Administração Pública E Privada

27/11/2009 • Por • 4,603 Acessos

 

1. INTRODUÇÃO

 

O objetivo deste estudo é analisar as diversas faces que o estilo de gerenciamento das empresas possui, já que o cenário econômico, político e social sofreria grandes mutações caso houvesse somente uma das modalidades de gerenciamento, podendo ser apenas a administração pública ou administração privada.

Weber acredita que não pode ser extinta uma destas formas administrativas das organizações, contudo ele argumenta os prós e contras das duas administrações.

Na administração pública Max Weber acredita que existem vários fatores que a fazem se tornar importante no cenário empresarial, já que ela favorece a economia e faz com que as crises sejam melhores administradas, e o governo arrecadaria impostos, aplicando em serviços necessários à população. E ainda favoreceria toda a população, sendo que todos teriam os mesmos direitos de cidadãos e facilitaria então a distribuição de renda.

Cada pessoa na administração pública teria a possibilidade da igualdade social garantindo um serviço de qualidade a toda população. E a burocracia seria intensificada, assim garantindo maior eficiência em todos os serviços.

Weber também analisa que a administração privada possui aspectos extremamente relevantes, por isso a necessidade da sua existência, já que assim, cada pessoa teria benefícios individuais, possibilitando o aumento da renda per capita e seria possível a livre iniciativa sobre a planificação estatal.

Além disso, a administração privada preza pela satisfação com o cliente gerando competitividade, e assim a busca incessante pela ampliação de mercado, e oferecendo mais tipos de produtos. Por isso, as pessoas sofreriam mobilidade entre as classes gerando um anseio de ascensão nas classes superiores.

  Sendo assim, serão apresentados a seguir alguns pontos principais para distinguir a administração pública da administração privada, aprofundando melhor os pensamentos de Weber e interpretando o profundo conhecimento deixado por ele à humanidade, já que, foi ele quem percebeu a necessidade de existir estes dois modos de gerenciamento das organizações globais.

 

2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

 

2.1. A burocracia que está mais explícita no setor público garante mais eficiência no desenvolvimento das ações relacionadas à organização

 

Por mais simples que seja os serviços que uma organização desempenhe fica evidente a existência da burocracia, ela que tem como papel fundamental tornar as ações mais eficientes, ocorrendo em maior evidência no setor público.

Os estudos de Weber procuravam estabelecer estrutura, estabilidade e ordem às organizações por meio de uma hierarquia integrada de atividades especializadas, definidas por regras sistemáticas.

Longe de serem inflexíveis, as burocracias foram estabelecidas para oferecer o meio mais eficiente de obter o trabalho feito. Cada funcionário definiria precisamente sua atividade e a relação com outras atividades. Burocratas eram os gestores habilidosos que faziam as organizações funcionar.

A burocracia tem as seguintes características:

· Divisão do trabalho: as atividades são desmembradas em tarefas simples;

· Hierarquia de autoridade: posições ou empregados são organizados de modo a formar a hierarquia;

· Racionalidade: as promoções ocorrem por desempenho e capacitação técnica (mérito);

· Regras e padrões: as decisões gerenciais são guiadas por regras, disciplina e controles;

· Compromisso profissional: todos trabalham para garantir a eficiência organizacional;

· Registros escritos: registros elaborados para detalhamento das transações da organização;

· Impessoalidade: as regras e procedimentos são aplicados de modo uniforme e imparcial.

 

2.2. Redução da desigualdade social, de modo que o Estado teria como principal objetivo, promover a distribuição de renda entre a população

 

O Estado, sendo a principal força controladora da economia, deve proporcionar meios que auxiliem para o crescimento econômico do país. Mas esse crescimento só é viável quando ocorrer para a população em geral, e não somente para uma pequena parcela desta.

