O papel do estresse e as manifestações psicossomáticas

Publicado em: 28/05/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 1,823 |
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O papel do Estresse e  as manifestações em Psicossomática

Resumo

Umas das grandes características dos seres vivos é a adaptação às alterações a que são submetidos. Desde a antiguidade afirmava-se que a sobrevivência dos seres vivos consiste no equilíbrio e harmonia dos elementos. Hipócrates definia de saúde como sendo um equilíbrio harmonioso dos elementos e das qualidades de vida e doença como desarmonia sistemática destes elementos. No século XX Cannon criou o termo homeostase, ampliando-o tanto a parâmetros emocionais quanto a físicos e Hans Selye utiliza o termo "estresse ", da Mecânica (ramo da física) para explicar as ações bilaterais ,ou mútuas, de forças que ocorrem em qualquer ponto do organismo e que um organismo ,ao ser exposto a um estímulo que ameace sua homeostase, reage através de esforço com o corpo todo e de forma uniforme e inespecífica, até novo equilíbrio ou de homeostase. A Síndrome Geral de Adaptação, fornece bases para o entendimento do estresse. Para Seyle , o estresse é uma resposta inespecífica que o organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço para a adaptação. Atualmente sabemos que o estresse envolve todo o sistema neuro endócrino, que é modulado pelo eixo HPA e o Límbico. Doenças como o câncer,auto imunes entre outras são iniciadas e afetadas diretamente pelo estresse ,também as alterações de crescimento bacteriano pela utilização das catecolaminas liberadas. A abordagem psicossomática permite atitudes terapêuticas mais eficientes diante das respostas ao estresse.

Introdução

Umas das grandes características dos seres vivos é a sua adaptação às alterações a que são submetidos.

Heráclito,criou um sistema filosófico (535 a 475 AC.) que discutia a mutabilidade das coisas aonde tudo muda a todo instante, "nada nem ninguém é o mesmo entre dois instantes".

Segundo ele "toda a ideia de uma coisa que persiste é apenas ficção, pois do mesmo modo que o rio em que nos banhamos hoje não é senão a aparência do rio de ontem".(1)

Foi o primeiro a sugerir que um estado estático, sem alteração, não era condição natural dos organismos vivos ,nos trazendo a ideia da constante mutação da qual fazemos parte como elementos ativos e passivos.

De certa forma seus conceitos dão a dimensão real da incerteza do viver, contrapondo-se a rigidez matemática dos Pitagóricos que baseavam sua doutrina na exatidão, na harmonia e no equilíbrio de todas as coisas e que a melhor maneira de exprimi-las é colocar nos números e nas matemáticas a essência de tudo.(2)

A grande contribuição, se assim podemos dizer, de Heráclito às ciências é o principio da mutabilidade e do não determinismo.

Empédocles avança os conceitos de Heráclito e propõe que a condição necessária para a sobrevivência dos seres vivos consiste no equilíbrio e harmonia dos elementos num estado de oposição dinâmica.

Usando esta linha de raciocínio,Hipócrates define saúde como sendo um equilíbrio harmonioso dos elementos e das qualidades de vida e doença como desarmonia sistemática destes elementos.

Sugere que as forças que provocam a desarmonia - a doença - têm sua origem nas fontes naturais e não de fontes sobrenaturais e que as forças de contra equilíbrio ou adaptativas eram também de origem natural (3)

Thomas Sydenham, no período da Renascença, amplia o conceito de Hipócrates quando a define a doença como uma desarmonia sistemática trazida à tona devido às forças perturbadoras , sugerindo que uma resposta adaptativa a estas forças poderia acarretar alterações patológicas.

No século XIX, ao tornar mais ampla a noção de harmonia ou de estado de estabilidade, Claude Bernard, introduz o conceito do  princípio de um equilíbrio fisiológico interno dinâmico (4) .

No século XX ( década de 30) Walter Cannon criou o termo homeostase, ampliando-o tanto a parâmetros emocionais quanto a físicos.

Através de suas pesquisas com animais percebeu que, quando estes eram submetidos a estímulos que ameaçavam sua homeostase (equilíbrio),estes se preparavam para "a luta ou fuga" ( o famoso F&F ,ou seja figth or fligth).

