O Idoso E Alzheimer

Publicado em: 09/11/2009 |Comentário: 0 | Acessos: 2,375 |

O IDOSO E ALZHEIMER

 Resumo

O sucesso da evolução da medicina está contribuindo, diretamente, com a diminuição da mortalidade no mundo e, como conseqüência, surge uma nova população que, até algumas décadas atrás, não era significativa, o Idoso, e com ele algumas doenças características da idade. Este artigo tem como objetivo chamar atenção das pessoas para a doença de Alzheimer suas características, evolução e tratamento para que possam lidar, com o portador da doença, com segurança, afeto tratando-o com dignidade e respeito.

 Palavras – Chave: Idoso, Demência, Alzeimer, Tratamento, Morte

 

 Abstract

 The success of the evolution of the medicine is contributing, directly, with the decrease of the mortality in the world and, as consequence, it appears a new population that, until some decades behind, it was not significant, the Senior, and with him some characteristic diseases of the age. This article has as objective calls the people's attention for the disease of their Alzheimer characteristics, evolution and treatment so that they can work, with the bearer of the disease, with safety, affection treating him with dignity and respect. 

 Words - Key: Senior, Insanity, Alzeimer, Treatment, Death 

 

 

Introdução

             O envelhecimento Segundo Cline (1990) “é um mecanismo do homem que compreende vários fenômenos físicos, bioquímicos, psicológicos, culturais e antropológicos”. Esclarece Cline que o equilíbrio entre esses vários aspectos permite a pessoa viver esta experiência (de envelhecer) mantendo um bom relacionamento com o seu ego e com sua própria imagem. Mas, afirma o teórico que na realidade o envelhecimento é freqüentemente vivenciado com ansiedade.

            A maturidade do ego é um elemento indispensável para que esta fase da vida seja aceita com serenidade. Nicola (1986) afirma que na realidade, a maturidade significa reforçar o próprio ego, tornando mais resistente as frustrações e as dificuldades que o ser humano deve inevitavelmente enfrentar. Ressalta Nicola que a felicidade do ser humano está, portanto, no equilíbrio entre o próprio Eu e a imagem ideal que faz do mundo e o mundo real, isto é, a capacidade de transportar o mundo real para o seu próprio mundo interior, sem que para isto precise fazer uma “amputação traumática” da própria imagem.

            O teórico afirma ainda que este equilíbrio, muitas vezes, é difícil de ser alcançado, pois o ser humano é despreparado para o árduo trabalho de fortalecimento do ego, sendo freqüentemente obrigado a conviver com um ego frustrado pela imagem ideal que lhe é proposta pelo seu ambiente cultural.

            Perry & Viederman (1981) acreditam que um dos momentos mais difíceis na vida do idoso é a sensação de perda de saúde e a preocupação de tornar-se um “peso” para seus familiares. Segundo os teóricos percebe-se uma angústia por ele não mais poder executar suas necessidades básicas sozinho. Acrescentam ainda que existam dois tipos de idoso: Um é tratado como relíquia pela família, é amado e ao menor sinal de doença é levado ao médico, seus familiares ficam sempre atentos a sua evolução e participam efetivamente de sua melhora. Mas, o outro tipo segundo a observação dos teóricos, é tratado com pouco cuidado, a família quer se livrar dele, o interna ou o abandona na sala de emergência aparecendo, muitas vezes, dias depois.

            A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera uma pessoa idosa (terceira idade) a partir dos 65 (sessenta e cinco) anos e Benson (1973) enfatiza que embora tenham uma idade avançada, percebem a rejeição de seus familiares (quando acontece) e, freqüentemente entregam-se à doença ou mesmo a morte.

            Há décadas vários teóricos vêm se preocupando com os estudos científicos sobre o idoso e o seu envelhecimento. Mas somente com o aparecimento da geriatria e gerontologia é que foi possível avançar nos estudos, com a proposta de propiciar uma vida mais digna, saudável e feliz.

 

Conceito de Geriatria

             Do ponto de vista estritamente etimológico significa a medicina dos idosos, sendo compreendida como a assistência médica, ou seja, a sua prevenção, o seu tratamento nas doenças da pessoa idosa e ainda a assistência psicológica e socioeconômica. Existe também a preocupação de se encontrar meios mais adaptados para reativar e recuperar o idoso; não é só assistência ao idoso, mas também amor ao idoso, para vir ao encontro de suas necessidades e aos seus desejos (Nicola, 1986).

 Conceito de Gerontologia

            Caminha junto com a geriatria, desenvolve trabalhos científicos contribuindo para que o envelhecimento e a velhice sejam vistos de uma forma que possa aumentar a tolerância na sua compreensão tendo como objetivo o aumento da vida média da pessoa, não só em alguns anos a mais, mas que resulte numa longevidade com perspectivas de melhor qualidade de vida.

            O conceito de Nicola (1986) “é que a gerontologia estuda as causas do envelhecimento dos organismos vivos e materiais, unicelulares àqueles mais complexos, dos animais superiores e do Ser Humano e suas conseqüências biológicas, médicas, psicológicas e socioeconômicas.

 História da Velhice

            A questão do envelhecimento e da longevidade humana é algo que já se fazia presente na mais remota história, seja na busca pela fórmula da eterna juventude, esta associada à felicidade plena; ou como preocupação constante do homem em todos os tempos. Despertando maior ênfase na última década, devido, sobretudo a sua expansão tanto a nível mundial, como na realidade brasileira, sendo objeto de investigação na comunidade acadêmica e na sociedade civil. A imortalidade e a eterna juventude são sonhos míticos da espécie humana. A procura da fonte da juventude é assunto desde os mais antigos escritos. O livro Gênese do Antigo Testamento fala que após o dilúvio as pessoas passaram a viver mais, a velhice é vista como um edifício e a morte representam sua total e definitiva demolição. Já os gregos como, por exemplo, Hesíodo (século v.6, 2 VIII a.c.), descreveu uma raça dourada, constituída por um povo que vivia centenas de anos sem envelhecer e que morreriam dormindo quando chegasse o seu dia.

Aristóteles (filósofo grego) e Galeno (médico grego) acreditavam que cada pessoa nascia com certa quantidade de calor interno, que iria se dissipando com o passar dos anos, considerando a velhice o período final desta dissipação de calor. Neste sentido, este primeiro, sendo um dos mais influentes filósofos do pensamento ocidental naquela época, sugeria o desenvolvimento de métodos que evitassem a perda de calor, prolongando a vida, fugindo um pouco da mitologia utilizada até então para dar uma conotação científica a este fenômeno (Azevedo, 2001).

Em algumas civilizações mais antigas, a valorização pessoal parece vinculada à capacidade física, força, vitalidade, beleza, virilidade; ao passo que em países orientais a velhice é objeto de adoração, uma vez que os jovens procuravam os idosos em busca de conhecimentos e experiência. Em relação à cultura, encontram-se várias formas de conceituação e enfrentamento da velhice. No Egito, provavelmente por volta de 3000 a. C., há registros da obrigação dos filhos em cuidar de seus idosos, e para os egípcios, “viver 110 anos era considerado o prêmio de uma vida equilibrada e virtuosa” (Leme, 1996, p. 14). Em Israel, o respeito dos judeus aos anciãos fica evidenciado tanto na Bíblia quanto do ponto de vista legal: maltratar os pais era considerado crime que poderia ser punido com a morte. O órgão máximo do povo hebreu – Sinédrico – era composto por 70 “anciãos do povo”. Já na China, mesmo reconhecendo a limitação natural da vida humana, acreditava-se que, de maneira natural, esta devesse se prolongar das faculdades mentais e dos sentidos (Leme, 199).

Ainda na China, o taoísmo, preconiza o encontro do “verdadeiro caminho” que seria viver tanto até tornar-se imortal, para isto fazia-se necessário aprender a conservar as energias vitais, por exemplo, mantendo o controle da respiração, alimentando-se de frutas e raízes, evitando carne e álcool, como também a substituindo-se o comportamento sexual pelo ato da meditação (Azevedo, 2001).

