A IMPORTÂNCIA DA SISTEMATIZAÇÃO DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DO CÂNCER DE COLO UTERINO

Publicado em: 18/08/2010 |Comentário: 1 | Acessos: 4,532 |

 

1 INTRODUÇÃO

 

       A displasia do colo uterino pode evoluir para carcinoma invasor denominado de lesão intra-epitelial (LEI). A NIC 1 é a displasia leve, a NIC 2, displasia moderada e a NIC 3, displasia acentuada ou carcinoma in situ e estão relacionadas a à infecção pelo Papilomavírus humano HPV. No Brasil estíma-se que o câncer de colo uterino seja a terceira neoplasia maligna mais comum é a quarta causa de morte por câncer entre mulheres e com mais freqüência em mulheres entre 30 a 45 anos de idade, porém pode ocorrer mais precocemente sendo vários os fatores de risco (BRASIL, 2006).

        O Enfermeiro tem como finalidade garantir a toda mulher o acesso a exames preventivos de diagnóstico e tratamento nos serviços especializados, trabalhando na promoção do ajustamento da saúde da mulher, realizando orientações sobre tabus e principalmente o medo da realização do exame o tornado rotina de toda mulher, já que o câncer de colo é uma doença com alto potencial de cura desde que diagnosticado precocemente.  A prática de sexo seguro realizado através de uso de preservativo, pode ser considerado como forma primária de prevenção que o Enfermeiro enfatiza na educação para saúde da cliente e seus eventuais parceiros, entretanto, a principal forma prevenção se dá por meio do exame citológico do colo do útero (FIGUEREDO, 2001).

 A sistematização de assistência de enfermagem (S.A.E), fornece assistência á mulher de forma integral,com oportunidade na educação e orientação junto á população feminina, esclarecendo  duvidas e incentivado a realização periódica do exame, contribuindo assim para uma redução no número de casos (TANNURE, 2008),

 

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 O Câncer de Colo Uterino

 

       O HPV é uma família de vírus com mais de 200 tipos. Enquanto alguns deles causam verrugas no corpo, outros infectam a região genital, podendo ocasionar lesões que se não tratadas se transformam em câncer de colo do útero. Apesar de (> 90%) conseguir eliminar o vírus naturalmente em 18 meses, sem que ocorra nenhuma manifestação clínica (RAMOS, 2006).

        Em outras pessoas o vírus pode se multiplicar e então provocar o aparecimento de lesões, como verrugas genitais visíveis ao olho nu ou lesões microscópicas ou pode aparecer latente sem causar nenhuma manifestação clínica aparecendo com a diminuição da resistência imune (PARELLADA, 2006).

       As neoplasias são classificadas como: Displasia cervical moderada (NIC I), acentuada (NIC II), lesão de alto grau (NIC III) e o câncer in situ, a ocorrência do NIC I e II verifica-se entre 25 a 35 anos. O carcinoma pré-invasivo de 30 a 40 anos. Esta observação é importante para considerar as displasias como lesões pré-malignas. (CARVALHO, 2002).

        A principal via de disseminação deste tipo de câncer é a linfática e pode invadir os paramétrios lateralmente, o corpo uterino superiormente, a vagina inferiormente e a bexiga ou reto (ROBBINS, 2000).

       O tratamento é a radioterapia e sempre causa complicações que são as cistites, proctite, estenose vaginal, perfuração uterina, já as complicações da radiação externa são a depressão da medula óssea, obstrução intestinal e fistula (NETTINA 2001).

       Outras complicações são: alopecia, eritema cutâneo, descamação da pele, mucosite disfagia, anorexia, trombocitopenia, vômitos, náuseas, diarréia, estreitamento do canal vaginal ou do reto, ou ainda irritação da pele, poderão estar presentes (FIGUEIREDO 2003).

