A IMPORTÂNCIA DO SISTEMA IMUNOLÓGICO EM NEOPLASIAS

Publicado em: 18/08/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 1,919 |

1-      INTRODUÇÃO

      

       Neoplasias são células do organismo que se tornam atípicas porque perdem sua característica, adquirem autonomia e atividade constitutiva. São classificadas como benigna e maligna (BOGLIOLO, 2004).

       Este agregado de células genotipicamente diferenciadas e de caráter aberrante denomina-se malignas, sendo que as de caráter metastático é responsável pela morte de 2 a 3 paciente com câncer (ZOLLO, 2000).

       A origem das neoplasias é evidenciada por células que escapam do controle regulatório e se multiplicar rapidamente resultando em tumores pelo fato de serem descendentes de uma célula original outras de origem policlonal. Modelos epidemiológicos e genéticos apontam que de 4 a 6 mutações no genoma das células é suficiente para a geração do câncer (BORGES, 2001).

       Esta morbidade já era mencionada na década de 1930'com início da transição demográfica e denominada doença moderna atrás somente das cardíacas consideradas como causa de morte, concomitante da morbidade moderna com a morbidade da pobreza (ROUQUAIROL, 2003).

       O SVI (Sistema de Vigilância Imunitária) varia conforme o tipo de tumor com estratégias específicas e inespecíficas variadas e com capacidade de destruir células clonadas e tumores já formados devido sua resistência ativa (ABBAS, 2005).

       Segundo Carneiro e Junqueira, 2004 este sistema proveniente do sistema linfóide e caráter genético tem a capacidade de reconhecer células neoplásicas por proteínas estranhas presente em suas membranas de alto poder imunogênico, desta maneira se difere das células ‘normais', evitando assim a autodestruição do organismo.

 

1.2- ORGANIZAÇÃO

 

       A organização deste sistema imunitário é composta por estruturas individualizadas e componentes como a medula óssea: local da produção de leucócitos e futuros LT e LB (linfócitos T e B); Tecido linfóide: Timo, Baço e Linfonodos onde o primeiro é o local de amadurecimento dos LT e LB, o segundo atua como um filtro de membrana vermelha e

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branca e descarte de Leucócitos envelhecidos e o terceiro local da remoção de materiais estranhos antes de caírem na corrente sanguínea (BRUNNER E SUDARTH, 2005).

       A fisiologia celular reconhece e destrói clones de células transformadas. O Sistema de Vigilância Imunitário reage em curto ou longo prazo, baixo ou alto nível depende do agente biológico que estimula (ABBA, 2005).

 

1.3- MECANISMOS DE AÇÃO

 

       O mecanismo de defesa deste sistema possui poder de inibir o desenvolvimento de neoplasias, devido a isto muitos tumores são eliminados logo em sua origem, fato comprovado por células neoplásicas na corrente sanguínea sem a presença de metástases.

 O SVI reconhece as proteínas nas superfícies das células que agentes quimioterápicos foram incapazes de eliminá-las. Porque somente as células com proliferação ativa dentro dos tumores morrem deixando as que estão em divisão em grande potencial de futuras ploriferações restando apenas à eficácia do SVI na sua destruição (GUAITON, 2003).

 

1.4- FATORES QUE INFLUENCIAM SUA EFICÁCIA

 

       No entanto, é preciso evidenciar fatores que contribuem posteriormente de forma positiva ou negativa para manutenção ou declínio do SVI como o fator nutricional, fatores hormonais, genéticos, fármacos imunossupressores, algumas doenças, problemas especiais, transfusão sanguíneas, estilo de vida, fatores psiconeuroimunológicos, distúrbios auto-imune, doença neoplásica, crônicas ou cirúrgicas; a idade, tabaco e toxinas ambientais, períodos de infecção e doenças graves, fatores genéticos. É possível detectar disfunção imune do SVI nos sistema orgânico do corpo humano como: alteração da freqüência respiratória, taquicardia, vômitos, diarréias e disfunção cognitiva (BRUNNER E SUDARTH, 2005).

       Entretanto, através da imunoistoquímica se obtém: diagnóstico, prognóstico e tratamento das células neoplásicas (GELLER, 2005).

      Assim como exames relacionados ao SVI e sua suposta avaliação como o exame leucocitário e linfocitário, exames da imunidade celular e funções das células fagocítica, exames dos componentes do complemento, testes de hipersensibilidades e teste agente X anticorpos. As imunoglobulinas possuem funções permanentes e distintas no SVI em conjunto

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com as demais células especializadas e individualizadas, desenvolvendo assim, a teoria da vigilância imunitária. Os antígenos desencadeiam o mecanismo de defesa em neoplasias.

