A educação em saúde na prática do cuidar em psf

24/07/2011 • Por • 396 Acessos

O ensino é um instrumento integrante que todas as enfermeiras utilizam para cuidar dos pacientes e famílias no desenvolvimento de comportamentos de saúde efetivos e na modificação dos padrões de estilo de vida que predispõem as pessoas aos riscos de saúde. A educação da saúde é um fator influenciador diretamente relacionado com os resultados de cuidados positivos do paciente.

As alterações no atual ambiente de cuidados de saúde impõem a utilização de uma abordagem organizada para a educação da saúde, de modo que os pacientes possam satisfazer suas necessidades especificas de cuidados de saúde. Os fatores significantes para a consideração da enfermeira quando planeja a educação do paciente incluem a disponibilidade do cuidado de saúde fora do ambiente
convencional, o emprego de diversos profissionais de saúde para alcançar as metas do controle do cuidado e o uso aumentado de estratégias alternativas em lugar das condutas tradicionais para o cuidado.

A consideração cuidadosa desses fatores pode fornecer aos pacientes informações abrangentes, as quais são essenciais para tomar decisões informadas a respeito dos cuidados de saúde.

A enfermeira como professora é colocada à prova, não somente para fornecer a educação específica ao paciente e à família, como também para focalizar as necessidades educacionais das comunidades. A educação em saúde é importante para o cuidado de enfermagem, porque ela pode determinar de que forma os indivíduos e as famílias são capazes de realizar os comportamentos que levam ao autocuidado ótimo.

Todos os cuidados de enfermagem tem por fim promover, manter e restaurar a saúde; evitar a doença; e assistir as pessoas em sua adaptação aos efeitos residuais da doença. Muitas dessas atividades de enfermagem são realizadas através da educação da saúde ou ensino do paciente.

Embora a pessoa tenha o direito de decidir se deve aprender ou não, a enfermeira tem a responsabilidade de apresentar a informação que motivará a pessoa a reconhecer a necessidade de aprender. Portanto, a enfermeira deve aproveitar as oportunidades dos ambientes de cuidados de saúde internos e externos para facilitar o bem-estar. Os ambientes educacionais podem incluir casas,
hospitais, centros de saúde na comunidade, locais de trabalho, organizações de serviço, abrigos e grupos de apoio ou ação de consumidores.

A meta da educação da saúde consiste em ensinar as pessoas a viver a vida da forma mais saudável possível, isto é, esforçar-se no sentido de atingir o seu potencial de saúde máximo.

 

EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO PSF

A implementação integral dessas mudanças requer a integração entre os serviços de saúde, instituições formadoras, trabalhadores que atuam no sistema e usuários, para o estabelecimento de novos pactos de convivência e prática. Tais ações precisam investir na aproximação dos serviços de saúde aos princípios do SUS, dentre os quais o da integralidade, universalidade, eqüidade e qualidade em saúde. A educação é um dos caminhos para a efetivação dessas mudanças. Nessa perspectiva, o Ministério da Saúde (MS), com o objetivo de articular a educação com o mundo do trabalho de forma descentralizada, ascendente e transdisci- plinar, instituiu, através da Portaria nº 198/MS, de 13/02/2004, a Política Nacional de Educação Permanente para o SUS. Essa proposta de educação investe
na promoção de mudanças nos processos formativos, nas práticas pedagógicas de saúde e gerenciais, propiciando uma integração entre os diversos segmentos dos serviços de saúde.

É fundamental pensar que a prática do cuidar envolve e fundamenta a comunicação dialógica, e não visa mais mudar comportamentos, prescrever tratamentos, controle, modificar as pessoas, pensar só na doença. É preciso que o enfermeiro, ao ser o desencadeador de ações educativas, esteja disposto a dividir, trocar, ensinar e aprender com a família.