       Os órgãos mais afetados pela irradiação incluem o retossigmóide, a bexiga e o intestino delgado. A reação aguda mais comum é a enterite, caracterizada por diarréia e cólicas abdominais. Ocorre em 2/3 das pacientes, durante o curso da radioterapia externa, iniciando-se em geral após a terceira semana de tratamento. A bexiga também pode ser afetada com desenvolvimento de disuria e aumento da freqüência urinaria. Estes sintomas ocorrem em cerca de 1/3 das pacientes, freqüentemente requerem medicação sintomática e especial acompanhamento para evitar uma infecção urinaria superpostos efeitos tardios incluem as retites e as cistites crônicas, as fistulas vesico - vaginais e reto-vaginais, e os quadros de enterite com graus variáveis de obstrução intestinal. A intensidade  das reações depende da dose total, da dose diária e do volume irradiado. Ocorrem em cerca de 3 a 5% das pacientes com doença inicial e cerca de 10 a 15% das pacientes com enfermidade avançada. Cirurgias prévias, moléstias intercorrentes e o emprego das complicações. Em geral aparecem a partir do segundo ano de tratamento (BRASIL 2006).

Além da radioterapia outro tipo de tratamento é a crioterapia, a biopsia com leasere a histerectomia. Os tratamentos indicados pelo Ministério da Saúde e mais utilizados atualmente é o ácido tricloroacético a 80%- 90%. Isso não significa que tal medicamento traga a cura ou altere o ciclo da infecção natural do HPV, porém se deixados sem tratamento, os condilomas podem desaparecer, permanecer inalterados ou aumentar em tamanho ou quantidade                                                                                                                                                                                  Nenhuma evidência indica que os tratamentos disponíveis erradicam ou afetam a historia da infecção natural pelo HPV. O objetivo principal do tratamento da infecção é a remoção das verrugas sintomáticas, levando a períodos livres de lesões em muitos pacientes(BRASIL, 2006).   

O uso de preservativos durante as relações sexuais oferece boa proteção contra o vírus, no entanto, o uso só será eficaz se o preservativo cobrir toda a área infectada e o vírus não se encontrar instalado na região pubiana, bolsa escrotal, ou parte externa da vagina e vulva (RAMOS, 2006).

Recentemente foi liberada uma vacina para o HPV. No momento está em estudo no Ministério da Saúde o uso pelo SUS. É importante enfatizar que esta vacina não protege contra todos os su do HPV. Sendo assim, o exame preventivo deve continuar a ser feito mesmo em mulheres vacinadas (INCA 2008).

2 O SAE NO ATENDIMENTO À MULHER NO EXAME GINECOLÓGICO      

      

          O enfermeiro é o profissional que coordena e gerencia todo o processo de assistência a ser desenvolvido em relação à paciente.  As especificidades, necessidades, altas e recuperação, constituem a principal razão da assistência de enfermagem, a qual deve, portanto, ser realizada eficientemente, com comprometimento de quem a desenvolve, garantindo qualidade do cuidado prestado e, principalmente, a satisfação do paciente e seus familiares (BARBOSA et al MELO, 2008).

            Considerando que os objetivos do aconselhamento nem sempre são atingidos em um único encontro e podem ser trabalhados tanto em grupo, como individualmente a atitude de escuta que valoriza e motiva a fala das usuárias deve ser desenvolvida. Torna-se premente que o atendimento seja centrado na cliente, priorizando o movimento em personalizar as informações, refletindo-as com base em suas vivências. É importante motivar o usuário a expor suas reais dificuldades para a adoção das ações que reduziriam seus riscos de câncer de colo uterino. Entretanto, não deve haver uma ruptura entre informar e escutar; ao contrário, o ideal é que estejam articulados (FIGUEIRAS  et al DESLANDES, 1999).

       A parti daí, o Enfermeiro torna coerente suas idéias em seus atos eletivos  e as demandas através da SAE pelo decreto-lei nº94406/87 com a elaboração da prescrição de Enfermagem (TANNURE, 2008).

2.1 O processo de enfermagem

 

     O processo de enfermagem estrutura as decisões as tornando científicas e não intuitivas, para melhorar a qualidade dos cuidados prestados no binômio enfermeiro-cliente. O processo composto por 5 etapas didáticas, inter-relacionadas e concomitantes (TANNURE, 2008 et al BUB; BENEDET, 1996).

