Aspéctos emocionais da equipe de enfermagem frente ao paciente terminal

Publicado em: 15/04/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 3,070 |

1. INTRODUÇÃO

 

Trabalhar em um Hospital é viver diariamente a dúvida de até onde ir, por que ir, quando parar, em que investir e, mais ou menos conscientemente, refletir-se.

O que se questiona, ou o que nos parece necessário refletir, é até que ponto o progresso técnico, como se realiza hoje, é "saudável" e promove o crescimento e a harmonização das pessoas.

Vivenciando o dia-a-dia da enfermagem, observa-se que inúmeros funcionários, atuando em Instituições Hospitalares, são portadores de estresses, havendo, portanto, necessidade de investigação das causas e fatores desencadeantes locais, assim como oferecer orientação sobre o modo de conviver da forma mais saudável com o mesmo, bem como sobre mecanismo de prevenção, incluindo ações que possam melhorar a organização do trabalho.

Experiências realizadas com a equipe de enfermagem, mostra o despreparo e a dificuldade que todos tem quando o paciente se encontra em fase terminal.

Referindo-se   ao  existir  , assim    se    expressa:

"o nosso existir é realmente muito incerto, pois se desenvolve num  processo cheio de ambigüidadese  de  riscos,  cuja  impossibilidade   nos   impede de  ter  segurança  ao  agir." (FORGHIERI, 1984.p.74-75)

Quando atendemos ao paciente terminal é de fundamental importância que toda a equipe esteja bastante familiarizada com os estágios pelos quais ele passa, lembrando que podem se intercalar e repetir durante todo o processo da doença, descritos por E. KUBLER-ROSS (1998),em seu livro Sobre a Morte e o Morrer e que permitem uma visão real da complexidade vivida pelo paciente diante da sua e do morrer. São eles: a negação e o isolamento, a raiva (revolta), a barganha, a depressão e a aceitação, complementando-se com a esperança que persiste em todos esses estágios e que é o que conduz o paciente a suportar sua dor. "Quando um paciente não dá mais sinal de esperança. Geralmente é prenúncio de morte iminente."

"É impressionante como, mesmo no ambiente onde a morte é algo que constantemente ocorre, ainda haja, entre os profissionais, aqueles que não querem falar a respeito." (KUBLER, 2004).

 

Afirma que: "ajudar uma pessoa a morrer bem, é apoiar o  sentido  de  amor  próprio,  dignidade  e escolha  dessa  pessoa  até ao último momento de vida.  Para conseguir, devemos  prestar  cuidados calmos, sensíveis, individualizados a cada pessoa de forma  a  que  a  sua  existência  humana  final, seja  tão  livre  de  dor,  sentindo-se  reconfortada, por  ser vista como uma pessoa digna de cuidados mais atentos." (RODEIA, 1998. p. 112)

Os trabalhadores de saúde estressados têm diminuído a capacidade de produção, executam atividades com menor precisão, faltam ao trabalho, adoecem freqüentemente, trabalham tensos e cansados, são ansiosos e depressivos, com atenção dispersa, desmotivado e se sentem com baixa realização pessoal.

Comenta que: "  cuidar da família do  doente em fase terminal, passa por saber ouvi-la, mostrando disponibilidade  e   compreensão.  É   importante reconhecer  que,  muitas  vezes,  a sua  revolta  e agressividade  não  é  dirigida  pessoalmente  aos enfermeiros;  mas é uma  demonstração de dor e desespero  perante  a  incapacidade  de  ajudar  a pessoa que amam."(LIMA, 2006.p.1)

Se a nossa qualidade de contato com as pessoas com quem vivemos está boa, talvez isso seja um indicador de que estejamos conseguindo fazer trocas saudáveis. Se nosso corpo se mantém saudável, talvez isso seja um sinal de que estejamos bem com a vida e no caminho certo. E se os nossos sonhos continuam envolvendo trabalhar com o que trabalhamos, talvez o nosso caminho seja o correto.

O profissional de saúde é um profissional da vida. E sendo um profissional da vida, deve ser capaz de transmitir vida, de mostrar vida nas suas ações, nas suas palavras, nas suas intenções, nos seus projetos.

