A enfermagem e o cuidado humanizado

Publicado em: 16/09/2012 |Comentário: 0 | Acessos: 334 |

INTRODUÇÃO

A palavra humanização pode ser entendida como a maneira de ver e considerar o ser humano a partir de uma visão global, buscando superar a fragmentação da assistência. Um dos aspectos que envolvem uma prática dessa natureza está relacionado ao modo como lidamos com o outro. Assim, essa característica implica em fazermos a diferença no modo como lidamos com outro, tratando-o com dignidade e respeito, valorizando seus medos, pensamentos, sentimentos, valores e crenças, estabelecendo momentos de fala e de escuta (REICHERT; LINS; COLLET, 2007).

Humanizar não é uma técnica ou artifício, é um processo vivencial que permeia toda a atividade das pessoas que assistem o paciente, procurando realizar e oferecer o tratamento que ele merece como pessoa humana, dentro das circunstâncias peculiares que se encontra em todos os momentos no hospital (LIMA, 2004).

Na humanização são preconizadas várias ações, as quais estão voltadas para o respeito às individualidades, à garantia da tecnologia que permita a segurança do paciente e o acolhimento a sua família, com ênfase no cuidado voltado para o desenvolvimento e psiquismo, buscando facilitar o vinculo da família durante sua permanência no hospital e após alta. A importância do envolvimento da equipe de enfermagem na assistência ressalta a necessidade de humanizar essa assistência facilitando a interação entre a equipe multiprofissional. A humanização da assistência na UTI deve se pautar no cuidado singular, na integridade e no respeito à vida. É dependente do encontro envolvendo cuidador e ser cuidado. A construção da "integralidade não deve ser transformada em um conceito, mas sim numa prática do cuidado que trata da valorização da vida, do respeito ao outro e das diferenças entre os seres humanos" (PINHO, 2006).

Portanto, na UTI o cuidado de enfermagem deve estar voltado às necessidades do paciente e da sua família, desenvolvendo uma proposta do cuidado centrado na família, encorajando-os ao envolvimento afetivo. Com isso, pretende-se preservar a indissolubilidade, reduzindo assim o tempo de internação, aumentando o calor afetivo e a colaboração da equipe de saúde, criando um vinculo de confiança entre família e equipe (OLIVEIRA; COLLET; VIEIRA, 2006).

A humanização em UTI onde se presta cuidados a pacientes críticos, os profissionais de saúde especialmente os enfermeiros, necessitam utilizar a tecnologia aliada à empatia, a experiência e a compreensão do cuidado prestado fundamentado no relacionamento interpessoal terapêutico, a fim de promover um cuidado seguro, responsável e ético em uma realidade vulnerável e frágil. Cuidar em Unidades Critica é ato de amor, o qual esta vinculada: a motivação, comprometimento, postura ética e moral, características pessoais, familiares e sociais (SILVA, 2000).

OBJETIVO

Analisar o contexto histórico e conceitual do processo de humanização, enfatizar os aspectos sobre humanização no ambiente de unidade de terapia intensiva a enfermagem e o cuidado humanizado.

METODOLOGIA

 O método utilizado será a pesquisa exploratória de caráter qualitativo, teórico-conceitual, com base de dados em endereços eletrônicos científicos na área de enfermagem, artigos e livros de 1988 a 2011.

REVISÃO DA LITERATURA    

HUMANIZAÇÃO NA UTI

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) a estrutura e organização da UTI devem levar em conta os avanços terapêuticos e tecnológicos disponíveis para o cuidado do paciente de alto risco para que possa atender a essas novas realidades. Todo planejamento e organização da UTI, da escolha do material, recursos humanos, bem como planta física, deve levar em consideração e enfatizar o cuidado centrado na família em todos os aspectos da assistência, da admissão até a alta hospitalas, quando então a assistência integral ao paciente de alto risco e família será enfatizada. A estrutura do hospital onde será implantada a UTI deverá ser analisada para se certificar de que possui todos os serviços técnicos e humanos de apoio para atender as demandas do cuidado do paciente enfermo, 24 horas por dia, como: laboratório clínico e patológico, radiologia, farmácia, ECG, serviço social, ecocardiograma, gasometria, banco de sangue, entre outros (TAMEZ e SILVA, 2006).

