Mal De Alzheimer

Publicado em: 06/04/2010 |Comentário: 1 | Acessos: 6,445 |

Introdução

A Doença de Alzheimer (DA) é uma doença neurológica degenerativa progressiva que compromete o cérebro1 causando: diminuição da memória, dificuldade no raciocínio e pensamento, alterações comportamentais e fisiológicas e demência2, 3. Definida por muitos como "mal do século", "peste negra" e "epidemia silenciosa"4,  a DA é ainda pouco conhecida em nosso meio, apesar de bastante estudada5, e tem efeito devastador sobre a família e o doente6. Tida como uma doença rara, confundida com "esclerose" pela população em geral2, 7, a Doença de Alzheimer representa para a comunidade sério ônus social e econômico2, 8.

O mundo vem enfrentando um envelhecimento progressivo de sua população9. Em 1950, havia 214 milhões de pessoas com 60 anos ou mais8, 10 e as estimativas indicam que serão 1 bilhão em 202510. O Brasil, a exemplo de outros países, enfrenta o mesmo fenômeno2. A população brasileira envelhece rapidamente, enquanto as taxas de natalidade mostram-se em queda11, o que implica num número cada vez menor de pessoas jovens capazes de cuidar da população idosa 2, 5, 12.

A distribuição da população de 60 anos ou mais também demonstra uma queda na percentagem da fração de 60 a 64 anos13 e acentuado aumento nos grupos etários de 70 anos ou mais 3, 6, 14.

Projeções indicam10 que em 2025 o Brasil terá cerca de 34 milhões de pessoas acima de 60 anos, 10% da população, passando a ser o país com a sexta maior população de idosos em todo o mundo2, 10, 15. A expectativa de vida do brasileiro atingiu 71,9 anos em 200515. Trata-se de um ganho de dois meses e 12 dias na esperança de vida ao nascer em relação a 2004 1, 3, 16.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que elaborou a Tábua de Vida 20051, 4, 10, o país foi beneficiado pelo declínio na taxa de mortalidade infantil que, entre 2000 e 2005 caiu 14,3. De acordo com o instituto, houve relativa melhora no acesso da população aos serviços de saúde, além de campanhas de vacinação, aumento de pré-natais, alta na escolaridade e no saneamento e a mudança de postura dos indivíduos em relação a enfermidades 3, 4, 14.

No entanto, 16 Estados ainda estão com esperança de vida abaixo da média nacional10. Entre as unidades da federação, o Distrito Federal tem a maior esperança de vida: 74,9 anos. Já Alagoas ocupa o último lugar com uma esperança média de 66 anos. O Estado de São Paulo ocupa a quinta posição no ranking , com uma expectativa média de 73,7 anos e o Rio de Janeiro aparece em 11º com média de 72,4 anos. A região Sul concentra o maior número de Estados com alta expectativa de vida – em Santa Catarina ela é de 74,8 anos. Já a Região Nordeste aparece em última colocada. No Maranhão, por exemplo, a expectativa média de vida é de 66,8 anos10.

Os números apresentados tornam-se ainda mais expressivos quando tomamos consciência da relação diretamente proporcional que a doença de Alzheimer mantém com o aumento da idade17.

A DA pode manifestar-se já a partir dos 40 anos de idade6, sendo que a partir dos 60 sua incidência se intensifica de forma exponencial4, 6. Existem relatos não documentados de DA aos 28 anos de idade6. Nos EUA, 70 a 80% dos pacientes são tratados em seus domicílios7, 8, 11, demonstrando com clareza a importância da orientação para a família nas questões relativas aos cuidados e gerenciamento desses pacientes8. O restante dos doentes está sob os cuidados de clínicas especializadas, 60% dos residentes em asilos apresentam alguma forma de demência 2, 9, 17.

Os sintomas mais comuns são: perda gradual da memória, declínio no desempenho para tarefas cotidianas6, diminuição do senso crítico, desorientação têmporo-espacial18, mudança na personalidade, dificuldade no aprendizado e dificuldades na área da comunicação12, 19. O grau de comprometimento varia de paciente para paciente e também de acordo com o tempo de evolução da doença19. Na fase final o paciente torna-se totalmente dependente de cuidados6. É uma doença crônica de evolução lenta, podendo durar até 20 anos20, e o impacto econômico sobre a sociedade é considerável 2,9, 11.

As estatísticas encontradas na pesquisa acenam para uma necessidade urgente de estruturação da sociedade, das instituições e do Estado para o atendimento desta população que cresce enormemente, e que no futuro, seremos nós.

Debaixo dos nossos 20, 30, 40 anos, não temos visibilidade das dificuldades que, esperamos, enfrentaremos ao envelhecer. Esperamos sim, pois ninguém pensa em não envelhecer, já que isso significaria morrer jovem. Mas não pensamos em Alzheimer quando cometemos nossos excessos, enquanto desfrutamos da plenitude física, intelectual e mental dos nossos corpos.

Enquanto enfermeiros, não basta cuidar dos doentes. Podemos e devemos apoiar as famílias e os cuidadores, transferindo nossos conhecimentos, orientando-os na procura de meios para enfrentar o desenrolar e o desfecho do inevitável.

Apesar de bastante estudada, a Doença de Alzheimer ainda guarda muitos segredos 11, 17, 19, 20. Enquanto estes segredos não forem desvendados, devemos somar esforços na busca de se fazer o melhor possível para o conforto e a dignidade da terceira idade 11, 14. Sobre isto, há muito ainda a se dizer nesta pesquisa, que não tem a pretensão de esgotar o assunto, mas de aprofundar-se um pouco mais na possibilidade de apoiar e orientar as famílias e os cuidadores do Doente de Alzheimer.

 

Objetivo

A evolução do Mal de Alzheimer piora em torno de 5 a 15% da cognição (consciência de si próprio e dos outros) a cada ano de doença, com um período em média de oito anos de seu início até seu último estágio 5, 16, 17. Com a progressão da doença o portador passa a não reconhecer mais os familiares ou até a si mesmo, e a não realizar tarefas simples de higiene e cuidados pessoais6, 16, 19. No estágio final o portador necessita de ajuda para tudo. São comuns sintomas de depressão, instabilidade emocional, delírios e psicose. Há grande dificuldade no trato do portador de Alzheimer, exigindo da família e dos profissionais compreensão da doença, tato e conhecimento.

O objetivo deste estudo é informar sobre o acometimento e a evolução do Mal de Alzheimer, levando assim à compreensão dos cuidados necessários com seus portadores, relacionando os mais importantes para garantir o máximo de sua segurança e conforto.

Por entender também que a Doença de Alzheimer estende seus danos principalmente à família e aos cuidadores do portador, pretende-se enfocar como um segundo objetivo a qualidade de vida do cuidador do paciente com Doença de Alzheimer e de seus familiares.

 

Metodologia

O presente estudo consiste de pesquisa bibliográfica científica21 e análise de informações sobre a Doença de Alzheimer junto a artigos publicados em fontes especializadas da área da saúde22, principalmente das especialidades de geriatria, gerontologia, psiquiatria, psicologia e neurologia nos últimos dez anos21.

Admitiu-se a consulta e utilização de artigos de outras áreas, desde que relacionados à Doença de Alzheimer e devidamente referenciadas e embasadas23 em conhecimentos científicos, porém foram excluídos trabalhos cujos objetos fossem exclusivamente os aspectos psicológico, psiquiátrico ou legal, fixando-se preferencialmente no aspecto patológico e fisiológico do mal.