 

Quando assumimos a responsabilidade pelo nosso próprio desenvolvimento nos relacionamentos, entendemos que todas as pessoas que chegam até nós, são verdadeiros testes para nosso aprendizado na vida - se considerarmos a vida um laboratório, onde muitas experiências são possíveis. Visto assim, temos uma gama muito grande de "espécies" e de possibilidades para contato e para aprendizado, passando a entender que a verdadeira mensagem das coisas esta nas pessoas – e não são palavras. Descobre-se, assim, que cada pessoa é uma história e qual a história que cada pessoa é. Descobre-se ouvindo, olhando, tocando,...

 

Sabemos que existem pessoas tão desfiguradas pelas experiências de vida que, encontrando bons ouvintes, tornam-se novamente humanos, dignos de terem atenção. Escutar e saber ouvir, é deixar a nossa memória reorganizar-se a partir da palavra do outro; é deixar que as nossas palavras despertem em nós sentimentos que nem sempre são claros. É preciso que identifiquemos esses nossos mecanismos de defesa diante do sofrimento, da doença, da morte e da revolta, porque nossos medos podem ser revelados ao toque da palavra.

 

Quando nos dispomos a cuidar de alguém, sabemos que tomos pelo menos três fases pela frente. A primeira delas, é quando percebemos que não sabemos as necessidades de alguém, se realmente não conhecemos este alguém. É quando a nossa capacidade de ouvir se faz extremamente necessária. Nesta fase cabe ao profissional levar em consideração – não só as limitações educacionais dos pacientes – mas também, o necessário respeito às possíveis diferenças culturais que, muitas vezes, são confundidas de forma preconceituosa com ignorância. A segunda fase do processo de cuidar é uma espécie de auto-aceitação. É quando o profissional percebe que pode e quer ser terapeuta e cuidar. "Se é curar, o profissional fica escravo da tecnologia; se é cuidar, ficará preocupado com o bem-estar, o conforto e a qualidade de vida da pessoa que tem diante de si. A terceira fase do processo de cuidar pode ser vista como uma fase de auto-expressão. É quando mostramos a nossa capacidade de ser terapeuta através das nossas palavras, dos nossos atos, comportamentos e emoções. É quando percebemos que, para nos expressar bem, foi necessário que tivessemos sido bons ouvintes. Nesse momento, já somos capazes de perceber que o que é bom para mim, não é necessariamente – ou sempre – bom para o outro.

Para KOVÁCS (1987,p.42) "a morte está presente na vida do ser humano em todas as idades, tendo características diferentes segundo o estágio de desenvolvimento em que se encontra o indivíduo."

O costumeiro é combater a morte além do racional e das forças e vontade do paciente. A morte perdeu o caráter sagrado e social a ser visto como uma derrota do ser médico, algo a ser experimentado de forma solitária.

Focalizando medo da morte, afirma que o homem, de forma geral, antes do advento da tecnologia, estava mais familiarizado com a morte, compartilhada, tanto no leito de morte como nas cerimônias que envolviam a comunidade, sendo permitida a expressão de tristeza e dor. (KOVÁCS, 1987)

Para quem vai morrer, é essencial não se sentir abandonado, tanto pelos médicos quanto pela família e amigos. "Morrer ao lado dos que nos reconhecem como semelhantes e nos admiram pelo que fomos durante a vida traz a dignidade da morte", sugere a psicóloga Clarice Pierre, autora do livro A Arte de Viver e Morrer, e especialista no comportamento a doentes terminais e crônicos. Aos médicos e instituições de saúde, cabe cuidar para que a morte seja vivida com o menor sofrimento possível. Aos poucos, a sociedade está chegando à conclusão de que prolongar a vida a qualquer custo nem sempre é compatível com a dignidade humana. (DORNELLAS, 2005)

Afirma que: "toda doença é uma ameaça à vida e,com  isso, é  um  acesso para a morte, ou  até um primeiro  ou  último  passo  em  direção  à  morte. para   ele,  vida   e   morte  são  inseparavelmente unidas e permanecem uma à outra. Ou  morrer  é uma  possibilidade destacada do  existir  humano, por ser mais extensa e não ultrapassável." (BOSS, 1981. p. 423-43)

A morte espera por todos nós e certamente lidar com ela não é fácil. Deixar de pensar e falar na morte não ajuda a diminuir o problema nem o torna mais fácil de ser enfrentado. Pelo contrário, podemos aprender aceitá-la e a perceber que ela pode ser uma experiência tão importante e valiosa como qualquer outra de vida.

