Violência Doméstica

26/05/2011 • Por • 4,603 Acessos

A Igreja e a violência doméstica

Objetivo: conscientizar a Igreja de sua responsabilidade social com as mulheres que são violentadas, acolhendo-as com oração e amor para orientá-las a proceder em tal situação ganhando assim um lugar de escuta para apresentação do evangelho e ou firmação da doutrina.

"Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" Efésios 5.25

Introdução

Sempre que quisermos conhecer de fato uma questão, temos que, desde logo, começar por entender todo o universo que circunscreve nossa curiosidade. O tema do nosso artigo é bastante claro e objetivo, muito embora, seu título guarde para nós certo eufemismo. A cada 15 segundos, uma mulher é violentada no Brasil. Essa violência é física, sexual e psicológica. O dado apresentado pela secretária adjunta de Políticas para as Mulheres, Maria Laura Pinheiro, durante debate transmitido pela TV Câmara em 2009, consta de pesquisa da Fundação Perseu Abramo indicando que na maioria das vezes essa violência é praticada dentro do lar. "É uma vergonha e eu diria que a cada suspiro nosso uma mulher é violentada no Brasil. Além disso, existe uma condição de invisibilidade muito grande, pois em geral, até por questões culturais, a mulher não denuncia a violência", afirma a secretária. A matéria é da Agência Brasil. Para coibir essa violência, segundo Laura Pinheiro, existem hoje no país 339 Delegacias da Mulher. Destas, boa parte está concentrado na região sudeste. A Secretaria pretende aumentar esse número para mil. Será que este tema é realmente relevante para a Igreja do século XXI? A Igreja como agente de transformação pode trazer alguma contribuição para a sociedade nesta estrada? Ao final desta lição esperamos que sua resposta seja positiva.

1. Lei Maria da Penha

Para que a Igreja esteja apta a orientar e aconselhar a população e seus membros ela precisa conhecer a principal lei que rege tal assunto: a lei Maria da Penha.

Judicialmente está lei entrou em vigor desde 7 de agosto de 2006 e se aplica à violência doméstica que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico, e dano moral ou patrimonial; Nos seguintes ambientes:
No âmbito da unidade doméstica, onde haja o convívio de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; No âmbito da família, formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa e em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.

Nesta lei a ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor e garantia de proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Deve-se também informar à ofendida os direitos a ela conferidos. O pedido da ofendida deverá conter: qualificação da ofendida e do agressor, nome e idade dos dependentes, descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida, e cópia de todos os documentos disponíveis em posse da ofendida.

2. A contribuição Eclesiástica para melhorar

Muito se fala e se escreve de que a mulher deve ser submissa ao marido e isto é verdade, mas está submissa está vinculada a esta mulher ser amada com amor sacrificial conforme Efésios 5. 25-31. Logo o amor está para a submissão na mesma proporção em que a submissão está para o amor. É uma troca, quando esta se sente amada  não será penoso para esta mulher se submeter ao marido, porém quando não há amor a submissão se torna um peso, algo angustiante.

No âmbito familiar e dentro do seu próprio lar é onde a mulher fica mais exposta a ser violentada, seja de forma física, sexual, moral, patrimonial e psicológica. É nesse contexto que a Igreja pode desenvolver um papel importantíssimo e ganhar esta mulher para Cristo ou fortalecer a irmã membro da Igreja que vive esta triste realidade.

Através de um simples programa de atenção a mulher vítima da violência doméstica a Igreja poderá contribuir para a sociedade da seguinte forma: aconselhamento bíblico e a oração com pessoas maduras na área, preservando sempre a integridade e as informações da aconselhada; orientação com palestras, fóruns, seminários sobre o tema na sociedade em que ela esteja inserida; encaminhar se necessário ao psicólogo, um advogado, a assistente social ou a defensoria Pública; oferecer apoio em caso de procura e encaminhar ao CIAM – Centro Integrado de Atendimento à Mulher ou a órgãos especializados. No Estado do Rio de Janeiro existem 24 CIAM's, 09 Delegacia de Atendimento à Mulher - DEAM's, 04 Casa de Abrigos e 1º Núcleo de Atendimento à Mulher - NUDEM.

3. Acolhendo para aconselhar

Norberto R Keppe, nos diz: "A sociedade foi organizada pouco a pouco de uma maneira machista, na qual os valores femininos foram completamente abafados. [...]. A mulher como representação do belo, que é o elemento mais sensível e primário da existência; ela é formada diretamente pela ética, estética e verdade. [...]. Estou dizendo que o fundamento da existência é a beleza, que é ligada ao sentimento (amor). E, vendo o representante do belo em plano totalmente inferior, pode-se compreender o motivo de toda a balbúrdia social; é fácil notar que quanto mais atrasado é um grupo ou um país, mais a mulher é desprezada"

A Igreja está inserida nesta sociedade, pois lembre-se não somos do mundo mais estamos no mundo. Este despreso que Keppe descreve é possível vê-lo cantando nos Salmos e Hinos de numeral 641 e 642 quando os autores registra o perfil da mulher de sua época a saber:"somos fracas, bem sabemos" e "mas, se o mundo coberto de trevas, nos olham com rigor ou desdém"

É preciso criar um ambiente de escuta para esta mulher, acolhe-las, abraçá-las e então aconselhá-las. Verdade será que em alguns casos estaremos diante de um dilema cristão, ou seja, aconselhar esta mulher a perdoar e não denunciar o agressor, principalmente quando este for o marido, ou perdoar e não denunciar, qual seria sua postura?

Conclusão:

A Lei Maria da Penha vem regulamentar e coibir as agressões físicas, sexuais e psicológicas feitas à mulher, porém a Bíblia tem suas orientações quanto a isto, ela diz para vivermos em amor que é um vínculo da perfeição (Cl 3.14); maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura (Cl 3.19) e por último tendo em vista o amor não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente (1º Pe 1.22).

 

Perfil do Autor

CHARLES ANDERSON RAMOS LORETI

Pastor Charles é casado com Ligia Loreti, pai do jovem Mateus da Silva C. L. É Ministro da UIECB -- União das Igrejas Evangélicas de...