 

Alois Alzheimer

Aloysius Alzheimer, mais tarde conhecido como Alois, filho do tabelião Eduard Alzheimer e de sua segunda esposa Theresia, irmã de sua primeira esposa, nasceu na madrugada de uma terça feira em 14 de Junho de 1864 na Bavária, sul da Alemanha, na pequena cidade vinícola de Markbreit nos arredores de Würzburg e teve dois irmãos, Karl e Johana 24.

Imbuído de alto espírito humanístico, resolve estudar medicina e no outono de 1883 ingressa na Universidade de Berlim iniciando seu curso. Em 1884 transfere-se para a Universidade de Würzburg iniciando seus primeiros passos no campo da histologia e do uso do microscópio do qual nunca mais se afastaria6, 24. Finalmente decide, por sua paixão pelo fantástico mundo do microscópio, formar-se em Würzburg diplomando-se médico em maio de 1888, onde apresenta sua tese de doutorado em 1888. Em dezembro do mesmo ano é admitido no Asilo Municipal para Doentes Mentais, também conhecido como Hospital Municipal de Lunáticos e Epiléticos, inaugurado em 1884 e que estava sob a direção de Emil Sioli ( 1852 – 1922).

Poucos meses depois, o famoso neurologista e neuropatologista Franz Nissl (1860 – 1919) integra-se ao corpo clínico da instituição.Sob a gestão deste trio, Nissl, Alzheimer e Sioli, são geradas pesquisas de alta qualidade transformando o Asilo em um sanatório psiquiátrico de prestígio onde, uma das preocupações fundamentais era evitar toda e qualquer medida coercitiva para conter pacientes agitados substituindo-as, sempre que possível, por ações humanizadas, e também de promover investigações clínicas de alta qualidade científica1, examinando cérebros de pacientes psiquiátricos que ali faleciam , correlacionando seus sintomas com as alterações anatomopatológicas .Suas publicações elevam o prestígio profissional de Alzheimer e seus colegas referem-se a ele como "o psiquiatra do microscópio" 6.

Em abril de 1894 Alzheimer casa-se com a judia viúva de um banqueiro Cecilie Simonette Nathalie Geisenheimer (1860 – 1901), com quem teve três filhos, um homem e duas mulheres. Esse casamento fez de Alzheimer um homem financeiramente independente que pode financiar suas pesquisas e enriquecer suas publicações com inúmeras ilustrações. Sua esposa faleceu sete anos após o casamento24.

Além de sua grande contribuição para a neurobiologia e neuropatologia, Alzheimer estudou e publicou artigos sobre paralisia luética progressiva, arteriosclerose cerebral, alcoolismo, epilepsia e controle da natalidade. Alzheimer foi também um renomado psiquiatra forense na época 6.

Em 1901, mesmo ano da morte de sua esposa, a paciente August D. de 51 anos de idade, com sinais indicativos de demência é internada no Asilo em Frankfurt e é examinada por Alois Alzheimer, tornando-se a primeira paciente que originaria a "Doença de Alzheimer" 24.

Em novembro de 1906, durante o 37° Congresso do Sudoeste da Alemanha de Psiquiatria, na cidade de Tubingen, Dr. Alois Alzheimer faz sua conferência, com o título "SOBRE UMA ENFERMIDADE ESPECÍFICA DO CÓRTEX CEREBRAL". Relata o caso de sua paciente, August D., e o define como uma patologia neurológica, não reconhecida, que cursa com demência, destacando os sintomas de déficit de memória, de alterações de comportamento e de incapacidade para as atividades rotineiras. Relatou também, mais tarde, os achados de anatomia patológica desta enfermidade, que seriam as placas senis e os novelos neurofibrilares6.

O Dr. Emil Kraepelin, na edição de 1910 de seu "Manual de Psiquiatria", descreveu os achados do Dr. Alzheimer, cunhando esta patologia com seu nome, sem saber da importância que esta doença teria no futuro. O Dr. Alois Alzheimer foi acometido de uma grave infecção cardíaca (endocardite bacteriana) em 1913. Seguiu enfermo por dois anos, quando no dia 19 de dezembro de 1915 veio a falecer de insuficiência cardíaca e falência renal, na cidade de Breslau, Alemanha6, 24.

A casa onde nasceu, descoberta em 1989 por Konrad Maurer e sua esposa Ulrike, tornou-se atração turística. Adquirida em 1995 pela empresa Eli Lilly foi restaurada e convertida em um pequeno museu e centro de convenções24.

 

A doença e suas implicações

Se levarmos em conta a história da medicina, a descoberta desta doença é relativamente recente e o único fator de risco bem conhecido e aceito universalmente é a idade3. Aceita-se que a doença de Alzheimer seja uma doença idade-dependente, ou seja, à medida que a idade avança, maior é a probabilidade de sua ocorrência. Alguns estudos demonstraram que, enquanto a incidência aos 80 anos é de aproximadamente 20%, aos 85 anos é de 40%, ou seja, o dobro em 5 anos de vida 9.

Parece claro que a doença de Alzheimer (DA) não tem uma única causa,sendo provavelmente devida a uma combinação de fatores genéticos e ambientais, mas a idade continua sendo o único fator de risco inquestionável e, se a demência tem início antes dos 75 anos, os fatores mais prováveis são história familiar prévia, pois existe forte indício de hereditariedade, e síndrome de Down 5.

Estudos sugerem que as mulheres sejam mais afetadas do que homens mas, como a expectativa de vida das mulheres é pelo menos 5 anos maior que a dos homens essa correlação ainda precisa ser estatisticamente ajustada e melhor esclarecida 15.

O nível de educação parece ser uma proteção para a doença de Alzheimer:quanto maior o número de anos de estudo formal menor seria o risco4. Essa possibilidade deve ser analisada com reserva a partir da constatação de que pessoas com mais escolaridade administram suas limitações cognitivas com maior facilidade que analfabetos ou com baixo nível de escolaridade 9.

Traços de alumínio encontrados no cérebro de pacientes com DA levou vários pesquisadores suspeitarem de que esse metal estivesse implicado na etiologia da DA. Mas não há evidências de que a exposição às fontes de alumínio como, antiácidos, desodorantes, enlatados e utensílios de cozinha sejam fatores de risco para a DA 4.

Outros possíveis fatores de risco têm sido estudados, como substâncias tóxicas, álcool, chumbo, e solventes orgânicos, medicamentos diversos, trauma craniano, exposição à radiação, estilo de vida, estresse, infecções, doenças imunológicas, câncer, altos níveis de colesterol e de homocisteína (relacionada com o "stress oxidativo"), a obesidade e diabetes 16.

O estrógeno, o tabagismo e o uso de antiinflamatórios por longo período de tempo parecem ser fatores de proteção e estão sendo objeto de investigação em vários centros de pesquisa. Também parecem ser fatores de proteção importantes o convívio social e afetivo e atividade intelectual17.

As dificuldades começam com as falhas de memória3, 6, 18, 19. O paciente encontra desculpas pouco razoáveis para os problemas que vêm enfrentando com a memória, tem explosões de raiva sem motivo relevante, mudanças bruscas de comportamento, mostra-se deprimido, desinteressado, agressivo, com mudança marcante na personalidade prévia e procede anti-socialmente, evoluindo para comportamento sexual inadequado, delírios persecutórios, sente-se roubado, tem visões e ouve vozes6, 9, 19. Passa a ter dificuldade para encontrar palavras, problemas nas tarefas cotidianas, como anotar recados telefônicos, vestir-se, controlar o saldo bancário, banhar-se, confunde dias e horários, se perde ou parece não saber onde está6, 17, 18.

