Atuação do enfermeiro na pcr-parada cardiorespiratória

31/05/2011 • Por • 7,740 Acessos

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PCR-PARADA CARDIORESPIRATÓRIA

 

O coração é um órgão muscular oco cuja ação é bobear sangue para os tecidos através da contração e relaxamento rítmicos de sua parede muscular. Composto por três camadas (endocárdio, miocárdio e pericárdio); quatro câmaras (átrios direito e esquerdo e ventrículos direito e esquerdo); quatro válvulas (atrioventriculares e semilunares) (BRUNNER; SUDDARTH, 2005).

Segundo o mesmo autor, as células de condução possuem três características: automaticidade, excitabilidade e condutividade. Os impulsos elétricos se iniciam no nódulo sinoatrial (AS) e são conduzidos ao nódulo atrioventricular (AV), feixe de His, ramos direito e esquerdo e as fibras de Purkinje.

Quando há uma interrupção súbita destes impulsos e consequentemente da respiração, é o que chamamos de parada cardiorrespiratória (PCR). Outros conceitos foram encontrados na literatura - morte cínica: falta de movimentos respiratórios e batimentos cardíacos eficientes na ausência de consciência, com viabilidade cerebral e biológica; morte biológica irreversível: deterioração irreversível dos órgãos, que se segue à morte clínica, quando não se institui as manobras de ressuscitação cardiorrespiratória (RCR); morte encefálica: ocorre quando há lesão irreversível do tronco e do córtex cerebral, por injúria direta ou falta de oxigenação, por um tempo, em geral, superior a cinco minutos em adulto com normotermia (VIEIRA; TIMERMAN, 1996).

A PCR ocorre com frequência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde então pacientes graves e com instabilidade hemodinâmica. As questões que fundamentam a RCR encefálica devem ser conhecidas pelos enfermeiros como também saber reconhecer quando um paciente está em PCR ou prestes a desenvolver uma. A avaliação não deve demorar mais que 10 segundos e iniciar as manobras de reanimação imediatamente e até o suporte médico chegar evitando assim a morte encefálica (ZANINI; NASCIMENTO; BARRA, 2006).

Este estudo poderá proporcionar aos profissionais e acadêmicos de enfermagem conscientização sobre a necessidade de dominar os procedimentos para um suporte básico e vida (SBV) e suporte avançado de vida (SAV) sistematizado em uma UTI. O objetivo desta pesquisa é descrever as ações de enfermagem na parada cardiorrespiratória em unidade de terapia intensiva. A metodologia utilizada no presente estudo trata-se de uma revisão bibliográfica, constituída de livros e artigos científicos relacionados às ações de enfermagem na parada cardiorrespiratória.

Os dados foram coletados por meio de levantamento das bibliografias publicada no período de 1990 a 2010 em periódicos encontrados na base de dados SCIELO, revistas Nursing, livros, leis, portarias, resoluções, Ministério da Saúde (MS), voltados para a área da saúde humanizada. Na busca utilizou-se os seguintes descritores: Parada Cardiorrespiratória.

Foi realizada a leitura seletiva, logo a analítica que é feita com base nos textos selecionados e por fim a leitura interpretativa que tem por objetivo relacionar o que o autor afirma como problema para o qual se propõe uma solução. Dessa forma foi possível selecionar o material, extrair dos textos de interesse nesta pesquisa e interpretá-los a partir do objetivo proposto.

CONCEITO DA PCR (PARADA CARDIORESPIRATÓRIA)

Yamashita, Guerra e Simões (2006, p.275) afirmam que, ‘Parada cardiorrespiratória (PCR) é a cessação súbita da circulação sistêmica em indivíduo com expectativa de restauração de suas funções fisiológicas, e não portador de doença crônica intratável ou em fase terminal'.

 

FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DA PCR

De acordo com Libanês (2006), diversa situação predispõe o indivíduo a uma condição aumentada de risco que podem evoluir para uma PCR. As cardiopatias, das quais a doença aterosclerótica coronária merece importância digna de nota, pois a resultante desse processo é sempre uma obstrução por placas de ateroma gerando processo isquêmico a nível cardíaco quando não tratada adequadamente, a hipertensão arterial, diabetes, história familiar de morte súbita, anóxia, afogamento, pneumotórax hipertensivo, hemopericárdio, choque, obstrução das vias aéreas, broncoespasmo, reação anafilática, distúrbio acido base estão dentre os fatores de risco.

 

CAUSAS DA PCR

PIRES E STARLING (2006), Afirma que a parada cardiopulmonar possui multiplicidade quanto ao agente causal, acreditam que a gênese pode ser de ordem respiratória, cardiovasculares, complicações relacionada ao sistema nervoso central, de causas metabólicas e outras.

QUADROS CLÍNICO DA PCR

As manifestações clínica que trivialmente precedem a uma PCR há: a dor torácica, sudorese, alterações neurológicas, processo hemorrágico significante, escurecimento da visão, tontura e ausência de movimentos respiratórios (LIBANÊS 2006).

DIAGNÓSTICO DA PCR

Deve selevar em consideração a inexistência depulso em grande artéria, pois esse fator é de grade confiabilidade. Pacientes queapresente rebaixamento do nível de consciência e/ou ausência desta, merecemnotória importância, não obstante, os que manifestam padrão respiratório ineficaz,apnéia, indubitavelmente têm que serem minuciosamente avaliados (PIRES E STARLING, 2006).