Na UTI há equipes especializadas de médicos e enfermeiros, além de outros profissionais de saúde e pessoal de apoio contando com a retaguarda de exames complementares, laboratoriais e radiológicos, tudo funcionando 24 horas por dia; equipamentos modernos como respiradores, monitores cardíacos e de oxigenação, entre muitos outros, são obrigatórios neste ambiente de UTI de modo a garantir todos os cuidados que o paciente preciso (Grupo de Trabalho de Humanização Segundo Nogueira (1997) palavra humanização pode ser entendida como a maneira de ver e considerar o ser humano a partir de uma visão global, buscando superar a fragmentação da assistência.

Um dos aspectos que envolvem uma prática dessa natureza está relacionado ao modo como lidamos com o outro. Uma das características do processo de trabalho em saúde é que o mesmo "se funda numa inter-relação pessoal muito intensa". Assim, essa característica implica em fazermos a diferença no modo como lidamos com outro, tratando-o com dignidade e respeito, valorizando seus medos, pensamentos, sentimentos, valores e crenças, estabelecendo momento de fala e de escuta. Humanizar de acordo com os valores ético consiste fundamentalmente, em tornar uma prática bela, por mais que ela lide com o que tem de mais degradante, doloroso e triste na natureza humana, o sofrimento, a deteriorização e a morte. Refere-se, portanto, a possibilidade de assumir uma posição ética de respeito ao outro e de reconhecimento dos limites. O ponto chave do trabalho da humanização está no fortalecimento desta posição ética de articulação do cuidado ético técnico cientifico, já construído, conhecido e denominado, ao cuidado que incorpora a necessidade, a exploração e acolhimento do imprevisível, do incontrolável, ao indiferente e singular (MORAES et al., 2004).

Segundo Lima (2004) "humanizar não é uma técnica ou artifício, é um processo vivencial que permeia toda a atividade das pessoas que assistem o paciente, procurando realizar e oferecer o tratamento que ele merece como pessoa humana, dentro das circunstâncias peculiares que se encontra em cada momento no hospital". A humanização representa um conjunto de iniciativas que visa à produção de cuidados em saúde, capaz de conciliar a melhor tecnologia disponível com promoção de acolhimento, respeito ético e cultural ao paciente, espaços de trabalho favoráveis ao bom exercício técnico e a satisfação dos profissionais de saúde e usuários (DESLANDES, 2004).

A UTI é por excelência, o ambiente destinado ao atendimento de paciente de alto risco e, para tanto, exige de toda a equipe um preparo que sustente a complexidade das atividades desenvolvidas. No tocante à equipe de enfermagem assume um leque de atribuições, capacidades e responsabilidades que são essenciais para avaliar, entender e apoiar com segurança o paciente e a sua família durante o tempo crítico de permanência no hospital (MOREIRA, 2001).

ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO

A Humanização do cuidado de Enfermagem na UTI O trabalho de enfermagem é considerado como um processo particular do trabalho coletivo em saúde. Tem um caráter subsidiário, complementar e tem como objeto de trabalho, o corpo humano individual e coletivo. A preocupação com a humanização da assistência em uma unidade de terapia intensiva  não deve se restringir ao ato de saúde em si. Pensar na melhoria da qualidade do atendimento nos hospitais implica em mudanças nas formas de gestão hospitalar, na melhoria da infra-estrutura e no fortalecimento do compromisso da equipe de profissionais (GAÍVA, 2004).

A equipe de saúde que trabalha na UTI é confrontada diariamente com questões relacionadas à morte, utilizando muitas vezes de mecanismos de defesa para evitar o confronto com a angústia, gerada pela participação do sofrimento do paciente, podendo causar, se não trabalhado adequadamente, o estresse, o sofrimento psíquico. Nesse processo, o sofrimento pode ser potencializado pela forma como está organizado o trabalho, a saber, jornadas prolongadas, ritmo acelerado, falta de descanso ao longo do dia, ou até mesmo a jornada dupla de serviço, intensa responsabilidade na realização de tarefas para um paciente que não expressa suas angustias, irritações e medos. A vivência cotidiana com essa realidade pode levar a sentimentos de frustração, raiva, falta de confiança em si próprio, diminuição da satisfação com o trabalho, podendo, inclusive, desencadear sintomas de depressão (KNOBEL, 1998).