       A primeira etapa consiste na investigação onde o Enfermeiro verifica o estado de saúde do cliente pala coleta de dados diretos e indireto usando os instrumentos de coleta, faz a valiação, determina qual é mais relevante para a ocasião, comunica e registra os dados anormais e promove a continuidade da assistência. Isto favorece dados padronizados e  congruência, conforme o perfil de cada  cliente (TANNURE, 2008 et al ROSSI E CARVALHO, 2002).

        A segunda etapa, introduzida pela Wanda de Aguiar Horta, 1979, segue para o diagnóstico de enfermagem baseado na taxonomia da NANDA (North American Nursing Diagnosis Association) no qual  é baseado nas respostas clínicas reais e potenciais da cliente fornecendo  base para a seleção de intervenções e futuros resultados de responsabilidades do Enfermeiro que requererá capacidade de análise, raciocínio, percepção e interpretação dos dados fisiológicos, psicossociais e espirituais (TANNURE, 2008 et al CARPETINO, 1997).

        Obtidos com o uso segundo a NANDA, 2008 de componentes estruturais: título, características definidoras e fatores evidenciados, ex de diagnóstico real: Conhecimento eficiente relacionado à coleta oncótica a ser realizada, caracterizado à verbalização do problema, evidenciado pela fala de familiaridade com o recurso de informação. Ex de diagnóstico potencial: Risco para controle ineficaz do regime de terapia preventiva, relacionada a falta de conhecimento das formas de acompanhamento, evidenciado por expressão verbal.

       A terceira etapa, diz respeito ao planejamento os resultados esperados da assistência de enfermagem a fm de corrigir, evitar ou minimizar os problemas (TANNURE, 2008 et al ALFARO-LEFEVER, 2005).

      Esta etapa fornece a comunicação entre os cuidadores, direciona o cuidado fornece documentação para reembolso de seguro. Os resultados esperados dependem de cada diagnóstico de enfermagem e suas prioridades, pois constitui essencial na fase de planejamento com condições favoráveis a serem alcançadas junto ao cliente num tempo específico e determinadas, p. ex: A cliente apresentará melhora da verbalização do problema em 30 m, após o esclarecimento da importância da prevenção do câncer de colo uterino pelo procedimento (TANNURE, 2008 et al IYER, 1993).

       Segundo Tannure, 2008 et al Stantun, 1993 a quarta etapa se refere a implementação da assistência de enfermagem. As prescrições se baseada nas características definidoras, incluem data, ação realizada e quem vão realizar. (o que, quando, onde, com que freqüência, quanto tempo ou quando), Lembrando queTannure, 2008 et al Carpenito, 1999 afirma que os Enfermeiros não prescrevem nem tratam as condições médicas e sim, prescrevem cuidados para as reações das condições clínicas que correspondem as complicações fisiológicas. A prescrição dependente é dependente da  solicitação  do médico mas, com julgamento e tomada de decisão do Enfermeiro, assim como sua prescrição de caráter independente , também as prescrições que dependem da  colaboração de outros membros da equipe (interdependente). Para cada diagnóstico de enfermagem haverá um resultado esperado. Para cada resultado esperado o Enfermeiro prescreve cuidados de enfermagem priorizados por ordem de execução, claro e completos utilizando a NIC (classificação dos resultados de enfermagem). A NIC, 2004 possui 7 domínios, 30 classes, 486 intervenções e mais de 12.000 atividades que serão relacionadas com o cliente em questão. As intervenções da NIC são baseadas na NANDA e possui um título, uma definição no qual se refere ao seu conteúdo, e depois as atividades para cada uma delas, afim de atender ao planejamento do cuidado individual a ser executado pelo Enfermeiro ou pelo técnico em enfermagem (TANNURE, 2008).

 Ex de prescrição de enfermagem para a cliente que irá realizar o exame de Papanicolau: Orientar a cliente quanto suas dúvidas atuais e eventuais relacionado com o exame, assim como, a importância da prevenção de câncer de colo uterino com propósito de estabelecer autonomia de discussão e feed back por parte da cliente sobre o assunto em questão (Enfermeiro).

Ex de NIC - intervenção: Precaução contra possível ignorância dos benefícios do exame de esfregaço cérvico uterino.