O profissional de enfermagem precisa cultivar a percepção da individualidade dos pacientes, respeitar sua dor, suas crenças, procurar entender a fase em que se encontra, e os sinais verbais e não-verbais para auxiliá-los e seus familiares.

 

Aponta as situações causadoras de estresses nas enfermeiras    que    acabam   com          tarefas desgastantes,    repulsivas      ou    aterrorizantes, suscitando  sentimentos  fortes  e  contraditórios,ora libidinosos, ora agressivos, ocasionando forte ansiedade. Aponta ainda que o impacto direto da doença física na  enfermeira é  intensificado pela sua  tarefa  de  captar  o  estresse  psicológico  de outras pessoas, e de lidar com eles inclusive os de seus próprios colegas. (MENZIES,1970. p.58-89)

Podemos dizer que é aconselhável que o profissional de saúde busque um bom conhecimento de si mesmo, a fim de facilitar a compreensão e o manejo adequado do doente. Ás vezes, o paciente necessita de uma atitude mais diretiva, funcionando como um auxílio moral, um apóio, ou de uma troca de idéias, levando um alívio imediato.

1.1  PROFISSIONAIS DE SAÚDE

A capacitação profissional para lidar com a pessoa doente e com seus familiares se impõe para um adequado controle e alívio dos sintomas que geram sofrimento. Muitas vezes a equipe de enfermagem sentem falta de treinamento nesta área e tem pouca instrução quanto a seu papel diante de tais situações.

O encontro com o paciente nunca é neutro. O enfermeiro deve reconhecer que sua presença é tão importante quanto o procedimento técnico.

Acreditamos que o perigo e o desafio de nos desenvolvermos como seres humanos envolve paixão. Talvez, uma tentativa de se manter a mente flexível, resoluta, clara, aceitando possibilidades e diferentes alternativas; o corpo elástico, sensível, cheio de energia; o coração aberto, para amar a si mesmo e aos outros.

Os profissionais de Enfermagem e de saúde, de uma maneira geral, não podem humanizar o atendimento do paciente crítico antes de aprender como ser mais "inteiro"/ íntegro consigo mesmo.

Humanizar o atendimento é socorrer as circunstâncias e necessidades do outro, assim como tornar mais humanas as condições de trabalho da equipe de enfermagem.

Quando nos sentimos respeitados, valorizados e motivados enquanto pessoas e profissionais, podemos mais facilmente estabelecer relações inter-pessoais saudáveis e respeitosas com os pacientes, familiares e equipe de multiprofissional.

Com algumas freqüências observamos a equipe de enfermagem sentarem ao lado do paciente, tirarem o estetoscópio , a caneta (por alguns segundos...), esperarem o paciente acabar de falar para começar a "tomar notas", tocando o paciente nos braços ou mãos para lhe transmitir segurança, empatia, conforto, encorajamento...

 

A frieza não livra ninguém do sofrimento, ela apenas enterra a dor num nível mais profundo. Depois de graduados, negamos a tristeza em face da desventura do paciente, a irritação diante de sua resistência e até a alegria com sua recuperação. Muitos enfermeiros pensam que é humano sentir raiva, medo, tristeza ou amor quando trabalha intimamente com outro ser humano. Reprime os sentimentos – só que eles não deixam de existir se não forem entendidos.

1.2  DIREITO DE MORRER DIGNAMENTE E DIREITO À MORTE

O direito de morrer dignamente não deve ser confundido com direito à morte.

O direito de morrer dignamente é a reivindicação por vários direitos e situações jurídicas, como a dignidade da pessoa, a liberdade, autonomia, a consciência, os direitos de personalidade. Refere-se ao desejo de se ter uma morte natural, humanizada, sem o prolongamento da agonia por parte de um tratamento inútil.

