar o perímetro abdominal e o peso diariamente.

RESULTADOS

1.- Temperatura permanece na variação normal;

- O equilíbrio hídrico permanece estável;

- Proporciona sensação de conforto ao cliente;

- Complicações são evitadas (convulsões).

2.- Exibe melhora do estado nutricional através do peso aumentado e dados laboratoriais melhorados;

- Relata melhora do apetite.

3.- O cliente pode ser encaminhado para realizar suas atividades.

4. - As necessidades do auto-cuidado são atendidas.

5.- Expressa sentimentos de conforto;

- Reduz a freqüência e a quantidade de fármacos.

6.- Exibe maior interesse nas atividades;

- Relata mais força e bem estar.

7.- Exibe débito urinário aumentado;

- Exibe perímetro abdominal decrescente.

6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

A leptospirose é uma doença de caráter infeccioso que possui uma série de fatores que interligados que geram condições propícias para a transmissão da doença, desses podemos citar a questão do saneamento básico deficiente ou inexistente, quanto à falta de informação e às medidas preventivas.

Neste relato de caso verificamos que esta doença possui alta incidência em nossa região, sendo observada durante nossa prática hospitalar a freqüente ocorrência de casos. Após análise do caso, encontramos diagnósticos de enfermagem e prescrevemos intervenções que se fossem aplicadas poderiam ajudar consideravelmente na recuperação do cliente.

O enfermeiro participa diretamente no processo de conscientização da população, utilizando a educação em saúde como ferramenta para levar informação à população de áreas de risco, preconizando medidas simples, mas que surtirão efeito á longo prazo.

REFERÊNCIAS

  • Ministério da Saúde; Secretaria de Vigilância em Saúde; Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de Bolso: Doenças Infecciosas e Parasitárias. 4ª edição ampliada. Série B. Textos Básicos de Saúde. Brasília / DF. Novembro – 2004.
  • Ministério da Saúde; Secretaria de Vigilância em Saúde; Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de Vigilância Epidemiológica. 6ª edição. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília – DF 2005
  • LACERDA, Marcus Vinicius Guimarães de; MAURÃO, Maria Paula Gomes. Leptospirose. Disponível em: http://www.fmt.am.gov.br/manual/leptos.htm. Acessado em: 11/06/2010 às 09h25min.
  • MARTINS Fernando S. V.; CASTIÑEIRAS, Terezinha Marta P.P. Centro de Informação em Saúde para Viajantes: Leptospirose. Atualizado em 06/01/2009, 05h27min. Disponível em: http://www.cives.ufrj.br/informacao/leptospirose/lep-iv.html. Acessado em: 11/06/2010 às 11h03min.
  • Ministério da Saúde. Glossário: Leptospirose. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1562. Acessado em: 11/06/2010 às 13h30min.
  • CAVALCANTI, Ana Carla Dantas; SÁ ET AL. Caracterização dos Diagnósticos de Enfermagem Identificados em Prontuários de Idosos: Um Estudo Retrospectivo. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2008 Jan-Mar.
  • SPARKS,Sheila M.;TAYLOR, Cynthia M.,DYER, JANYCE G. Diagnósticos em Enfermagem. 2ª ed. Rio de Janeiro: Reichmann e Affonso Editores, 2000.
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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/medicina-alternativa-artigos/relato-de-experiencia-de-um-paciente-acometido-por-leptospirose-3532389.html

    Palavras-chave do artigo:

    enfermagem

    ,

    leptospirose e assistencia de enfermagem

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    Aprendi a comungar com os espíritos das árvores e plantas, para perguntar se eles eram o que eu precisava para a colheita. A força da vida que corria pelo mundo vegetal / animal / mineral foi respeitado e honrado. Creio que isto é natural, uma vez que o Reiki trabalha diretamente com a força da vida que flui através de todas as coisas. O Reiki pode ser usado em conjunto com todas as práticas de cura xamânica. Há muitas modalidades de cura no caminho xamânico.

    Por: Elainel Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 19/02/2015

    O estilo Takata ou ocidental baseia-se principalmente na utilização sistemática de um sistema padrão de posição da mão. Esta é uma versão muito simplificada do que ela aprendeu com Hayashi. Ele incluiu apenas sete posições e quatro posições de mão sobre o torso e três posições na cabeça.Takata usou a intuição para descobrir a localização da causa de uma condição particular e deu Reiki adicional para essas áreas após a conclusão do tratamento. Ela também defendeu dando muitos tratamentos para

    Por: Elainel Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 10/02/2015

    O excesso de energéticos e refrigerantes à base de ‘cola' pode reduzir as chances de gravidez em 27%. Estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de Nevada (Estados Unidos) comprova que a cafeína presente nessas bebidas interfere tanto na fertilidade masculina quanto na feminina.

    Por: Vítor Margatol Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 03/02/2015 lAcessos: 18

    Segundo pesquisas já publicadas o aumento de testosterona através de ingestão de comprimidos de testosterona, gel, e injecção, parece não ser 100% segura para a saúde dos homens.

    Por: carlos zinl Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 19/01/2015

    Pesquisadores da Universidade de Adelaide (Austrália) comprovaram pela primeira vez o importante papel do selênio nas primeiras etapas da fertilidade feminina. Antioxidante natural, o selênio é encontrado em alimentos ricos em proteínas, como carne vermelha, frutos do mar e oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas, avelãs etc.), sendo fundamental para o bom funcionamento do organismo – especialmente para aumentar a imunidade e equilibrar a produção de hormônio da tireoide.

    Por: Vítor Margatol Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 19/01/2015 lAcessos: 17

    Estudo realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, relacionou pela primeira vez defeitos no sêmen masculino com outros problemas de saúde. Depois de analisar as causas da infertilidade de mais de nove mil homens, pesquisadores perceberam forte correlação entre a baixa qualidade do sêmen e um aumento das chances de sofrer de hipertensão, doenças de pele ou endocrinológicas.

    Por: Vítor Margatol Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 12/01/2015 lAcessos: 32

    As doenças circulatórias são um grande problema de saúde pública no Brasil. Atualmente, calcula-se que a hipertensão arterial atinge mais de 10% da população e que existem cerca de 10 milhões de pessoas com diabetes. Desse total, 50% desconhecem sua condição e acabam descobrindo a doença em estágios avançados, o que dificulta o tratamento. A definição epidemiológica de hipertensão, também conhecida como pressão alta, é o nível de pressão acima do normal, 120x790mmHg.

    Por: Bárbara Alves Ruela de Azevedol Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 23/10/2010 lAcessos: 3,183
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