Estresse E Enfermagem: Aspectos Vivenciados Na Atividade Ocupacional

Publicado em: 29/01/2010 | Acessos: 235

INTRODUÇÃO

Atualmente a palavra estresse tem sido muito associada à sensação de desconforto, sendo cada vez maior o número de pessoas que se definem como estressadas ou relacionam a outros indivíduos na mesma situação, destaca Coser (2003).

Estressor é uma situação ou experiência que gera sentimentos de tensão, ansiedade, medo ou ameaça que pode ser de origem interna ou externa. A palavra stress começou a ser usada para expressar ação de força, pressão ou influência muito intensa sobre uma pessoa, causando nela uma deformação, assim como um peso suficiente pode envergar um pedaço de madeira (Lipp, 2003).

Potter e Perre (2002) definem estresse como qualquer tensão fisiológica ou psicológica que ameaça o equilíbrio total de uma pessoa. Em concordância, Ballone (2002) define o estresse como uma atitude biológica necessária para a adaptação do organismo a uma nova situação, onde estresse é quase sempre visualizado como algo negativo que ocasiona prejuízo no desempenho global do indivíduo.

Pimenta (1999) destaca a importância de se dar uma atenção especial aos chamados fatores estressores ocupacionais, tensões e problemas advindos do exercício de uma atividade profissional. O trabalho do enfermeiro, por sua própria natureza e características, revela-se especialmente suscetível ao fenômeno do estresse ocupacional.

Desde o surgimento da profissão quando o embasamento da profissão estava voltado às concepções evolucionistas e teológicas, caracterizado pela prática do cuidar tendo como base o empirismo e misticismo, até os dias atuais, o enfermeiro, tem buscado uma auto-definição, tentando construir sua identidade profissional e obter reconhecimento. Nesta trajetória, este sujeito tem enfrentado dificuldades que comprometem o desempenho do seu trabalho e que também repercutem no seu lado pessoal, dificuldades estas, causadas eventualmente por fatores estressores, inerentes a atividades ocupacionais ao decorrer do dia, adaptando-se involuntariamente a novas situações (TAMAYO, 2002).

Pizzoli (2005) refere que o trabalho pode ser visto como ação humana desenvolvida no contexto social, que recebe influências de várias fontes, resultando numa ação recíproca entre o trabalhador e os meios de produção, gradativamente limitado por condições socialmente estabelecidas, tendo o ser humano como produto e produtor da sociedade a qual se insere.

No que se refere aos fatores estressantes, Ballone (2002) conceitua-os como um fato, uma situação, uma pessoa ou um objeto capaz de proporcionar suficiente tensão emocional, ou seja, capaz de induzir à reação de estresse. Dentre inúmeras modificações encontram-se aquelas que têm consequências no aparelho psíquico (MUROFUSE, 2005).

Quanto ao estresse ocupacional, percebe-se igualmente uma extensão da indefinição do conceito de estresse. Considerando um assunto complexo, o estresse ocupacional não é um fenômeno novo, mas um novo campo de estudo que é enfatizado devido ao aparecimento de doenças que foram vinculadas ao estresse no trabalho, tais como hipertensão, úlcera e outras (RAMOS, 2005).

Segundo Zakabi (2004) cita na revista Veja que os trabalhadores da área de saúde é uma das profissões campeãs do stress. As profissões da área de saúde em geral sofrem pressões de todos os lados, tanto dos clientes, pacientes ou subordinados.

A relação homem, trabalho e doença são uma constante. Sabe-se que o trabalho, como ação humana social, compreende a capacidade de o homem produzir o meio em que vive, bem como a si mesmo. No processo de interação com a natureza, mediado pelos instrumentos fabricados, o homem, ao mesmo tempo em que modifica a natureza, também é modificado por ela (MELLO FILHO, 2002).

