Ecoeconomia

Publicado em: 09/29/2009 | Comentário: 0 | Acessos: 143

ECOECONOMIA:

APONTAMENTOS PERTINENTES

Por Marcus Eduardo de Oliveira

Introdução:

A relação entre a ciência econômica e a ecologia tem sido cada vez mais, por conta da necessidade do crescimento (?), algo que intimamente não se desvincula.

No entanto, essa relação, ao longo do tempo, não tem sido nada amistosa e tem separado, em lados opostos, por conseguinte, duas maneiras de pensar essa relação ao assunto crescimento da economia versus exploração de recursos naturais.

De um lado há aqueles que defendem um crescimento a qualquer custo, vendo nisso a saída eficaz e rápida para os graves problemas sócio-econômicos que grande parcela da sociedade atravessa. De outro lado, há os que clamam pela interrupção imediata (propondo crescimento zero) de um crescimento que tem feito mais estragos, gerando passivos ambientais, do que proporcionado benesses.

O fato é que a atividade econômica tem sido extremamente agressiva no que toca a extrair recursos, levar ao processo produtivo e, no consumo final, “soltar” seus resíduos que tem comprometido, grosso modo, a capacidade do planeta Terra em lidar com essa situação. Fora isso, aqueles que estão do lado de que o consumo/produção precisa apresentar moderação, entendem que não há mais espaço físico – e nem condições para isso - para taxas de “crescimentos exponenciais” visto que os recursos para tal são, por definição, finitos.

A biosfera é finita, limitada e hermeticamente fechada, dizem com razão aqueles que defendem a interrupção desse crescimento sem limites.

Conquanto, esse debate, além de interessante, é polêmico, visto tratar-se de abordagens muito conflitantes.

Para aguçarmos ainda mais esse debate, apresentamos, em forma de apontamentos, algumas considerações sobre essa questão, com a qual vamos aqui usar um termo já corrente: EcoEconomia.

Em que consiste tal termo? Trata-se, no bojo, da maneira específica de ver o sistema econômico e toda sua relação pertinente com o meio ambiente.

 Apontamentos pertinentes

 * Pelo menos desde o Neolítico (12.000 anos a.C.) todas as sociedades históricas consomem de forma crescente energias da natureza;

 * É necessário conciliar a Economia com o Meio Ambiente, tendo em vista que tudo, absolutamente tudo, vem da natureza. Não é mais possível que os economistas continuem a ignorar essa realidade. A Economia precisa estar em fina sintonia com a Ecologia.

Corrobora para isso o fato de que um dos primeiros formuladores do termo Ecologia, Ernst Haeckel (1834-1919), chegou a chamar a ecologia, em certo momento, de “a economia da natureza”;

 * O fato grave é que a teoria econômica tradicional propõe o crescimento econômico sem limites, de forma exponencial e ininterrupto, a qualquer custo, e esquece, nesse pormenor, que a biosfera é finita, limitada e não aumentará de tamanho. Nesse sentido, é absolutamente ignorado o fato de que o crescimento econômico produz passivo ambiental e não há espaço para todos, muito menos recursos disponíveis (renováveis) capaz de oferecer o Éden;

 * Gandhi já profetizava a esse respeito: “A Terra é suficiente para todos, mas não para os consumistas”;

 * Conquanto, de forma estúpida, irracional e pouco inteligente - para dizer o mínimo -, a Economia não é mais entendida como gestão racional da escassez, mas sim como a ciência capaz de crescer exponencialmente, sendo que esse crescimento irá, na opinião dos “agentes econômicos agressores do meio ambiente”, curar todas as enfermidades do mundo;

 Dessa forma, temos o quê?

 * De um lado, temos então o “crescimento” das necessidades das pessoas; do outro, temos, a cada ano, mais e mais habitantes que vão ocupando os mesmos espaços do planeta Terra (lembre-se que ele não aumentará de tamanho). Descontadas as mortes, temos a cada dia 200 mil novas almas no mundo;

 * No entanto, dizem os inconseqüentes que o que mais importa é crescer, aumentando a produção para atender toda essa gente que está chegando ao planeta Terra.

Para efeito de ilustração, cabe apontar que em apenas 50 anos, de 1950 a 2000, o PIB mundial saltou de 6 trilhões de dólares para 43 trilhões. Portanto, aumentou de tamanho em sete vezes. E a população? Em 1900, havia no mundo 1,5 bilhão de pessoas. Hoje dividimos o mesmo espaço no planeta Terra com 6,7 bilhões de seres;

 * É necessário, definitivamente, pôr fim a idéia do crescimento econômico infinito e exponencial, por dois singelos motivos: 1. Esse crescimento não eliminará todos os males do mundo; 2. Os limites para tal crescimento são dados pelos recursos finitos da natureza;

 * Diante dessa realidade inelutável, é possível concluir que a Ciência Econômica, desde seu nascedouro, encontra-se anos-luz (*A*) de distância e totalmente “desconectada” da realidade ambiental, e, além disso, não percebe os riscos que a insistência num crescimento (quantidade) sem respeito à biosfera está provocando;

(*A*) 1 ano-luz equivale a 10.000 bilhões de quilômetros.

