Consulta De Enfermagem No Ambulatório De Hanseníase

Publicado em: 09/03/2009 |Comentário: 1 | Acessos: 6,750 |

INTRODUÇÃO
Hanseníase, doença infecto-contagiosa causada pelo Mycobacterium Leprae, bacilo que tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos, no entanto poucos adoecem. Propriedades estas que não são função apenas de suas características intrínsecas, mas que dependem, sobretudo, de sua relação com o hospedeiro, grau de edemicidade do meio, entre outros. O domicílio é fator de risco do ambiente social apontado como importante espaço de transmissão da doença (1,2).
A hanseníase, considerado grande problema de saúde pública no mundo e no Brasil, e apesar de todo empenho em eliminá-la, o Brasil continua sendo o 2o. país em número de casos no mundo, Segundo relatório da Divisão Nacional de Dermatologia Sanitária. A prevalência de hanseníase no estado de Pernambuco, segundo fonte: SINAN/SUS/SES/IBGE de 31/03/2004 é muito alto: 10 a 20 casos por 10 mil habitantes, quando se objetiva alcançar o índice nacional de menos de um doente em cada 10 mil habitantes e, até 2010 sustentar os níveis de eliminação nos estados e conquistá-los em cada município (2).
O homem é reconhecido como única fonte de infecção, os doentes multibacilares sem tratamento virchowiana e dimorfa são capazes de eliminar grande quantidade de bacilos para o meio exterior por vias aéreas superior. Existe a possibilidade de eliminação do bacilo através de lesões de pele, e da penetração desses bacilos através da pele, quando esta não se apresenta íntegra (1,2).
Sendo os transmissíveis apenas aqueles que apresentam resultados de baciloscopia linfocutânea positiva. Os de baciloscopia negativas devem ser tratados.
O comprometimento dos nervos periféricos é a característica principal da doença e lhe dá um grande potencial para provocar incapacidades físicas, que podem evoluir para deformidades, acarretando problemas para o doente como: diminuição da capacidade de trabalho, limitação da vida social e problemas psicológicos, sendo responsáveis, também, pelo estigma e preconceito contra a doença (1).
O tratamento do paciente com hanseníase é indispensável para curá-lo e fechar a fonte de infecção, interrompendo assim a cadeia de transmissão da doença, sendo estratégico no controle da endemia e para eliminar a hanseníase. O tratamento é eminentemente ambulatorial com administração da poliquimioterapia (PQT/OMS), constituída pelos medicamentos: rifampicina,dapsona e clofazimina (2).
A hanseníase é doença de notificação compulsória em todo terrritório nacional, sendo objeto de atuação na saúde pública devida sua magnitude, e potencial incapacitante e por acometer a faixa etária economicamente ativa. A hanseníase ainda constitui problema de saúde pública que exige uma vigilância resolutiva (2).
Para saber se a pessoa tem hanseníase, basta observar: lesão de pele hipopigmentada ou avermelhada, com perda de sensibilidade bem definida; lesão de nervos periféricos demonstrada por perda de sensibilidade e força nos músculos das mãos, dos pés ou da face (3). O diagnóstico é baseado na anamnese e exame físico do cliente para detecção de lesões na pele e nervos periféricos, realizando testes de sensibilidades protetora, térmica e dolorosa e avaliando queixas como: formigamento, dormência e câimbras.
Frente ao problema de hanseníase a consulta de enfermagem deve atender as necessidades do cliente realizando diagnóstico e tratamento, estabelecendo vínculo enfermeira/cliente gerando uma necessidade social. Durante as consultas o enfermeiro deve oferecer apoio atendendo as ansiedades relacionadas ao impacto do diagnóstico de hanseníase.