Para garantir um crescimento sólido, em todas as classes sociais, a administração pública deve melhorar a intervenção estatal, criando programas de distribuição de renda e inclusão social que melhorem as condições de vida das pessoas e que possibilite à população mais carente, ter acesso a mais benefícios como saúde, lazer, cultura e educação de qualidade além de melhores relações de trabalho

Alguns programas do governo com o bolsa-família, por exemplo, apesar de sofrer muitas críticas por haver algumas falhas estruturais, desempenham um papel fundamental para a economia, pois promove a distribuição de renda. Havendo essa distribuição de renda nas classes mais baixas, a população mais carente terá mais dinheiro à sua disposição para saciar suas necessidades e, ocorre assim, um impulsionamento da demanda.

Com o crescimento da demanda faz-se necessário aumentar a produção, gerando mais riqueza para as empresas que, por sua vez, terão que admitir mais funcionários para suprir este aumento. Se reduzir o número de desempregados menos pessoas necessitarão do auxílio do governo, que poderá então, investir mais recursos em outros projetos. E assim quem ganha é toda a população.

 

2.3. A economia não teria problemas com crises, pois ela seria controlada pela coletividade do Estado havendo um maior planejamento e controle sobre as forças do mercado

 

Com a administração pública a economia tende a ser mais forte, porque o governo arrecada valores através de impostos e possui diversos bens, ampliando a facilidade em se manter estável perante crises em alguns setores.

A economia obteria grandes avanços já que assim o Estado pode fazer um maior planejamento para lutar com as forças externas e controlar os problemas dos mercados. A economia sendo forte e planejada para atender a coletividade do Estado traz estabilidade para todos.

O modelo Ideal de Max Weber falava que cada tarefa deveria ser executada por um especialista, então cada pessoa da administração pública teria que ser responsável por uma tarefa. A promoção deve ser por mérito e competência devendo oferecer a estabilidade no cargo.

É fundamental haver a formalização dos processos para que todos tenham conhecimento de quais os procedimentos a serem realizados de tal forma que os torne impessoal. A linha de comando deve ocorrer de maneira que cada subordinado realize as tarefas se reportando somente a um superior imediato.

Weber também julgava que a burocracia era o maior perigo do homem, descrevendo ela como uma doença e não como remédio.

 

2.4. Ter a possibilidade da igualdade social, pois todos terão oportunidade de serem tratados de forma semelhante, pois todos possuem os mesmos direitos

 

Com o domínio da administração pública, e as teorias de Marx, a população em geral teria remuneração igual, sendo assim um médico teria exatamente os mesmos benefícios salariais de um profissional de limpeza, permitindo assim a igualdade dos valores e condições sociais, onde não existira teoricamente nenhuma pessoa “superior” a outra na sociedade, permitindo assim que cada pessoa seguisse uma profissão que lhe agradasse, e não devido a remuneração.

            A formação estudantil básica seria a mesma para cada membro desta sociedade, possibilitando o crescimento mútuo e dando oportunidade para todos, que teriam os mesmos direitos e deveres. Desta forma o consumismo se extinguiria por que cada um teria direito de adquirir os mesmos bens de outra pessoa qualquer.

            Sendo assim cada pessoa teria papel fundamental na evolução interpessoal e cultural da sociedade, pois para o sucesso comum todos teriam que cooperar sendo eficientes em suas funções para que o sistema funcionasse em equilíbrio e consistência.

 

3. ADMINISTRAÇÃO PRIVADA

 

3.1. A pessoa tem livre mobilidade entre as classes (oportunidade de crescimento)

 

O tipo ideal elaborado por Max Weber referente à burocracia forneceu uma base para as reformulações contemporâneas da análise da organização. Weber analisou a burocracia destacando as seguintes características:

  1. Principio das atribuições oficiais (grau de especialização);
  2. Principio da hierarquia funcional (sistema racionalmente organizado de mando e subordinação, linha de comando);
  3. Uniformidade na organização de tarefas (conjunto específico de regras para tomada de decisão);
  4. Formação profissional (recrutamento baseado no conhecimento técnico e perícia);
  5. Eficiência dos funcionários;
  6. Normas;
  7. Promoção por mérito e estabilidade no cargo;
  8. Formalização de procedimento.

Então de acordo com Weber, na administração privada às pessoas tem a oportunidade de trabalhar para ter seu dinheiro, ter reconhecimento profissional e ser promovido de cargo por mérito próprio. As pessoas podem escolher em qual das classes sociais quer estar incluída e lutar por essa posição.

