O Que Faz Um Projeto Social/ambiental Ser Sustentável?

Publicado em: 31/08/2009 |Comentário: 5 | Acessos: 1,692 |

Hoje é muito comum entrarmos em sites corporativos e encontrarmos link para projetos sociais e ambientais que as organizações realizam. É quase que uma obrigação ter esse tipo de informação acessível ao público. Nos relatórios (balanços) sociais a sensação que temos é de estarmos diante de empresas perfeitas que não medem esforços nem recursos financeiros quando o assunto é compromisso sócio-ambiental. Nada mais que marketing. Infelizmente. Mas o assunto aqui não é esse.

Independente da motivação que leva uma empresa a adotar a responsabilidade social e ambiental, existe um grande caminho a ser percorrido para dizer que ela executa projetos sustentáveis. Mesmo estando alinhados ao planejamento estratégico, ao ISE e aos processos de negócio, os projetos, ainda assim, podem não ser sustentáveis. E aí vem a pergunta-título: o que faz um projeto social/ambiental ser sustentável?

Não saberia dar uma definição exata, mas darei um exemplo que talvez ajude a esclarecer. Suponhamos que uma indústria vai se instalar em uma cidade e começa a fazer as obras para a construção da planta. Isso gera bastante impacto e a empresa realiza diversos projetos tanto para mitigação dos impactos ambientais, quanto sociais, já que a fábrica está sendo construída próxima a uma comunidade.

Pois bem, geralmente a mitigação ambiental não tem muito que se discutir até porque é lei. Além da questão do meio ambiente é preciso lidar com a possibilidade da comunidade do entorno sofrer de um inchaço populacional, com pessoas vindas de diferentes cidades e estados, atraídas pelas oportunidades geradas com a instalação da fábrica na localidade. E se a questão não for cuidada com atenção, pode virar um grande problema para a empresa.

Assim, pelo lado social, é comum que a empresa firme parceria com a comunidade, seja contratando na localidade mão-de-obra para serviços menos especializados, seja transformando pequenos empreendimentos locais em fornecedores. Também é muito comum a realização de projetos voltados para crianças e adolescentes, seja de cunho esportivo, cultural ou educacional.

Agora pensemos: executar todos esses projetos custa dinheiro. Muito dinheiro. E é um dinheiro que terá de ser gasto enquanto a empresa estiver ali instalada. Mas e se um dia a empresa resolver tirar a fábrica daquele local? O que vai ser daquela comunidade? Além de colocar um sistema econômico local em colapso, a saída da fábrica também pode colocar um sistema social em colapso. Trágico? Não, apenas a realidade.

Lembremos a definição de desenvolvimento sustentável presente no Relatório de Brundtland: “a satisfação das necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Ou seja, comprometimento com o longo prazo. É isso que caracteriza um projeto social/ambiental sustentável.

E no caso da empresa que criou toda uma cadeia produtiva e de valor no entorno da sua fábrica? Como poderia garantir a continuidade dessa cadeia produtiva e de valor se a responsabilidade da empresa acaba com a saída da fábrica do local? Como deveria ser a condução dos projetos ao longo dos anos de forma que eles fossem sustentáveis e a descontinuidade da fábrica gerasse o mínimo de impacto para a comunidade?

Será que se ao invés de formar uma rede de fornecedores, não seria mais interessante (e sustentável) estimular o empreendedorismo, capacitando e auxiliando a comunidade na gestão de um negócio onde a fábrica fosse apenas mais um cliente? Será que ao invés de absorver a mão-de-obra não qualificada necessária, não seria mais sustentável qualificá-la para que pudesse ser utilizada não apenas na própria fábrica, mas também em outras empresas? Será que não é melhor adotar uma postura de coadjuvante no processo econômico do local do que a de protagonista, como sempre acaba sendo feito?