No século XVI começaram a aparecer os primeiros trabalhos científicos acerca do envelhecimento humano, com representantes como Bacon, Descartes e Benjamim Franklin que acreditavam ser apenas o desenvolvimento de métodos científicos eficazes para ‘vencer’ as transformações da velhice. Francis Bacon (1561-1626) escreveu “A História Natural da Vida e da Morte e a Prolongação da Vida”, defendendo a idéia de que um espírito jovem inserido em um corpo velho faria regredir a evolução da natureza. Benjamim (1745-1813) por sua vez é o primeiro a dizer que são as doenças responsáveis pela morte e não o envelhecimento – que não é doença. (Azevedo, 2001; Leme, 1996).

Percebe-se, então, o reconhecimento da autoridade religiosa ao processo de envelhecimento e, é válido salientar, essa atitude tem partido também de outros autores que se dispõem a tratar a questão da velhice. Como salienta Cícero (1997), deve-se combater a velhice por meio de exercícios físicos e de boa alimentação, uma vez que os velhos a conservam tanto melhor quando permanecem intelectualmente ativos. Até o século XIX, a velhice era tratada como uma questão de mendicância, porque sua fundamental característica era a não possibilidade que uma pessoa apresentava de se assegurar financeiramente. Assim, a noção de velho remete à incapacidade de produzir, de trabalhar. Dessa forma, segundo Peixoto (1998), era denominado velho (vieux) ou velhote (veillard) aquele indivíduo que não desfrutava de status social – muito embora o termo velhote também fosse utilizado para denominar o velho que tinha sua imagem definida como “bom cidadão”. As questões concernentes ao envelhecimento humano ganharam destaque na pauta das pesquisas científicas no início da década de 1920, com investigações que contemplavam, basicamente, as transformações fisiológicas e suas perdas para o organismo nesta fase do desenvolvimento. Estudos pioneiros, como os realizados por Stanley Hall, marcaram esta fase embrionária, enfocando a velhice entre os acadêmicos com a publicação, em 1922, da obra Senescence: the hall of life (Paiva, 1986). v.6, n. 13, dez.2004/jan.2005

Esta autora ainda menciona que a velhice por um largo espaço de tempo foi associada a limitações e deficiências, posto que esta era objeto da Psicologia do Excepcional, e não do desenvolvimento humano. Não obstante, algumas publicações de autores como Telford e Sawrey (1976), no último capítulo de seu livro O indivíduo Excepcional, dedicam-se à velhice. Seu argumento caracterizava este estágio do desenvolvimento como pouco produtivo do ponto de vista comportamental. Para demonstrar uma visão menos estereotipada da velhice, o termo “idoso” foi adotado para caracterizar tanto a população envelhecida em geral, como aquela mais favorecida. A partir de então, os “problemas dos velhos” passaram a ser vistos como “necessidades dos idosos” (Peixoto, 1998). Por outro lado, Neri & Freire (2000) colocam que a substituição dos termos velhos ou velhice por melhor idade já indica preconceito, pois, caso contrário, essa troca de palavras não seria necessária. As mesmas autoras ainda fazem menção ao termo “terceira idade”. Este termo foi cunhado nos anos 60, para designar a idade em que a pessoa se apresenta servindo para designar a faixa etária intermediária entre a vida adulta e a velhice (Neri & Freire, 2000, p. 13).

Esta distinção também traz uma dose de conotação negativa ao termo velhice, porque se compreende que quem está na terceira idade ainda não é velho. Porém, ao mesmo tempo, fornece uma visão mais benéfica daqueles que se encontra com 60 anos ou mais. Esta é a idade que a ONU (Organização das Nações Unidas) define como o início da velhice nos países em desenvolvimento, elevada aos 65 anos nos países desenvolvidos. Em face desses preconceitos, estabeleceram-se conceitos sobre os termos velho, idoso e terceira idade. “Velho” ou “idoso” refere-se a pessoas idosas, na média de 60 anos; “velhice” seriam a última fase da existência humana e “envelhecimento” atrelado às mudanças físicas, psicológicas e sociais (Neri & Freire, 2000).

Há ainda outras metáforas acerca do envelhecimento como, por exemplo, “amadurecer” e “maturidade”, que significam a sucessão de mudanças ocorridas no organismo e a obtenção de papéis sociais, respectivamente (Neri & Freire, 2000). Considerando os mais variados termos de distintos autores sobre a questão da velhice, percebe-se que a pessoa envelhecida conheceu, assim, uma série de modificações ao longo do tempo, uma vez que as mudanças sociais reclamavam políticas sociais para a velhice, assim como a construção ética do objeto velho (Peixoto, 1998). É preciso que se estabeleça respeito pelo idoso, reconhecendo-o enquanto ser humano que, se por vezes apresenta certa diminuição de suas habilidades físicas e sensoriais, possui outras qualidades que podem ser igualmente importantes (Del Prette, 1999).

 Por volta de 1867 o médico francês Jean Marie Charcot, realizou pesquisa com o intuito de estudar o processo de envelhecimento, suas causas e conseqüências sobre o organismo, denominado “Estudo clínico sobre a senilidade e doenças crônicas”. Já em 1908 Elie Metchnikoff ganha o prêmio Nobel de medicina, com estudo que advogava ser o intestino grosso que expelia venenos responsáveis pela deterioração dos alimentos, para isso preconizava a ingestão regular de leite ou iogurte, e o hábito de utilizar laxantes para esterilizar o organismo (Azevedo, 2001). Nas sociedades contemporâneas o Papa João Paulo II, no ano de 1999 (Ano Internacional do Idoso), escreveu uma carta aos anciãos, afirmando que estes ajudam a contemplar os acontecimentos terrenos com mais sabedoria, porque as vicissitudes os tornaram mais experientes e amadurecidos. Eles são guardiões da memória coletiva e, por isso, intérpretes privilegiados daquele conjunto de ideais e valores humanos que mantêm e guiam a convivência social. Percebe-se que na atualidade é negada ao velho sua função social, uma vez que habilidades como aconselhar e lembrar são mecanismos não valorizados, sendo decorrente a opressão à velhice. Esta se dá a partir de mecanismos institucionais visíveis como, por exemplo, as casas de ‘repouso’, asilos, bem como por questões psicológicas (a tutelagem, a inexistência do diálogo, discriminação) e mecanismos científicos com pesquisas que demonstram deterioração física, deficiência nas relações interpessoais (Chauí, 1994).

 Percebe-se, então, o reconhecimento da autoridade religiosa ao processo de envelhecimento e, é válido salientar, essa atitude tem partido também de outros autores que se dispõem a tratar a questão da velhice. Como salienta Cícero (1997), deve-se combater a velhice por meio de exercícios físicos e de boa alimentação, uma vez que os velhos a conservam tanto melhor quando permanecem intelectualmente ativos. Até o século XIX, a velhice era tratada como uma questão de mendicância, porque sua fundamental característica era a não possibilidade que uma pessoa apresentava de se assegurar financeiramente. Assim, a noção de velho remete à incapacidade de produzir, de trabalhar. Dessa forma, segundo Peixoto (1998), era denominado velho (vieux) ou velhote (veillard) aquele indivíduo que não desfrutava de status social – muito embora o termo velhote também fosse utilizado para denominar o velho que tinha sua imagem definida como “bom cidadão”.

As questões concernentes ao envelhecimento humano ganharam destaque na pauta das pesquisas científicas no início da década de 1920, com investigações que contemplavam, basicamente, as transformações fisiológicas e suas perdas para o organismo nesta fase do desenvolvimento. Estudos pioneiros, como os realizados por Stanley Hall, marcaram esta fase embrionária, enfocando a velhice entre os acadêmicos com a publicação, em 1922, da obra Senescence: the hall of life (Paiva, 1986).