Na administração privada a pessoa que tem mais ambição pode trabalhar mais e consequentemente ganhar mais dinheiro para satisfazer suas necessidades tanto pessoais quanto profissionais. As pessoas também tem a liberdade de mudar de vida e abrir seu próprio negócio e assim administrá-lo da maneira que melhor lhe convém.

 

3.2. Oferece o melhor serviço para alcançar a satisfação do cliente se tornando competitiva

 

Conforme citado acima, a administração privada possui muitos meios para melhor atender clientes, para sobreviver (quando bem administrada) e para ser mais bem vista perante a sociedade.

Todas as organizações funcionam em um ambiente competitivo, seja próximo e imediato ou não. O ambiente competitivo compreende organizações especificas com as quais a organização interage. O ambiente competitivo inclui os concorrentes atuais, a ameaça de novos entrantes, a ameaça de substitutos e o poder de fornecedores e consumidores. Portanto, quem sai ganhando é o cliente que terá o poder de escolha. As empresas vão “brigar” entre si, procurando sempre ser a melhor, ter melhores preços e qualidade, atender com eficiência seus clientes, para obter maiores vendas e lucros.

Se existissem apenas organizações públicas, não haveria esse leque de opções que são ofertados hoje às pessoas. Seria ofertado o que e como a empresa quer vender, e não o que e como o cliente quer comprar.

A competitividade pode ser caracterizada pela busca da produção em certa escala, com preço competitivo e que proporcione satisfação aos clientes. Competitividade em nível global e satisfação do cliente fazem parte do dia-a-dia das empresas, e diante disso é fundamental aproximar-se do cliente, e conhecer suas necessidades e valores.

Na gestão pública não se faz necessário essa preocupação, pois ela tem a finalidade de proporcionar serviços aos cidadãos, além de arrecadar tributos. Já a iniciativa privada tem o objetivo de fazer a empresa gerar lucro. E para isso, precisa conquistar novos clientes todos os dias, ofertando inúmeros benefícios, bem como preço e qualidade.

 

3.3. Maior flexibilidade de benefícios individuais, possibilitando o aumento da renda per capita

 

As empresas privadas realizam função produtiva fundamental em uma economia. Como essas empresas pertencem a pessoas – totalmente dependentes destas empresas – e não ao estado, o trabalho que os empregados desenvolvem neste tipo de empresa é muito maior do que se trabalhassem em algum lugar que pertence ao estado, ou seja, pertence a todos e ao mesmo tempo a ninguém. O conceito a que me refiro é o de produtividade, ou seja, quanto mais eficientes se tornam as pessoas em diferentes condições de trabalho.

Weber, em seu tipo ideal, afirmava que as empresas devem ter suas tarefas realizadas por profissionais. Nesse aspecto a empresa privada leva vantagem sobre a empresa estatal, pois na empresa privada há uma flexibilidade muito grande em relação a seleção de pessoal, e ainda, se a pessoa selecionada não corresponder as expectativas ela pode ser substituída sem grandes problemas. O que acontece na administração pública é uma grande padronização da seleção de pessoas através de concursos, isso pode, por um lado, diminuir o paternalismo, mas por outro lado, causa ineficiência e, além disso, muitas vezes a pessoa selecionada não possui as características aspiradas pelo cargo em questão.

Dessa perspectiva, pode-se dizer que as empresas privadas são muito eficientes frente às empresas públicas, pois o objetivo principal dessas empresas consiste em buscar a maximização dos lucros, ou seja, aumentar a diferença entre suas receitas e seus custos.

Partindo dessa análise, conclui-se que a administração privada gera eficiência. Eficiência causa aumento nos lucros. O aumento nos lucros propicia, entre outros, o investimento e o crescimento da economia. Além disso, o PIB e a riqueza das nações se maximizam.

 

3.4. Cada um é responsável pela sua qualidade de vida

 

A administração pública defende uma maior igualdade entre as pessoas, mas como garantir uma boa qualidade de vida para todos? O governo vai conseguir sustentar todos dignamente? Haverá igualdade entre todos?