Para que o trabalho não se torne mecanizado e desumano, é necessário que os profissionais estejam instrumentalizados para lidar as situações do cotidiano, recebendo auxilio psicológico e aprendendo a administrar sentimentos vivenciados na pratica assistencial. Vale salientar que, para o desenvolvimento de ações humanizadas seja a filosofia da instituição. Portanto, esta deve estar comprometida com um projeto terapêutico que contemplem a humanização das relações de trabalho, da assistência e do ambiente de trabalho. Nesse contexto, é fundamental o incentivo à equipe, valorizando os profissionais enquanto seres bio-psico-sociais, pois, quando se sentem mais respeitados, valorizados e motivados como pessoas e profissionais, podem estabelecer relações interpessoais mais saudáveis com os pacientes, familiares e equipe multiprofissional (CINTRA; NISHIDE; NUNES, 2003).

Outro aspecto importante que influencia no desenvolvimento do trabalho é o fato de a equipe de enfermagem, geralmente, estar vinculada a mais de um emprego, dobras de plantões, horas extras, sobrecarga de trabalho sem descanso, resultando em fadiga, tensão e irritação. Devido ao esforço físico diário, repetições de tarefas e a necessidade do trabalho ser realizado em pé, os trabalhadores sofrem com o desgaste físico (SILVA, 2000).

Com a inclusão da família no processo assistencial, surgiu a necessidade de instrumentalizar os profissionais com os conhecimentos em psicologia familiar, relacionamento interpessoal e direitos humanos, para que a atuação seja de atenção à saúde humanizada. A enfermagem acerca da humanização do cuidado tem em vista as especificidades de seu objeto de trabalho. Na UTI a humanização da assistência de enfermagem procura pautar-se no cuidado singular do paciente e sua família, na integralidade e no respeito à vida. O encontro envolvendo cuidador e ser cuidado deve ter como fio condutor a escuta sensível para a construção de uma pratica do cuidar que seja capaz de conciliar a melhor tecnologia disponível com a promoção de acolhimento, vinculo e responsabilização.

A capacitação dos profissionais de enfermagem para aprender as necessidades singulares de cada paciente é de grande importância para que os procedimentos e cuidados de rotina, dolorosos e invasivos sejam empregados de forma individualizada e singular. Um dos primeiros passos nesse sentido é a observação acurada das respostas comportamentais e fisiológicas do paciente, visando à diminuição do estresse e da dor, contribuindo para o seu conforto, segurança e desenvolvimento (REICHERT; LINS; COLLET; 2007).

A enfermagem e a família sempre estiveram próximas, vivendo momentos difíceis que demandam dela ações, sentimentos e pensamentos que, muitas vezes ultrapassam suas possibilidades conhecidas, a família necessita de um enfermeiro capaz, que lhe ajude a olhar esses momentos como possibilidade de superar-se nas habilidades que lhe faltam para o enfrentamento da doença do paciente (LAMY; GOMES; CARVALHO; 1997).

Salientando o papel da enfermagem na UTI, ressaltamos que a assistência e o cuidado de enfermagem devem ser considebrados como a mola propulsora para humanizar o ambiente da UTI (ARAÚJO, 2005).

Assim humanizar passa a ser responsabilidade de todos, individual e coletivamente. Jamais estará dada, sendo preciso reconstruí-la em todos os atos de saúde, quer aqueles burocráticos – administrativos, quer aqueles relacionais. Humanização no setor saúde é ir além da competência tecnocientífica – política dos profissionais, compreende o desenvolvimento da competência das relações interpessoais que precisam estar pautadas no respeito à vida, na solidariedade, na sensibilidade de percepção das necessidades singulares dos sujeitos envolvidos (CASATE e CORRÊA, 2005).