Esta autora ainda menciona que a velhice por um largo espaço de tempo foi associada a limitações e deficiências, posto que esta era objeto da Psicologia do Excepcional, e não do desenvolvimento humano. Não obstante, algumas publicações de autores como Telford e Sawrey (1976), no último capítulo de seu livro O indivíduo Excepcional, dedicam-se à velhice. Seu argumento caracterizava este estágio do desenvolvimento como pouco produtivo do ponto de vista comportamental. Para demonstrar uma visão menos estereotipada da velhice, o termo “idoso” foi adotado para caracterizar tanto a população envelhecida em geral, como aquela mais favorecida. A partir de então, os “problemas dos velhos” passaram a ser vistos como “necessidades dos idosos” (Peixoto, 1998). Por outro lado, Neri & Freire (2000) colocam que a substituição dos termos velho ou velhice por melhor idade já indica preconceito, pois, caso contrário, essa troca de palavras não seria necessária. As mesmas autoras ainda fazem menção ao termo “terceira idade”. Este termo foi cunhado nos anos 60, para designar a idade em que a pessoa se apresenta servindo para designar a faixa etária intermediária entre a vida adulta e a velhice (Neri & Freire, 2000, p. 13). Esta distinção também traz uma dose de conotação negativa ao termo velhice, porque se compreende que quem está na terceira idade ainda não é velho. Porém, ao mesmo tempo, fornece uma visão mais benéfica daqueles que se encontra com 60 anos ou mais. Esta é a idade que a ONU (Organização das Nações Unidas) define como o início da velhice nos países em desenvolvimento, elevada aos 65 anos nos países desenvolvidos.

 Em face desses preconceitos, estabeleceram-se conceitos sobre os termos velho, idoso e terceira idade. “Velho” ou “idoso” refere-se a pessoas idosas, na média de 60 anos; “velhice” seriam a última fase da existência humana e “envelhecimento” atrelado às mudanças físicas, psicológicas e sociais (Neri & Freire, 2000). Há ainda outras metáforas acerca do envelhecimento como, por exemplo, “amadurecer” e “maturidade”, que significam a sucessão de mudanças ocorridas no organismo e a obtenção de papéis sociais, respectivamente (Neri & Freire, 2000). Considerando os mais variados termos de distintos autores sobre a questão da velhice, percebe-se que a pessoa envelhecida conheceu, assim, uma série de modificações ao longo do tempo, uma vez que as mudanças sociais reclamavam políticas sociais para a velhice, assim como a construção ética do objeto velho (Peixoto, 1998).

É preciso que se estabeleça respeito pelo idoso, reconhecendo-o enquanto ser humano que, se por vezes apresenta certa diminuição de suas habilidades físicas e sensoriais, possui outras qualidades que podem ser igualmente importantes (Del Prette, 1999). Não obstante, denota-se que a velhice decorre mais da luta de classes que de conflito de gerações (Bosi, 1994). Uma vez que, ao velho não é permitida sua participação nas relações interpessoais, de modo que este ator social tem compartilhado seu lugar de exclusão na sociedade com outros grupos como: mulheres, negros, índios, portadores de necessidades especiais. Para designar os conceitos que fazem referência a população de idades avançadas, há um consenso entre os pesquisadores das diversas áreas do conhecimento, que apenas o critério etário não é suficiente para demarcar o último curso da vida, antecessora a morte; pois o fenômeno é diferencial e obedece a uma gama de fatores tanto endógenos como exógenos nas esferas sociais, histórica, cultural, fisiológica e psicológica (Gómez, 2002).

Todavia, mesmo com a existência de inúmeros termos para denominar a fase da vida de 60 anos ou mais, não se deve negar que a velhice – ou qualquer outro termo que se use – constitui uma fase do desenvolvimento humano tão importante quanto às demais e que, portanto, merece toda atenção e dedicação tanto dos estudiosos do assunto como da família, da sociedade civil e, principalmente, do Estado, através do planejamento e operacionalização das políticas públicas. Não obstante, faz-se necessário conhecer como que esse constructo sócio-histórico e cultural tem perpassado a formulação de teorias e pesquisas que vislumbram explicar e predizer as manifestações psicossociais da velhice e do processo de envelhecimento humano.

 

Psicologia do Envelhecimento e da Velhice

O interesse da psicologia sobre a velhice é relativamente recente, visto que a expansão sistemática da Gerontologia só ocorre no final da década de 1950, principalmente em função do rápido crescimento no número de pessoas idosas. Começam em 1928 as primeiras pesquisas experimentais sobre a velhice, a respeito de tópicos tais como: aprendizagem, memória e tempo de reação. No entanto, até 1940, pouco se pesquisou sobre a vida adulta e a velhice, considerando que até então esta foi à época de expansão e consolidação da psicologia da infância e da adolescência (Baltes, 1995).

Um possível motivo para o planejamento e a execução de um grande número de estudos Empíricos acerca do envelhecimento deve-se ao fato de que os pesquisadores não encontravam na psicologia do desenvolvimento uma resposta satisfatória para a realidade pessoal de envelhecimento, nem para a velhice como fato social, fenômeno sem precedentes na experiência da humanidade (Neri, 1995).

Ainda é enfatizado por esta autora que, por muito tempo, à velhice foi estudada apenas dentro da psicologia de desenvolvimento e com importância inferior ao estudo da psicologia infantil. O envelhecimento era tratado como uma fase em que existem perdas, havendo perdas gradativas das capacidades tanto físicas quanto psíquicas. Segundo Baltes (1995), a evolução do campo da psicologia do envelhecimento, no século XX, acarretou mudanças também na natureza da psicologia do desenvolvimento que, em vários países, especialmente nos EUA, era um campo sobreposto ao da psicologia infantil. Basicamente, a rápida emergência da psicologia do envelhecimento foi uma conseqüência da confluência dessas duas correntes de interesses, originadas a partir da psicologia do desenvolvimento.

 Primeiro: houve uma curiosidade acerca da repercussão da infância sobre o desenvolvimento ulterior, ou seja, que conseqüências trariam, para a velhice, as experiências de desenvolvimento ocorridas na infância e na adolescência. Segundo: os psicólogos que trabalhavam com a vida adulta e a velhice passaram a estender o âmbito de seus conceitos e de seus estudos para a direção oposta do curso de vida (Baltes, 1995).

Erik Erikson um dos pioneiros nos estudos sobre o desenvolvimento humano, com a formulação da Teoria do Desenvolvimento durante toda a vida (1963,1964), explicitava que o desenvolvimento se processa ao longo da vida e que o sentido da identidade de uma pessoa se desenvolve através de uma série de estágios psicossociais durante toda a vida (Bee & Mitchell, 1984). Esta teoria compõe-se de oito estágios, sendo o período da vida adulta (considerado após 41 anos) denominado de integridade do ego versus desespero, sendo que a integridade do ego é caracterizada por fatores intrínsecos à velhice como: dignidade, prudência, sabedoria prática e aceitação do modo de viver, e desespero seriam possivelmente medo da morte. Erikson, através destes estudos, contribuiu significativamente para a compreensão das transformações ocorridas na velhice, salientando-se que, até então, nenhum outro autor na psicologia havia dado ênfase ao estágio do desenvolvimento humano contemplando a vida adulta. Como apontam Bee e Mitchell (1984), a teoria de Erikson colabora no sentido de oferecer sínteses sobre o desenvolvimento cognitivo e da personalidade, sobretudo na vida adulta. Após o desenvolvimento desta teoria, passaram-se décadas na psicologia sem a formulação de outra teoria do desenvolvimento da vida adulta.

Outra teoria, desenvolvida por Gould (1978), enfatiza os processos do desenvolvimento da velhice, seguindo uma abordagem similar a de Erikson, propondo também estágios de desenvolvimento. Estas teorias desencadearam, dentro da Psicologia do Desenvolvimento, relevância a este estágio do desenvolvimento humano, pois neste período já era despertado, em várias áreas do conhecimento, sobretudo Gerontologia, o interesse em conhecer melhor os fenômenos peculiares ao processo de envelhecimento e à velhice Denota-se, com os avanços dos estudos da Psicologia do Envelhecimento, a busca da velhice bem-sucedida, para isto alia-se a experiência de vida que os idosos possuem e os fatores da personalidade para que estes possam desenvolver mecanismos que contribuam para uma boa saúde física e mental, autonomia e envolvimento ativo com a vida pessoal, a família, os amigos, o ócio, o tempo livre e as relações interpessoais (Neri, 2004).