Em média, de acordo com as estatísticas, 95% dos pacientes falecem nos primeiros 5 anos, no entanto conhecem-se casos com 10, 15 e até com mais de 20 anos de evolução 9.

A fase inicial é bastante crítica, pois determinados sintomas iniciais são suportados e explicados pelos familiares como parte do processo natural do envelhecimento e portanto subvalorizados, protelando-se a investigação diagnóstica 8.

Embora não haja cura para a doença de Alzheimer, o diagnóstico precoce é fundamental no retardamento do aparecimento de complicações e na instituição imediata da terapêutica farmacológica disponível20. Teoricamente essa fase dura de 2 a 4 anos e é lento, e o paciente, especialmente os de bom nível intelectual e social, adaptam-se a determinadas deficiências com alguma facilidade fazendo com que não se perceba ou não se valorizem demais determinadas alterações9, 18. A intimidade do dia-a-dia, a vida atribulada das grandes cidades, entre outros fatores, especialmente as de origem sócio-cultural, colaboram com a aceitação pelos familiares de determinadas perdas e alterações comportamentais, especialmente quando se trata de pacientes idosos 5, 9.

A primeira e mais característica marca do início da doença está relacionada com o comprometimento da memória recente ou de fixação9. Essas alterações não são constantes e se apresentam como falhas esporádicas de memória que se repetem com freqüência variável, sem constância. Também iniciam-se os episódios de desorientação espacial, especialmente em lugares desconhecidos podendo também ocorrer alterações na orientação temporal. As alterações comportamentais costumam acompanhar essa evolução e, lenta e gradualmente, vai havendo uma mudança no padrão habitual de comportamento 5.

Dois grupos de comportamento são bastante conhecidos, um pela apatia, passividade e desinteresse e outro onde a irritabilidade, egoísmo, intolerância e agressividade são característicos. Indivíduos gentis tornam-se rudes e agressivos, egoístas e obstinados, desagradáveis e inflexíveis9, 18. Nos casos onde a apatia é predominante, é imprescindível que se faça um diagnóstico diferencial com depressão e com a doença de Pick. Costuma-se dizer que a doença de Alzheimer enfatiza as características da personalidade prévia, especialmente as negativas20.

A associação freqüente de sintomas depressivos com a doença de Alzheimer está comprovada3. As alterações da memória e da orientação espacial causam estados depressivos que se manifestam por apatia e desinteresse pelas tarefas e atividades até então normalmente desempenhadas e inseridas no cotidiano recente19. Os sintomas mais marcantes dos estados depressivos são a apatia ou agitação, insônia, inapetência e hipocondria6, 9.

As alterações de comportamento e conduta costumam ser desencadeadas por algum fato concreto ligado ao ambiente, mudanças bruscas de costumes e situações estressantes. Essa fase é muito difícil para quem convive com o paciente pois, em virtude dos períodos de bom convívio, bom desempenho social e intelectual e aparente boa saúde física, as explosões de ânimo ou as mudanças bruscas de comportamento são altamente angustiantes19.

A dificuldade de comunicação dá-se com dificuldades em encontrar as palavras adequadas. A duração das frases se altera e apresentam dificuldades com a gramática. Há distúrbios do sono, com inversão de horários e as alterações com o pensamento abstrato podem se manifestar já na fase inicial, marcando uma fronteira na passagem para a fase intermediária 4.

A fase intermediária pode durar de 3 a 5 anos e caracteriza-se fundamentalmente pelo agravamento dos sintomas apresentados na fase inicial e está relacionada com o comprometimento cortical do lobo parietal, afetando as atividades instrumentais e operativas20. Instalam-se as afasias (perda de expressão pela fala, escrita ou sinalização ou da capacidade de compreensão da palavra escrita ou falada sem alteração dos órgãos vocais), as apraxias (incapacidade de executar movimentos apropriados para um determinado fim, contanto que não haja paralisia) e as agnosias (perda do poder de reconhecimento perceptivo sensorial, auditivo, visual, táctil etc.)6, 15, 19.

A característica que marca a fase intermediária tardia é o início das dificuldades motoras. A marcha pode estar prejudicada, com lentidão global dos movimentos, aumento do tônus muscular, diminuição da massa muscular e conseqüentes reflexos na aparência física pelo emagrecimento9. As diminuições dos movimentos dos membros superiores ao andar e instabilidade postural são as alterações mais encontradas15.

Há queixas de roubo de objetos e de dinheiro, total desorientação têmporo-espacial, dificuldades para reconhecer cuidadores e familiares, suspeita de conspiração para ser enviado a um asilo e o desenvolvimento de atividades totalmente desprovidas de objetivos (abulia cognitiva)16. É comum apresentarem-se quadros de agitação e alucinações, que acometem praticamente a metade dos pacientes demenciados9. A agitação psicomotora, ilusões e as alucinações relacionam-se diretamente com o grau de severidade da demência, bem como a repetição de frases e palavras, sem interrupção e sem nexo, curtas, incompreensíveis e mal construídas18. Perdem a capacidade de ler e de entender o que lhes é dito ou pedido, especialmente se recebem ordens complexas ou perguntas com opção de respostas, o que ele passa a ignorar3. A iniciativa está abolida ou seriamente prejudicada, não costuma perguntar ou solicitar objetos e/ou ações. O vocabulário estará na maioria das vezes fica limitado a poucas palavras e à medida que evolui para a fase final fica ainda mais restrito, passando a utilizar apenas as palavras básicas9. Desenvolvem nessa fase grande sentimento de possessividade. A dificuldade em aceitar novas idéias ou mudanças traduz-se por agitação psicomotora e agressividade 4.

Perdem a capacidade de cálculo, pensamento abstrato e de julgamento, apatia e inafetividade se manifestam ou se agravam, há vagância e o doente fala sozinho, podendo perder-se mesmo dentro de casa ou no quintal. Instalam-se os tremores e movimentos involuntários, a incapacidade de atender pedidos e ordens e finalmente, a dependência total. Nesta fase já são incapazes de sobreviver sem ajuda em tempo integral 5.

A fase final varia de acordo com alguns fatores. Quanto mais cedo a doença se instala mais rápida costuma ser a evolução. Outro fator determinante são as ações preventivas e os cuidados recebidos pelo paciente. Pacientes bem cuidados, que foram tratados com os medicamentos adequados e tiveram boa orientação familiar apresentam uma melhor qualidade de vida e o aparecimento de complicações é significativamente mais tardio. Pacientes que apresentam, já na fase inicial distúrbio de linguagem, alucinações e manifestações como tremores e movimentos involuntários costumam evoluir pior e mais rapidamente 6.

Nesta fase a memória antiga estará bastante prejudicada e às vezes totalmente comprometida. A capacidade intelectual e a iniciativa estarão seriamente prejudicadas ou totalmente deterioradas17. O estado de apatia e prostração, o confinamento ao leito ou à poltrona, a incapacidade de se expressar, quer por fala ou mímica e especialmente a incapacidade de sorrir são características desta fase. As alterações neurológicas se agravam: a rigidez aumenta consideravelmente e os movimentos estarão lentos e por vezes estereotipados. Além dos tremores e movimentos involuntários, agora mais frequentes, também haverá convulsões 5. Há indiferença ao ambiente e a tudo que o cerca, alternadas com alto grau de agitação psicomotora e o aparecimento de incontinência urinária e fecal, podendo chegar à manipulação de fezes e a coprofagia9, 20.