Além disso manifestavam alterações somáticas ,que sabemos atualmente serem causadas por descargas adrenérgicas da medula da supra-renal e de noradrenalina em fibras pós-ganglionares.

Partindo destas descobertas, Cannon desenvolveu uma teoria sobre " a relação entre emoções e alterações fisiológicas e hormonais, enquanto função adaptativa do organismo às solicitações ou agressões externas" (5).

Ainda na década de 30, Hans Selye, endocrinologista,passa a utilizar o termo "estresse ", da Mecânica (ramo da física) para explicar as ações bilaterais ,ou mútuas, de forças que ocorrem em qualquer ponto do organismo (novamente utilizando o auxilio da física Newtoniana e sua Lei da ação e reação).Demonstrou que um organismo vivo ,ao ser exposto a um estímulo que ameace sua homeostase, reage através de um esforço com o corpo todo e de "forma uniforme e inespecífica, para buscar uma nova situação de equilíbrio ou de homeostase.

A este fenômeno, Selye denominou de Síndrome Geral de Adaptação,que forneceu bases para o entendimento do estresse. Para Seyle , o estresse é uma resposta inespecífica que o organismo "desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço para a adaptação" (6) .

De acordo com Seyle ,a Síndrome Geral de Adaptação possui três fases sequenciais:

  • a de alarme,

  • a de resistência

  • a de exaustão

Mas, para que o estresse ocorra, não é necessário que a Síndrome de Adaptação Geral vá até o final e alerta para que se a reação desse organismo vivo ao agente agressor for muito intensa ou se o agente do estresse for muito potente e/ou prolongado, poderá haver, como consequência, doença ou maior predisposição ao desenvolvimento da doença" (7).

Holmes et Rahe, partem da noção inicial do estresse e elaboraram um instrumento de mensuração, que consiste de uma escala onde os eventos da vida ou "life events" são pontuados em função do esforço adaptativo que exigem (Life Change Units ou LCU). (8)

É importante que se diga que, ainda em nossos dias, as respostas ao estresse são inespecíficas. Elas descrevem as reações orgânicas e bioquímicas causadas pela exposição ao estresse. Sabemos que as formas de se perceber o estresse como tal é individual e conjuntural aos organismos vivos, tal qual as respostas emitidas.

Nosso modus vivendi e operandi com os agentes estressores dependem do nosso desenvolvimento e adaptação psicológicas ( e aí englobo aspectos emocionais,espirituais,sociais), portanto me é licito afirmar que ,no adoecer ,o estresse passa a ter uma importância não só etiológica ( aquilo que causa, que permite ou facilita o evento), mas também fisiopatológica (como funciona o evento patológico nesse hospedeiro).

Como cada um de nós interpreta e gradua o estresse de forma individual (como percebo e interpreto) e conjuntural ( a influencia do meio no instante inicial da instalação da doença) ,podemos concluir que cada um de nós pode manifestar sintomatologias especificas e particulares da mesma doença,que indicariam os caminhos da nossa susceptibilidade à mesma.

Pesquisadores da University of Connecticut School of Medicine- UCSM (EUA) e colaboradores chineses demonstraram cientificamente pela primeira vez que existe uma relação direta entre o câncer e o estresse.
Eles afirmam que as células atingidas pelo estresse podem emitir sinais que levam à indução para geração de tumores que afetam às células sadias vizinhas.(9)

Até este trabalho, sabia-se que as inflamações crônicas,uma das causas-chave do estresse, estão associadas ao crescimento dos tumores em doentes de câncer.

Uma parte da comunidade científica argumenta que as emoções negativas, os hormônios do estresse, as inflamações e o câncer podem estar inter-relacionados, embora ainda não exista uma evidência clara.

Esses pesquisadores da UCSM centraram o trabalho na atividade de dois genes mutantes que causam cânceres.

Um deles é o RAS, que está envolvido em 30% dos casos da doença, e o outro é um gene supressor dos tumores que, quando se apresenta de maneira defeituosa, propicia o desenvolvimento do câncer.
Mas,surpreendentemente, nenhum gene RAS mutante e nenhuma versão mutante do gene supressor podem por si só causar um câncer!
Existe um consenso de que as mutações genéticas causadoras do câncer só afetam individualmente as células. Mas no estudo da UCSM observou -se que nem sempre é assim,pois diferentes mutações em células distintas podem colaborar no desenvolvimento dos tumores.