Na medida em que esta nova área da psicologia toma corpo, vão ocorrendo também mudanças nos enfoques do desenvolvimento humano, visto que este território foi ampliado, incluindo-se novos contextos da vida e novos fenômenos evolutivos. Áreas como a psicologia clínica, a psicologia organizacional e a psicologia do trabalho, também tiveram que se adaptar a essas mudanças e novas perspectivas. Segundo Neri (1995), a psicologia do envelhecimento é hoje a área que se dedica à investigação das alterações comportamentais que acompanham o gradual declínio na funcionalidade dos vários domínios do comportamento psicológico, nos anos mais avançados da vida adulta (p.13).

Um dos desafios enfrentados pela psicologia do envelhecimento a priori foi conciliar os conceitos de desenvolvimento e envelhecimento, tradicionalmente tratados como antagônicos, tanto pelos cientistas, quanto pela sociedade civil e a família, tendo em vista que se considerava a velhice como um período sem desenvolvimento. Essa questão poderia ser amenizada com a ajuda da sociedade, se esta providenciasse uma maior focalização em torno da longevidade, da saúde física e da adequação do ambiente às peculiaridades da velhice. Por fim, a velhice constitui um estudo recente no âmbito da Psicologia de um modo geral, e na Psicologia Social, em particular, no entanto, ao longo das últimas décadas têm crescido significativamente as pesquisas e intervenções junto a este grupo social, demonstrando a importância da compreensão deste objeto a partir da ótica biopsicossocial.

 

Doença de Alzheimer

            A doença de Alzheimer corresponde, possivelmente, a mais importante de todas as doenças degenerativas, tendo em vista sua freqüência e sua natureza devastadora. Trata-se da causa mais comum de demência nos idosos, com todas as implicações deste fato no sentido de angústia para os pacientes e para as famílias e perda econômica representada pelos custos de uma assistência em longo prazo a pacientes totalmente incapacitados pela doença. Muitas das doenças degenerativas do sistema nervoso progridem independentemente das medidas terapêuticas. A assistência a estes pacientes muitas vezes corresponde a uma experiência angustiante para todos os envolvidos. A atenção cuidadosa do médico pode ser de grande ajuda, mesmo em ocasiões nas quais é impossível proporcionar medidas curativas.

Kapelin denominou a demência mais freqüentemente encontrada em homenagem a Alois Alzheimer, que havia descrito as características clínicas e as manifestações patológicas de demência numa mulher de 51 anos no início do século XX. Durante muitos anos, a doença de Alzheimer foi considerada uma forma pré- senil de demência, limitada a indivíduos com sintomas que se iniciavam antes da idade de 65 anos. No entanto, análises clínicas, patológicas, ultra-estruturais e bioquímicas subseqüentes indicaram que a doença é idêntica à demência senil mais comum, que se inicia depois dos 65 anos.

As manifestações da doença de Alzheimer evoluem uniformemente desde os primeiros sinais de alteração da memória a perda cognitiva grave. A evolução é progressiva, terminando inevitavelmente em incapacidade completa e morte. Ocorrem por vezes períodos de estabilização, em que o distúrbio cognitivo não se altera por um ou dois anos, mas a evolução é geralmente retomada.

Comprometimento da memória para informações recém-adquiridas é a queixa inicial mais comum, enquanto a memória para eventos remotos permanece relativamente inalterada no início da doença. Com a evolução, um distúrbio da linguagem, do raciocínio abstrato e da função executiva ou da tomada de decisões é relatado por ocasião do questionamento específico. Depressão com insônia ou anorexia ocorre em 5% a 8% dos pacientes com doença de Alzheimer sem relação com a sua gravidade, e humor deprimido pode ocorrer paralelamente com início do declínio da memória. Delírios e comportamentos psicóticos aumentam com a evolução da doença de Alzheimer e são persistentes em 20% dos casos. Agitação pode coexistir em até 20% dos casos, aumentando com a doença avançada. Alucinações ocorrem em freqüência semelhante e podem ser visuais ou auditivas.

À exceção do estado mental, o exame neurológico geralmente é normal, mas sinais extrapiramidais, incluindo rigidez, bradicinesia, marcha de pés arrastados e alterações posturais, são relativamente freqüentes na doença. As funções motoras e sensitivas primárias são nos demais aspectos poupados. O achado de anormalidades oculomotoras, cerebelares e dos nervos periféricos, no exame físico, fala enfaticamente a favor de alguma forma de demência.

 

Diagnóstico

            Os critérios para o diagnóstico da doença de Alzheimer foram estabelecidos por um esforço conjunto do National Institute of Neurological and Communicative Disorders and Stroke e do Alzheimer’s Disease and Related Disorders Association em 1984 e são designados como critérios NINCDS – ADRDA. Eles incluem história de deterioração progressiva na capacidade cognitiva na ausência de outros problemas neurológicos e clínicos conhecidos. Testes psicológicos, estudos de imagens cerebrais e outros critérios estabelecem três níveis de certeza diagnóstica. A designação de doença de Alzheimer “definida” é reservada para as doenças confirmadas por autópsia. Se não houver nenhuma doença associada, a condição é designada como doença de Alzheimer “provável”; “possível” refere-se àqueles que satisfazerem critérios para demência, mas tem outra doença que pode contribuir para isso, como hipotireoidismo ou doença vascular cerebral. Comparando o diagnóstico clínico com o patológico, os critérios NINCDS – ADRDA proporcionam 90% de sensibilidade para o diagnóstico da doença de Alzheimer provável ou possível e 60% de especificidade. Em 2001, a American Academy of Neurology endossou e ampliou esses critérios como o padrão de cuidado para médicos em atividade.

            Não há alterações específicas nos exames laboratoriais de rotina. O LCR está normal, mas pode haver ligeiro aumento no conteúdo de proteínas. Determinação da proteína tau no LCR tem sido usada no diagnóstico diferencial da doença de Alzheimer. Tau é necessária para a estabilização de microtúbulos nos axônios de neurônios. Na doença de Alzheimer, tau torna-se hiperfosforilada e é detectada em concentração mais altas no LCR que em indivíduos sadios ou naqueles com outras formas de demência. Essas medidas estão disponíveis comercialmente, mas não são muito usadas porque punção lombar é considerada invasiva e os testes, individualmente ou combinadas, carecem de sensibilidade e especificidade suficientes para a prática clínica. Testes neuropsicológicos ainda é o método mais confiável para a detecção de alterações cognitivas mínimas ou sutis no início da doença.

            Os radioligandos atualmente usados podem fixar o amilóide, que pode ser então visualizado com PET. É possível detectar a carga amilóide em pacientes com doença Alzheimer.

            Embora uma RM ou TC seja recomendada como parte da investigação inicial de pacientes com suspeita de doença Alzheimer, esses testes são solicitados para afastar outras causas de demência. Até aqui a aquisição de imagens cerebrais não consegue, por si só, diagnosticar a doença de Alzheimer. Apesar disso, um exame de aquisição de imagens funcionais é ocasionalmente útil, sobretudo para distinguir a demência frontotemporal  da doença de Alzheimer. Estão em andamento estudos em grande escala, e nos próximos anos espera-se que alguma forma de estudo de imagens cerebrais, individualmente ou em combinações, surja como fidedigno na identificação da doença Alzheimer. Como a sensibilidade do diagnóstico da doença de Alzheimer em pacientes demenciados já é bastante alta, o estudo de imagens cerebrais pode contribuir das seguintes maneiras: melhorar a especificidade diagnóstica ao se defrontar com um paciente demenciado; melhorar nossa capacidade de detectar os estágios mais iniciais pré-demência da doença de Alzheimer; e mapear a evolução clínica da doença.