Quando ainda possuem alguma reserva motora, quedas acidentais com fraturas ocorrem com maior freqüência. Passam a não reconhecer as pessoas mais próximas e podem até mesmo não reconhecer a si mesmas diante de um espelho 4. Podem apresentar hiperfagia, úlceras por pressão devido a permanência no leito ou poltrona, mesmo adequadamente cuidados. Invariavelmente, caminham para um estado de acamamento com suas previsíveis e temíveis complicações, marcando assim a transição para a fase terminal 15, 18, 19.

A fase terminal caracteriza-se por total restrição ao leito/poltrona, praticamente durante todo o tempo. Acabam por adotar a posição fetal. As contraturas dos membros inferiores tornam-se inextensíveis e irrecuperáveis. Os membros superiores adotam posição fletida junto ao tórax e a cabeça pende em direção ao peito. Podem surgir lesões nas palmas das mãos, por compressão destas pelos dedos flexionados, total indiferença ao meio externo (só respondendo a estímulos dolorosos), mutismo e estado vegetativo. Alimentam-se apenas por sucção, sendo muitas vezes necessário o uso alternativo de alimentação enteral. Na metade dos casos a morte sobrevém em um ano, devido a processos infecciosos do trato pulmonar e urinário 4, 6, 15.

É importante ressaltar que, mesmo com os cuidados adequados, a maioria dos pacientes acabam por atingir essa triste condição, porém é certo também que se os cuidados forem adequados isso deverá ocorrer mais tardiamente 6.

 

Classificações

São conhecidos quatro subtipos de doenças de Alzheimer que se relacionam com a evolução6.

a) Benigno: cuja característica principal é a evolução lenta;

b) Mioclônico: (movimentos involuntários), apresentam evolução rápida, com mutismo, tremores e o falar sozinho precoces;

c) Extrapiramidal: onde o declínio das funções operativas e intelectuais associa-se com marcantes alterações psicóticas;

d) Típico: evoluem com deterioração gradual sem outros sinais característicos.

Esta divisão por fases tem efeito meramente indicativo didático e é estabelecida através de escores e métodos de valoração da dependência. Na verdade, não há fronteiras bem definidas entre elas e alguns pacientes costumam evoluir de maneira bastante particular. A duração das fases e a sobrevida destes pacientes também são bastante variáveis.

 

Tratamento

O diagnóstico precoce é decisivo para o tratamento. O tratamento disponível atualmente nos permite basear a estratégia terapêutica em três pilares: melhorar a cognição, retardar a evolução e tratar os sintomas e as alterações de comportamento 6.

A terapia colinérgica é a mais utilizada podendo inclusive melhorar efetivamente a cognição e a funcionalidade em um grupo restrito de pacientes, cerca de 20% a 33%. Alguns médicos propõem que essa terapia deve ser iniciada logo que os primeiros sintomas apareçam, mesmo que o processo demencial ainda não esteja completamente instalado retardando o curso natural da enfermidade 19.

Os antipsicóticos, ansiolíticos e antidepressivos estão disponíveis, mas não especificamente aprovados por organismos como o FDA (Food and Drug Administration), para serem utilizados na doença de Alzheimer. Não que os médicos não prescrevam e sim que prescrevem sem base sólida pela falta de uma investigação científica rigorosa16. Drogas antipsicóticas devem ser usadas em dosagens seguras e suficientes para controlar crises de agressividade e vagância noturna18. A escolha da droga vai depender dos efeitos colaterais, histórico da resposta anterior do paciente e também da experiência do médico com o manejo do medicamento 20.

Os ansiolíticos devem ser evitados e de preferência tentar inicialmente abordagens não medicamentosas, como as terapias ocupacionais17. Só se essas tentativas fracassam ou não são viáveis deve-se utilizar benzodiazepínicos de curta ação como o lorazepan, por apresentar menos efeitos colaterais. Diazepínicos de longa duração como diazepan e flurazepan, devem ser evitados20. Alguns clínicos relatam boa efetividade e segurança no uso de drogas anticonvulsivantes para tratar agitação e agressividade como a carbamazepina 18.

Todas as drogas aprovadas para uso, com exceção da memantina, são indicadas para pacientes que estão nas fases mais iniciais da doença quando o paciente ainda tem preservado algum grau de cognição e/ou de independência funcional, daí a importância do diagnóstico precoce16. A filosofia que deve nortear a decisão de iniciar o tratamento o mais cedo possível deve ser perseguida evitando-se retardar essa decisão atribuindo as perdas cognitivo-funcionais como decorrentes do processo normal de envelhecimento17. Não é raro, senão regra, pacientes serem medicados apenas quando o processo demencial já avançou muito, inviabilizando toda e qualquer possibilidade de melhora 18.

Apenas dois mas, excelentes estudos com desenho multicêntrico, duplo-cego, placebo-controlado, de pacientes com essa sintomatologia, estudaram a eficácia de drogas antipsicóticas16, 18. O primeiro ensaio concluiu que com o uso da risperidona com doses de 1 a 2mg, o controle do distúrbio era superior do observado nos placebos porém isso não ocorria com doses de 0,5mg. No segundo estudo, os pesquisadores examinaram os efeitos da olanzepina e concluíram que os sintomas eram controlados com doses de 5 ou 15mg mas os resultados também demonstraram que só com a dose de 15mg a eficácia era melhor quando comparada com os placebos 16.

A agitação é o distúrbio de comportamento mais comum afetando mais de 75% dos pacientes com DA e que aumenta sua freqüência à medida que a doença evolui, e costuma continuar com ansiedade, ilusões e irritabilidade 11.

É preciso lembrar que nem todo comportamento do DA é infundado. Muitos comportamentos podem ter um motivo, uma dor, um desejo que o paciente não consegue expressar, ou simplesmente a expressão de uma angústia. A falta de comunicação verbal pode complicar muito a relação entre o DA e seu cuidador, e isto pode não ser totalmente ignorado pelo doente, o que torna sua situação extremamente estressante e angustiante. Durante possíveis lapsos de lucidez, o paciente pode desesperar-se com sua condição e tornar-se agressivo e agitado 11.

Pacientes com DA não conseguem expressar sensações de frio, calor, fome, sede, dor, etc. Comparada com os sintomas psicóticos, a depressão é menos freqüente na DA, afetando de 6 a 10% dos pacientes. Entretanto cerca de 40% apresentam "sintomas depressivos", que podem piorar seriamente a dependência funcional. Esse é mais um motivo que nos leva a tratar esses pacientes, não apenas pela alteração do humor, como também na preservação e até melhoria do estado funcional. A manutenção da autonomia e independência devem ser os objetivos a serem perseguidos sempre e buscados de maneira incansável, favorecendo tanto o DA quanto os cuidadores 11.

A experiência demonstra que muitas vezes os familiares acabam por internar pacientes em asilos, não porque querem e sim pela total impossibilidade de assisti-los convenientemente em suas casas, afinal, é preciso que alguém se dedique integralmente a este paciente. Quando não há um membro da família capaz de abandonar seus afazeres para assistir este paciente, é preciso pagar um profissional, e isto implica em custo financeiro. A reabilitação, portanto, pautada no bom senso e dentro das limitações impostas pelo caso, deve ser obrigatoriamente incluída na filosofia da convivência diária 17.

A grande questão é: por que reabilitar se o curso da doença é inexorável?

Sabemos que a doença de Alzheimer pode acometer indivíduos com boa saúde física e as estatísticas têm indicado sobrevidas de até 20 anos de duração. Há muito pouco tempo estimava-se que em média estes pacientes faleciam nos 5 ou 8 primeiros anos, porém isto está mudando, com certeza em função de uma atitude menos passiva frente as intercorrências clínicas e sua prevenção e também quanto aos cuidados específicos dirigidos ao paciente 7.