Defender o direito de morrer dignamente não se trata de defender qualquer procedimento que cause a morte do paciente, mas de reconhecer sua liberdade e sua autodeterminação.

O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 garante a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade e a segurança, entre outros. Ocorre que tais direitos não são absolutos. E principalmente, não são deveres. O artigo 5º não estabelece deveres de vida, liberdade e segurança.

Os incisos do artigo 5º estabelecem os termos nas quais estes direitos são garantidos:

II – Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de leis;

III – Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento degradante;

IV – é livre a manifestação do pensamento...;

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença...;

VIII – Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou convicção fisiológica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

X – são invioláveis à intimidação, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo material ou moral decorrente de sua violação;

XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.

Assim é assegurado o direito (não o dever) à vida, e não se admite que o paciente seja obrigado a se submeter ao tratamento. O direito do paciente de não se submeter ao tratamento ou de interrompê-lo é conseqüência da garantia constitucional de sua liberdade, de sua liberdade de consciência (como nos casos de Testemunha de Jeová) , de sua autonomia jurídica, da inviolabilidade de sua vida privada e intimidade e, além disso, da dignidade da pessoa, erigida a fundamentos da República Federativa do Brasil, no art. 1º da Constituição Federal.

1.3   ENFERMAGEM E A FAMÍLIA

Cuidar da família faz parte integrante dos cuidados a prestar à pessoa em fase terminal. Esta não pode ser vista isoladamente, mas como membro integrado numa família, daí que para haver cuidados de enfermagem de qualidade à pessoa em fase terminal é fundamental a inclusão da família em todo o processo de cuidar.

Cuidar da família do doente em fase terminal passa por saber ouvi-la, mostrando disponibilidade e compreensão. É importante reconhecer que, muitas vezes, a sua revolta e agressividade não é dirigida pessoalmente aos enfermeiros; mas é uma demonstração da dor e desespero perante a incapacidade de ajudar a pessoa que amam.

O enfermeiro deverá, sempre que possível, proporcionar privacidade para conversar e dar apoio aos familiares, compreender os seus sentimentos e reações, responder às suas dúvidas e, sempre que necessário, indicar outras entidades competentes, quando as situações o exigem.

Em suma, a atuação do enfermeiro perante a pessoa em fase terminal deverá ser orientada no sentido de promover a máxima qualidade de vida no tempo que ainda lhe resta, de garantir cuidados básicos e paliativos, sempre com respeito pelo sua dignidade, como ser bio-psico-social e cultural.

O enfoque da ação de enfermagem não deve estar voltado apenas para o doente, mas também para a sua família, pois esta não pode ser visto como ser único, mas como ser social, integrado numa família. Quanto mais clima for de conforto e confiança, mais a experiência pode ser positiva. Não nos esqueçamos: os gestos de atenção e cuidado ficarão para sempre na lembrança dos familiares.

Nossa vida reflete uma luta constante para vencer o abismo entre o que fazê-lo de fato.

1.5  PROFISSIONAIS DE SAÚDE E A ESPIRITUALIDADE NA ÚLTIMA ETAPA DA VIDA

Todo profissional que atende a enfermos em situação terminal deve estar aberto a acompanhar e dar suporte às suas necessidades espirituais. As vezes o doente escolhe partilhar suas preocupações espirituais com o religioso ou sacerdote disponível, mas também é certo que, à miúdo, o faz com as enfermeiras, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, médicos ou os auxiliares..

O que está claro é que a responsabilidade da atenção espiritual deve ser compartilhada entre todos os membros da equipe. A necessidade básica do ser humano é de amar e ser amado, e sentir esta conexão até o final da vida.

Muitas vezes necessita completar as relações do passado, resolver os assuntos pendentes e viver o que lhe sobra de tempo com relações mais significativas. O trabalho de resolução de pendentes inclui o trabalho do perdão, a expressão da gratidão e do afeto.

KLUBER-ROSS (1998), afirma que nos momentos de crise é imprescindível para o paciente que se preserve sua liberdade de expressão psicoespiritual por meio da religião que se torna, assim, o referencial do homem em meio aos fenômenos que o envolvem. O vínculo religioso transmite valores básicos que amenizam as reações psicológicas em situações de crise.