 

 

1.3- RESPOSTA INATA E HUMORAL

 

        A resposta imunológica inata que combate qualquer tipo de invasor pela diferenciação que faz do próprio e não-próprio, dura ao longo da vida e é mediada por células como as NKs, macrófagos, Linfócitos T citotóxicos e granulócitos. É mais eficaz que a imunidade humoral adquirida durante o nascimento por imunização ao contato ativo ou passivo com o agente, é mediada por imunoglobulinas p. ex: IgG, que estimula a fagocitose; O IgA, que evita a absorção do agente apartir do alimento; IgD, que influencia a diferenciação dos LB e IgE, que aparece no soro.Também faz parte da resposta humoral ou adquirida o  sistema complemento. Mas no fim o balanceamento entre as 2 formas de reação é que define o processo de defesa do SVI que se organiza em estágios, sendo o primeiro o estágio de identificação com a presença de linfócitos circulantes na corrente sanguínea e Linfonodos em rotas solitárias e intermináveis, estes linfócitos que contém a mensagem antigênica voltam para os Linfonodos  e estimulam os linfócitos T e B que lá residem a se desenvolverem, dividir-se e se proliferar desenvolvendo assim o estágio de proliferação. No estágio de resposta os linfócitos alterados e sensibilizados ativam a resposta humoral pela produção de ac. Da resposta humoral ou citotóxica alcança e acopla à superfície do antígeno (BRUNNER E SUDARTH, 2005).

       Os anticorpos por sua vez atuam de 3 modos diferentes, sendo o primeiro por ataque ao invasor por aglutinação, precipitação e lise; O segundo, por atuação do complemento de antígeno pela porção extra de um complemento formando por enzimas e ativação do sistema anafilático que verifica a virulência do agente invasor.Na prática clínica observa-se o SVI como um fator fundamental quando  usa-se os anticorpos monoclonais usados pela técnica do hibridoma desde 1975 ( GELLER, 2005).

       Atualmente os tratamentos convencionais como a quimioterapia é tão agressivo e de caráter  realista em relação ao SVI. Este tipo de tratamento pode chegar a 90% da quantidade de células tumorais destruídas, mas, para chegar a este nível de benefício quimioterápico é preciso doses repetidas e períodos prolongados lesionando assim as outras células normais nas adjacências, pois o medicamento é seletivo, mas não é específico, no entanto, quanto mais

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amplo o tratamento de quimioterapia maior será o número de células ditas normais destruídas. Quando muitos tipos de câncer continuam a reincidirem usa-se o TMO (transplante de medula óssea) como no câncer hematológico e em tumores sólidos usam-se os antineoplásicos com intuito de poupar a medula óssea, pois a ambigüidade com a queda da imunidade de TMO é um fator a ser medido com cautela em nível de risco e benefício para o hospedeiro transplantado com intuito de evitar a rejeição e manter o SVI do corpo de modo atuante e efetivo (RANG, 2004).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

             

       O sistema Imunológico age com grande eficácia contra a formação de tumores neoplásicos, apesar disto, é preciso enfatizar que há fatores que contribui de forma negativa (idade, doença crônica, imunodeficiência) e positiva (nutrição, estilo de vida e alimentação adequada) com o sistema de vigilância imunitária contra as neoplasias. Entretanto, os meios utilizados para avaliar o estado imunológico podem evitar a diminuição de sua eficácia na prevenção e destruição de tumores, assim como, podemos contar com a efetividade de seus componentes em diversos tratamentos e estudos científicos da atualidade e futuros, pois é necessário que medidas de contenção evitem ou pelo menos atenuem os prováveis 27 milhões de novos casos de câncer a cada ano surgem no planeta até 2030.

 

REFERÊNCIAS

BOGLIOLO, L.  Bogliolo patologia geral. Colaboração de Geraldo Brasileiro Filho et al. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

 

ZOLLO JUNIOR, A. Segredos em Medicina Interna. 2 ed. Porto Alegre: Artemed, 2000.

 

BORGES-OSÓRIO, R. M; ROBSON, M, W. Genética Humana 2 ed. Porto Alegre:Artemed, 2001.

 

ROUQUAIROL, M.Z; FILHO, N. A. Epidemiologia e Saúde, 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

 

 JUNQUEIRA, L. C; CARNEIRO, J. Histologia Básica. 10. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

 

 

 ABBAS, A.K; LICHTMAN, A. H. Imunologia Celular e Molecular. Tradução de Claudia Reali. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

BRUNNER E SUDARTH. Tratado de Enfermagem Medica Cirúrgico. 9

ed.Rio de Janeiro; Guanabara Koogan, 2005, vol. 1, 3.

 

GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. Tradução de Charles Alfred Esbrard. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

 

GELLER, M. SCHEINBERG, M. Diagnóstico e Tratamento das Doenças Imunológicas: Para clínicos, pediatras e residentes. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

      

RANG. H. P; et al; tradutores: Prática. Volux, Antônio José Magalhães da Silva Moreira. Farmacologia. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

 

 

 

 

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