Este dado nos remete a algumas reflexões: se estamos frente a um doente que pode viver em condições de saúde relativamente boas do ponto de vista físico e, se sabemos que a evolução da doença é lenta, porém, inexorável, terminando por levar o indivíduo ao estado terminal, acamado com vida apenas vegetativa, porque não tentarmos desacelerar ou mesmo retardar o aparecimento destas complicações que afetam de forma dramática a qualidade de vida desses indivíduos? 6

A experiência tem demonstrado que, se bem cuidados, pacientes que recebem abordagem e enfoque terapêuticos baseados na filosofia da reabilitação possível, não só apresentam melhores condições de vida e de convívio, como também raramente são institucionalizados precocemente e acima de tudo apresentam, em grande parte dos casos, melhoria substancial de suas funções cognitivas e funcionais 17.

É importante que o paciente não seja discriminado em termos de reabilitação. É fato recente e muito conhecido que pacientes demenciados não têm recebido a mesma atenção em termos de reabilitação quando comparados com AVC e doenças cardíacas 17.

Reabilitar um paciente demenciado é uma tarefa árdua e a avaliação dos progressos conseguidos é difícil de ser quantificada, mas os resultados nos animam a continuar perseguindo este ideal 17.

Existem, basicamente, para estes pacientes, quatro tipos principais6:

a) terapia da orientação para a realidade, que privilegia aspectos cognitivos, intelectuais, memória, etc;

b) terapêutica física, que se preocupa com a parte motora;

c) terapia ocupacional, que maximiza o desempenho para as atividades da vida diária;

d) terapia ambiental.

Terapia da Orientação para a Realidade consiste em um conjunto de técnicas que visa combater a desorientação e os distúrbios da memória. Normalmente realizada em grupos, com o auxílio de material audiovisual, reforçando aspectos como datas, hora, nomes, fatos etc. A integração entre os elementos do grupo é fundamental, assim como o uso de técnicas de estimulação sensorial. As reuniões são periódicas, em grupos de 10 pacientes, com duração de 40 minutos; o clima é dinâmico com participação ativa de seus membros que são questionados sobre seus nomes, nomes dos familiares, datas e fatos relevantes etc.16

Na Fisioterapia, o fisioterapeuta atua basicamente em duas grandes áreas com referência à saúde: a prevenção e a reabilitação, indispensável para pacientes com mobilidade prejudicada, e na prevenção de contraturas articulares, mobilização das secreções pulmonares, encurtamentos musculares, manutenção da massa muscular na prevenção das atrofias, visando melhor equilíbrio e marcha. Com recursos pouco sofisticados o profissional pode propiciar bons resultados em âmbito domiciliar5.

A Terapia Ocupacional deve descobrir possibilidades de ajudar o paciente a viver melhor com suas próprias limitações, recuperando o máximo possível as funções perdidas ou substituindo-as por outras atividades igualmente gratificantes, melhorando a auto-estima, tornando-se o mais integrado à sociedade e independente possível. As atividades normalmente incluem atividades culturais como leitura e artesanais como pintura, trabalhos com argila e desenho e jardinagem11.

Com a Fonoaudilogia é possível o aperfeiçoamento dos aspectos envolvidos na comunicação e apoio aos pacientes, familiares e cuidadores8. O tratamento abrange uma série de técnicas e procedimentos específicos e as terapias são aplicadas em consultórios, clínicas especializadas e também na residência dos pacientes. Atuam também em casos relacionados com o uso e retirada de sondas enterais, em pacientes que adquiriram infecções pulmonares por aspiração etc. Atua nos problemas com a audição, diagnosticando e propondo soluções medicamentosas e tecnológicas como no caso de aparelhos auditivos e no diagnóstico, controle e tratamento das disfagias (dificuldades de deglutição)13. Normalmente os tratamentos são de longa duração e demandam grande dose de paciência e perseverança para atingirem os objetivos propostos. Trata-se de um recurso de valor inestimável em várias áreas e em especial para pacientes idosos12.

Terapia Ambiental: após o diagnóstico da doença de Alzheimer ter sido estabelecido, é comum o aparecimento da "Síndrome do Túmulo", quando a família passa a tratar o paciente como se fosse uma pessoa que acabou de falecer, um morto vivo, um corpo apenas que necessita de higiene e alimentação, sem alma, enfim. Esse conceito é equivocado, totalmente negativo, inadequado e desumano, e acaba por afetar não apenas o paciente, de forma contraproducente, como também toda a estrutura familiar. Existem maneiras de manter o paciente dentro do seu ambiente, com um mínimo de ocupação e algumas vezes exercendo atividades úteis nos afazeres domésticos e com efetiva participação na vida em sociedade, à qual não deixou de pertencer12.

Nos dias atuais, uma surpreendente soma de recursos materiais e humanos é destinada ao estudo das células-tronco e do seu potencial na regeneração de tecidos ou de órgãos irremediavelmente lesados por doenças ou congenitamente mal formados26. No Brasil, o patrimônio legal que rege as atividades relacionadas às terapias e pesquisas com células tronco-embrionárias de embriões humanos estão ainda em desenvolvimento, no entanto, são suficientes quanto ao objetivo de dar sustentação, proteção e segurança jurídica aos profissionais envolvidos com o tema, alicerçados em particular pela lei N°11.105, de 24 de março de 2005, mais conhecida como Lei de Biossegurança25. Outras leis como a Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969 ratificada pelo Brasil em 25/06/1992, o nosso Código Civil, a Lei n°9.434 de 4 de fevereiro de 1997 (Lei de Transplantes) e a própria Constituição Federal são constantemente evocadas principalmente por analogia, funcionando de forma eficaz como instrumento de normalização de tais atos, que como qualquer outra atividade, necessita de regulamentação firme e tranqüila no sentido de dar segurança jurídica aos profissionais pelos atos praticados no exercício da profissão25.

As células-tronco se apresentam como uma fonte potencialmente ilimitada de tecidos para transplante. Células-tronco (CT) podem ser definidas como células com grande capacidade de proliferação e auto-renovação, capacidade de responder a estímulos externos e dar origem a diferentes linhagens celulares mais especializadas26. Assim, teoricamente, estas células poderiam ser multiplicadas no laboratório e induzidas a formar tipos celulares específicos que, quando transplantados, regenerariam o órgão doente28. O impacto econômico desta "medicina regenerativa" pode ser avaliado pela rápida recuperação de pacientes cujo custo por ano com diferentes doenças teoricamente passíveis de tratamento com células-tronco26.

