O Risco Da Frota Chinesa

Publicado em: 18/01/2010 | Comentário: 1 | Acessos: 51

As estatísticas mostram que atualmente existe um carro na China para cada 35 chineses. Apesar de ainda estarem longe do Brasil, em que a média é de um carro para cada 8 brasileiros, e principalmente dos EUA, onde há quase um carro para cada cidadão americano, o que acontecerá com o Mundo quando cada família chinesa tiver o seu carro?

Com o Mundo ainda é difícil prever com precisão, mas é certo afirmar sobre os efeitos na própria China, onde o tráfego e a poluição serão absolutamente insustentáveis. Basta lembrar dos recentes Jogos Olímpicos de Pequim, há dois anos atrás, quando a população local foi obrigada pelo governo a manter seus carros nas garagens para que a qualidade do ar da cidade não assustasse os visitantes.

Mesmo perante este tipo de situação o governo chinês não cogita tirar o pé do acelerador, explorando ao máximo o notório potencial do país, custe o que custar. Chega-se a acreditar que num futuro próximo, se a meta chinesa for ao menos parcialmente cumprida, a frota de veículos chinesa beirará os 300 milhões de veículos, número assustador se comparado aos 38 milhões atuais e ainda superior ao da já alarmante frota norte-americana de 230 milhões de veículos.

Se não bastasse a quantidade, os chineses pecam igualmente pela qualidade de seus produtos de ciclo de vida conhecidamente reduzidos, ao exemplo das canetas que de lá importamos a R$0,15 e não hesitamos em descartar no primeiro momento em que começam a falhar. O que farão os chineses quando carros ficarem velhos?  Produzirão o maior volume de sucata da história da humanidade, alé,dos bilhões de litros de óleos lubrificantes irão queimar hidrocarbonetos em uma velocidade incrível.

Consome-se, hoje no mundo, mais de 30 bilhões de barris de petróleo por ano, num planeta onde as reservas são sabidamente decrescentes. Perante um aumento potencialmente tão expressivo da frota mundial, até que nível isto iria elevar o consumo? Quanto custará o litro da gasolina mantendo-se a lei da oferta e da procura? Poderíamos supor que as cotações nunca mais voltassem aos dois dígitos e ficaríamos muito contentes se não fossem além dos US$ 200,00 o barril. Quando isto ocorrer certamente iremos buscar uma maior eficiência energética e também o uso racional do automóvel. Caso contrário, a combustão de hidrocarbonetos e a demanda por parques de refino cada vez maiores, como já ocorre na China, tornarão mais caótica ainda a poluição atmosférica, até porque os automóveis chineses serão muito mais atrativos pelo seu baixo preço do que por sua eficiência energética e/ou ambiental.

Obviamente, os carros chineses não serão um problema apenas dentro da China. Como tudo que lá se produz lá para o mercado local, os carros chineses também serão exportados em larga escala. Seria bastante razoável prever que, à altura em que andassem em seus 300 milhões de carros, os chineses já houvessem exportado cerca de outros 300 milhões para o resto do mundo, até porque isto irá ocorrer a um preço extremamente competitivo, totalizando o incrível número de 600 milhões de veículos chineses então presentes no planeta, isto será equivalente a toda atual frota mundial atual.

Em 2009, a China chegou ao primeiro lugar do Ranking dos Países Exportadores, ultrapassando a Alemanha. Dito isto, nada mais justo que cada um dos 1,5 bilhões dos chineses pretenda elevar sua renda e seu nível de consumo. Contudo, preocupa-se sobre onde encontraremos tantos recursos naturais para suportar tal crescimento? Qual será o destino de tantos resíduos? Esperamos encontrar essas respostas o mais rápido possível, ou nunca precisar encontrá-las.

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Mauro Kahn - Leia muitos outros  artigos deste autor publicados no site www.artigonal.com.br

* Publicação e divulgação integral deste artigo estão autorizadas desde que sejam preservados os créditos de autoria e mantido inalterado o conteúdo, com indicação do site www.clubebedopetroleo.com.br

(Artigonal SC #1743045)

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    Por: Mauro Kahn l Negócios & Admin. l 09/12/2009 l Acessos: 34

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    1. Neomar January 25, 2010
    Um belo artigo!
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