Segundo Baraúna (2000) humanizar é acolher esta necessidade de resgate e articulação de aspectos indissociáveis: o sentimento e o conhecimento. Mais do que isso, humanizar é adotar uma prática na qual o enfermeiro, o profissional que cuida da saúde do próximo, encontre a possibilidade de assumir uma posição ética de respeito ao outro, de acolhimento do desconhecido, do imprevisível, do incontrolável, do diferente e singular, reconhecendo os seus limites. A possuir uma pré-disposição para a abertura e o respeito ao próximo como um ser independente e digno.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Humanização na UTI não é apenas melhorar as instalações físicas, é também a mudança de comportamento e atitudes diante dos pacientes e familiares. A Humanização na UTI engloba aspetos muito alem da tecnologia, significa cuidar o paciente como um todo, objetivo desse trabalho foi conhecer estudos sobre a Humanização e o trabalho da Enfermagem, dentro desse ambiente complexo.

Os profissionais que trabalham na UTI, especialmente os profissionais de enfermagem, necessitam ter uma preparação para humanização, Para que o trabalho não se torne mecanizado e desumano, é necessário que os profissionais estejam instrumentalizados para lidar as situações do cotidiano, recebendo auxilio psicológico e aprendendo a administrar sentimentos vivenciados na pratica assistencial. Vale salientar que, para o desenvolvimento de ações humanizadas seja a filosofia da instituição.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, D. Trabalho no centro de terapia intensiva: perspectivas da equipe de enfermagem. REME – Revista Mineira de Enfermagem, jan - mar, 9 (1), p. 20-28, 2005.

CASATE, J. C.: CORREA, A. K. Humanização do atendimento em saúde: conhecimento veiculado na literatura brasileira de enfermagem. Revista latino-americana de Enfermagem. V. 13, n. 1, p. 105 – 111, 2005.

CINTRA, E. A.; NISHIDE, V. M.; NUNES, W. A. Assistência de enfermagem ao paciente gravemente enfermo. 2ª edição. São Paulo: Atheneu, 2003.

DESLANDES, F. S. Análise do discurso oficial sobre humanização da assistência hospitalar. Ciência e saúde Coletiva. V. 9, n. 1, p. 7-14, 2004.

GAIVA, M. A. M.; SCOCHI, C. G. S. Processo de trabalho em saúde e enfermagem em UTI. Revista Latino-American. Enferm., mai-jul, 12 (3), p. 469-476, 2004.

KNOBEL, E. Condutas no paciente grave. 2ª edição. São Paulo: Atheneu, 1998.

LIMA, G. C. Humanização em unidade de terapia intensiva: discurso de enfermeiras. (Especialização). João Pessoa: Centro de Ciências da Saúde / UFPB, 2004.

MORAES, J. C.: GARCIA, V. da G. L.: FONSECA, A. da S. Assistência prestada na unidade de terapia intensiva adulta: Visão dos clientes. Revista Nursing. V. 79, n.7, 2004.

NOGUEIRA, R. P. O trabalho em serviços de saúde. In: SANTANA, S. P. (org), Desenvolvimento Gerencial de Unidades Básicas do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília (DF): OPAS; 1997.

OLIVEIRA, B. R. G.; COLLET, N.; VIEIRA, C. S. A humanização na assistência a saúde. Revista Latino-American. Enferm., mar-abr, 14 (2), p. 277-284, 2006.

REICHERT, A. P. S.; LINS, R. N. P.; COLLET, N. Humanização do cuidado da UTI. Revista Eletrônica de Enfermagem[ serial on line], jan-abr; 9(1): 200-213. 2007. 

SALÍCIO, D. M. B. S.; GAIVA, M. A. M. O significado de humanização da assistência para enfermeiros que atuam em UTI. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 08, n. 03, p. 370–376, 2006. Disponível em http://www.fen.ufg.br/revista/revista8 3/v8n3a08.htm.

SILVA, M. J. P.da. Humanização em UTI. In: CINTRA, E. A.; NISHIDE, V. M.; NUNES, W. A. (Org.) Assistência de enfermagem ao paciente crítico. São Paulo: Atheneu, 2000.

SILVA, V. E. F. O desgaste do trabalhador de enfermagem: relação trabalho de enfermagem e saúde de trabalhador [tese]. São Paulo: USP/ Escola de Enfermagem, 2000.

TAMEZ, Raquel Nascimento; SILVA, Maria Jones Panjota. Enfermagem na UTI Adulto. 3ª edição, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

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    unidade de terapia intensiva

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    enfermagem

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