2.  OBJETIVO DA PESQUISA

*Avaliar as condições emocionais da equipe de enfermagem frente ao paciente terminal.

* Analisar os resultados obtidos com essas pesquisas e identificar dificuldades que a equipe de enfermagem apresenta aos cuidados à pacientes terminais.

* Apontar perspectivas de tratamento e cuidados de enfermagem junto a família de pacientes terminais, para melhorar a qualidade de vida na fase terminal.

3.  MÉTODOLOGIA

A nossa pesquisa é de campo, ou seja, é aquela utilizada  com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, o de uma hipótese que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles.

 

Para TRUJILLO 1982:229, a pesquisa de campo propriamente dita "não deve ser confundida com a simples coleta de dados (este último corresponde à segunda fase de qualquer pesquisa): é algo mais que isso, pois exige contar com controles adequados e com objetivo preestabelecidos que descriminam suficientemente o que deve ser coletado".

Houve complementação do referencial bibliográfico já tornados públicos em relação ao tema de estudo, desde artigos, revistas, livros, pesquisas já realizadas, jornais, Internet.

A bibliografia pertinente "oferece meios para definir, resolver, não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas onde os problemas não se cristalizaram suficientemente, e tem por objetivo permitir ao cientista o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações.(MANZO 1971. p.32)

3.1.  CAMPO DE ESTUDO

Para alcançar o objetivo proposto, optou-se por uma abordagem quantitativa, empregando a pesquisa de campo exploratória realizada em um Hospital Público de São Paulo (Hospital Geral de Vila Penteado "Dr. José Pagella"), em setembro/ outubro de 2007. Assim, foi realizado um estudo qualitativo para compreender como determinados atores, no caso a equipe de enfermagem, interpretam o momento da terminalidade da vida. Nesse sentido, não foram buscadas as regularidades, mas os significados que os participantes dão a esse momento da existência.

3.2.  POPULAÇÃO E AMOSTRA

Participaram desse estudo, aleatoriamente, 20 profissionais, todos da equipe de enfermagem, sendo que destes 16 do sexo feminino e 4 do sexo masculino, dentre eles, 5 enfermeiros, 1 técnicos de enfermagem e 14 auxiliares de enfermagem, que compunham a equipe de saúde dos setores de UTI, PS, e enfermarias, no período matutino, identificados pelo hospital como sendo setores com maior incidência de pacientes terminais. Foram entrevistados os membros da equipe de saúde que demonstraram interesse pela temática proposta.

3.3. INSTRUMENTO DE PESQUISA

Foram distribuídos vinte questionários estruturados e com termo de consentimento para os profissionais da equipe de saúde dos três setores do hospital em questão. O questionário  foi formulado com nove perguntas fechadas e uma pergunta aberta, totalizando dez perguntas.

3.4.  ANÁLISE DE DADOS

Foi realizada uma análise quantitativas, onde agrupamos de forma descritiva as idéias da pesquisa de campo com o  questionário e do material bibliográfico selecionado.

O  questionário individual foi entregue a equipe de enfermagem (enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de enfermagem) do Hospital Geral de Vila Penteado "Dr. José Pangella", no período matutino, em UTI, PS e enfermarias..

Foi solicitado a anuência para a realização do estudo. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética do Hospital Geral de Vila Penteado " Dr. José Pagella". Os 20 questionários (anexo o termo de consentimento), foram distribuídos aleatoriamente nas áreas apontadas como de maior incidência de pacientes terminais. A pesquisa foi realizada no período de setembro/ outubro de 2007, com os funcionários que trabalham no período matutino.