Estas diferenças de abordagens inerentes ao contexto estresse e trabalho em relação ao exercício da enfermagem, têm propiciado vários questionamentos, suscitando o aparecimento dos poderem enfrentar adversidades, quando se tem capacidade e estímulo para isso. Esta abordagem faz com que o trabalho seja de fato um gerador de prazer, pois deixa de ser uma obrigação para ser algo que dá sentido a vida. Este é o sentido espiritual do trabalho, que resulta em uma visão construtiva e otimista do trabalho (Boog, 2005). Mas, pode resultar na incapacidade de lidar com fontes de pressão no trabalho. Provocando problemas na saúde física e mental e na satisfação no trabalho, comprometendo o indivío no trabalho, comprometendo o indiverceptiva, resultado da incapacidade de lidar com fontes de pressduo e as organizações.

Os estressores do ambiente de trabalho podem ser categorizados em seus grupos: fatores intrínsecos para o trabalho (condições inadequadas de trabalho), papéis estressores (papel ambíguo, papel conflituoso), relações no trabalho (relações difíceis com determinadas pessoas), estressores na carreira (falta de desenvolvimento na carreira), estrutura organizacional (falta de participação, pobre comunicação), interface trabalho-casa (dificuldade no manejamento desta interface). Deve-se lembrar de que para que o cuidado prestado aos clientes seja adequado são necessários ambiente, recursos e condições dignas de trabalho para os profissionais de enfermagem desenvolvam suas atividades laborais (BRASIL, 2000, DESLANDES, 2004).

A questão do estresse ocupacional associado ao exercício de qualquer profissão está intimamente ligada à satisfação no trabalho e ao bem-estar físico e mental dos profissionais; porém a situação dos trabalhadores de enfermagem parece ser caótica, visto que eles não são reconhecidos e não recebem salários dignos e ainda mais; e têm uma sobrecarga grande de tarefas (STACCIANRINI; TROCCOLI, 2000).

A história da enfermagem revela que desde sua implementação no Brasil ela é uma categoria pouco reconhecida no meio da saúde e assim, o enfermeiro vem tentando se afirmar profissionalmente sem contar com apoio e compreensão de outros profissionais.  Talvez como outras profissões, os problemas vividos não sejam totalmente situacionais, mas também históricos. Tais problemas não podem ser esquecidos na dimensão do stress relacionado à enfermagem, como também o número reduzido de enfermeiros na equipe e os baixos salários são cruciais para a percepção da situação do enfermeiro no Brasil, desempenhando uma extensa carga horária mensal para complementação (Carmelo et al, 2001). 

Sem dúvida, no processo evolutivo da profissão, o enfermeiro tem se deparado com inúmeros problemas que estão associados às questões históricas, a formação adquirida, às exigências e deficiências de um sistema inserido em um determinado contexto sócio-político. Mas, não só o momento histórico e o contexto sócio-econômico devem ser levados em conta para uma maior compreensão do estresse ocupacional do enfermeiro. Também é importante distinguir o indivíduo e seu comportamento, considerando-os como elementos importantes na dinâmica deste fenômeno. Existem duas questões centrais sobre o estresse em qualquer trabalho, que são a dimensão ou característica da pessoa e a fonte potencial de estresse no ambiente de trabalho (Lipp, 2000).

O estudo da manifestação do estresse ocupacional, entre enfermeiros, pode ajudar a compreender melhor e a elucidar alguns dos problemas enfrentados pela profissão, tais como a insatisfação profissional, a produção no trabalho, o absenteísmo, os acidentes de trabalho e algumas doenças ocupacionais.

Uma melhor compreensão destes processos também permitirá a proposição de intervenções e busca de soluções, analisando o que é estresse para o enfermeiro; identificando os elementos estressores em diferentes atividades ocupacionais e averiguar se a atividade exercida pelo enfermeiro, é percebida como estressantes, por isso, busca-se, portanto, identificar a ocorrência de estresse na atividade ocupacional do enfermeiro em uma Unidade de Saúde.

METODOLOGIA

Optou-se por um estudo descritivo, prospectivo, com análise quantitativa, identificando a ocorrência de stress na equipe de enfermagem. A pesquisa foi realizada em uma Unidade Saúde com atendimento exclusivo pelo SUS, localizada no bairro Tibiri em São Luís-MA.

