Crise Ambiental: Social, Econômica E Política

05/01/2010 • Por • 1,004 Acessos

Atualmente, a crise financeira está no centro de todas as discussões nos meios de comunicação. Mas que crise é esta? Uma ótica pouco utilizada para a análise dessa crise, apesar de já estarmos no século XXI, é a visão ambiental. E não me refiro à qualidade da água, do ar ou o aquecimento global, mas sim do paradigma de desenvolvimento em que vivemos. Esta é uma crise global sistêmica, com influências no âmbito social, econômico e político. É o choque do desenvolvimento ilimitado com o do desenvolvimento sustentável.

A crença no progresso ilimitado, que busca o aumento do consumo, mobiliza toda a economia para a geração de demanda. Para alguns a cidadania e a inclusão social se constata através do poder de consumo da população. Ao invés de analisar a existência de um sistema de saúde e educação dignas, seres humanos são analisados através do seu nível de consumo. Essa visão de mundo, calcada em valores individualista e materialista, é a que gera as raízes da crise ambiental global. Nosso sistema de produção é linear, tendo a crença que os bens naturais são ilimitados e que o espaço para onde vão os resíduos no final do sistema seja também ilimitado. Enquanto o mundo pede que para ser sustentável nossa sociedade reduza o padrão de consumo, através do desenvolvimento de uma nova consciência ecológica, os incentivos gerados pela sociedade levam à situação oposta.

Neste momento de crise econômica e financeira, fica muito claro a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento que estamos tomando. Mas, a realidade está vindo à tona, e a crença do progresso infinito e ilimitado deve ser revista. Um dos intelectuais gaúcho que aborda essa questão, já na década de ‘80, foi o ecologista José Lutzenberger. O autor, em seu livro Fim do futuro?, expõe sua lúcida visão da realidade desenvolvimentista que nosso país já possuía naquela época. E, neste momento, estamos vivendo a utopia tecnocrata, que é a apontada por muitos como a culpada pela crise em que estamos.

Devido ao encadeamento dos eventos negativos desde a eclosão da crise em setembro do ano passado, podemos ver que esse nosso sistema de sociedade é completamente insustentável. Como nota-se agora na falta de crédito e na “estatização” dos bancos dos EUA, como o Citibank. O mundo inteiro está em crise conjuntural, mas na realidade o sistema no qual nosso modo de produção está baseado é que está em decadência estrutural.

Para chegarmos a alguma alternativa, temos de nos informar, entender este momento histórico, pois esta pode ser uma oportunidade para desenvolvermos e implementarmos um novo modelo de sociedade, onde a democracia funcione “democraticamente”. Foi com esse intuito que o Mogdema – Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente – realizou em Porto Alegre, no dia 10 de março, no auditório do Semapi, o seminário “Crise Ambiental: Social, Econômica e Política”, que proporcionou embasamento para discutir e tomar atitudes efetivas para provar que um outro mundo é possível.

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Renato Araújo