            Testes genéticos geralmente não são recomendados como testes diagnósticos para doença de Alzheimer. Entretanto alguns testes podem ser úteis no diagnóstico em famílias com as raras formas autossômicas dominantes de início precoce de doença de Alzheimer. Na doença de Alzheimer esporádica ou familiar de início tardio, o polimorfismo e4 do gen da apolipoproteina. E está associado a risco maior da doença, mas não proporciona sensibilidade ou especificidade suficiente para ser usado no diagnóstico e não é recomendado.

            Dois aspectos principais caracterizam a doença de Alzheimer placas extracelulares que consistem no péptide amilóide com 42 aminoácidos, é emaranhados neurofibrilares intracelulares. A autópsia revela que a astrologia cerebral por perda neuronal generalizada é difusa, porém é mais pronunciada nos lobos frontal pariental e temporal. No exame microscópio, há perda tanto de neurônios como de neurópila no córtex; por vezes, vê-se desmielização secundária na substância branca subcortical. A morfometria quantitativa sugere que a perda celular mais precoce dá-se na região entorrinal do lobo temporal medial.

            As placas neuríticas senis são lesões microscópicas esféricas com uma região central circundada por terminações axonais dilatadas (neuritos). O péptide deriva das proteínas percursoras amilóide, uma proteína transmembrana presente na maioria dos tecidos. Uma região PPA situa-se num domínio intramembranosos de organelas intracelulares em neurônios, e se considera que proteases, designadas como secretases, são responsáveis pela clivagem de um local situada no domínio membranoso. Essa proteína é submetida a proteólise. Na doença de Alzheimer, o material amilóide é depositado em torno dos vasos meníngeros e cerebrais e na substância branca. Os depósitos na substância branca são multifocais, coalescendo em estrutura miliares  afetando diferencialmente os diversos lobos cerebrais e cerebelares e as diversas lâminas corticais.

            Os emaranhados neurofibrilares são estruturas intracimplasmáticas nos neurônios. A microscopia eletrônica mostra filamentos helicoidas pareados de uma proteína designada como tau . As proteínas dos microtúbulos proporcionam sustentação para os neurônios e nutrientes transportados por um conjunto de microtúbulos mantidos unidos pela tau, que se liga a uma proteína de sustentação denominada tubulina. Na doença de Alzheimer, a tau agrega-se devido a hiperfosforilação, presumivelmente por causa da agregação do extracelular. Depois de se agregar, a tau forma filamentos helicoidais pareados retorcidos reconhecidos como emaranhados neurofibrilares. Embora não sejam específicos da doença de Alzheimer, os emaranhados neurofibrilares ocorrem primeiro na formação hipocampal; posteriormente, eles podem ser vistos por toda a extensão do córtex cerebral.

            Outras características da doença de Alzheimer incluem degeneração granulovacuolares de células piramidais do hipocampo e angiopatia amilóide. O corpo de Hirano, um corpo semelhante a um bastonete contendo actina num arranjo paracristalino, foi descrito pela primeira vez no complexo demência-Parkinsonismo Guamaniano, essas inclusões neuronais também são encontradas na doença Alzheimer. Alguns investigadores acham que o declínio cognitivo correlaciona-se não com número aumentado de placas, mas sim com diminuição na densidade de botões pré-sinápticos dos neurônios piramidais, especialmente no neocórtex frontal médio. Alterações ateroscleróticas estão ausentes ou são pouco conspícuas em muitos casos.

            Do ponto de vista bioquímico, a alteração mais consistente é uma redução de 50% a 90% na atividade da colina-acetil-transferase, a enzima da biossíntese de acetilcolina, no córtex cerebral e no hipocampo. Esta enzima é encontrada em neurônios colinérgicos, e há uma perda seletiva de neurônios colinérgicos, especialmente da via de projeção colinérgica, de núcleos profundos no septo próximo à faixa diagonal de Broca ao hipocampo e do vizinho núcleo basal de Meynert ao córtex cerebral. Entre os subtipos de receptores colinérgicos, um receptor muscarínico pré-sináptico – mostra ligação diminuída no cérebro de pacientes com Alzheimer. A gravidade da perda cognitiva é mis ou menos proporcional à perda de colina-acetil-transferase. Há um conteúdo diminuído do fator de liberação de corticotropína e de somatostarina, ambos os quais são encontrados em neuritos em degeneração da placa neurítica. Os neurônios glutaminérgicos constituem muitos dos grandes neurônios perdidos no córtex cerebral e no hipocampo, e há perda variável de sistemas serotoninérgicos e adrenérgicos ascendentes e descendentes.

 

Epidemiologia

            Antes da idade de 65 anos, a prevalência, ou a proporção, de indivíduos com Alzheimer é inferior a 1%, mas ela aumenta rapidamente para algo entre 5% e 10% à idade de 65 anos e até 30% a 40% à idade de 85 anos ou mais. A duração média dos sintomas até a morte pode ser de 10 anos, com uma variação de 4 a 16 anos. A duração da doença tende a ser maior em mulheres do que em homens. A incidência da doença de Alzheimer também é ligeiramente mais alta em mulheres, especialmente depois dos 85 anos. Em famílias com pelo menos um indivíduo afetado, as mulheres que são familiares de primeiro grau têm maior risco em toda a vida de desenvolver doença de Alzheimer que os homens.

 

Base Genética da Doença de Alzheimer

            Muitas famílias com doenças de Alzheimer autossômica dominante já foram descritas. Irmãos de pacientes têm o dobro do risco de desenvolvimento da doença esperado em toda a vida. Assim também, gêmeos monozigóticos têm uma concordância significativamente mais alta para doença de Alzheimer que gêmeos dizigóticos. Mutações em três genes, o gem PPA no cromossomo 21, o gen pré-senilina 1 no cromossomo 14 e o gen pré-senilina 2 no cromossomo 1, acarretam uma forma autossômica dominante da doença que começa já na terceira década de vida. A existência de 135 mutações diferentes sugere que esta pode ser a forma mais comum de doença de Alzheimer familiar de início precoce. Mutações nesses três genes são responsáveis por cerca de metade das formas familiares de doença de Alzheimer de início precoce e podem ser consideradas como determinísticas, devido à correspondência praticamente total entre o genótipo e o fenótipo.

            Nos últimos cinco anos, estudos de ligação e associação genética forneceram evidências quanto a lócus adicionais que produzem suscetibilidade à doença de Alzheimer. Parece haver um forte consenso quanto a ligação nos cromossomos 10q e 12 – 22 e 12p 11-12. Outro lócus no cromossomo 9p foi ligado à doença de Alzheimer e foi confirmado por exames de autopsia. Diversos estudos de casos controles e um estudo de ligação genética associaram alelos variantes na região do cromossomo 6p21 do complexo de himocompatibilidade maior. Polimorfismos em HLA-2ª e no fator de necrose tumoral foram associados à doença, porém de modo inconsistente e sem um mecanismo identificado.

 

Outros Fatores de Risco

            Embora de modo inconsistente, a doença de Alzheimer também foi associada a lesões traumáticas crãneoncefálicas, níveis baixos educacionais, idade paterna por ocasião do nascimento, tabagismo e síndrome de Down num familiar de primeiro grau. Em vários estudos de observação, o uso de terapia de reposição estrogênica em mulheres pós-menopausa e o emprego regular de drogas aninflamatórias tanto em homens como em mulheres foram associados a riscos mais baixos de doença de Alzheimer. Ensaios clínicos não confirmaram um efeito protetor por parte do estrogênio, mas estão sendo realizados anualmente ensaios clínicos para determinar se as drogas antinflamatórias não esteróides são ou não eficazes na prevenção da doença.

 

Tratamento

            Os inibidores da colinesterase constituem atualmente os mais proeminentes tratamentos aprovados pela Food and Drug Administration dos EUA para doença de Alzheimer e são considerados o padrão de cuidado para doença discreta a moderada. Essas medicações diminuem a hidrólise da acetilcolina liberada pelo neurônio pré-sináptico na fenda sináptica por inibição da acetilcolinesterase, ocasionando estimulação do receptor colinérgico. Já se dipõe de quatro inibidores da colinesterase: tacrina, donepezil, rivastigmina e galantamina. O uso de tacrina é limitado por sua hepatotoxicidade. Os outros inibidores da colinesterase exerceram efeitos modestos sobre o desempenho cognitivo em suas doses máximas recomendadas por períodos de até 2 anos. A eficácia dessas medicações sobre as conseqüências funcionais da doença não é muito eficaz.

