Braquiterapia Uma Forma De Radioterapia

21/05/2009 • Por • 39,676 Acessos

BRAQUITERAPIA

            É uma forma de radioterapia em que materiais radioativos são implantados nas proximidades do tumor. A palavra braquiterapia origina-se do grego (brachys = junto, próximo) e define uma modalidade de tratamento em que doses de radiação são liberadas para atacar as células tumorais, sem que um grande número de células sadias seja afetado. Estes implantes podem ser temporários ou permanentes. Diferenças entre Braquiterapia e Radioterapia externa, Na braquiterapia, a radiação tem origem nos materiais radioativos colocados no interior do corpo, perto do tumor. Essa proximidade permite que altas doses de radiação sejam liberadas para atacar o tumor. A radiação fica restrita à região, não afetando órgãos mais distantes. Na radioterapia externa, a fonte de radiação é geralmente um acelerador linear, que emite feixes de raios que alcançam o tumor após atravessar diferentes tecidos. Dessa forma, órgãos e tecidos sadios, situados no trajeto dos raios estão sujeitos aos efeitos da radiação. Comparada à radioterapia externa, a braquiterapia permite aplicar doses maiores, em intervalos de tempo menores e a volumes mais restritos.

  

FORMAS DE BRAQUITERAPIA

             Pode ser diferenciada pela taxa de dose de radiação e pelo local de aplicação. Taxa de dose de radiação , os procedimentos são classificados em braquiterapia com altas ou baixas taxas de dose.Na braquiterapia com altas taxas de dose, o material radioativo permanece por poucos minutos no interior do organismo, tempo suficiente para a liberação da dose ideal de radiação. Quando baixas taxas de dose são utilizadas, a fonte de radiação deve ser mantida no interior do corpo durante um período mais prolongado, geralmente por dias, ou implantada definitivamente.

 

Locais de aplicação: pode ser realizada por meio da colocação de material radioativo no interior do órgão. Essa técnica, freqüentemente empregada no tratamento dos tumores ginecológicos, recebe o nome de intracavitária (dentro da cavidade).Uma outra forma de braquiterapia é a endoluminal (dentro da luz), na qual a fonte de radiação é posicionada no interior de um órgão tubular, como o brônquio pulmonar ou o esôfago, através de um cateter, para liberar altas doses de radiação, por um curto período.Na braquiterapia intersticial (em meio ao tecido) o material radioativo é introduzido na área comprometida pela doença, geralmente por meio de cirurgia.O material pode permanecer por um tempo limitado (implante temporário) ou ser mantido indefinidamente no local (implante permanente).O tratamento do câncer de próstata pela implantação de "sementes" é um exemplo de braquiterapia intersticial permanente. Na braquiterapia intersticial temporária, o material radioativo é retirado após alcançar-se a dose planejada. A aplicação de materiais radioativos sobre a superfície externa do órgão recebe o nome de braquiterapia por moldes de superfície, tradicionalmente utilizada no tratamento de lesões de superfície, como de pele ou de mucosa. Mais recentemente, passou a ser também empregada para tratamento de tumores no interior do globo ocular.

            A aplicação de materiais com altas taxas de radiação pode ser feita por controle remoto, reduzindo a exposição dos profissionais envolvidos. Nestes casos, o paciente é mantido em salas especialmente projetadas para conter a radiação, sendo a aplicação monitorizada por um circuito interno de TV.

Em quanto tempo é feito o tratamento 0 plano de tratamento é definido segundo o tipo de tumor, sua localização, as estruturas próximas e as condições clínicas do paciente.
A duração do tratamento é bastante variável. Na braquiterapia com baixas taxas de dose, a fonte radioativa é mantida no interior do organismo por alguns dias ou definitivamente.
Quando se trabalha com materiais com altas taxas de dose, a exposição é mais breve, durando cerca de alguns minutos. O que determina a toxidade do tratamento.
Existem tecidos do organismo que se reparam continuamente. Para que isto ocorra, apresentam uma pequena parcela de suas células em constante multiplicação - a mucosa, que reveste todo o tubo digestivo e a medula óssea, que produz as células do sangue são alguns exemplos. Quando a radiação é aplicada sobre estes tecidos, agride as células em divisão, ocasionando os efeitos colaterais. Efeitos colaterais Os efeitos colaterais da radiação variam de pessoa para pessoa, dependendo, fundamentalmente, da área tratada e das doses empregadas. Antes de programar o tratamento, a equipe de radioterapia discute, com cada paciente, os riscos envolvidos e os benefícios esperados para os procedimentos propostos.

            Nesse momento, os possíveis efeitos colaterais, bem como as chances de eles ocorrerem, são apresentados ao paciente. Os efeitos colaterais têm duração variável: na maioria das vezes desaparecem após algumas semanas, mas podem perdurar por alguns meses, nos implantes permanentes. Cuidados que devem ser tomados durante e após o tratamento.