Pode-se concluir que o estresse é o fator determinante que aumenta a união celular, gerando proteínas marcadoras, para poder passar de célula para célula.

Infelizmente, este estudo demonstra que o desenvolvimento e as metástases dos canceres é mais fácil do que se pensava, pois constatou -se que essa maior probabilidade de mutações facilita atingir várias células distintas do que em uma só.

Por outro lado, a boa notícia é que também é possível identificar uma nova via potencial para deter o câncer, e até possível bloquear a origem do sinal de estresse que as celulas recebem.

O professor Tian Xu, da University of Connecticut School of Medicine (EUA), principal responsável pela pesquisa, manifestou que estas "são más notícias", porque "há uma grande variedade de condições que podem desencadear o estresse físico e emocional, assim como as infecções e as inflamações".
"Um melhor entendimento do mecanismo subjacente na geração do câncer sempre oferece novos instrumentos para combater a doença", destacou o professor Wu.

O estresse emocional ou psicológico é reconhecido como fator de risco para as doenças periodontais(10) e fator de predisposição para a GUNA ( gengivite ulcero-necrosante aguda); os estresses financeiros e escolares são citados como agravantes da inflamação e da degradação dos tecidos periodontais nas doenças periodontais (11-13).

Eles causam efeitos significantes na resposta imune através do envolvimento dos sistemas nervoso central, neuroendócrino e os responsáveis pela imunidade.

Nas respostas imunes induzidas por sinais de estresse no SNC ,dois caminhos, principais são usados:

-Fibras dos nervos simpáticos do sistema nervoso autônomo simpático.

-Eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal.

A liberação da norepinefrina pelas fibras do sistema nervoso simpático e células da medula das supra-renais regula a diferenciação e funções dos linfócitos e a produção das citokinas sugerindo que o estresse induzido pela norepinefrina regula as respostas imunes celulares (11,13).

No eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal, o cortisol ( é um glicocorticoide que é liberado pelo córtex da adrenal, pela ação endócrina dos hormônios), regula o número de células inflamatórias em circulação ou em locais inflamados e inibe as ações fisiológicas dessas células(11-13).

Há estudos mostrando que o estresse emocional ou psicológico regula resposta imune celular dos tecidos,inclusive os periodontais via norepinefrina e glicocorticoides e afetam (aumentando ou não)a progressão da doença periodontal (11,12).

Ao sinal de um estresse emocional ou psicológico, impulsos nervosos são transmitidos ao SNC e ativam o sistema nervoso autônomo induzindo a liberação de norepinefrina (11-13).

A norepinefrina promove a :

  • diferenciação das células T(produzidas no timo;glândula localizada na região mediastínica do tórax)

  • diferenciação dos anticorpos nas células B(células produzidas nos gânglios linfáticos dispersos em nosso corpo)

  • estimulação da manifestação da interleucina 10

  • modulação imunológica das citokinas nos monócitos

Sugerindo que a norepinefrina ativa as respostas imunes. Um desequilíbrio na produção e liberação da norepinefrina causarão desequilibro nas reações imunológicas.(14,15)

Um estresse agudo,como situações imprevistas e súbitas, estimulam a imunidade da pele:

  • através dos leucócitos circulantes

  • pela manifestação da citokinas via norepinefrina

  • ressalta a imunidade inata

  • suprime a imunidade adquirida (16,17)

O que facilita a compreensão das respostas alérgicas ou auto imunes dermatológicas,ou de tecidos originados da ectoderme (como o SNC e SNP) que não respondem a determinadas vacinas ou tratamentos por ressaltar a imunidade inata e suprimir a imunidade adquirida,o que facilita a manifestação do que eu chamo de " alergias ancestral de defesa maciça"ou seja, reação de defesa primitiva e caótica ( por exemplo: edema de glote,palpebrais,labiais ,etc).

A norepinefrina pode suprimir e/ou estimular os receptores alfa e beta adrenérgicos em órgãos inervados pelas fibras nervosas nora adrenérgicas.

Sabemos, também, que o cortisol ( glicocorticoide) é o maior modulador de estresse em comparação com as catecolaminas(adrenalina e noradrenalina) ; ele suprime a resposta imune através da inibição (diminui) do numero ou acumulo (produção) dos neutrófilos, monócitos/macrófagos, e linfócitos in vivo e de suas funções, incluindo a quimiotaxia (movimentação sob atração química de leucócitos para determinada área), secreção de antígenos e produção de várias citokinas (11,12,13).

