Fragmentação Das Florestas

Publicado em: 14/10/2008 |Comentário: 0 | Acessos: 17,929 |

Com o desenvolvimento (desordenado e inconseqüente) humano vieram várias conseqüências para o meio e ambiente de uma forma geral, uma delas é a fragmentação das florestas. A fragmentação das florestas traz um inversão no lugar de termos grandes florestas temos várias florestas pequenas e com isso vêm as conseqüências.
Para FLEURY(2003) "O processo de fragmentação florestal, além do isolamento e da redução de hábitat, produz um aumento do microhábitat de borda." Isso significa dizer que o processo de fragmentação traz inúmeras conseqüências a fauna e a flora. A flora observamos as conseqüências com maior facilidade devido a extinção da mesma, já as conseqüências da fauna só é observada com uma análise critica e com um período de observação tendo em vista que o processo de extinção dos animais e a própria mutação do mesmo ocorrem no decorrer de um período e não de imediato como um desmatamento por exemplo.
A redução do habitat traz como conseqüência a falta de recursos alimentícios em uma quantidade que satisfaça a demanda, ou seja a quantidade de espécies que ainda estão no local - gerando com isso a redução ou até meso a extinção da espécie. Com relação as aves existe o problema que algumas se adaptam a toda uma floresta mas não conseguem se adaptar ao fragmento da mesma devido ao próprio espaço necessário ao seu desenvolvimento e a outras condições como o clima e a intervenção humana.
Diversidade biológica " significa a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas. (Artigo 2 da Convenção sobre Diversidade Biológica).

Os principais processos responsáveis pela perda da biodiversidade são:

  •  Perda e fragmentação dos hábitats;
  •  Introdução de espécies e doenças exóticas;
  •  Exploração excessiva de espécies de plantas e animais;
  •  Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programas de reflorestamento;
  •  Contaminação do solo, água, e atmosfera por poluentes; e
  •  Mudanças Climáticas.

Além dos motivos expostos, podemos acrescentar o empobrecimento genético como mais um causador da perda da biodiversidade nas florestas fragmentadas, devido ao isolamento das espécies elas passam a se inter-relacionarem gerando assim apenas um ciclo de reprodução.
Efeito de borda:
"Bordas são áreas onde a intensidade dos fluxos biológicos entre as unidades de paisagem se modifica de forma abrupta, devido à mudança abiótica repentina das matrizes para os fragmentos e vice-versa" (Metzger 1999)
A estruturação da floresta é um importante aliado ou adversário das aves ou outras espécies, quanto mais estruturado for o fragmento mais proteção o mesmo dará as espécies, é importante também que o local seja circular e compactado para o seu interior resistir mais aos efeitos de borda. Já os fragmentos estreitos sofrem mais com o efeito de borda devido a falta de proteção ao seu interior. Mas existem espécies que se adaptam e vivem tranqüilamente nas bordas, da mesma forma que existem espécies que se isolam em fragmentos diferentes e devido as condições e os recursos diferentes aquela mesma espécie se transforma em duas espécies diferentes.
Algumas espécies aumentam sua densidade populacional em florestas fragmentadas, é o que denomina-se densidade compensatória. Uma das hipóteses levantadas para essa ocorrência é a diminuição da competitividade, tendo em vista que muitas espécies vão se extinguindo com o processo sendo assim diminuindo o número de predadores de outras. Outra hipótese é que em ambientes menores há- em alguns casos- a possibilidade de se explorar um gradiente maior de habitat's do que em ambientes extensos( BLONDEL et al.1988). Para Anjos e Boçon (1999) as causas da densidade compensatória não estão claras mas elas podem ser diferentes de acordo com a auto-ecologia de cada espécie.
De uma forma geral é vista como negativa a fragmentação das florestas em relação a uma floresta completa. Devido as razões já expostas anteriormente, pode-se observar que os fragmentos não têm perspectivas a longo prazo sendo uma tendência o fim das espécies vivas contidas neles. Existe a possibilidade da criação de corredores que liguem os fragmentos próximos o que ainda gera bastante discussão por não se saber ao certo a eficiência dos mesmos. O certo é que os fragmentos tem suas vantagens por serem espaços verdes que servem de abrigo para muitas espécies, mas o ideal é a manutenção das grandes florestas e a recuperação de muitas outras, tendo em vista que no estado em que estamos não adianta apenas manter temos também que recuperar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FLEURY, Marina. Efeito da fragmentação florestal na predação de sementes da palmeira jerivá (Syagrus romanzoffiana) em florestas semidecíduas do estado de São Paulo. 2003

METZGER, J.P.. Estrutura da paisagem e fragmentação: análise bibliográfica. Anais da Academia Brasileira de Ciências 71:445-463. 1999

BLONDEL, J. et al.. Birds impoverishment, niche expansion, and density inflation in mediterranean island habitats. Ecology, Washington, D.C., v. 69, p. 1899-1917,
1988.

ANJOS, L. dos; BOÇON, R. Bird communities in natural forest patches in southern Brazil. Wilson Bull., Lawrence, v. 111, n. 3, p. 397-414, 1999.

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    florestas extincao efeito de borda

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