MINAYO (1998) afirma que o processo de análise de dados relaciona as estruturas significantes com as variáveis psicossociais, contexto natural e processo de produção da mensagem. Uma boa análise interpreta o discurso dentro de um quadro de referências onde a ação abjetivada permite ultrapassar a mensagem manifesta e atinge os significados latentes

 

4.RESULTADOS/ DISCUSSÃO

Os resultados foram obtidos através do questionário, distribuídos nas áreas mais críticas (PS, UTI, enfermarias). Dos 20 profissionais entrevistados 4 são homens e 16 mulheres, sendo que 60% estão na faixa etária até 40 anos. Destes 25% são enfermeiros, 5% técnicos e 70% auxiliares. A pesquisa nos dá um resultado de 55% dos profissionais como não preparados emocionalmente para encarar a morte da mesma forma que ajudam a salvá-la.Vale ressaltar que dos profissionais 85%, tem mais de 5 anos trabalhados e que isso pode ser fator que os levem a imparcialidade perante os pacientes e que a profissionalização,e até mesmo a instituição não os dão suporte para tal atendimento.

6.CONCLUSÃO

Nunca se ouviu falar tanto em qualidade de vida, solidariedade, na emergência de novos paradigmas. Entretanto, o homem em toda a sua evolução histórica, jamais esteve tão necessitado de significados para o seu existir.

Fazem-se as leis e políticas de saúde para tudo que surge, num afã de se poder, com isto, controlar o existir, e o que se nota são as diferenças cada vez mais acentuadas entre os povos, as pessoas, não se percebendo que talvez a solução não esteja aí, nos fatos externos, mas dentro de cada indivíduo, com o seu viver/ morrer .

Com isso, percebemos que enquanto não houver uma política de saúde voltada para a morte, não a morte como objeto de estudo científico, como conseqüência de uma patologia ou fatalidade qualquer, mas como um processo que participa da vida, o homem dificilmente será capaz de qualificar a sua existência, ficando cada vez mais aos poderes instituídos por aqueles que detêm o poder da ciência.

Na formação do trabalhador de enfermagem aprende-se várias técnicas executadas para prevenção, promoção, cura ou reabilitação do paciente, com protocolos específicos, sinalizando passo a passo os procedimentos. Mas, em relação ao paciente no processo de morrer, não destituindo as técnicas que propiciarão o seu bem-estar, como analgesia e higiene, não há uma discussão sobre como o profissional deve agir diante dos questionamentos feitos por pacientes terminais e seus familiares.

Depositário da confiança social na eficiência dos profissionais, o hospital esconde por detrás de sua fachada, as mesmas inseguranças, precariedades e medos encontrados na sociedade.

7.REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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    Palavras-chave do artigo:

    equipe de enfermagem

    ,

    paciente terminal

    ,

    morte

    Comentar sobre o artigo

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    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 898
    Gilcenira Ataliba Esteves

    O sucesso da evolução da medicina está contribuindo, diretamente, com a diminuição da mortalidade no mundo e, como conseqüência, surge uma nova população que, até algumas décadas atrás, não era significativa, o Idoso, e com ele algumas doenças características da idade. Este artigo tem como objetivo chamar atenção das pessoas para a doença de Alzheimer suas características, evolução e tratamento para que possam lidar, com o portador da doença, com segurança, afeto tratando-o com dignidade e respe

    Por: Gilcenira Ataliba Estevesl Saúde e Bem Estar> Medicinal 09/11/2009 lAcessos: 2,375
    Joselene Beatriz soares Silva

    Este estudo poderá proporcionar aos profissionais e acadêmicos de enfermagem conscientização sobre a necessidade de dominar os procedimentos para um suporte básico e vida (SBV) e suporte avançado de vida (SAV) sistematizado em uma UTI. O objetivo desta pesquisa é descrever as ações de enfermagem na parada cardiorrespiratória em unidade de terapia intensiva.

    Por: Joselene Beatriz soares Silval Saúde e Bem Estar> Medicinal 31/05/2011 lAcessos: 6,992
    Claudia Forlin

    Esta pesquisa bibliográfica visa informar sobre a evolução do Mal de Alzheimer e os cuidados necessários com seus portadores, cujo número vem aumentando significativamente. A gravidade da doença gera importante custo social e estende seus danos principalmente à família e aos cuidadores do portador, por isso procurou-se enfocar a qualidade de vida do cuidador do paciente com Doença de Alzheimer e de seus familiares.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 06/04/2010 lAcessos: 6,330 lComentário: 1