            Memantina foi o primeiro antagonista de N-metil-Daspartato usado no tratamento da doença de Alzheimer moderada a grave. A droga pode interferir na excitotoxicidade glutamatérgica e aumenta a função hipocampal nos neurônios remanescentes. Tanto tocoferol como selegilina são apontados como retardadores do aparecimento dos estágios mais avançados da doença de Alzheimer. Ao contrário da selegilina, o tocoferol não interage com outras medicações, possibilitando que seja usado na maioria dos pacientes sem receio. Drogas psicotrópicas são freqüentemente usadas no tratamento de agitação, delírios e psicose na doença de Alzheimer. Na depressão praticamente todas as drogas têm eficácia semelhante, mas há apenas poucos estudos controlados randomizados como base para se tomar decisões terapêuticas.

 

A Morte na Psicologia e na Psicanálise

            De acordo com Freud a morte é o conjunto de pulsões agressivas que operam no ego com a finalidade de destruir a vida. Esse instinto geral de negação e de regressão ao estado inorgânico manifesta-se através da compulsão de repetição do ciclo de vida normal, cuja finalidade é a morte. O instinto de morte (Thanatos), o id (instintos sexuais) ou instinto de vida (Eros) foram considerados responsáveis pela evolução da teoria freudiana das pulsões, como base nos conflitos emocionais que se geram no indivíduo em  resultado das finalidades opostas dessas forças primitivas e antagônicas (Cabral, 1971).

            Freud começou por estabelecer a dicotomia entre instintos de autoconservação e instintos sexuais; depois, diferenciou entre os instintos do ego e os instintos sexuais, até que, não vendo plenamente corroboradas essas distinções, acabou definindo “os dois instintos básicos de todo o comportamento humano”, em 1920. Em seu livro Além do Princípio do prazer, obteve uma concepção que atingiu plena elaboração três anos depois, com a publicação de O Ego e o Id (1923). Freud deixou bem claro que suas conclusões sobre Eros e Thanatos tinham caráter essencialmente clínico. Em seu livro, Para Além do Princípio do Prazer, assinala que a origem do seu conceito de instinto de morte se deve à análise dos sonhos de pacientes que sofriam de neuroses traumáticas e, em Novas Preleções Introdutórias sobre Psicanálise (Cabral, 1971).

            Os conceitos Eros e Thanatos são importantes para o estudo da própria sociedade, na medida em que a expressão psicológica do instinto de vida é o amor, as tendências construtivas e o comportamento cooperativo do Homem, o impulso essencial de união (Eros [e a força que une, dizem poetas e psicanalistas); ao passo que o instinto de morte se expressa nas tendências negativistas e destrutivas, no ódio e na aversão ao estabelecimento das boas relações, quer intrapsiquícas quer sociais.

            Kastenbaum & Costa (1977), fundamentados em suas pesquisas sobre o entendimento da morte em crianças, esclarece que existem três estágios de entendimento da morte do ponto de vista psicológico: o primeiro, abaixo de cinco anos, é um estágio onde a criança “se permite ter” uma falta de provas da morte como um fim ou cessar, o segundo, entre cinco e nove anos, têm a apreensão da morte como um fim, porém esta poderá ser entendida como uma ilusão, ela não é inevitável; e a terceira, em torno dos nove, dez anos em diante, têm o significado da morte como um fim inevitável. A expectativa de ser mortal parece aceita. O autor pressupõe então que a partir dessa idade o Homem já entenderia a morte como um decurso natural da vida.

            May, (1974), define a compreensão da morte afirmando que “a vida não é verdadeiramente compreendida, nem completamente vivida a não ser que a idéia da morte seja encaradda com honestidade”, ou seja, não tem como desvincular a vida da morte. Segundo ele, não se pode ter uma boa morte se não se tiver uma boa vida. Esta afirmação faz com que Knobel (1977) veja a morte como “indelével companheira da vida”. Deste modo, a morte não pode ser vivenciada a não ser como “fantasias”, tanto na acepção comum do termo quanto na Psicanálise, em nível do inconsciente. Freud (1915) conclui que “no inconsciente, todo mundo está convecido de sua própria imortalidade”, e acrescenta que é comum as pessoas sentirem pesar pelas pessoas que têm doenças terminais. Em seu entendimento, sentiríamos muita pena delas, mas essa pena, na realidade psicológica, é às vezes, uma pena projetiva, é a preocupação pela nossa própria morte, que então transferimos para a pessoa que vai morrer. Freud (1926) reafirma que no inconsciente nada existe que possa dar algum conteúdo a nosso conceito de aniquilação da vida, mas se expõe às mais severas críticas ao postular um verdadeiro “instinto ou pulsão de morte”, afirmando que o objetivo de toda a vida é a morte. Já a escola Kleiniana aceita que a “fantasia da morte” exista como “fantasia de aniquilamento” e que, portanto, o medo da morte é real.

            Na tentativa de ajudar aos profissionais de saúde a entenderem melhor este cessar biológico, surgiu Elizabeth Kubler-Ross (1969), enriquecendo esta área com seus conhecimentos, derivados de pesquisas que realizou com seus pacientes. Segundo ela, o Homem quando enfrenta a morte, passa por cinco estágios de atitudes. O primeiro, chamado por ela de Negação e Isolamento, seria identificado como uma defesa temporária que funciona como um pára-choque com o objetivo de deixar que o paciente se recupere com o tempo, mobilizando outras medidas menos radicais. O segundo estágio, referido como Raiva, pode ser definido como sendo o momento em que não se pode mais manter a negação, sendo então substituída pela raiva, revolta e inveja direcionadas para várias direções sem razão aparente. O terceiro estágio chamado de Barganha, foi definido como sendo uma tentativa de adiamento, nesta etapa é preciso incluir um prêmio oferecido por “ bom comportamento”, sendo estabelecida uma “meta” que o indivíduo se impõe, prometendo que não haverá outro pedido de adiamento, caso o primeiro seja concedido. O quarto estágio, classificado pela pesquisadora de Depressão, é identificado quando a pessoa não tem mais como negar a sua doença. Neste estágio não dá mais para ficar alheia, a raiva já não existe e o que se instala em seu lugar é um sentimento de perda. Por fim, o quinto e último estágio, classificação como Aceitação, acontece quando a pessoa já vivenciou todos os estágios anteriores e tendo obtido a ajuda necessária para o atendimento da sua dor, poderá visualizar o seu fim, que estará próximo, com certa tranqüilidade. Kubler-Ross nos adverte que ao analisarmos estes estágios poderemos também considerar as reações emocionais e afetivas das pessoas que lidam com essa clientela.

 

Aspectos Sociais e Culturais da Morte

            Apesar de intelectualmente todos saberem, pelo menos a partir da segunda metade da infância, que um dia irão morrer, muitos acreditam que irão viver até a velhice. Esta idéia, geralmente inconsciente, causa perplexidade na maioria das pessoas, quando repentinamente são defrontados com a possibilidade de morrerem “prematuramente”. Nesse caso, a aproximação da morte é considerada “muito cedo” as pessoas se sentem prejudicadas em sua longevidade, que representa para elas um direito inato. Essa resposta é mais forte nos jovens, que desanimam, quando morrem os parentes e amigos mais chegados, quando acontece de terem uma doença grave e acreditam ter muito que fazer na vida (Stedeford, 1996).

            Algumas pessoas religiosas envergonham-se de sentir medo da morte, o que pode ser considerado também uma questão cultural. Acham que estão desapontando a Deus e à Igreja, se revelarem o seu sentimento. Dizem que o “Amor Divino expulsa o medo”, e a ansiedade significam para elas a não aceitação do amor de Deus ou que não confiaram suficientemente Nele e, desta maneira, os medrosos sentem-se culpados.