O Enfermeiro pode atuar desde a prevenção da doença até a prevenção de incapacidades causadas pela hanseníase. Ações educativas de prevenção, diminuição do estigma e melhora da qualidade de vida são de fundamental importância para o controle da doença (3).
O enfermeiro deve estimular o cliente a busca de conhecimento sobre hanseníase,pois constitui um meio de aperfeiçoamento benéfico para o cliente durante o tratamento. As consultas de enfermagem deve ter enfoque para a valorização do cliente quanto ao aprendizado sobre sua patologia, fazendo com que o cliente torne-se agente multiplicador de ações de saúde junto com sua família e comunidade para que novos casos da doença sejam identificados precocemente na família e comunidade.
Para o cliente hansenico na unidade de saúde básica e em unidades de referencia a consulta de enfermagem deve constituir um espaço de expressão, captação e necessidade de resolução eficaz de atendimento a população que procura o serviço identificando e aplicando intervenções clínico-educativo individual, familiar e comunitário. Assim é fundamental adoção de elementos que tornem a prática da consulta de enfermagem um momento de troca e crescimento para o cliente e o profissional.
O enfermeiro é responsável pelo conjunto das ações assistenciais que competem à enfermagem, e o enfermeiro em saúde coletiva é o profissional que visa à saúde coletiva, subordinando-se às necessidades sociais dos indivíduos. "A concepção da doença não é o fenômeno individual centrado no corpo doente, mas um fenômeno coletivo, tendo a epidemiologia como um dos saberem fundamentais" (4).
As percepções (objetivos, necessidades e valores) do enfermeiro e do cliente influenciam o processo de interação que é dever do enfermeiro informar aos clientes quanto aos aspectos do cuidado à saúde, para ajudá-los a tomar decisões conscientes; os clientes têm o direito de receber informações sobre os cuidados de sua saúde e os serviços comunitários; que ocorram transações positivas a partir das expectativas de desempenho de papel, conforme a percepção do cliente e do enfermeiro e que deve haver coerência entre os objetivos dos enfermeiros e dos clientes, sendo direito desses aceitar ou rejeitar qualquer aspecto do cuidado a saúde (5).
O enfermeiro pode receber o cliente para efetuar a consulta de enfermagem com o objetivo de conhecer/intervir sobre os problemas e situação de saúde doença. Em detrimento desta consulta, o enfermeiro poderá diagnosticar e solucionar os problemas de saúde detectados, integrando as ações de enfermagem, às ações multiprofissionais regulamentado pela Lei Federal 7.498 de 25 de junho de 1986.
A consulta de enfermagem tem estrutura definida, tem alto padrão de eficiência se realizada por profissional competente e possibilidade de causar impacto na saúde da população no sentido de gerar mudanças no quadro epidemiológico (6).
A consulta de enfermagem é a atenção prestada ao indivíduo, à família e a comunidade de modo sistemático e contínuo com a finalidade de promover a saúde mediante o diagnóstico e tratamento precoce (6).
Para que a sociedade venha a adotar hábitos saudáveis em busca de qualidade de vida é fundamental qualificar profissionais que invistam em novas práticas sanitárias, com capacidade para intervir sobre os fatores de risco ao surgimento de problemas de saúde da população assistida e indo além dos procedimentos tecnológicos específicos do setor saúde, o que impõe mudança na postura dos já inseridos no mercado de trabalho ou ainda na graduação (7). Como é o caso do presente estudo no controle e diagnóstico precoce da hanseníase.
Os clientes em tratamentos e os que apresentam seqüelas por tratamentos em anos e décadas anteriores envolvendo ulceras neurotroficas e vascular ocasionadas pela hanseníase que foram tratados tardiamente, também são beneficiados com a consulta de Enfermagem, acompanhamentos e curativos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos afirmar o Enfermeiro pode receber o cliente para efetuar a consulta de enfermagem com o objetivo de conhecer/intervir sobre os problemas e situação de saúde/doença, podendo diagnosticar e solucionar os problemas detectados. É essencial a presença desse profissional em serviços ambulatorial para atender o cliente, família e comunidade na prevenção, tratamento e reabilitação.
As unidades básicas de saúde devem acolher os clientes hansenianos para que os enfermeiros tenham condições de atender as normas preconizadas pelo ministério da saúde que inclui: consultas de enfermagem, administração mensal de dose supervionada do poliquimioterápico, exame físico dos comunicantes, imunização com BCG, localização e busca ativa dos casos em abandono do tratamento. Ficando a unidade de referencia como ponto de apoio para atendimento em casos de dúvidas de diagnósticos, complicações relacionadas aos quimioterápicos e reações hansenicas.
As unidades de referencias em hanseníase devem atender o cliente com consultas de Enfermagem, e de outros profissionais para que o mesmo resolva o problema solicitado. Resolvido o problema o cliente deve ser encaminhado para as unidades básicas de saúde e ou Unidade de Saude da Familia para dar continuidade ao tratamento recomendado pelo Ministério da saúde.
O cliente hanseniano necessita da consulta de enfermagem em todos os momentos, pois durante esta atividade ele é orientado para o autocuidado com a pele, ferimentos, visão, vias respiratórias, alimentação, hidratação e cuidados para a prevenção de acidentes e lesões.



REFERENCIAS
1- Ministério da saúde (BR) Secretaria de políticas de saúde; Área técnica de dermatologia sanitária; Hanseníase atividades de controle e manual de procedimentos. 2001.
2- Ministério da saúde (BR). Secretaria de vigilância em saúde; departamento de vigilância epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica, 6° edição; Brasília 2007.
3 - Figueiredo NMA Ensinando a cuidar em saúde Pública. São Caetano do Sul-SP; editora Yendis 2005.
4 - Almeida MCP, Rocha SMM. O trabalho de Enfermagem. São Paulo: Cortez, 1997.
5 - King I M. A theory for nursing: systems, concepts, process. New York: wiley medical publications; 1981.
6 - Vanzin, A.S Nery MES. Consulta de enfermagem: uma necessidade social? Porto Alegre: RM&L gráfica, l996.
7 - Brito CAA. Et. All. Condutas em Clinica médica, 3° ed. Rio de Janeiro, 2004.
8 - Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5ª edição, Atlas São Paulo, 1999.
9 - George, J.B Teorias de Enfermagem – Os fundamentos para a prática. Porto Alegre, Artes médicas, 1993.

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    Comments on this article

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    ivani oliveira ferreira 16/08/2009
    Manda , pode mandar sempre eu mato o esses passaros e não consigo ganhar, olhe lá hein
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