            Os cuidados variam de acordo com a técnica de braquiterapia empregada em geral, nos casos em que são utilizados implantes com altas taxas de dose, a fonte é retirada imediatamente após a aplicação e o paciente recebe alta sem qualquer material radioativo no seu interior. Os implantes temporários com baixas taxas de dose são mantidos no organismo por alguns dias, período no qual o paciente permanece com material radioativo, o tratamento é realizado com o paciente internado, mantido em quartos especiais,
longe de crianças e gestantes.

            Nos casos em que são realizados implantes definitivos na região pélvica, alguns cuidados devem ser tomados durante os dois primeiros meses após a aplicação do implante:- crianças e gestantes não devem permanecer em contato com o paciente por períodos prolongados; - o uso de preservativos é obrigatório em toda relação sexual. Fonte: Hospital Israelita Albert Einstein

  

TÉCNICAS BRAQUITERÁPICAS

 Implante temporário

Sempre desenhados para complementar a radioterapia externa fracionada no câncer de próstata; suas indicações, resultados e complicações praticamente se confundem com as da radioterapia externa exclusiva. Geralmente é utilizada a braquiterapia de alta taxa de dose (Irídio), executada em 4-6 frações no período de dois a três dias. Neste período, o paciente tem que permanecer internado e imóvel, para não ocorrer deslocamento das agulhas. Uma vantagem desta técnica é a moderna carga postergada (afterloading) - que consiste na colocação de catéteres, através dos quais as fontes radioativas são introduzidas - o que elimina o problema de exposição da equipe médica à radiação.

  

O implante permanente

A técnica do Implante Transperineal de Sementes Radioativas guiado pelo Ultra-som é, sem dúvida, a técnica mais utilizada e alguns milhares de pacientes têm sido tratados por ela. As fontes radioativas utilizadas são o Iodo e o Paládio - em forma de sementes. Eles conferem algumas das principais características deste tratamento:

ambos possuem baixa energia média, o que traduz curta penetração da radiação por eles emitida e, consequentemente, não há necessidade de medidas de rádio-proteção, como o isolamento do paciente;

a meia-vida difere os dois radioisótopos leva 4 meses para liberar 80% da dose, enquanto o Paládio leva um pouco mais de 1 mês. Esta diferença sugere que o Paládio seria mais adequado nos tumores com alto índice de proliferação, beneficiando-se da liberação rápida da dose e evitando a repopulação tumoral. Assim, ele tem sido empregado preferencialmente nos tumores de alto grau.

  

Características

A braquiterapia consiste no tratamento de tumores utilizando fontes de radiação ionizantes que são implantadas diretamente nos locais onde eles se desenvolvem. As formas destas fonte só podem ser:

            - Sementes de iodo-125;

            - Tubos de césio-137;

            - Fios de irídio-192.

 

A braquiterapia pode ser utilizada para o tratamento de tumores do cérebro, pulmão, esôfago, próstata, além daqueles que podem se desenvolver no aparelho reprodutor feminino.

Vantagens

            O crescimento da braquiterapia como forma de tratamento em medicina nuclear, deve-se ao fato da possibilidade de utilização de grandes doses de radiação concentradas em pequenas fontes, o que não é possível na TELETERAPIA, uma vez que a radiação é proveniente de uma fonte externa (unidade de cobalto ou um acelerador linear), e sua eficácia é limitada pela quantidade de radiação que o paciente pode receber, que é menor do que na braquiterapia, além de comprometer tecidos saudáveis e podendo causar efeitos colaterais indesejáveis como naúseas e diarréia.

 

CÂNCER DE PRÓSTATA

A próstata é uma glândula que tem por  objetivo  a produção do líquido seminal que é responsável pelo transporte dos espermatozóides durante a ejaculação. Localizada abaixo da bexiga e na frente do reto, esta glândula tem o tamanho de uma noz, crescendo novamente a partir dos 45 anos de idade, crescimento este conhecido como hiperplasia prostática benigna (BHP). Este crescimento não corresponde ao desenvolvimento de câncer, mas pode causar problemas no fluxo normal da urina.

O desenvolvimento do tumor e estágios:

 Riscos

O risco para que surja esta patologia aumenta com a idade, especialmente após os 40 anos. As causas desta doença são desconhecidas, sendo que ela possui a característica de crescer devagar, permitindo que a pessoa o desenvolva durante meses ou anos sem qualquer tipo de sintoma. Por isso a necessidade de exames períodicos e em caso positivo, a doença pode ser tratada com grande sucesso de cura se for identificada nos estágios iniciais de seu desenvolvimento.

Estágios

A seguir serão descritos os estágios do desenvolvimento do câncer de próstata.