Segundo Jaspers (1973), tais pessoas não consideram que Deus pode nos ter dado o medo da morte como parte do nosso equipamento para viver. Acrescenta que o medo pode representar o outro lado do seu instinto de vida, induzindo o indivíduo a cuidar de si e a não se arriscar sem necessidade.

            No entendimento de Adler (1961), o medo existencial da morte, de deixar de ser, encontra-se no fundo de cada pessoa e, em geral, permanece inconsciente. Ele considera que a presença da morte influencia, profundamente, o comportamento das pessoas, quando o seu conhecimento torna-se inevitável em uma doença terminal, concordando assim com o entendimento de Freud de que as pessoas nunca acreditam mesmo na possibilidade de que poderiam deixar de existir.

            Kubler-Ross (1969), em seus estudos, também confirma que é quase impossível imaginar o próprio Self morto; em qualquer tentativa, a pessoa torna-se um mero espectador da cena, assistindo a tudo de algum lugar. A autora esclarece que esta incapacidade de imaginar-se sendo morto pode estar por trás do medo que algumas pessoas têm de cremação. Elas não estão confiantes de que não irão sentir o calor do forno. Do mesmo modo, alguns temem ser enterrados como mortos, quando realmente não estiverem. Esses medos são reforçados por relatos ocasionais de pacientes em coma profundo (pessoas que, geralmente, estão sob efeitos de uma dose muito forte de drogas) as quais são levadas, por engano, para um necrotério, onde são notadas por estarem respirando ou se mexendo. Os pacientes que chegam a este grau de inconsciência, segundo Aring (1966), na verdade, raramente vivem muito ou mesmo sobrevivem inconscientes, por muito tempo. O pesquisador adverte que essa espécie de medo acontece no início da doença, quando o paciente ainda está entrando em acordo com a morte. Quando o doente descobre, através das mudanças no seu próprio corpo e sentimentos, que está morrendo e confia naqueles que estão cuidando dele, esse medo tende a diminuir.

            Em alguns pacientes com doenças graves, os medos relacionados com o processo de morrer causam um sofrimento muito mais evidente do que o medo da morte propriamente. A idéia do paciente sobre a morte origina-se, com freqüência, das lembranças da morte de algum parente próximo ou amigo. Se foi dolorosa ou assustadora, ele considera todas as mortes iguais, sobretudo se ele está com a mesma doença (Bakan, 1966).

            O medo da dor é outro aspecto a ser considerado, segundo Fletcher (1960), porque ele considera que o mais comum de todos os medos é que a morte seja dolorosa. A frase “morreu em agonia” parece estar gravada na mente de algumas pessoas, motivando uma expectativa, que no fundo talvez não se confirme. Aqueles que sofreram muita dor, que não foi levada a sério ou tratada de forma insatisfatória, têm mais razão para sentir medo. Mesmo quando sua dor foi inteiramente controlada por algum tempo, eles são levados a acreditar que a aproximação da morte está associada a uma piora, fazendo com que eles se sintam deprimidos.

            Bell (1966), avançando em relação aos estudos de Fletcher, considera que o curso da morte envolve a perda progressiva do controla sobre a própria vida. Segundo ele, ainda que seja parcialmente ilusório, nós gostamos de sentir que controlamos o que nos está acontecendo e também gostamos de escolher o que fazer e quando fazê-lo. Em seu entendimento, isto se desgasta progressivamente à medida que uma pessoa é forçada pela doença a desistir do seu trabalho. Então, uma após outra, diluem-se as demais atividades que lhe asseguravam vários papéis. O pesquisador adverte que cada uma dessas perdas deve ser lamentada; porém, muitas pessoas, especialmente se forem compreendidas e apoiadas por amigos, familiares ou profissionais de saúde que cuidam deles, adaptam-se “surpreendentemente” bem e não perdem a sua auto-estima, possibilitando assim continuar a tomar muitas decisões por si mesmas na medida do possível. O pesquisador salienta que isso as ajuda a preservarem o senso do poder.

            Mais assustador do que a perda do controle dos acontecimentos externos e das atividades dos outros é a perda do controle das funções corporais e mentais. Quando isso começa, os pacientes talvez sintam que estão, realmente, desintegrando-se, aqueles que foram mais independentes são os mais afetados. Tendo feito muitos esforços para lutar toda a vida, alguns deles se menosprezam por considerarem essa falha uma falta de força de vontade. Este aspecto foi possível observar na maioria dos pacientes em fase terminal.

 

Crenças em Relação à Morte

            Toda religião se preocupa em explicar a origem da ordem do mundo natural, e também do mundo humano, no caso dos seres humanos, precisa ainda explicar porque são mortais. O mistério da morte, segundo Chauí (1996), é sempre explicado como “expiação de uma culpa original”, cometida contra os deuses. Dentro desta concepção, no princípio, os homens teriam sido imortais e vivido em companhia dos deuses até uma transgressão ser cometida, tendo recebido, como punição, a perda da imortalidade.

            No entanto, dentro dessa interpretação, a imortalidade não está totalmente perdida. Algumas religiões afirmam que o corpo humano possui um “duplo”, feito de outra matéria, que permanecerá após a morte, usando outros seres para relacionar-se com os vivos. O pensamento religioso se baseia na crença de que o corpo é habitado por uma entidade, espírito ou alma, sombra imaterial, sopro, que será imortal se os decretos divinos e os rituais tiverem sido respeitados pelo crente. Por acreditarem numa outra vida, que pode ocorrer imediatamente, após a morte do corpo, ou exigir reencarnações purificadoras até alçarem-se à imortalidade, as religiões possuem ritos funerários, encarregados de preparar e garantir a entrada do morto na outra vida.

            Em algumas religiões, como na egípcia e na grega, a perfeita preservação do corpo morto, isto é, de sua imagem, era essencial para que fosse reconhecido pelos deuses no reino dos mortos e recebesse a imortalidade. Por isso, além dos ritos funerários, os cemitérios, na maioria das religiões e particularmente nas africanas, indígenas e antigas ocidentais, eram lugares sagrados, campos santos, nos quais somente alguns, e sob certas condições, podiam penetrar.

            Nas religiões do encantamento, como nas africanas e indígenas, a morte é concebida de diversas maneiras, mas em todas elas o morto fica encantado, isto é, torna-se algo mágico. Na indígena, o morto deixa seu corpo para entrar num outro e permanecer no mundo, sob formas variadas; ou deixa seu corpo e seu espírito permanecer no mundo, agitando os ventos, as águas, o fogo, ensinando cantos aos pássaros, protegendo as crianças, ensinando aos mais velhos, escondendo e achando coisas. Na africana, o morto tem sua imagem ou seu espírito levado ao mundo divino, ali desfrutando das delícias de uma vida perenemente perfeita e bela; se, porém, suas faltas terrenas foram tantas e enormes que não pôde ser perdoado, sua imagem ou espírito vagará eternamente pelas trevas, sem repouso e sem descanso. O mesmo lhe acontecerá se os rituais fúnebres não puderem ser realizados ou se tiverem sido realizados com falhas. Esse perambular pelas trevas não existe nas religiões de reencarnação, porque, em lugar dessa punição, o espírito deverá ter tantas vidas e sob tantas formas quantas necessárias à sua purificação, até que possa participar da felicidade perene.

            Nas religiões da salvação, como é o caso do Judaísmo, do Cristianismo e Islamismo, a felicidade perene não é apenas individual, é coletiva também. São religiões em que a divindade promete perdoar a falta originária, enviando um salvador, que, sacrificando-se pelos humanos, garante-lhes a imortalidade e a reconciliação com Deus.

            Como a falta ou a queda originária atingiu a todos os humanos, o perdão divino e a redenção decorrente de uma decisão divina, que deverá atingir a todos os humanos, se acreditarem e respeitarem a lei divina escrita nos textos sagrados e se guardarem a esperança na promessa de salvação são realizados por um enviado de Deus, um Messias. As religiões da salvação messiânicas e de difusão coletiva. Um povo, povo de Deus, será salvo pela lei e pelo enviado divino.

