Farmacologia Do Trato Gastrintestinal

07/10/2009 • Por • 14,534 Acessos

As principais funções do trato gastrintestinal importantes farmacologicamente são: secreção gástrica, vômito (êmese), motilidade do intestino e expulsão das fezes e formação e eliminação da bile.

A secreção gástrica envolve a ação de três hormônios/transmissores: gastrina, histamina e acetilcolina. Essas substâncias atuam nas células parietais do estômago e estimulam um complexo mecanismo de secreção de ácido clorídrico ( HCL ) que envolve uma bomba de prótons (K+/H+) responsável pela liberação de íons H+, um carreador simporte responsável pela liberação de íons CL- , e um carreador antiporte responsável pelo ingresso na célula de íons CL- que serão liberados pelo simporte. O H+ liberado pela célula provêm do acido carbônico que por sua vez é resultado da reação entre CO2 e H2O mediado pela anidrase carbônica a nível intracelular. Esse acido carbônico formado se decompõe liberando um íons hidrogênio e um íon bicarbonato que sai da célula pelo carreador antiporte. A gastrina, Ach e histamina ligam-se à célula parietal através de receptores celulares específicos (receptores de gastrina, receptores H2 e receptores muscarinicos), ativando um segundo mensageiro intracelular que estimula o mecanismo da bomba de prótons.

Os fármacos utilizados na inibição ou neutralização do suco gástrico agem principalmente como antagonistas dos receptores de histamina (H2), inibidores da bomba de prótons e antiácidos. Os antagonistas dos receptores H2 ao se ligarem impendem a ação da histamina e consequentemente a ativação do mecanismo da bomba de prótons, são eles: ranitidina, cimetidina, nizatidina e famotidina. Os inibidores da bomba de prótons agem diretamente nesse mecanismo final da secreção gástrica e seu tempo de ação pode ser relativamente longo pois ele se acumula nos canalículos gástricos, são eles: omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol e rabeprazol. Os antiácidos atuam reagindo com o suco gástrico, causando uma elevação do pH gástrico e assim inibindo a pepsina. Esses fármacos são utilizados principalmente nos tratamentos da esofagite de refluxo, ulceras pépticas e no tratamento da infecção pelo H. pylori.

A motilidade gastrintestinal pode ser regulada por fármacos que atuam como: (1) purgativos/laxativos que aceleram a passagem do alimento através do intestino; (2) agentes que aumentam a motilidade do músculo liso gastrintestinal sem causar diarréia; (3) antidiarreticos que diminuem o movimento; (4) agentes antiespasmoticos que diminuem o movimento. Os purgativos/ laxativos podem se subdividir em três classes: laxativos, amolecedores do bolo fecal e laxativos estimulantes.
Os laxativos propriamente ditos podem ser formadores do bolo fecal ou osmótico. Os laxativos formadores do bolo fecal atuam pela capacidade de reter água no intestino, estimulando assim o peristaltismo, são principalmente compostos vegetais não absorvíveis como a metilcelulose, estercúlia, agar, farelo e a casca de ispaghulia. Os laxativos osmóticos induzem a absorção de água pelo intestino por serem solutos pouco absorvidos, isso faz com que aumente o volume intraintestinal e estimule o peristaltismo, são principalmente: sais e lactulose.Os emolientes fecais atuam como uma espécie de detergente e fazem com que as fezes tenham uma consistência mais mole, o principal é o docusato de sódio. Os laxativos estimulantes  aumentam a secreção de água pela mucosa a atuam diretamente no peristaltismo, pois estimulam os nervos entéricos. Os principais são: bisacodil, picossulfato de sódio e a sene. Os fármacos antidiarréticos diminuem o peristaltismo e são utilizados no tratamento da diarréia sintomática ou patológica. O tratamento da diarréia normalmente incluem três diretrizes: manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, uso de agentes antiinfecciosos, uso de agentes antidiarréticos não-antimicrobianos. Os fármacos antidiarréticos são os antagonistas do receptores muscarínicos (que não são usados por seus efeitos sobre outros sistemas) e os opiáceos, que apesar de aumentarem o tônus muscular do intestino, contraem os esfincteres pilórico, ileocolico e anal. Os principais opiáceos de uso antidiarreticos são: codeína, difenoxilato e loperamida.

Perfil do Autor

Diogo Fontes

Acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Maranhão. Membro da Liga Acadêmica de Cirurgia Experimental do Maranhão (LACEMA). Colaborador efetivo do Centro Acadêmico de Medicina Antônio Rafael (CAMAR).