 * A Economia que ai está, praticada de forma livre, leve e solta pelas sociedades modernas e industrializantes, ainda não se deu conta de que ela (atividade econômica) é apenas um subsistema da natureza e que depende dela (da natureza) para tudo – absolutamente tudo;

 * Vejamos que até mesmo as estrelas são essenciais nessa história de Economia com Meio Ambiente, pois são elas que convertem o hidrogênio em hélio, e, da combinação deles, provém o oxigênio, o carbono, o fósforo e o potássio, sem os quais não haveria os aminoácidos nem as proteínas indispensáveis à vida;

 * No entanto, os “limites” ao crescimento econômico continuam ignorados. Para o crescimento de qualquer economia é necessário matéria e energia. Acontece que o homem não pode criar nem matéria nem energia. A fórmula de Albert Einstein, a esse respeito, é precisa: a obtenção de mais energia somente é possível pela obtenção de mais massa. É necessário, portanto, mais matéria e energia para produzir mais matéria e energia;

 * É assim que se movimenta, grosso modo, uma economia – com massa e energia. Todo o maquinário (bens de capital, no linguajar econômico) são produzidos com minérios e movimentado com combustíveis fósseis;

 * No entanto, infelizmente, o sistema econômico sempre viu a natureza e seus recursos como um mero objeto para ser transformado e explorado. Nunca, em nenhum momento, esse sistema que regula as atividades da economia, que conduz, por sua vez, a crescimentos econômicos imperfeitos, falhos e destruidores olhou para a natureza como algo a ser cuidado e protegido;

 * Donde é possível afirmar que enquanto as leis da Economia continuarem ignorando as leis da Natureza o futuro estará, a cada segundo (na escala do tempo) que passa, mais e mais comprometido, expondo, por conseqüência, todos nós em sério risco;

 * Urge entendermos, com isso, que é necessário – e urgente - trocar o crescimento (quantidade) por desenvolvimento (qualidade);

 * Somente quando o colapso ambiental se fizer evidente para todos, talvez lembraremos, no momento da catástrofe, das sábias palavras do cacique Seattle:

“Quando a última árvore for abatida, quando o último rio for envenenado, quando o último peixe for capturado, somente então nos daremos conta de que não se pode comer dinheiro”.

  

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor universitário.

Mestre pela USP em Integração da América Latina, especialista em Política Internacional com curso pela Universidade de La Habana (Cuba).

Autor do livro “Conversando sobre Economia” (ed. Alínea)

Contato com o autor: prof.marcuseduardo@bol.com.br

(Artigonal SC #1282299)

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    Fonte do artigo: http://www.artigonal.com/meio-ambiente-artigos/ecoeconomia-1282299.html

    Palavras-chave do artigo:

    meio ambiente

    ,

    exploração de recursos naturais

    ,

    passivos ambientais

    ,

    crescimento zero

    ,

    limites ao crescimento

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    Por: MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA l Notícias & Sociedade > Meio Ambiente l 09/16/2009 l Acessos: 146 l Comentário: 2
    MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA

    A Economia (enquanto ciência) se “afunda” na incompreensão de muitos e torna-se, por conseqüência, pouco degustável. É esse o mundo dos economistas em que sobram perguntas, mas faltam respostas convincentes. As dúvidas superam, de longe, as certezas e o contra-senso, por conseguinte, parece então predominar. O papel do economista e do professor universitário de Economia é justamente esse: provocar perguntas, sem esperar pelas respostas.

    Por: MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA l Notícias & Sociedade > Política l 09/11/2009 l Acessos: 66 l Comentário: 1
    MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA

    Há que se pensar numa nova economia, mais solidária, com uma face mais humana, com o coletivo predominando no lugar do individual. Caso contrário, a ganância, expressa na individualidade, vai continuar ganhando esse jogo e estabelecendo, por primazia, sua conduta egoísta que em nada contribui para a prática da solidariedade. Contra a economia-individual, a favor da economia-social-coletiva. Contra uma sociedade desigual, em prol de uma sociedade de iguais.

    Por: MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA l Notícias & Sociedade > Desigualdades Sociais l 09/01/2009 l Acessos: 125 l Comentário: 1
    MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA

    A ciência econômica carece de verdadeira reformulação em alguns de seus propósitos econômicos. Isso porque a receita econômica tradicional “entende” o crescimento econômico de maneira equivocada; propõe medir a riqueza de uma sociedade erroneamente e, para o cômputo do produto interno bruto (PIB), chega até mesmo a levar em conta as externalidades negativas.

    Por: MARCUS EDUARDO DE OLIVEIRA l Notícias & Sociedade > Cotidiano l 08/27/2009 l Acessos: 74 l Comentário: 1

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