Menopausa Ou Climatério?

23/05/2009 • Por • 8,782 Acessos

O climatério é, de fato, o período que abrange toda a fase em que os hormônios produzidos pelos ovários vão progressivamente deixando de ser fabricados, abrangendo, portanto, a transição do período reprodutivo e não-reprodutivo da mulher. O climatério é, portanto, uma alteração endócrina de consumo de natureza genética, que tem como características a deficiência dos hormônios esteróides ovarianos devida a falência funcional das gônadas, que se revela em todas as mulheres.

Dessa forma, a menopausa é um evento que ocorre durante o climatério. Na maioria das mulheres, a menopausa acontece entre os 45 e os 55 anos de idade. Entretanto os sinais começam a surgir um pouco antes, na chamada pré-menopausa. Associar a palavra “menopausa” quando se fala de climatério é natural. Utilizar ambas como sinônimos é uma constante. Mas a verdade é que menopausa e climatério têm diferentes sentidos, e saber como, quando e porquê acontecem é tão importante quanto tomar conhecimento dos métodos de tratamento.

Esta é a fase mais importante da perimenopausa, período que engloba também os dois anos posteriores. Quando essas alterações são na forma de mais de uma menstruação por mês, chama-se polimenorréia; e já quando surge com muito sangramento ou muitos dias sangrando, denomina-se hipermenorréia. Por isso, ciclos menstruais irregulares são um dos primeiros sinais da falência ovariana.

Além disso, fogachos (os populares calores), suores noturnos, depressão e irritabilidade, retenção líquida, dores nas mamas, alterações nos órgãos sexuais (coceira e secura vaginal), ganha de peso, entre outros são denunciados por grande parte das mulheres. Porém, diferentemente do que muitos pensam, essas alterações físicas e psíquicas que prejudicam a qualidade de vida da mulher podem e devem ser tratadas.

Porém há casos em que os sinais da chegada da menopausa, ou até mesmo do climatério, são silenciosos. Não é comum, mas pode acontecer; e não é motivo para aliviar ou suspender quaisquer cuidados com a saúde. E se a menopausa acontece antes dos 45 anos é considerada precoce. Portanto é indispensável a atenção redobrada com a saúde, evitando o cigarro que é um fator notório, visto que “quem fuma um maço e meio por dia pode adiantá-la em cinco anos, porque o fluxo de sangue nos ovários é comprometido” (Revista Claudia, 2004, p.20)

A partir deste momento, quando a mulher se vê diante da possibilidade de tratar e diminuir estes sintomas surge a dúvida que vem sendo discutida desde os anos 80: tomar ou não tomar hormônios. A escolha pela terapia de reposição hormonal, ou seja, a substituição dos hormônios que antes eram produzidos pelos ovários, é vista como “uma faca de dois gumes”, ao mesmo tempo em que alivia os calores, engorda e provoca o câncer.

Porém, atualmente há uma tendência de optar pela reposição hormonal de baixa dose, que oferece menor índice de efeitos colaterais, favorece ganhos de massa óssea e melhora as taxas de colesterol. No entanto, até mesmo este novo recurso não é recomendável para aquelas que sofrem de tromboembolismo, problemas no fígado e alto risco de câncer de mama, ou antecedentes de câncer de útero.

O tratamento também pode ser feito por hormônios administrados através da pele (adesivos transdérmicos), por via injeções intramusculares ou por cremes vaginais. Os sintomas transdérmicos são compostos por adesivos colocados sobre a pele. Esses adesivos liberam diretamente na corrente sanguínea hormônios como o estrogênio e o progestogênio (aqueles não produzidos mais pelos ovários). Como não passam pelo fígado, as doses transdérmicas são muito menores (12 vezes menor, no caso do estrogênio). Além disso, os hormônios são liberados de forma constante, gradual e uniforme, simulando o funcionamento normal do ovário.

Por sua vez, os cremes vaginais só auxiliam nos sintomas locais, como a secura vaginal; e as injeções intramusculares já não são mais praticamente utilizadas. Essas novas vias de administração (como o gel, o creme, os adesivos, ou o estrogênio associado isoladamente) “permitiram que portadoras de miomas, diabetes, endometriose, enxaqueca e pressão alta, para quem a reposição era desaconselhada, também tivessem acesso a ela” (Revista Claudia, 2004, p. 30)

Há ainda os tratamentos com homeopatia ou fitoterápicos, que não são cientificamente estabelecidos como eficiente da paciente climatérica. O uso da isoflavona, um composto extraído da soja que tem estrutura semelhante à do estrogênio (embora numa potência menor) e por isso chamado também de fitoestrogênio, se baseia mais nos conhecimentos tradicionais da medicina chinesa. Mas até o momento, os resultados são precários e ainda muito recentes para uma avaliação dos efeitos em longo prazo (como a prevenção da osteoporose e da doença coroniana).

Segundo médicos que estudam este recurso fitoterápico, o uso da isoflavona é mais eficiente quando associado à cimicífuga (contra as ondas de calor), à angélica (regularização do ciclo menstrual) e ao vitex (redução dos sintomas mentais). Assim, os tratamentos com fitoterápicos são vistos como lentos e discretos e, apesar de derivar de uma planta, o uso da isoflavona não descarta o risco de apresentar efeitos colaterais, sendo, portanto, utilizado sob supervisão médica.

Após a menopausa, os sintomas desagradáveis ainda persistem, por isso é importante dar continuidade ao tratamento. Os hormônios contribuem com o cálcio para os ossos, participam do metabolismo das gorduras e, ainda, mantêm os níveis de colágeno na pele, fortificando-as. Além disso, exercícios físicos praticados regularmente são fortes aliados, desde a juventude até a idade madura. A pós-menopausa também deve ser tratada. Nela podem ser prescritos a tibolona, composto com efeitos similares ao do estrogênio, do progesterona e dos androgênios, e do raloxifeno. Além disso, a prática sexual é bem vinda neste período, “estimulada periodicamente, a vagina se mantém úmida e elástica” (Revista Claudia, 2004, p.30)

 Enfim, a “prevenção dos problemas se constitui de verdadeira mudança comportamental no plasmar de uma nova filosofia de vida a ser encarada como um investimento em saúde a longo prazo” (Unimediando, 2006, p.07); e as mulheres não devem abrir mão de uma alimentação rica e saudável e atividades que fortalecem o corpo. Climatério é uma fase natural da vida da mulher, e deve ser encarada com tranqüilidade e consciência.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

NABUCO, Cristina. Regras finais: a vida (boa) no climatério, Revista Claudia (Guia de saúde da mulher), Editora Abril: São Paulo, 2004, 30p.

 

BRAGA, Maria do Socorro S. Climatério Feminino, Revista Unimediando (Informativo da Unimed Imperatriz), Imperatriz, 2006, 8p. 

Perfil do Autor

Ana Paula dos Santos Ferreira

Ana Paula Ferreira é graduada em Letras/Inglês (UEMA/2006) e especializada em Reengenharia de Projetos Educacionais com ênfase na Língua...