Teoricamente qualquer proposta pode parecer perfeita, mas na prática nem sempre é assim. Para responder a estas questões abordaremos o exemplo da antiga URSS, que implantou o regime socialista na década de 20. A principio a população toda estava ansiosa por esse regime político, mas ao decorrer dos anos, descobriram que não era toda aquela perfeição anunciada.

Nesse período os problemas gerados pela burocratização do governo soviético foram piorando a situação social, política e econômica do país. As promessas de prosperidade e igualdade, propagandeadas pelos veículos de comunicação estatais, faziam contraste com os privilégios a uma classe que vivia à custa da riqueza controlada pelo governo, enquanto o resto do povo estava em péssimas condições.

Na administração privada cada um é responsável pela sua qualidade de vida. O seu sucesso ou fracasso vai depender única e exclusivamente de si mesmo.

 

4. EQUILÍBRIO ENTRE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E PRIVADA

 

Posterior ao que foi visto sobre administração pública e privada, pode-se perceber a importância de ambas as administrações para que haja o equilíbrio da sociedade. Pois se somente uma delas for intensificada haverá um abalo na estrutura social em que as pessoas estão inseridas.

Se o modelo de administração fosse focada na gestão pública, as organizações e as pessoas em que delas fazem parte não seriam competitivas e não teriam a oportunidade de desenvolvimento pelo reconhecimento do seu trabalho. Também as pessoas não teriam tanto poder de escolha e seriam dependentes desse tipo organização.

Entretanto, se a sociedade estivesse baseada na iniciativa privada a questão mais intensificada seria a desigualdade, pois os de maior poder aquisitivo teriam o privilégio de terem maior escolha e melhores oportunidades, fazendo com que as classes econômicas mais baixas fossem excluídas cada vez mais.

No entanto, a burocracia existe em ambas as administrações e não se intensificaria ou se extinguiria se apenas uma delas reinasse. A burocracia faz com que esses dois tipos de gestão caminhem lado a lado e ao mesmo tempo uma contra a outra.

Contudo, a organização privada depende da pública e vice-versa, para que haja estabilidade e não hajam oscilações nas ações tomadas por ambas no contexto social. Isso faz com que uma gestão fiscalize a outra, havendo assim, o já citado, equilíbrio da sociedade.

 

5. CONCLUSÃO

 

Weber nos apresenta dois modelos de gerenciamento da economia, a administração pública e a administração privada. Através de uma interação entre esses dois estilos gerenciais há uma possibilidade maior de se obter o sucesso econômico.

Na administração pública percebe-se que o governo teria a possibilidade de manipular as ações da empresa, ou seja, nem sempre visaria maximizar os lucros, pois muitas vezes não é isso o mais importante e sim manter empregos e o bem estar da população. Além disso, aplicaria o dinheiro arrecadado nessas empresas em serviços necessários para o desenvolvimento social. Esse tipo de empresa faz com que a igualdade social seja lembrada.

Já na administração privada teríamos eficiência, através de profissionalismo e da burocracia. A possibilidade de expansão econômica é muito maior na administração privada.

Por isso, Weber acredita, que o uso estratégico e interativo desses dois modelos administrativos tem como conseqüência uma administração de maior qualidade.

 

6. REFERÊNCIAS

 

BATEMAN, Thomas S.; SNELL, Scott A. Administração: novo cenário competitivo. São Paulo: Atlas, 2006.

 

BERNARDES, Cyro; MARCONDES, Reynaldo C. Sociologia aplicada à administração. São Paulo: Saraiva, 2001.

 

CASTRO, Celso A. P. de. Sociologia aplicada à administração. São Paulo: Atlas, 2008.

 

SILVA, José Otacílio da. Elementos de sociologia geral: Marx, Durkheim, Weber, Bourdieu. Cascavel: Edunioeste, 2004. 

 

Perfil do Autor

Diego Cerioli

Diego Cerioli 19 anos Cursando 2º ano de Bacharel em Administração pela UNIOESTE - Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus de...