            O fato é que apesar de todos os estudos, pesquisas e diferentes crenças religiosas, nenhum avanço existiu até agora sobre um entendimento real da morte; definições e conceitos são criados, mais todos deixam questões importantes sem resposta. A Medicina vem tendo sucesso em vários campos, trazendo grandes possibilidades de esclarecimento, progressos em relação à restauração de células, transplantes de órgãos vitais e clonagens de órgãos, porém no que diz respeito à morte e o morrer não houve progresso significativo, tanto em sua compreensão quanto em seu retardamento ou supressão temporária. Portanto, este tema continua presente na Medicina, interessando a profissionais de saúde e a todos nós.

            A cada epidemia que aparece a cada descoberta de um novo vírus, a cada desafio da Medicina, que abrevia a vida humana, renasce a temática e questiona-se a morte e o morrer.

 

Os Profissionais de Saúde

            Os Profissionais de equipes médicas prestam cuidados de preservação e manutenção da vida. Ao realizar esse trabalho, esses profissionais precisam compreender o que a saúde e a doença provocam no corpo/mente. Por esse motivo, as equipes médicas são constituídas por uma variedade de profissionais especialistas com formação diversa, comprometidos com o favorecimento da saúde física e mental do paciente.

            Consideramos, inicialmente, o Auxiliar de Enfermagem, um profissional de nível técnico, que lida diretamente com o paciente administrando a medicação, cuidando de seu asseio e do controle de suas funções vitais, entre outras responsabilidades. Já o Enfermeiro é um profissional de nível superior que coordena a equipe de auxiliares, organiza a distribuição da medicação, orientando-os quanto aos cuidados que se fazem necessários junto a cada paciente, além de fazer anotações de procedimentos técnicos sob sua responsabilidade no prontuário. Lida diretamente com o paciente e, eventualmente, com a sua família. O Assistente Social, por sua vez, também é um profissional de nível superior, mas atua de forma mais estreita com a família do paciente e, eventualmente, com o paciente. Cabe a este profissional lidar com a ocupação de leitos, acompanhando os processos de afastamento funcional dos pacientes, orientando-os tanto quanto às suas famílias, providenciando transferências, remoções, transportes, indicando e mantendo contato junto à entidade de apoio aos doentes e os seus familiares. O profissional Psicólogo de nível superior atua diretamente com pacientes e suas famílias, auxiliando especialmente aos pacientes através de técnicas adequadas (atendimento psicológico individual ou de grupo), favorecendo a compreensão da situação que se lhes apresenta, possibilitando o apoio necessário para o enfretamento dos momentos posteriores ao diagnóstico da enfermidade constatada. Atua também em apoio a equipes e grupos de escuta. Temos, por fim o profissional Médico de nível profissional é aquele que administra o poder da cura. Diagnosticando a saúde ou a doença, em grande parte dos casos, comunicando aos pacientes e/ou parentes os diagnósticos, responsabilizando-se pela orientação terapêutica, prescrevendo e orientando os procedimentos junto a cada paciente sob sua responsabilidade.

 

Equipes de Saúde Frente à Morte

            Angerami (1997) compara o profissional de saúde a um “solista de orquestra”, que embora fazendo parte da mesma orque

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 3 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/medicina-artigos/o-idoso-e-alzheimer-1437804.html

    Palavras-chave do artigo:

    idoso

    ,

    demencia

    ,

    alzeimer

    Comentar sobre o artigo

    O câncer tem sido causa de morte em todo o mundo e motivo de preocupação para muitos. Contudo, um estudo publicado no jornal científico Células-tronco, apresentado como mais uma forma bem sucedida de combate ao câncer e esperança de cura para aqueles que convivem com a doença.

    Por: josi feitosal Saúde e Bem Estar> Medicinal 28/10/2014

    Muitas pessoas podem acabar por reclamar, ou até mesmo proclamar elogios com relação a saúde publica de sua região, no entanto também podemos verificar que acaba por ser considerado como comum o fato do que seria a saúde pública. Sendo assim, iremos falar agora mesmo o que seria, e até mesmo como funciona a saúde pública.

    Por: anamarial Saúde e Bem Estar> Medicinal 28/10/2014

    Muitas pessoas podem acabar por ter a necessidade de realizar um exame que seja considerado como complexo, no entanto podemos verificar que alguns destes exames acabem por causar uma determinada dúvida.

    Por: anamarial Saúde e Bem Estar> Medicinal 24/10/2014

    O Alzheimer modifica consideravelmente a vida das pessoas afetadas e dos seus familiares. As pessoas com Alzheimer estão, sobretudo em fases mais avançadas, física e cognitivamente muito comprometidas. Por isso, é particularmente importante para os doentes viverem num ambiente em que se possam movimentar com facilidade e segurança.

    Por: tkencasal Saúde e Bem Estar> Medicinal 24/10/2014

    A Mentalmédica é um Centro de Referência nas Áreas da Saúde Mental e Neurociências. Para a concretização dos seus objetivos a Mentalmédica inclui no seu Corpo Clínico Especialistas nas Áreas da Saúde Mental e Neurociências, assim como de várias outras áreas da saúde, que trabalham em Articulação Constante.

    Por: MENTALMÉDICAl Saúde e Bem Estar> Medicinal 23/10/2014

    Uma em cada quatro mulheres com doença inflamatória pélvica (DIP) tem sequelas a longo prazo. A infertilidade é uma delas – podendo afetar até 60% das pacientes depois de um episódio. Nos Estados Unidos, a DIP atinge 1,5 milhão de mulheres todos os anos.

    Por: Vítor Margatol Saúde e Bem Estar> Medicinal 22/10/2014

    As Hepatites são doenças de etiologia viral que acometem o fígado causando inflamação, cirrose e até câncer hepático.

    Por: Central Pressl Saúde e Bem Estar> Medicinal 20/10/2014

    É possível que em diferentes momentos as pessoas já tenham ouvido falar sobre a ressonância magnética, no entanto também é possível que poucos tenham conhecimento do que se trata realmente este exame.

    Por: anamarial Saúde e Bem Estar> Medicinal 17/10/2014
    Gilcenira Ataliba Esteves

    O presente estudo e pesquisa têm por objetivo investigar crenças relativas a uma real necessidade de um perfil psicológico para os profissionais de saúde que assistem ao portador do HIV e a seus familiares. A pesquisa foi realizada em uma amostra de 25 profissionais de saúde de diversas áreas. Os resultados obtidos foram analisados segundo a técnica de análise de conteúdo. Estes sugerem que além da aptidão que todo profissional da saúde precisa ter como característica pessoal para poder desenvol

    Por: Gilcenira Ataliba Estevesl Saúde e Bem Estar> Medicinal 14/12/2009 lAcessos: 1,952
    Gilcenira Ataliba Esteves

    Este artigo tem como objetivo chamar atenção para as doenças que a ansiedade e o estresse causam ao ser humano em nossos dias. Apresentar mecanismos para que, mesmo vivendo em meio à instabilidade, cada pessoa possa num processo de conhecimento de si mesmo encontrar os recursos necessários para enfrentar as dificuldades diárias.

    Por: Gilcenira Ataliba Estevesl Saúde e Bem Estar> Medicinal 29/08/2009 lAcessos: 4,409
    Gilcenira Ataliba Esteves

    Este artigo tem o objetivo de discutir sobre os aspectos psicológicos presentes na pessoa com excesso de peso, mostrando a relação entre o excesso de peso e os distúrbios emocionais, apresentando alguns estudos sobre a influência dos mecanismos para regular a ingestão do alimento: fome e apetite, da ansiedade, dos distúrbios, da imagem corporal e da sexualidade na dinâmica do excesso de peso, propondo a abordagem psicodinâmica para o atendimento psicológico do excesso e peso.

    Por: Gilcenira Ataliba Estevesl Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 09/08/2009 lAcessos: 2,536
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast