Rio Card É Alvo De Investigação -

25/01/2010 • Por • 3,984 Acessos
Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010 Quem Somos Assine O Fluminense Promoções Anuncie em O Fluminense Classificados Publicidade Online Publicado em 20/09/2009 Riocard vira moeda de troca e prática cria mercado paralelo ilegal Em São Gonçalo e Niterói, a agiotagem é feita em escritórios, que chegam a elaborar contratos - Foto: Márcio Oliveira Criado para ser o substituto do vale transporte de papel e acabar de vez com o comércio ilegal de compra e venda de um benefício do trabalhador, o bilhete eletrônico Riocard não deixou de ser moeda de troca de cambistas que compram os créditos dos cartões e os revendem em terminais rodoviários. Apesar de configurar justa causa por demissão, de acordo com o parágrafo 3º, Artigo 7º, do decreto número 95247/87, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que trata do uso indevido de um benefício, a prática mantida pelos próprios trabalhadores é comum em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito e Tanguá. Em Niterói, os cambistas costumam agir livremente com panfletagem nas ruas. Entre vários pontos de compra e venda, possuem um escritório na Rua São João, no Centro, onde realizam a agiotagem. A porcentagem de compra varia de acordo com o benefício negociado. O Riocard amarelo chega a ter um deságio de 45%. Já no Rio Card especial azul (o mais procurado por ser descartável), o desconto gira em torno de 30% a 40% no valor pago. Nos casos dos tíquetes refeição, alimentação e ainda o vale gasolina, benefício oferecido apenas por algumas empresas, o abatimento, em geral, é de 15%. O publicitário M.M, de 34 anos, disse que negocia os créditos do cartão para fazer do dinheiro uma fonte de renda extra para ajudar no orçamento familiar. "Vou de carona para o trabalho, por isso vendo os créditos do Riocard. Apesar de arriscado, preciso do dinheiro", alega ele, pedindo para não ser identificado. Estrutura – O crime organizado deste mercado ilegal segue cada vez mais estruturado para atrair e afiançar a participação do trabalhador no processo de compra do Riocard. Em todos os pontos de comercialização, a negociação entre o usuário e os cambistas é garantida através de um contrato elaborado pelos próprios agiotas. O documento serve como cadastro do "cliente" e também para permitir a consulta ao saldo do Riocard, saber as últimas movimentações e garantir o pagamento da negociação, que é feito mensalmente. "Depois de cadastrado, posso contar sempre com a troca dos benefícios sem burocracia. É como uma abertura de conta num banco. Eles (os agiotas) pagam pela compra do benefício em até uma semana, mas só fazem a negociação se as pessoas estiverem com cópias da identidade, CPF, contracheque e comprovante de residência", revela um usuário. Nos postos ilegais onde o trabalhador vende o vale eletrônico e outros benefícios, é grande a preocupação com a segurança. Os locais parecem fortalezas, com grades, portas de ferro e circuito interno de TV. Em São Gonçalo, o negócio é ainda mais escancarado. Em vários pontos, pessoas exibem cartazes anunciando o local de venda e troca. A negociação começa no principal calçadão do Centro de Alcântara, onde é oferecido o serviço de compra dos benefícios, que são trocados em pelo menos três pontos. O mais popular utiliza vários "funcionários" devidamente uniformizados. Lá, os trabalhadores que vendem os benefícios esperam a negociação numa sala pequena, sem refrigeração e higiene. Segurança – O diretor Executivo de Negócios da Riocard, Edmundo Fornasari, diz que o modelo de processamento eletrônico de passagens é um sistema seguro que já alcançou mais de 9 milhões de viagens no Estado. "Desde 1994, o nosso sistema tem mais de 6 milhões de cartões emitidos e 2,5 milhões ativos só no Estado do Rio", revela Fornasari ressaltando que um plano de combate está sendo planejado para atacar o comércio paralelo. "No início de outubro, a Riocard, em parceria com a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado (Fetranspor), colocará em prática uma campanha de conscientização aos usuários na atividade ilegal dos cartões. Prejuízo para o bolso e demissão por justa causa A Fetranspor alerta: quem vende e compra o Riocard fora da rede credenciada, sai prejudicado. Além de cartões falsos, há o risco de comprar cartões já com parte do valor utilizado. "Se alguém oferecer um cartão, não compre. Essa é a primeira recomendação. Há uma fonte segura, que é comprar pela rede, pelo empregador, seja pela internet ou na rede credenciada bancária", esclarece o diretor de marketing da Fetranspor, João Augusto Monteiro. Para o superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Rio (Setrerj), Márcio Barbosa, a bilhetagem eletrônica dificulta a negociação, já que o atravessador não consegue descarregar o vale transporte de imediato. "O Riocard tem limitação de uso por dia. Este processo reduziu a atuação do comércio paralelo", disse Barbosa ressaltando que, "se um trabalhador for pego durante uma blitz com um atravessador, o Setrerj comunica a empresa que inicia sanções penais. Barbosa explica, ainda, que as empresas que concedem o Riocard para os funcionários têm uma forma de evitar as fraudes através de controle do extrato de utilização. O presidente da Associação dos Passageiros (Aspas), Antônio Gilson de Oliveira, afirma que a omissão de funcionários das empresas de ônibus não inibe o mercado ilegal. "Em vários pontos de ônibus da cidade, a gente vê pessoas com cartões fazendo a venda e a troca por dinheiro e os funcionários das empresas de ônibus não fazem nada", diz Oliveira. Acompanhe nesta segunda-feira, às 17 horas, debate sobre o tema em "O FLUMINENSE Entrevista", na Rádio 540 AM e também pela internet em O FLU Online (ofluminense.com.br) O Fluminense Leia mais: BBB10: Alex, Ana Marcela e Angélica se enfrentam no segundo paredão Militar morre em acidente de carro no Porto Velho, em São Gonçalo Missa homenageia coronel niteroiense morto no Haiti Problema no fornecimento de energia elétrica gera manifestação em Itaboraí Mãe de subsecretário executado morre em Niterói Fila por cirurgias em instituto no Rio de Janeiro tem cerca de 20 mil pessoas

Perfil do Autor

ANTONIO GILSON DE OLIVEIRA

ASPAS ASSOCIACAO DOS PASSAGEIROS