As questões éticas e religiosas tem se mostrado um obstáculo às pesquisas e desenvolvimento de tratamentos com células-tronco25, mas não somente por isso ainda não temos tratamentos eficazes e definitivos com esta técnica. A reprodução de células tronco é um processo ainda não dominado por causa de sua complexidade. Para compreendermos a dificuldade do processo de clonagem e reprodução de células tronco, é preciso conhecer um pouco da formação do embrião. Um clone é definido como uma população de moléculas, células ou organismos que se originaram de uma única célula e que são idênticas à célula original e entre elas27. Em humanos, os clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da divisão de um óvulo fertilizado. A grande revolução da Dolly, que abriu caminho para a possibilidade de clonagem humana, foi a demonstração, pela primeira vez, de que era possível clonar um mamífero, isto é, produzir uma cópia geneticamente idêntica, a partir de uma célula somática diferenciada. Todos nós já fomos uma célula única, resultante da fusão de um óvulo e um espermatozóide25. Esta primeira célula já tem no seu núcleo o DNA com toda a informação genética para gerar um novo ser. O DNA nas células fica extremamente condensado e organizado em cromossomos27. Com exceção das nossas células sexuais, o óvulo e o espermatozóide que têm 23 cromossomos, todas as outras células do nosso corpo têm 46 cromossomos. Em cada célula, temos 22 pares que são iguais nos dois sexos, chamados autossomos e um par de cromossomos sexuais: XX no sexo feminino e XY no sexo masculino. Estas células, com 46 cromossomos, são chamadas células somáticas27.Voltemos agora à nossa primeira célula resultante da fusão do óvulo e do espermatozóide. Logo após a fecundação, ela começa a se dividir: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante. Pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de se desenvolver em um ser humano completo. São chamadas de totipotentes27. Na fase de oito a dezesseis células, as células do embrião se diferenciam em dois grupos: um grupo de células externas que vão originar a placenta e os anexos embrionários, e uma massa de células internas que vai originar o embrião propriamente dito. Após 72 horas, este embrião, agora com cerca de cem células, é chamado de blastocisto. É nesta fase que ocorre a implantação do embrião na cavidade uterina. As células internas do blastocisto vão originar as centenas de tecidos que compõem o corpo humano. São chamadas de células tronco embrionárias pluripotentes27. A partir de um determinado momento, estas células somáticas – que ainda são todas iguais – começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organismo: sangue, fígado, músculos, cérebro, ossos etc. Os genes que controlam esta diferenciação e o processo pelo qual isto ocorre ainda são um mistério27. O que sabemos é que uma vez diferenciadas, as células somáticas perdem a capacidade de originar qualquer tecido. As células descendentes de uma célula diferenciada vão manter as mesmas características daquela que as originou, isto é, células de fígado vão originar células de fígado, células musculares vão originar células musculares e assim por diante. Apesar de o número de genes e de o DNA ser igual em todas as células do nosso corpo, os genes nas células somáticas diferenciadas se expressam de maneiras diferentes em cada tecido, isto é, a expressão gênica é específica para cada tecido27. Com exceção dos genes responsáveis pela manutenção do metabolismo celular (housekeeping genes) que se mantêm ativos em todas as células do organismo, só irão funcionar em cada tecido ou órgão os genes importantes para a manutenção deste. Os outros se mantêm "silenciados" ou inativos27.

Ainda não existem previsões para tratamentos definitivos com células tronco para a Doença de Alzheimer25, mas as discussões e debates na sociedade precisam continuar e considerar a importância destas pesquisas na promoção da saúde e bem estar da humanidade.

 

Os cuidadores e a família

Como pudemos observar no decorrer deste estudo, a Doença de Alzheimer é devastadora. Seus sintomas e manifestações progressivas tornam o paciente totalmente dependente de um cuidador durante todo o tempo. Os distúrbios de comportamento são angustiantes para o paciente e atingem particularmente os familiares e cuidadores, lhes exigindo o máximo de paciência , dedicação e afeto.

O tratamento e controle das alterações de comportamento são muito importantes. O manejo inadequado dessa questão pode determinar que o paciente seja institucionalizado, muitas vezes sem real necessidade 16.

Quanto às ilusões e delírios, simplesmente dizer que a pessoa "imagina coisas que não existem", é insuficiente. Pessoas que comungam crenças religiosas, culturas diversas e exóticas, realmente acreditam em certas coisas que outras não acreditam, e nem por isso devem ser rotuladas de "um sintoma" 16.

A sensação de estar sendo seguido, perseguido, ameaçado sexualmente, ameaçado de morte, de que as pessoas estão conspirando, fazem parte das manifestações clínicas3. Em uma perspectiva histórica, August D., a primeira paciente de Alois Alzheimer, apresentou como primeiro sintoma, uma crise infundada de ciúmes de seu marido24. Estudos mostram que esse problema afeta de 25 a 50% dos pacientes com DA. Essa manifestação normalmente apresenta-se associada com alucinações, agitação e reações catastróficas5.

O uso de antipsicóticos pode melhorar muito esse sintoma, o que torna o convívio mais fácil para a família, mas seus potenciais efeitos colaterais podem aumentar o isolamento e a apatia, o que pode ser pior para o paciente 16. Nesses casos é preciso que médico, cuidador e paciente decidam conjuntamente que estratégias adotar para que os custos do tratamento não sejam maiores que os benefícios, priorizando sempre o paciente.

Evidentemente as limitações quanto ao convívio social são esperadas e ocorrerão, porém está comprovado que um enfoque positivo quanto à integração do paciente em seu meio social, a manutenção de atividade física e intelectual, além de outros recursos, retardam significativamente o curso da doença, aumentando o período das fases e mantendo o indivíduo melhor por mais tempo, sob todos os aspectos 17.

O uso do bom-senso novamente vem à tona quando entendemos que certas atividades que eram prazerosas para o indivíduo quando sadio, podem ainda ser agradáveis. À medida que a doença evolui e as limitações se instalam de modo irreversível, o desempenho declina, mas de forma gradual e lenta2, 16.

Pessoas que sempre gostaram de falar ao telefone com amigos não devem ser privadas deste prazer. Se visitavam amigos e parentes com freqüência não devem ser impedidas de fazê-lo. O instinto estará preservado e deve ser valorizado18. Pessoas são diferentes, no entanto não costumam modificar os seus interesses especialmente na fase inicial. Quem sempre escreveu cartas deve ser estimulado a continuar escrevendo, quem cuidava do jardim também e assim por diante como, tocar instrumentos musicais, colecionar algo, jogos de salão, leitura etc 2.

A experiência tem demonstrado que quando se vai planificar as atividades para pacientes demenciados, deve-se levar em conta os hábitos anteriores e centrar o perfil dessas atividades em hábitos passados e agradáveis 12.

Não se deve tentar introduzir atividades desconhecidas ou pouco habituais ao paciente, sob o risco de se criar uma imagem negativa das atividades a desenvolver. Pacientes demenciados rejeitam fatos novos e não se adaptam facilmente a novas condições. Forçar atividades desconhecidas é inadequado e pode-se prever a instalação de quadros de irritabilidade e agitação.

Devemos entender que, se há dificuldades para aprender e se adaptar a fatos e condições desconhecidas, o melhor e mais racional caminho é estimular o que lhes é natural e já inserido no cotidiano 12. É necessário também que se faça uma avaliação das habilidades perdidas e das que permanecem para que não se coloquem projetos de difícil execução, que poderão gerar sentimento de frustração e até mesmo desencadear episódios de agitação e confusão mental13.

Muitos pacientes sabem que estão limitados e não gostam que isso lhes seja mostrado ou – pior ainda - que sejam desafiados, o que é perfeitamente compreensível 14.

As atividades devem conter algum sentindo e objetivo. As atividades vazias são pouco gratificantes e colaboram na temida e comum infantilização7. O melhor caminho e que gera resultados mais positivos, se ainda houver possibilidade, é permitir que o paciente manifeste de alguma forma que atividade prefere11.

Alguns cuidadores preparam atividades que lhes são agradáveis se esquecendo de que o alvo da atividade é o paciente que nunca deve ser forçado ou pressionado a desenvolver uma tarefa que aparentemente o desinteresse ou o desagrade11. Várias estratégias podem ser usadas para facilitar a aderência do paciente14.

Por exemplo, uma atividade proposta ao meio-dia que recebeu forte resistência ou negativa explícita, pode ser bem aceita às 4 horas da tarde, pois os pacientes esquecem fatos recentes, mudam de idéia e de humor em poucas horas. Todos os pacientes, independente da fase da doença merecem essa abordagem social 12.