Perceba que os caminhos utilizados pelo estresse são bioquímicos ,mas sua modulação é em grande parte emocional.

 

Recentemente (18), anormalidades do eixo HPA tem sido relacionadas com um aumento nas desordens depressivas e de ansiedade (Marshall et al., 2002;Peeters et al., 2004;Stones et al., 1999).

Tem sido sugerido que a secreção do cortisol é estimulada pela aflição psicológica e situações de avaliação social(Dickerson and Kemeny,2004).

Anormalidades de resultado e de reatividade do eixo HPA tem sido encontradas no foco de muitas investigações de desordens psiquiátricas.Ademais ,o cortisol é considerado ser o hormônio de modulação e equilíbrio mental e físico e está associado com os estressores psicossociais.

A DHEA ,alem do cortisol, é o maior esteroide produzido pela zona reticular do córtex da adrenal. Vários estudos têm sugerido que os baixos níveis de DHEA estão associados ao a um baixo bem estar psicológico (Van Nierke et al.,2001).

Até agora,apenas um estudo mostrou que a DHEA foi relacionada negativamente com a depressão (Michael et al,. 2000).

Inversamente ,outros estudos foram indicativos de que a administração de DHEA melhorou o humor e a saúde depacientes idosos(Kudielka et al.,1998;Wolf and Kirschbaum,1999).

Concluindo ,esses achados implicaram que ocorrem alterações na concentração de DHEA na regulação de estados mentais .

Entretanto,o mecanismo de estresse indução da secreção da DHEA (Oberbeck et al.,1998) e a reatividade da DHEA para os estressores psicossociais não tem sido bem compreendidos de forma consistente,sabemos que esse mecanismo esta presente, atua mas não sabemos de que maneira podemos determiná-los.

Além disso,diferenças das taxas de cortisol para a DHEA tem sido encontradas em indivíduos com desordens mentais.

Blauer et al.,(1991) indicaram que a DHEA pode antagonizar a atividade do cortisol. Portanto, considera-se que as taxas de cortisol em comparação com as taxas da DHEA pode ser a marca de um desequilíbrio endócrino com manifestações comportamentais.

Por exemplo,Goodyear et al.,(2003) mostraram que a depressão persistente individual tem taxas altas de cortisol comparados as taxas da DHEA em relação aos não deprimidos.

A esta variação hormonal (cortisol/DHEA) ninguém pode considerar-se imune, pois estamos em contato com o cortisol mais do que pensamos através de medicações do dia a dia como anti-inflamatórios e pomadas esteroidais,entre outros!

Eles também sugerem que as altas taxas são marcadores, ou indicativos ,de distúrbios psiquiátricos persistentes.

Outros estudos tem encontrado que a alta taxa de cortisol matinal comparados as taxas da DHEA está associado a um alto nível de ansiedade (Van Niekerk et al.,2001), Young et al.,(2002).

As taxas de cortisol em relação as taxas da DHEA estão correlacionadas com a duração dos episódios depressivos e sugerem que a taxa de cortisol em relação a taxa da DHEA pode ser um marcador dos estados depressivos episódicos.

Desse modo ,tem sido discutido que a taxa de cortisol em relação a taxa da DHEA pode representar um desequilíbrio endócrino na função do eixo HPA com reflexos diretos nas respostas emocionais . Além disso ,podem ser um marcador de estados de desordens psiquiátricas.

Os achados discutidos acima sugerem que há fortes indícios de que uma anormalidade na função do eixo HPA em relação a ansiedade social , incluindo o papel do cortisol, as taxas de cortisol e DHEA podem ser importantes para a compreensão de psicopatologias depressivas, ou com componentes depressivos e da ansiedade social.

Até o momento tudo indica que a reatividade e a responsividade do eixo HPA agudize a percepção e o manejo dos estressores psicossociais em indivíduos com alta ansiedade social.

Apesar de dados muitas vezes antagônicos ,observa-se uma concordância sobre as alterações psicossociais e as oscilações do cortisol e DHEA.