    O envelhecimento é inevitável e condiciona o ser humano a um progressivo decréscimo nas funções fisiológicas, em particular as funções cerebrais, favorecendo o aparecimento de transtornos mentais típicos e mais comuns da velhice como a demência, depressão, ansiedade, delirium e transtornos psicóticos segundo Filho e Netto (2006). A demência apresenta prevalência muito alta na população idosa, dobrando a cada cinco anos após os 65 anos de idade. Definida por Filho e Neto (2006), como uma síndrome com múltiplas causas, sendo a Doença de Alzheimer (DA) a principal causa de demência em idosos. O presente artigo tem como objetivo apresentar um estudo sobre a Doença de Alzheimer e seu impacto sobre os cuidadores. Será uma pesquisa bibliográfica de caráter exploratório com abordagem qualitativa para que possamos melhor entender a doença e de que forma ela influência a vida das pessoas que tem no seio familiar um portador desta patologia.

    Por: Vanni de Jesus Silva Camposl Saúde e Bem Estar> Medicinal 17/04/2009 lAcessos: 6,941 lComentário: 4

    ESTE LIVRO NARRADO POR UM ESPÍRITO PROTETOR, COMUMENTE CONHECIDO COM "ANJO DA GUARDA". ELE NOS BRINDA COM UM CATIVANTE, ENVOLVENTE E PROFUNDAMENTE EMOCIONANTE, FAZENDO-NOS RACIOCINAR SOBRE MUITOS ASPECTOS E TEMAS DA VIDA E DO OUTRO LADO (ESPIRITUAL). SÃO RELATOS SOBRE A FORÇA DA FÉ, O PODER DA ORAÇÃO, OS CAMINHOS DOLOROSOS DE DOENÇAS CRUÉIS, COMO A AIDS, OS ENGANOS DA EUTANÁSIA, O USO INCORRETO DA MEDIUNIDADE, AS LEIS PERFEITOS DA REENCARNAÇÃO, CORRIGINDO ERROS DO PASSADO...

    Por: FERNANDO MARINS LEMMEl Literatural 11/04/2011 lAcessos: 384

    O câncer tem sido causa de morte em todo o mundo e motivo de preocupação para muitos. Contudo, um estudo publicado no jornal científico Células-tronco, apresentado como mais uma forma bem sucedida de combate ao câncer e esperança de cura para aqueles que convivem com a doença.

    Por: josi feitosal Saúde e Bem Estar> Medicinal 28/10/2014

    Muitas pessoas podem acabar por reclamar, ou até mesmo proclamar elogios com relação a saúde publica de sua região, no entanto também podemos verificar que acaba por ser considerado como comum o fato do que seria a saúde pública. Sendo assim, iremos falar agora mesmo o que seria, e até mesmo como funciona a saúde pública.

    Por: anamarial Saúde e Bem Estar> Medicinal 28/10/2014

    Muitas pessoas podem acabar por ter a necessidade de realizar um exame que seja considerado como complexo, no entanto podemos verificar que alguns destes exames acabem por causar uma determinada dúvida.

    Por: anamarial Saúde e Bem Estar> Medicinal 24/10/2014

    O Alzheimer modifica consideravelmente a vida das pessoas afetadas e dos seus familiares. As pessoas com Alzheimer estão, sobretudo em fases mais avançadas, física e cognitivamente muito comprometidas. Por isso, é particularmente importante para os doentes viverem num ambiente em que se possam movimentar com facilidade e segurança.

    Por: tkencasal Saúde e Bem Estar> Medicinal 24/10/2014

    A Mentalmédica é um Centro de Referência nas Áreas da Saúde Mental e Neurociências. Para a concretização dos seus objetivos a Mentalmédica inclui no seu Corpo Clínico Especialistas nas Áreas da Saúde Mental e Neurociências, assim como de várias outras áreas da saúde, que trabalham em Articulação Constante.

    Por: MENTALMÉDICAl Saúde e Bem Estar> Medicinal 23/10/2014

    Uma em cada quatro mulheres com doença inflamatória pélvica (DIP) tem sequelas a longo prazo. A infertilidade é uma delas – podendo afetar até 60% das pacientes depois de um episódio. Nos Estados Unidos, a DIP atinge 1,5 milhão de mulheres todos os anos.