Para ser assim, o trabalho deve ser contínuo e intenso, porque é necessário: formar grupos, unindo famílias interessadas em discutir a saúde; escolher temas comum e de interesse dos grupos (família), dos quais profissionais serão os coordenadores; criar espaços para discussões, informações, reflexões e debates.

Educar é interagir em um determinado espaço (a família), para que se descubra como resolver problemas e/ou como encaminhá-los a outras instâncias. Não deve existir coerção, ordem, mas orientações com argumentações, com base teórica e prática; caso contrário, os profissionais de saúde criam barreiras intransponíveis.

Os enfermeiros devem agir como educadores e os familiares como co-educadores, pensando em problemas comuns como: medos, preconceitos, dúvidas, inseguranças, impotência, resistência e desesperança. Tudo isso visa captar mensagens, sinais, signos, gestos, jeitos, expressões do corpo. No campo biológico, é possível sentir a temperatura, a cor da pele, o ritmo da respiração; na
comunicação, entende-se o que estamos falando e se entendemos o que a família fala; se a pergunta ou resposta é clara ou confusa, se traz alguma preocupação não expressada claramente nas relações, é possível identificar se existe ou não confiança, se existe afeto ou não, como se tratam, como se cumprimentam.

Ao decidir sobre o acordo, ele deve ser escrito e assinado pelos interessados e tornar-se um instrumento legal, a fim de evitar problemas futuros para os envolvidos.

 

Estratégias para a educação

A investigação é exercitada com muita freqüência, sobretudo quando se ensina, pesquisa e quando se está em constante busca por uma outra pedagogia de liberdade, que se desenvolvem por meio de: jogos dramáticos para falar de imagem, dramatizações, criação de bonecos, sociopoética, cineclube e dinâmicas em grupo de diversas modalidades. As técnicas e métodos de ensino estimulam o
aprendizado desde que apropriadas para as necessidades do individuo.

Os membros da família devem estar envolvidos nas sessões de ensino sempre que possível. Eles fornecem outra fonte para o reforço do material e podem ajudar o aluno a lembrar as instruções mais adiante. Eles também podem fornecer informações de avaliação preciosas a respeito da situação de vida da pessoa e sobre as necessidades de aprendizado correlatas.

As parcerias com as sociedades científicas, outras entidades governamentais e não-governamentais e, especialmente, com lideranças comunitárias é indispensável para assegurar a operacionalidade dessas intervenções em âmbito estadual e municipal.

Ações educacionais devem ser dirigidas a

 profissionais de saúde.

 alunos de escolas profissionalizantes.

 alunos de primeiro e segundo graus.

 pessoal de instituições e empresas.

 comunidade em geral.

Ações de conscientização são desenvolvidas por

 campanhas de esclarecimento através da mídia.

 campanhas temáticas periódicas

 

CONCLUSÃO

O sucesso da enfermeira com a educação da saúde é determinado pela avaliação contínua das variáveis que afetam a capacidade do paciente para adotar comportamentos específicos, obter recursos e manter um ambiente social valioso. Como profissionais de saúde, as enfermeiras possuem uma responsabilidade de promover as atividades que formentam o bem-estar, autorealização e satisfação pessoal. Toda interação com os consumidores de cuidados de saúde deve ser visualizada como uma oportunidade para promover comportamentos e atitudes de saúde positivas.

Esse grupo de estudo deve ter a participação de um profissional de saúde, com a função de organizar as discussões e esclarecer dúvidas. No entanto, ele deve deixar que as discussões ocorram espontaneamente, orientando-as para um conteúdo mínimo.
Dessa forma, o processo educativo deixa de ser imposto e passa a ser persuasivo. Uma conversa clara é necessária para estabelecer uma parceria entre o profissional de saúde e o paciente e seus familiares para dar a esses uma compreensão básica dos mecanismos da doença e dos objetivos do tratamento.

Perfil do Autor

angela carreiro

Ângela Carreiro. Academica de enfermagem.