Através de entrevista, utilizou-se um questionário com perguntas fechadas, onde se adotou o modelo da CID-10 e DSM-IV para a classificação do estresse. A população constitui-se por 25 profissionais da equipe de enfermagem. Foram utilizados como critério de exclusão, atestados, afastamento do trabalho, licença a maternidade e que se recusarem a participar da pesquisa. Os dados foram coletados no período de 01 a 30 de outubro de 2009, e analisados no programa Microsoft Excel versão 2007.

A pesquisa obedeceu aos aspectos éticos e legais da pesquisa em seres humanos de acordo com as recomendações do Conselho Nacional de Saúde e a Resolução 196/96, que trata das diretrizes e normas de pesquisa envolvendo seres humanos.

CONCLUSÃO

Este trabalho permite concluir que em relação às causas mais frequentes de estresse no trabalho, 68% destacam conflitos entre colegas de trabalho e 52% para a falta de correspondência. Em relação ao profissional, 92% sentem cansaço emocional, 84% exaustão, 76% irritabilidade. Sobre o descanso e lazer,  64% não fazem pausas de descanso após o trabalho, 84% não dormem no mínimo oito horas/dia, 84% referem baixa auto-estima, 76% sentem dificuldade de concentração. A alimentação do profissional,  56% tem alimentação regular 44% tomam muito café, álcool ou cigarros.

O enfermeiro evidência situações desgastantes em seu ambiente de trabalho, é preciso que esteja bem estruturado físico e psicologicamente para suportar as pressões advindas da profissão.

Conclui-se que há necessidade de conscientização dos diretores clínicos e do corpo administrativo das instituições quanto a medidas preventivas e minimizadoras do estresse emocional no corpo de enfermagem local, tendo em vista o número relativo de profissionais avaliados e a prevalência de estresse encontrada.

REFERÊNCIAS

BELLAND, I. L.; PASSOS, J. Y.  Enfermagem clínica: aspectos fisiopatológicos e psicossociais.  São Paulo: EPU/ Edusp, 2000.  V. 1. 

BALLONE, Geraldo José; PEREIRA, Eurico Neto; ORTOLANI, Ida Vani. Da emoção à Lesão: um Guia de Medicina Psicossomática. São Paulo: Manole, 2002.

CANDEIAS, N.M.F., Abujamara A.M.D., SABBAG S.N. Stress em atendentes de enfermagem. Rev Bras Saúde Ocupacional.2000.

COSER, Orlando. Depressão: clínica, ética e crítica. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

GOMES, Ana Maria R.; FARIA, Eliene L. Lazer e diversidade cultural. Brasília: SESI/DN, 2005.

LIMA, E. S., 2000. Mal da Fome e Não da Raça; Gênese, Constituição e Ação Política da Educação Alimentar. Brasil 1934-1946. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.

LIPP, M. Stress e suas implicações. Rev. psicol; n.3,v.4,p05.19, 2000.

MELLO FILHO, Júlio de. Concepção Psicossomática: Visão Atual. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.

MORAES, S. Effect of acute footshock stress on the responsiveness of the isolated rat tail artery to phenylephrine and epinephrine. 2000. Rev. Enferm. n.2,v.6,p01. 2000.

PIMENTA, A. L. & CAPISTRANO FILHO, D. Saúde do Trabalhador. São Paulo: Hucitec. 1999.

Quick, John. O executivo em harmonia. São Paulo: Publifolha. 2003.

RAMOS, Patrícia. Síndrome de Burnout: Estresse ocupacional. Revista Vida e Saúde, p. 12-14, 2005.

STACCIARINI, J.M.R. & TROCCOLI, B. (2002). Estresse ocupacional: Trabalho em transição, saúde em risco. Brasília: Editora Universidade de Brasília. 2002.

TAMAYO, M.R. & TROCCOLI, B. (2002). Burnout no trabalho: Trabalho em transição, saúde em risco. Brasília: Universidade de Brasília. 2002.

ZAKABI, Rosana. Stress: ninguém está a salvo desse mal moderno, mas é possível aprender a viver com ele. Revista Veja, p.66-75, 2004.

 

(Artigonal SC #1799663)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/medicina-artigos/estresse-e-enfermagem-aspectos-vivenciados-na-atividade-ocupacional-1799663.html

    Palavras-chave do artigo:

    estresse. enfermagem. atividade ocupacional.

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