    Por: Vítor Margatol Saúde e Bem Estar> Medicinal 22/10/2014

    As Hepatites são doenças de etiologia viral que acometem o fígado causando inflamação, cirrose e até câncer hepático.

    Por: Central Pressl Saúde e Bem Estar> Medicinal 20/10/2014

    É possível que em diferentes momentos as pessoas já tenham ouvido falar sobre a ressonância magnética, no entanto também é possível que poucos tenham conhecimento do que se trata realmente este exame.

    Por: anamarial Saúde e Bem Estar> Medicinal 17/10/2014
    Claudia Forlin

    Este estudo trata-se de uma pesquisa de campo com enfoque qualitativo, realizado em uma instituição privada. Amostra selecionada compreende na faixa etária de 3 a 7 anos de idade, predominada na pré-escolar, foram estudada mediante a autorização dos responsáveis, para observações das reações emitidas pelas mesma durante os procedimento invasivos. A escolha por essa faixa etária é pelo fato de que estas recebem grandes influencias do brinquedo tanto no aspecto motor quanto o aspecto psicológico

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 15/04/2011 lAcessos: 2,141
    Claudia Forlin

    Neste trabalho iremos abordar o trabalho do enfermeiro na pediatria que garanta e promova uma assistência humanizada a criança através de recreações e ao mesmo tempo faz parte de seu tratamento, e como conseqüências uma melhor qualidade de vida na hospitalização tratando não tão somente a sua enfermidade, mas também de sua saúde psicológica e estabelecer uma forma de comunicação entre a enfermagem, familiares e pacientes.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 3,556
    Claudia Forlin

    O objetivo desta pesquisa é descrever a criança portadora de Fissura Labiopalatina, abordando principalmente suas dificuldades na alimentação. Apesar de se tratar de uma patologia congênita não muito rara, ainda hoje a criança fissurada encontra barreiras no ato do aleitamento materno, prejudicando assim o vínculo mãe-filho e sua saúde em geral. O estudo bibliográfico nos mostra a importância do aleitamento para a criança portadora de fissura labiopalatina e abrange as possibilidades da correção

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 1,544
    Claudia Forlin

    As concepções encontradas referem- se a assistência e as intervenções aplicadas no setor de oncopediatria . Conclui-se que é essencial que o enfermeiro tenha conhecimentos cientifico, mas abranger as necessidades emocionais que englobam este momento complicado para o paciente pediátrico que é enfrentar uma neoplasia.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 898
    Claudia Forlin

    A escolha desse tema ocorreu devido à observação da demanda dos números ainda crescentes de crianças com HIV. Através deste trabalho obtive dados que mostram a qualidade de vida dessas crianças. Elas convivem com essa patologia que vem causando transtornos fisiológicos e psicológicos e muitas dessas crianças vivem em casas de apoio. A presente revisão foi baseada na consulta bibliográfica em livros e artigos retirados da base de dados Scielo, Bireme, Ministério da Saúde, Ministério Casa Civil.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 411
    Claudia Forlin

    As Hepatites B e C tem infectado milhões de pessoas, surgem em média de 3 a 4 milhões de novos casos e muitas vezes evoluem para cirrose ou câncer. A infecção pela Hepatite B é cem vezes mais que o vírus do HIV e dez vezes mais que o vírus da Hepatite C.

    Por: Claudia Forlinl Educação> Ensino Superiorl 04/04/2011 lAcessos: 1,358
    Claudia Forlin

    O estudo teve como objetivo identificar o conhecimento técnico e científico que as enfermeiras da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) detêm sobre os efeitos maléficos que o oxigênio pode acarretar, e suas conseqüências se não for administrado adequadamente ao Recém-nascido pré-termo (RNPT).

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 2,107
    Claudia Forlin

    Esta pesquisa bibliográfica visa informar sobre a evolução do Mal de Alzheimer e os cuidados necessários com seus portadores, cujo número vem aumentando significativamente. A gravidade da doença gera importante custo social e estende seus danos principalmente à família e aos cuidadores do portador, por isso procurou-se enfocar a qualidade de vida do cuidador do paciente com Doença de Alzheimer e de seus familiares.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 06/04/2010 lAcessos: 6,330 lComentário: 1
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