É perfeitamente compreensível que os cuidadores e familiares sintam-se perdidos, frustrados e angustiados quando percebem que o avanço da DA vai aos poucos transformar num estranho seu ente querido. Na maioria dos casos, os cuidadores são os filhos e netos do idoso que, antes tão afetuoso e participativo na vida da família, passa a ser agressivo, indiferente e a ter comportamentos constrangedores17.

É preciso que a família, e principalmente os cuidadores, encontrem meios para se desligarem do problema de vez em quando, que possam resguardar sua individualidade e privacidade, e que acima de tudo, não se culpem por, vez por outra, ficarem irritados, desanimados ou desorientados8.

Os cuidadores e familiares do idoso portador de DA precisam compreender que são parte integrante do processo de vida e de morte do paciente, e devem procurar e aceitar ajuda especializada no sentido de fazerem o melhor por seu parente doente, e também por si mesmos, no intuito de manterem o máximo possível de sua própria qualidade de vida, que envolvem equilíbrio emocional, convívio social, desempenho profissional, saúde física e mental 12.

Uma das questões mais angustiantes para os filhos e netos de portadores de DA é seu caráter hereditário5. Comumente são os filhos os cuidadores de seus pais, e assistem com medo, ansiedade e muita preocupação o que pode ser seu próprio futuro. Embora possa existir uma predisposição genética para a Doença de Alzheimer3, uma vida saudável e regrada, com boa alimentação, exercícios físicos, atividade social e mental bem orientadas, podem prevenir ou retardar o aparecimento da doença15.

Informação e pesquisa também são armas importantes. Atenção especial deve ser dada à alimentação e ao saudável convívio social. Uma alimentação pouco saudável que possua altos níveis de açúcares, gorduras e conservantes artificiais, falta de exercício físico e mental, e um estilo de vida estressante são fatores que normalmente estão na raiz do problema17.

Tenha uma alimentação rica em frutas e legumes. Foi demonstrado cientificamente que os alimentos que combatem Alzheimer são mirtilos, vegetais de folha verde-escuro como brócolis ou espinafres e maçãs9. Insira na sua alimentação óleos vegetais ricos em Ômega 3, incluindo sementes de cânhamo e de linhaça e o consumo de peixe e óleo de peixe, mas certifique-se quanto à fonte e nutrientes, já que muitos peixes possuem toxicidade de mercúrio, que pode causar Alzheimer.

Inclua na sua alimentação uma quantidade suficiente de antioxidantes9. Como foi já mencionado, comer frutas e legumes é uma das melhores maneiras de combater os radicais livres. O chocolate, chá verde, vitaminas E e C são outros antioxidantes que podem desempenhar um importante papel contra a doença de Alzheimer10.

Estudos de uma equipe de investigadores do Instituto para o Estudo Biológico de Salk17 demonstrou que um tipo específico de antioxidantes presente nos morangos pode auxiliar a memória e proteger o cérebro do desenvolvimento de Alzheimer, mas prefira os orgânicos, que não possuem agrotóxicos7.

Um novo estudo do Instituto Karolinska de Estocolmo17 provou que o Diabetes, associado a altos níveis de açúcar no sangue, aumenta gradualmente o risco do desenvolvimento de Alzheimer. Pessoas com colesterol alto, alta pressão sanguínea e obesidade tem muito mais possibilidades (+ 600%) de perder funções cerebrais e ser diagnosticado com Alzheimer do que pessoas que mantenham peso equilibrado17.

O pigmento da cúrcuma que atribui sua cor amarela pode também ajudar a quebrar as "placas" que marcam o cérebro de doentes com Alzheimer, sugerem as últimas pesquisas17.

Evite o mercúrio e o alumínio, pois existem fortes indícios de estes metais tenham participação importante na destruição de neurotransmissores3, 6, 15, 17, 20, 27. Como foi já mencionado, muito peixes estão contaminados com mercúrio, por isso pesquise os peixes que são seguros e livres de mercúrio. O arroz polido também pode conter mercúrio, por isso o mais indicado é o consumo do arroz integral. Prefira panelas e utensílios de cozinha de aço, cobre, ferro, barro, madeira, nylon ou porcelana8. Panelas de alumínio, quando utilizadas, devem ser polidas somente por fora, e não devem em hipótese alguma serem polidas por dentro. Mantenha-as escuras por dentro fervendo água durante uma hora para que oxidem e percam o brilho. Também tome cuidado ao utilizar creme dental e enxaguatórios bucais, pois a maioria destes produtos possui branqueadores a base de alumínio que não devem ser ingeridos15, 17. Utilize-os conforme as instruções do fabricante e evite a ingestão.

Desafie a sua mente todos os dias1, 3. As pesquisas sugerem5, 9, 17 que a estimulação mental, falar duas línguas, viajar, montar quebra-cabeças, palavras cruzadas e sudoku, e aprender a tocar um instrumento são boas formas de combater a senilidade precoce e o Alzheimer. Aprenda algo novo todos os dias, mesmo que seja um número de telefone ou uma palavra, navegue na internet, participe de debates, discussões, seja ativo na sua comunidade e na vida política de seu país. Acompanhe noticiários, ouça palestras, estude.
Regule o stress, o mau humor e a depressão5, 9, 13, 17. Problemas como transtornos emocionais devem ser tratados desde o início pois podem predispor às demências3, 15, 18. Está provado que o stress corrói a mente e o corpo, produzindo hormônios que prejudicam o cérebro. A meditação, yoga, arte ou jardinagem são apenas algumas das formas de gerir o stress. Procure atividades prazerosas e se desligue dos problemas um pouquinho todos os dias. Empenhe suas energias com aquilo que realmente importa, delegue tarefas a quem possa resolvê-las, peça ajuda e aprenda a relevar as questões que você não pode mudar.

 

Considerações finais

Este projeto revela um assunto que, embora doloroso, mostra-se muito mais importante e vasto do que parecia inicialmente. Ao perceber o impacto que a Doença de Alzheimer é capaz de causar na família, que é a célula fundamental da sociedade, nos deparamos quase que instantaneamente com a importância de se preparar a comunidade, as políticas públicas de saúde e bem-estar e os profissionais envolvidos no trato do idoso.

As estatísticas encontradas na pesquisa acenam para uma necessidade urgente de estruturação da sociedade, das instituições e do Estado para o atendimento desta população que cresce enormemente, e que no futuro, seremos nós.

Enquanto enfermeiros, não basta cuidar dos doentes. Podemos e devemos apoiar as famílias e os cuidadores, transferindo nossos conhecimentos, orientando-os na procura de meios para enfrentar o desenrolar e o desfecho do inevitável.

Apesar de bastante estudada, a Doença de Alzheimer ainda guarda muitos segredos e não tem cura. Para sermos práticos, nem mesmo os conselhos de prevenção são concretos. Enquanto estes segredos não forem desvendados, devemos somar esforços na busca de se fazer o melhor possível para o conforto e a dignidade da terceira idade, até mesmo no âmbito legal. Sobre isto, há muito ainda a se dizer nesta pesquisa, que não teve a pretensão de esgotar o assunto, mas de aprofundar-se um pouco mais na possibilidade de apoiar e orientar as famílias e os cuidadores do Doente de Alzheimer.

 

Referências bibliográficas

 

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28. Souza, Maria H. L.; Elias, Decio O. As Células-Tronco e o seu Potencial na Reparação de Órgãos e Tecidos. Manual de Instrução Programada: Princípios de Hematologia e Hemoterapia, 2ª edição. Rio de Janeiro: Centro de Estudos Alfa Rio - Programa de Educação Continuada, 2005.

