Como Age o Victoza no Organismo Humano

10/10/2012 • Por • 506 Acessos

O liraglutide, substância da composição do Victoza, age no corpo humano da mesma forma que um hormônio denominado glucagon-like peptídeo (GLP-1), naturalmente gerado pelo corpo de pessoas saudáveis. "Essa substância induz as células beta do pâncreas a produzirem insulina e equilibrar o índice glicêmico. Nas pessoas com diabetes, a geração de insulina é deficiente", relata um endocrinologista.

De acordo com essa lógica, quanto mais elevada for a quantidade de glicose circulando no sangue, maior o estímulo à geração de insulina, controlando o diabetes. O Victoza também atua no sentido inverso, quer dizer, diminuindo os índices de glicose no sangue - em vez de elevar a produção de insulina. Esta última função é precisamente a correspondente do liraglutide no organismo e, até o momento, a única finalidade do remédio com eficácia comprovada em pesquisas realizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As indicações do Victoza para o emagrecimento começaram a acontecer quando os médicos perceberam que a fórmula, além de agir no controle do diabetes, atua no sistema nervoso central, induzindo o neurônio responsável pela nossa sensação de saciedade. "O Victoza ainda interfere no trabalho do trato digestivo, diminuindo o esvaziamento gástrico", aponta uma endocrinologista. "Desta forma, pessoas com diabetes que utilizam o medicamento sentem menos fome e terminam por perdendo peso. O estômago continua cheio por mais tempo", conclui ela.  

Como o Victoza alonga a sensação de saciedade, ele pode auxiliar na reeducação alimentar, mas é preciso rever os hábitos alimentares também.

Outra diferença entre o hormônio gerado pelo organismo e o seu parente artificial está na duração do efeito: à medida que o Victoza tem ação prolongada por até 24 horas, o GLP-1 (liraglutide) atua durante três minutos. Eis o porquê da sensação de saciedade que os pacientes utilizados como cobaia do medicamento estão comemorando, não obstante os efeitos colaterais informados - náuseas, vômitos, diarreia e cefaleia. Os efeitos a longo prazo ainda não foram percebidos em pesquisa, como também não foram estudados os riscos relacionados ao uso do remédio por pessoas que não tem diabetes.