 

Além e se estudar a ação dos hormônios na imunidade em relação ao estresse,temos observado que as catecolaminas podem também causar crescimento bacteriano através do seu reconhecimento pelas bactérias (19), e que microorganismos possuem a habilidade de reconhecer hormônios de seus hospedeiros e os utiliza para sua adaptação e distribuição.

A noradrenalina e adrenalina são detectáveis durante as respostas ao estresse humano.

Podemos afirmar que causam estímulos ambientais (nas mucosas em geral), alterando o crescimento individual de microorganismos e de seu biofilme sub gengival.

Foram observados,curiosa e assustadoramente,crescimentos significativos ( de bactérias e fungos!) sob efeito da noradrenalina (20 espécies responderam positivamente) e da adrenalina (27 espécies responderam positivamente), com diferença nas respostas de crescimento.

A maior taxa de crescimento sob a noradrenalina foi encontrada no:

  • Actinomyces naeslundii (+49,4%)

  • Actinomyces gerenscseriae (+57,2%)

  • Eikinella corrodens (+143,3%)

  • Campylobacter gracilis (+79,9%)


Observamos também efeitos inibidores da suplementação da noradrenalina:

  • Porphyromonas gingivallis (-11,9%)

  • Bacteróides forsythus (-22,2%)

A ação das Catecolaminas e dos Glicocorticoides podem influenciar a composição in vivo dos biofilmes (placa bacteriana bucal,genital,etc) em respostas as mudanças do estresse induzido nos níveis de Catecolaminas locais, e incluir dados significantes na etiologia,patogênese e prognóstico das doenças, além de alterar as possibilidades terapêuticas.

Resumidamente podemos dizer que o relacionamento entre estresse ,a progressão de doenças infecciosas e psicossociais no homem tem sido o foco de estudos intensos na última década (30,26). Os mecanismos precisos de que o estresse intenso facilite a progressão de doenças inflamatórias e infecciosas ainda não é claro e o objetivo da maioria das pesquisas e estudos estão focados na modulação (equilíbrio) neuroendócrina e na resposta imune do hospedeiro (20,21,30,31).

Entretanto tem sido observado que microorganismos potencialmente patogênicos possuem a habilidade de reconhecer hormônios,este fato está a frente na necessidade do desenvolvimento do conceito de " endocrinologia bacteriana" (25).

Esse fato sugere que organismos infecciosos podem se utilizar de hormônios presentes em seu hospedeiro e do meio ambiente, e que esses hormônios são o sinal ("a deixa") para o inicio do crescimento bacteriano e de novos processos patológicos (23,25,29).

Os efeitos de um forte estresse são mediados via dois caminhos potencialmente sinérgicos (uma via auxilia a outra, potencializando-as) envolvendo a baixa regulação das defesas do hospedeiro (baixa imunidade) e alta patogenicidade bacterianas.

A liberação das catecolaminas aumenta em até 10 vezes a resposta ao estresse (22), mas o conceito de que organismos infecciosos podem também responder a esses hormônios tem sido raramente considerados .

Todavia a presença das catecolaminas durante as resposta ao estresse é auto-regulada, e tem mostrado profundos efeitos no crescimento e na expressão da virulência de um grande número de microorganismos patogênicos ( 23,26,29).Os resultados obtidos da grande variedade deestudos in vivo e in vitro indicam que o curso da progressão de outras doenças infecciosas depende diretamente das interações do sistema neuroendócrino do hospedeiro sobre o agente infeccioso (23,19,27,28,29).Por exemplo,a variação dos níveis plasmáticos de catecolaminas e de glicocorticoides sido relatado nas infecções agudas por fungos, bactérias gram positivas e gram negativas.

O estresse é um agente com múltiplas características e facetas, ora é um estimulo altamente agressivo,ora esse mesmo estimulo não é sequer percebido. Para alguns é assustador ,para outros é insignificante. Além do senso comum de causar a queda ou exacerbação da imunidade e coadjuvar a modulação do crescimento tumoral,hoje podemos entende-lo também como estimulador do crescimento de alguns microrganismos (em sua maioria).

Perceba que os estados emocionais são direta mente afetados por esses hormônios, e vice versa,o que nos mostra a necessidade de darmos maior atenção aos estados depressivos, ansiosos,etc;pois como já foi dito a função neuro endócrina vale-se da retro alimentação. Existe uma relação direta entre os estímulos emocionais e o adoecer.