T1: Tumor localizado, pequeno e não identificado por toque retal. A sua identificação pode ser feita pelo nível de PSA no sangue.

T2: Tumor localizado, que já pode ser identificado por toque retal ou por ultra-som. Não há sintomas.

T3: O tumor espalha-se por áreas próximas a glândula. Observa-se dificuldade ao urinar.

T4: O tumor espalha-se com mais agressividade de forma a atingir outros órgãos, como a bexiga. Inicia-se um processo de metástase que pode culminar com o ataque ao reto e outros órgãos do corpo.

Tratamentos

Uma vez identificado o estágio em que se encontra, pode-se efetuar o seu tratamento com as seguintes abordagens:

Prostectomia radical: A glândula é completamente retirada;

Fonte externa de radiação (Teleterapia): Uma fonte de RX de altas energias é utilizada para o tratamento e é utilizada para os estágios iniciais da doença, sendo uma opção a cirurgia;
Braquiterapia: Utiliza-se sementes de iodo-125 que são colocadas diretamente sobre o tumor. Este tratamento é eficiente para os estágios iniciais da doença. Para os estágios intermediários, há a necessidade de combiná-lo com a teleterapia. As altas doses garantem que o tumor será tratado com prejuízo mínimo para os tecidos saudáveis.

 

BRAQUITERAPIA & CÂNCER DE PRÓSTATA

             Para os estágios iniciais do câncer de próstata (T1 e T2), a BRAQUITERAPIA com sementes de iodo-125 (125I) surge como uma opção segura, permitindo ao paciente uma qualidade de vida bem mais satisfatória do que àquela permitida pelas formas tradicionais de tratamento.

Através de dados estatísticos (ver tabelas), os resultados obtidos quanto aos efeitos colaterais e mortalidade, mostram que este tratamento pode ser considerado uma opção segura.

 

Pesquisador

Tratamento

Número de pacientes

Taxa de sobrevida após 10 anos (%)

Walsh

Prostatectomia

1623

68

deKernion

Prostatectomia

30

47

Ragde

Braquiterapia

20-30

66

  

Terapia

Taxa de Incontinência (%)

Taxa de impotência (%)

Braquiterapia

0,2

4-21

Braquiterapia + fonte externa de radiação

2,0

30

Fonte externa de radiação

<3,0

20-30

Prostatectomia radical

8,0

32 - 53

 
Quimioterapia: O tratamento do tumor é realizado a partir de agentes químicos de alta toxidade, que matam células tumorais caso tenha ou haja a suspeita de metástase;
Radioterapia : Utiliza-se radiações ionizantes (são radiações que possuem a capacidade de arrancar elétrons, danificando estruturas atômicas e moleculares eletronicamente estáveis), para combater o tumor.

 A radioterapia divide-se em:

Teleterapia: Incide-se radiação ionizante à distância sobre o paciente através de uma fonte externa a ele, como uma gerador de RX. Um inconveniente, é que a radiação danifica tecidos saudáveis e pode provocar naúseas, vômitos, diarréia, etc.
Braquiterapia: Coloca-se a fonte radioativa diretamente no tumor. Com este procedimento, a dose é elevada garantindo melhores resultados e menores danos a tecidos saudáveis, além de ter diminuído os efeitos colaterais.

Para garantir o sucesso do tratamento, combina-se duas ou as três abordagens acima, em função do grau de proliferação e das indicações dadas nos exames.

Conclusão

A braquiterapia é um tratamento promissor para redução dos tumores, pois aplica-se a irradiação prolongada do tumor, não prejudicando e nem comprometendo os tecidos saudáveis. Assim temos a eficácia maior no tratamento com a redução dos efeitos colaterais. Estas diminuições estão relacionadas com a utilização da teleterapia como uma das formas de tratamento.

Desta forma, se for diagnosticado o tumor no paciente no seu estágio inicial, isto é uma grande vantagem para o sucesso do tratamento. Por isso, uma avaliação adequada feita por um médico especializado se faz necessário. 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

-Bennett JC, Plum F. Cecil. Tratado de medicina interna. 20.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997.

-Heny, B. John/Diagnóstico Clínico e Tratamento por Métodos Laboratoriais. 19° ed. São Paulo: Editor Manole Ltda, 1999.

-INCA. Instituto Nacional do Câncer. Câncer de próstata, 2001. Disponível em: http://www.inca.org.br/cancer/tipos/prostata.html

-Alldoctors. Artigos, Câncer de próstata ,2001. Disponível em: http://www.alldoctors.com.br/artigos/cancerprostata.htm

-Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: http://www.saude.gov.br/

-HACC. Hospital do Câncer A. C. Camargo, 2001. Disponível em: http://www.hcanc.org.br/

-IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2001. Disponível em:http://www.ibge.gov.br

 

 

Perfil do Autor

Gilmara Fagundes

Especialista em Enfermagem do Trabalho.