Farmacologia Do Trato Gastrintestinal

07/10/2009 • Por • 14,367 Acessos

As principais funções do trato gastrintestinal importantes farmacologicamente são: secreção gástrica, vômito (êmese), motilidade do intestino e expulsão das fezes e formação e eliminação da bile.

A secreção gástrica envolve a ação de três hormônios/transmissores: gastrina, histamina e acetilcolina. Essas substâncias atuam nas células parietais do estômago e estimulam um complexo mecanismo de secreção de ácido clorídrico ( HCL ) que envolve uma bomba de prótons (K+/H+) responsável pela liberação de íons H+, um carreador simporte responsável pela liberação de íons CL- , e um carreador antiporte responsável pelo ingresso na célula de íons CL- que serão liberados pelo simporte. O H+ liberado pela célula provêm do acido carbônico que por sua vez é resultado da reação entre CO2 e H2O mediado pela anidrase carbônica a nível intracelular. Esse acido carbônico formado se decompõe liberando um íons hidrogênio e um íon bicarbonato que sai da célula pelo carreador antiporte. A gastrina, Ach e histamina ligam-se à célula parietal através de receptores celulares específicos (receptores de gastrina, receptores H2 e receptores muscarinicos), ativando um segundo mensageiro intracelular que estimula o mecanismo da bomba de prótons.

Os fármacos utilizados na inibição ou neutralização do suco gástrico agem principalmente como antagonistas dos receptores de histamina (H2), inibidores da bomba de prótons e antiácidos. Os antagonistas dos receptores H2 ao se ligarem impendem a ação da histamina e consequentemente a ativação do mecanismo da bomba de prótons, são eles: ranitidina, cimetidina, nizatidina e famotidina. Os inibidores da bomba de prótons agem diretamente nesse mecanismo final da secreção gástrica e seu tempo de ação pode ser relativamente longo pois ele se acumula nos canalículos gástricos, são eles: omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol e rabeprazol. Os antiácidos atuam reagindo com o suco gástrico, causando uma elevação do pH gástrico e assim inibindo a pepsina. Esses fármacos são utilizados principalmente nos tratamentos da esofagite de refluxo, ulceras pépticas e no tratamento da infecção pelo H. pylori.

A motilidade gastrintestinal pode ser regulada por fármacos que atuam como: (1) purgativos/laxativos que aceleram a passagem do alimento através do intestino; (2) agentes que aumentam a motilidade do músculo liso gastrintestinal sem causar diarréia; (3) antidiarreticos que diminuem o movimento; (4) agentes antiespasmoticos que diminuem o movimento. Os purgativos/ laxativos podem se subdividir em três classes: laxativos, amolecedores do bolo fecal e laxativos estimulantes.
Os laxativos propriamente ditos podem ser formadores do bolo fecal ou osmótico. Os laxativos formadores do bolo fecal atuam pela capacidade de reter água no intestino, estimulando assim o peristaltismo, são principalmente compostos vegetais não absorvíveis como a metilcelulose, estercúlia, agar, farelo e a casca de ispaghulia. Os laxativos osmóticos induzem a absorção de água pelo intestino por serem solutos pouco absorvidos, isso faz com que aumente o volume intraintestinal e estimule o peristaltismo, são principalmente: sais e lactulose.Os emolientes fecais atuam como uma espécie de detergente e fazem com que as fezes tenham uma consistência mais mole, o principal é o docusato de sódio. Os laxativos estimulantes  aumentam a secreção de água pela mucosa a atuam diretamente no peristaltismo, pois estimulam os nervos entéricos. Os principais são: bisacodil, picossulfato de sódio e a sene. Os fármacos antidiarréticos diminuem o peristaltismo e são utilizados no tratamento da diarréia sintomática ou patológica. O tratamento da diarréia normalmente incluem três diretrizes: manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, uso de agentes antiinfecciosos, uso de agentes antidiarréticos não-antimicrobianos. Os fármacos antidiarréticos são os antagonistas do receptores muscarínicos (que não são usados por seus efeitos sobre outros sistemas) e os opiáceos, que apesar de aumentarem o tônus muscular do intestino, contraem os esfincteres pilórico, ileocolico e anal. Os principais opiáceos de uso antidiarreticos são: codeína, difenoxilato e loperamida.

Perfil do Autor

Diogo Fontes

Acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Maranhão. Membro da Liga Acadêmica de Cirurgia Experimental do Maranhão (LACEMA)....