 

 

 

 

 

Referencias

 

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    estresse

    ,

    catecolaminas

    ,

    eixo hpa

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    marco mammoli

    Para Seyle,o estresse é uma resposta inespecífica que o organismo "desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço para a adaptação".O bullying se encaixa com perfeição a essa forma de estresse altamente nocivo.É um comportamento complexo, composto de ações agressivas intencionais,repetitivas,adotadas de maneira individual ou grupal contra um ou mais indivíduos,sem motivação justificável. Levam a lesões físicas,sociais e emocionais causando dor,medo, depressão, entre outras.

    Por: marco mammolil Saúde e Bem Estar> Medicinal 09/02/2011 lAcessos: 1,470
    marco mammoli

    Até aonde o pensamento filosófico e seus autores influenciam nosso modo de vida , nosso modo de encarar o adoecer, o tratamento, e a resolução? É buscando as influências do modo de pensar ocidental que revisaremos períodos e filósofos que ,através de suas teorias tem nos influenciados sem que nos apercebamos. Dividido em 11 partes este artigo propõe -se a discutir e a refletir sobre o quanto a história do mundo está se manifestando em nós através do adoecer.

    Por: marco mammolil Saúde e Bem Estar> Medicinal 02/09/2010 lAcessos: 786
    marco mammoli

    A dor ,por não possuir órgão responsável por ela, está presente em algum momento em todas as patologias.É um sintoma quase que comum.Provavelmente ,é um dos sofrimentos mais antigos do homem além do medo. Como nas situações de difícil resolução, a dor a dor nos traz sentimento de total impotência.É o que mais leva pacientes em busca de tratamento. De abordagem e diagnóstico complexos estão presentes em uma clinica polimórfica multicausal, seja por envolvimento orgânico, emocional ou ambos.

    Por: marco mammolil Saúde e Bem Estar> Medicinal 16/08/2010 lAcessos: 4,798
    marco mammoli

    Os tratamentos alternativos utilizam procedimentos curativos atraves da fitoterapia, massoterapia, acupuntura, terapias florais e energéticas, por exemplo. Buscam,além da cura, a manutenção da saúde pela mudança de hábitos(alimentares, emocionais, físicos, etc.),a proservação (manutenção) pela prevenção de repetições.Um dos papeis mais importantes vem a ser o de acolhimento daqueles que necessitam de humanização em suas terapias.Abordamos as terapias reconhecidas pelos CRO e CRM.

    Por: marco mammolil Saúde e Bem Estar> Medicina Alternatival 20/05/2010 lAcessos: 836
    marco mammoli

    Usando o evolucionismo adaptativo como teoria, podemos afirmar sem dúvida que o aparelho psico neuroendócrino não é um acessório de luxo, nem descartável do desenvolvimento humano, mas ele exerce uma função essencial de assimilação e elaboração dos estímulos provenientes dos meios externos e também do meio interior.

    Por: marco mammolil Saúde e Bem Estar> Medicinal 17/05/2010 lAcessos: 186
    marco mammoli

    Pesquisas mostram o aumento da incidência de patologias somáticas entre indivíduos que apresentam estados depressivos confirmando as relações entre as emoções e o corpo,por ex: qual é o ponto de não retorno em que as emoções poderiam afetar o sistema imunológico e alterar nossas defesas?Mammoli,M. (2000) e Bécache (2006) afirmam que as dificuldades em circunscrever o campo psicossomático são multifatoriais. As manifestações,individuais, dão-se ,através de órgãos ou funções mais susceptíveis.

    Por: marco mammolil Saúde e Bem Estar> Medicinal 17/05/2010 lAcessos: 3,612
    marco mammoli

    Doenças,que ainda não são passiveis de diagnóstico comprovado pelos métodos atuais,rotulam nossos pacientes de desequilibrados emocionais, e como tal afastados do convívio social,como no passado.O fator psicossomático éreal.O distanciamento e a impassibilidade, antes considerados características fundamentais de um bom clinico, hoje vão deixando de sê-lo.O que era impossível está acontecendo:a ciência vem de encontro das emoções para juntas "sentirem" o ser humano.

    Por: marco mammolil Saúde e Bem Estar> Medicinal 06/05/2010 lAcessos: 300
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