A construção e a operação de uma fábrica foi apenas um exemplo de como um projeto pode (e deve) ser sustentável. Na verdade, a grande pergunta que deve ser feita é qual o intuito de se gastar muito dinheiro nesses projetos se a empresa não oferece às comunidades do entorno a possibilidade de no futuro “caminhar com as próprias pernas”. Não seria mais inteligente, mais digno e até menos oneroso (porque a tendência seria a comunidade depender cada vez menos dos recursos da fábrica) se fosse feita uma abordagem mais sustentável?

Creio não ter respondido a pergunta-título deste texto. Pelo contrário, acho que lancei mais questionamentos ao invés de propor uma definição concreta. Mas esse era o intuito. As empresas têm suas próprias necessidades e cabe aos gestores das áreas sociais e ambientais procurarem um equilíbrio dentro do tripé da sustentabilidade de forma que a execução dos projetos seja satisfatória para a corporação e para as comunidades impactadas no longo prazo.

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/negocios-artigos/o-que-faz-um-projeto-socialambiental-ser-sustentavel-1180793.html

    Palavras-chave do artigo:

    mitigacao de impacto

    ,

    projeto sustentavel

    ,

    relatorio de brundtland

    Comentar sobre o artigo

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    Dia 15 de Novembro, dia da proclamação da república, aquela data onde saímos da monarquia e viramos república, pelo menos na tese histórica. Este ato é um marco na história brasileira. E vamos pensar: Na história do seu escritório ou da sua vida como profissional, qual é o marco histórico? Se formou em direito, um marco. Fez pós, mestrado, outro marco. O primeiro cliente, um marco. Chegou no primeiro faturamento de um milhão, opa, que marco!

    Por: Gustavo Rochal Negóciosl 16/11/2014
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    Compartilho uma matéria do FDJUR sobre os indicadores mais usados em departamentos jurídicos, com alguns comentários meus abaixo: Para verificar o bom andamento das atividades dentro dos departamentos jurídicos e bancas é preciso estipular um ou mais indicadores para os segmentos que desejam monitorar. Recentemente o FDJUR consultou seus colegas em relação a três segmentos: atividades administrativas do jurídico, eficiência dos advogados e o clima organizacional.

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    Linguagem corporal, o invisível que diz muito sobre o que queremos dizer. E mais do que apenas isto, uma arte que precisamos dominar para estarmos em vantagem competitiva estratégica, negocial e até mesmo de trabalho no dia a dia. Muito além das palavras e debates, cada gesto pode ser muito diferencial. Extraído do portal Exame.com, vamos a 7 dicas práticas: 1. Faça contato visual

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    Gustavo Rocha

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    Comments on this article

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    Kelly cristina Ribeiro da silva 04/08/2010
    ola

    adorei o site, gostaria de realizar esse curso de gestao em projeto, o que devo fazer.

    Atuo na area ambiental e estou cursando faculdade de serviço social.
    me interesso muito pelo curso
    desde ja agradeço
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    Sunshine Day 26/04/2010
    Muito apreciável seu conteúdo! Bastante útil para mihas elaborações! Grata por ter compartilhado conosco =D
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    caroline c.pereira 16/11/2009
    ESSE SAITE E MUITO BOM EU GOSTEI MUINTO EU ESPERO QUE EU VENHO APRENDER MUITO MAS COISSAS NESE SIT
    E-MAIL PARA CONTATO:carol_13@chagashotmail.com
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    Julianna Antunes 15/09/2009
    José, que boa notícia! Fico feliz de ter, de certa forma, ajudado, assim como também fico muito feliz em saber que o seu projeto é realmente sustentável. Se precisar de alguma ajuda, é só entrar em contato!
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    José Sérgio 15/09/2009
    Foi muito útil essa matéria, faço curso de Gestor de Projetos Sociais no Senac e precisavacompreender melhor o queé sustentabilidade. Fui escolhido para falar sore a sustentabilidade do projeto que estmos elaborando, efiquei surpreo ao perceber que nosso projeto tem uma boa sustentabilidade.Consegui perceber isso través das perguntas feitas. Agora vi que nosso projeto tem a possibilidade de "andar com as próprias pernas". Valeu mesmo! ... amei a matéria!
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