 

 

 

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    Por: Juliana Teixeira da Silval Saúde e Bem Estar> Medicinal 16/06/2013 lAcessos: 42
    Rafael Silva

    A quantidade de casos da Doença de Alzheimer está crescendo a um ritmo sem precedentes. E as estatísticas prevêm que esse número dobre até o ano de 2030. Esta nova notícia internacional sobre a Doença de Alzheimer faz com que as Comunidades Médica e Científica considerem isso...

    Por: Rafael Silval Saúde e Bem Estar> Medicinal 14/04/2011 lAcessos: 217

    Segundo a Organização Mundial de Saúde, aproximadamente 1.4 milhões de crianças perderam a visão

    Por: Ricardo Machado Comunicaçãol Saúde e Bem Estar> Medicinal 15/12/2014

    Plano de saúde é coisa séria pois lida com a saúde, por isso é importante você conversar com um corretor de planos para ele tirar todas as suas dúvidas e ajudar na escolha do plano ideal.

    Por: caetano caldasl Saúde e Bem Estar> Medicinal 13/12/2014

    O Acidente Vascular Encefálico AVE pode ser isquêmico (quando se falta sangue no local afetado) ou Hemorrágico (quando há um extravasamento de sangue no local afetado). O AVE é uma das principais causas de morte no Brasil tanto em homens quanto mulheres, segundo o Ministério da Saúde. Seus sintomas variam desde a dificuldade de falar até mesmo a perda da consciência. Os fatores de riscos estão relacionados a diabetes, hipertensão e etc.

    Por: ANDRÉ LUIS DE CAMPOSl Saúde e Bem Estar> Medicinal 12/12/2014

    Estima-se que aproximadamente 7 milhões de mulheres sofram com o problema no Brasil

    Por: Ricardo Machado Comunicaçãol Saúde e Bem Estar> Medicinal 11/12/2014

    O Hospital Regional Público do Sudeste do Pará (HRSP), administrado pela Pró-Saúde, e o Hemocentro Regional de Marabá (Hemopa) promoveram a 23ª edição da tradicional campanha voluntária para doação de sangue na região.

    Por: Aline Limal Saúde e Bem Estar> Medicinal 10/12/2014

    Com o acúmulo de atividades e responsabilidades, a boa memória se torna, cada vez mais, um artigo de luxo! De fato, a memória é uma das nossas funções cognitivas mais importantes e serve para arquivar experiências e informações adquiridas ao longo da vida

    Por: Flávia Ghiurghil Saúde e Bem Estar> Medicinal 09/12/2014

    As chances de um homem apresentar câncer de próstata aumentam na medida em que o nível do PSA (antígeno prostático específico) aumenta também – sendo considerados normais níveis inferiores a 2,5ng/ml. Por isso, é consenso na medicina alertar para a realização anual do exame em pacientes com idade entre 50 e 75 anos e até mesmo fora dessa faixa quando há risco aumentado para a doença.

    Por: Vítor Margatol Saúde e Bem Estar> Medicinal 08/12/2014

    Um dos grandes desafios das operadoras de planos de assistência à saúde é o efetivo gerenciamento dos riscos a que estão expostas estas organizações em um mercado cada vez mais competitivo, com investimentos internacionais se consolidando no país e o amadurecimento da regulamentação do setor através da Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS.

    Por: douglas trindadel Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/12/2014 lAcessos: 12
    Claudia Forlin

    Este estudo trata-se de uma pesquisa de campo com enfoque qualitativo, realizado em uma instituição privada. Amostra selecionada compreende na faixa etária de 3 a 7 anos de idade, predominada na pré-escolar, foram estudada mediante a autorização dos responsáveis, para observações das reações emitidas pelas mesma durante os procedimento invasivos. A escolha por essa faixa etária é pelo fato de que estas recebem grandes influencias do brinquedo tanto no aspecto motor quanto o aspecto psicológico

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 15/04/2011 lAcessos: 2,246
    Claudia Forlin

    A equipe de enfermagem está envolvida nos esforços para tratar com dignidade o paciente, considerando-o nos seus aspectos biológicos, sociais, psicológicos e espirituais. Entretanto,a condução do processo de terminalidade a equipe precisa ser treinada especificamente para lidar com situações que impõem a abordagem terapêutica para o paciente com doença avançada, onde as medidas terapêuticas, farmacológicas e não farmacológicas, visam conforto do paciente.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 15/04/2011 lAcessos: 3,139
    Claudia Forlin

    Neste trabalho iremos abordar o trabalho do enfermeiro na pediatria que garanta e promova uma assistência humanizada a criança através de recreações e ao mesmo tempo faz parte de seu tratamento, e como conseqüências uma melhor qualidade de vida na hospitalização tratando não tão somente a sua enfermidade, mas também de sua saúde psicológica e estabelecer uma forma de comunicação entre a enfermagem, familiares e pacientes.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 3,641
    Claudia Forlin

    O objetivo desta pesquisa é descrever a criança portadora de Fissura Labiopalatina, abordando principalmente suas dificuldades na alimentação. Apesar de se tratar de uma patologia congênita não muito rara, ainda hoje a criança fissurada encontra barreiras no ato do aleitamento materno, prejudicando assim o vínculo mãe-filho e sua saúde em geral. O estudo bibliográfico nos mostra a importância do aleitamento para a criança portadora de fissura labiopalatina e abrange as possibilidades da correção

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 1,575
    Claudia Forlin

    As concepções encontradas referem- se a assistência e as intervenções aplicadas no setor de oncopediatria . Conclui-se que é essencial que o enfermeiro tenha conhecimentos cientifico, mas abranger as necessidades emocionais que englobam este momento complicado para o paciente pediátrico que é enfrentar uma neoplasia.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 910
    Claudia Forlin

    A escolha desse tema ocorreu devido à observação da demanda dos números ainda crescentes de crianças com HIV. Através deste trabalho obtive dados que mostram a qualidade de vida dessas crianças. Elas convivem com essa patologia que vem causando transtornos fisiológicos e psicológicos e muitas dessas crianças vivem em casas de apoio. A presente revisão foi baseada na consulta bibliográfica em livros e artigos retirados da base de dados Scielo, Bireme, Ministério da Saúde, Ministério Casa Civil.

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 424
    Claudia Forlin

    As Hepatites B e C tem infectado milhões de pessoas, surgem em média de 3 a 4 milhões de novos casos e muitas vezes evoluem para cirrose ou câncer. A infecção pela Hepatite B é cem vezes mais que o vírus do HIV e dez vezes mais que o vírus da Hepatite C.

    Por: Claudia Forlinl Educação> Ensino Superiorl 04/04/2011 lAcessos: 1,416
    Claudia Forlin

    O estudo teve como objetivo identificar o conhecimento técnico e científico que as enfermeiras da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) detêm sobre os efeitos maléficos que o oxigênio pode acarretar, e suas conseqüências se não for administrado adequadamente ao Recém-nascido pré-termo (RNPT).

    Por: Claudia Forlinl Saúde e Bem Estar> Medicinal 04/04/2011 lAcessos: 2,162

    Comments on this article

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    Marisa 10/11/2010
    Parabéns a todos. Este site é muito interessante. O linguajar é sempre claro, de forma que todas as pessoas podem entender. Tenho visitado este site e lido seu conteúdo sempre que possível. Hoje lí o artigo da Sra Claudia Forlin. Gostei muito. Temos uma portadora da doenca de Alzheimer na família e a leitura foi muito esclarecedora para mim.ç Obrigada.
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