MODALIDADES DA PCR

Para isso a monitoração cardíaca em termos de ritmo ganha importância significante, pois permite à equipe prestadora da assistência ao paciente uma intervenção adequada, e isso certamente promovera uma maior sobrevida do assistido. Segue adiante:

  • fibrilação ventricular (FV): Ainda, de acordo com Yamashita, Guerra e Simões (2006).

FV tem uma característica anárquica do músculo cardíaco, que desenvolve uma atividade desorganizada de diferentes grupos de fibras do miocárdio, sendo que o processo final culmina na ineficiência completa do coração em manter um suprimento sanguíneo adequado, pois inexiste atividade ventricular. Nessa situação é preconizado a desfibrilação antes de qualquer outra intervenção.

  • assistolia: caracterizam se por um estado no qual o pulso torna se indetectável em decorrência da ausência de atividade elétrica do coração. Taquicardia ventricular sem pulso: em menção aos autores a cima referida. Esta modalidade de PCR distingue se da FV quando apresenta se complexos QRS bem definidos, porém de traçados irregulares (GERRA E SIMÕES, 2006).

 

  • atividade elétrica sem pulso: nessa condição aparece no monitor uma atividade elétrica com complexos QRS de aspecto largos e bizarros sem que haja detecção de pulso. Nesse caso o prognóstico é sempre não animador. Entretanto, algumas causas podem ser revertidas a exemplo da hipotermia (temperatura menor ou igual a 34°), tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo (LIBANÊS, 2006).

INDICAÇÃOPARA REANIMAÇÃO

Mesmo não sabendo da historia clínica prévia do mesmo, todos os pacientes vitimados por uma PCR são candidatos para a reanimação cardiopulmonar. Questiona-se em pacientes portadores de doença em estágio terminal (câncer), com morte encefálica diagnosticada há mais de 24 horas. A não reanimação de um paciente em estágio terminal ou com doença incurável significa a prática da eutanásia, que é condenada em nosso meio.

SUPORTE BÁSICO DE VIDA E SUPORTE AVANÇADO DE VIDA

Para Silva e Pereira e Mesquita 2004. Este é configurado como sendo um conjunto de medidas que deve ser ofertado ao paciente de uma forma seqüenciada, quando presente a parada cardiorrespiratória.

Conforme as novas diretrizes do American heart Association 2010 para RCP e ACE, inicia-se com as compressões torácicas, invertendo o CAB ao invés de ABC. A circulação tem como meta promover um aporte sanguíneo para os órgãos nobres (cérebro, coração, rins entre      outros) mediante a compressão torácica externa num ritmo de no mínimo 100 vezes por minuto.

TRATAMENTOS FARMACOLOGICO NA PCR

Adrenalina deve ser utilizada mediante qualquer quadro de PCR, este fármaco tem como efeito primário e benéfico potente ação vasoconstritora periférica, dessa forma melhora o fluxo sanguíneo em nível de coração e cérebro. A dose inicial recomendada deve ser de 1 mg endovenosa repetida a cada três ou cinco minutos, diluídas em água destilada ou solução glicosada à cinco por cento (LIBANÊS,2006).

ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PCR

Por ser a Enfermagem responsável pelo cliente num período maior de tempo, a esta cabe também a observância dos principais fatores predisponentes ao desenvolvimento da PCR. Nesse contexto cabe ao enfermeiro participação efetiva e imediata, visando uma maior sobrevida do paciente. Deve instaurar as manobras de suporte avançado de vida com ajuda dos técnicos de enfermagem, de uma forma coordenada. Enfatizam que, instalar o monitor, desde quando não haja indicação para a desfibrilação no caso de não haver possibilidade ou necessidade de realizar a desfibrilação, ou quando ultrapassado três tentativas primaria sem obtenção de êxito. Mediante o ocorrido o enfermeiro colabora com médico na RCP (LIBANÊS, 2006). CONCLUSÃO

A PCR é um evento critico e necessita de assistência eficiente, com técnicas sistematizadas. A equipe de saúde deve se comprometer com o saber científico deixando de lado o conhecimento obsoleto

6 REFERÊNCIAS

YAMASHITA, M. A. A.; GUERRA, M. R. A.; SIMÕES, R. O. Ressuscitação Cardiorrespiratória Cerebral. In: KANOBEL, E. LASELVA, C. R.; JÚNIOR, D. F. M. Terapia Intensiva: Enfermagem. São Paulo: Ateneu, 2006. p 275295.

 

 

HOSPITAL SIRO LIBANÊS. Manual de Atendimento de Parada Cardiorrespiratória em Adultos. Disponível em: . Acesso em 10 de Abril de 2010.

 

 

PIRES, M. T. B; STARLING, S. V. Manual de Urgências em. PRONTO SOCORRO

8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

SANTOS, P. C; SILVA, S. A. D. PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA NO ADULTO: ASPECTO CLÍNICO TRATAMENTO FARMACOLOGICO E ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO. Artigo completo disponível em: http://www.fasb.edu.br/congresso/trabalhos/AENF13. 10. Pdf. Acesso em: 01/04/2011.

 

 

Perfil do Autor

Joselene Beatriz soares Silva

ESTUDANTE DE ENFERMAGEM