NIC – definição: Prevenção ou minimização de fatores de riscos na cliente com o risco de não aderência terapêutica preventiva anual.

Algumas atividades listadas na NIC:

       A quinta etapa do processo de enfermagem é a avaliação da assistência prestada a fim de verificar a estrutura, o processo e o resultado baseado na mudança de comportamento da cliente. Caso seja necessário, rever a assistência depois da observação direta ou indireta da reação da cliente, na qual é a chave para a excelência no fornecimento do atendimento em saúde. Cada êxito obtido na quinta etapa é necessário avaliar diariamente o que foi feito a fim de que possa aprende cada vez mais, as melhores estratégias a serem adotadas. Entretanto, em caso de piora do quadro, se perguntar onde ocorreu a falha para o alcance do resultado esperado no qual, pode ter sido equivocado ou inadequado assim como, fatores inerentes aos cuidados (TANNURE, 2008 et al ALFARO-LEFEVRE, 2005)

                                                                                                                                 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

        A (SAE) é fundamental à saúde da mulher de forma integral contribuindo para uma redução no número de casos de câncer no colo uterino e melhora nas condições de toda sua saúde como mostra estudos derevisão literária brasileira e biblioteca virtual ( BIREME, SCIELO, BNENF),  sites especializados (MS, FIOCRUZ, INCA) e artigos. Foi detectado que embora a Resolução COFEN n º 358/2009, que dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em ambientes públicos e privados, a maioria das UBSF e várias instituições de saúde, ainda, não a instituíram, entretanto, muitas instituições de ensino já instituíram em sua grade curricular a disciplina da SAE.Foi notado queas práticas de assistência sistematizada de enfermagem na atenção à saúde da mulher com ênfase ao câncer de colo uterino são voltadas para a prevenção através da realização do exame de Papanicolau, mas também, possui intuito de exercer suporte na educação para a saúde com efetividade e automatismo para que a cliente consiga seu potencial máximo de saúde ginecológica pela autonomia das práticas preventivas, absenteísmo do modelo biomédico, o que representa grande impacto benéfico  na saúde   coletiva de médio a longo prazo na comunidade em questão. O Enfermeiro otimiza a efiácia dos cuidados do indivíduo e família atravéz da SAE, na qual, faz parte da sua identidade  quando troca o conhecimento preexistente do que fazer e como fazer pelo porque e quando fazer conforme prediz a carta de Ottawa 1986 que ‘A promoção da Saúde  visa aumentar a capacidade dos indivíduos  para controlarem  melhor a sua saúde'

 

1. Ministério da Saúde: Instituto Nacional do Câncer – INCA. HPV. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em:

2.Tannure C M, Gonçalves P M A SAE (Sistematização e Assistência de Enfermagem). Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2008.

3. Figueiredo N M A. Ensinando a cuidar de clientes em situações clínicas e cirurgias. 6. ed. São Caetano do sul, SP: Difusão, 2001.

4. Lima CF A, Kukcgant P. O Processo de Implementação do Diagnóstico de Enfermagem no Hospital Universitário da Universidade Federal de São Paulo. Artigo disponível em: http://www.scielo.br/scielo.phd. Acesso em: 23/06/2010.

 4. NANDA NANDA (North American Nursing Diagnosis Association). Diagnóstico de Enfermagem da NANDA. Tradução de: Regina Machado Garcez. Porto Alegre: Artemed, 2008, 396 p.

5. Nettina S M, Brunner, Prática de Enfermagem. 7º ed. Rio de janeiro: Guanabara koogan, 2001.

6. Parellada C. Prevenção de câncer – HPV. Disponível em: file://C:\Documents.

 7. Ramos S P. HPV papiloma vírus. 2006. Disponível em: http://www.gineco.com.br/hpvum.htm. >, Acesso em: 29 abril de 2010.

 

 

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    Palavras-chave do artigo:

    descritores papanicolau cancer hpv sae exame citologico

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    2
    FABIANA DUARTE 25/01/2011
    Bom dia eu estou com NIC III que foi constatado em setembro de 2010 mas ate agora nao me derao nenhum medicamento e estou preocupada pois estou com problemas de corimento e fortes dores de bariga .
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