Alimentos funcionais e Diabetes

Publicado em: 10/07/2010 |Comentário: 0 | Acessos: 2,989 |

Inúmeros fatores afetam a qualidade da vida moderna, de forma que a população deve conscientizar-se da importância de alimentos contendo substâncias que auxiliam a promoção da saúde, trazendo com isso uma melhora no estado nutricional.

O índice de diabetes tem se elevado vertiginosamente e a dieta habitual é um dos principais fatores determinantes passíveis de modificação na prevenção da doença. Um estudo recentemente divulgado pela OMS revela que em 2030, o diabetes mellitus será a segunda causa de morte na América Latina. De acordo com os indicadores da OMS, o mundo já vive uma epidemia de diabetes. Em 1985, a doença atingia aproximadamente 30 milhões de pessoas. O número aumentou para 135 milhões em 1995 e para 177 milhões em 2000. A entidade estima que a prevalência do diabetes deva alcançar 333 milhões de pessoas em 2025.

O aumento das taxas de sobrepeso e obesidade associado às alterações do estilo de vida e ao envelhecimento populacional, são os principais fatores que explicam o crescimento da prevalência do diabetes tipo 2. As modificações no consumo alimentar da população brasileira – baixa freqüência de alimentos ricos em fibras, aumento da proporção de gorduras saturadas e açúcares da dieta - associadas a um estilo de vida sedentária compõem um dos principais fatores etiológicos da obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas.(SARTORELLI, D. S. & FRANCO, L. J.)

A diabetes, umas das doenças mais temidas pelas dificuldades terapêuticas que apresenta e pelos altos índices de mortalidade pode ser evitada com uma alimentação balanceada, rica em alimentos que possuam propriedades capazes de diminuir os riscos de adquiri-la.

Assim, o papel da nutrição hoje vai além da ênfase sobre a importância de uma dieta balanceada. Ela deve almejar a otimização da nutrição, com o objetivo de maximizar as funções fisiológicas e garantir aumento da saúde e bem estar e a redução do risco de doenças

(ROBERFROID, 2002 apud CARVALHO P. G.B. et al)

O estabelecimento de guias de alimentação e nutrição saudável tem por base o reconhecimento de que um nível ótimo de saúde depende da nutrição (SICHIERI R. et al) . Com o aumento da obesidade e das doenças associadas a ela torna-se necessária a prevenção e orientação para a redução das deficiências nutricionais visando à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis como o diabetes por exemplo.

Grande parte das doenças crônicas apresenta-se intimamente relacionadas e há uma verdadeira rede de relações das doenças entre si, bem como os fatores de risco a elas relacionados (SICHIERI R. et AL).

A diabetes assim como a hipertensão, infarto do miocárdio são consideradas doenças crônicas não transmissíveis que tem como um dos principais fatores de risco a obesidade.

Assim sendo torna-se explícito que a alimentação é a base da prevenção dessas doenças e que os alimentos funcionais tornaram-se, portanto uma arma na contra as mesmas, tendo em vista que possuem propriedades essenciais para o tratamento e diminuição dos riscos de obtenção de tais doenças.

A prevenção do diabetes e seu tratamento estão intimamente relacionados com a alimentação e os alimentos funcionais tem se mostrado importantes aliados nesse processo.

 

Diabetes Mellitus

A diabetes Mellitus (DM) é uma doença metabólica que acomete milhares de pessoas em todo o mundo. Caracteriza-se pelo acúmulo de glicose no sangue devido à ausência ou ao não reconhecimento pelo próprio organismo, de um hormônio chamado insulina.

A diabetes pode ser classificada em dois tipos: Diabetes Mellitus tipo I e Diabetes Mellitus tipo II, que correspondem entre 5% a 10% e 85% a 90% do total de casos de Diabetes respectivamente. No diabetes mellitus tipo I ou diabetes juvenil, o individuo apresenta-se dependente de uma ou mais aplicações diárias de insulina, por isso antigamente chamávamos de insulinodependente. Já no diabetes Mellitus tipo II caracteriza-se pela intolerância à glicose e hiperglicemia de jejum, sendo sua principal alteração fisiopatológica a resistência periférica à ação da insulina no fígado, nos adipócitos e nos músculos esqueléticos, associada a uma deficiência relativa na secreção de insulina e a uma produção hepática excessiva de glicose, que levam à hiperglicemia. (FARRET, 2005; apud SÁ J. M. et al. 2009).

De acordo com (ALMEIDA; 1997; GROSS et al.,2002) o ‘fator genético' é um dos fatores que mais influenciam o aparecimento do diabetes mellitus tipo II.Assim como a ação do próprio organismo,é responsável pelo desenvolvimento do diabetes tipo I.Devido a esse fato é considerada uma doença autoimune.Essa resposta imunológica acontece devido uma falha do sistema imunológico no reconhecimento da insulina, que resulta em respostas imunes contra as células e tecidos do próprio organismo.No caso da diabetes o corpo age destruindo as células beta produtoras de insulina no pâncreas.

Como método mais simples de diagnóstico do diabetes, existe o teste de mensuração da glicose em jejum, que associados a alguns sinais e sintomas mais freqüentes, são utilizados para confirmar o diagnóstico da doença. Exemplos deles:muita fome (polifagia), muita sede (polidipsia), abundante emissão de urina (poliúria), fraqueza e fadiga, perda excessiva de peso apesar da grande ingestão de alimentos.

O tratamento do Diabetes Mellitus é realizado através de ação farmacológica e não farmacológica. Hipoglicemiantes orais e/ou insulina,e uma dieta balanceada juntamente com exercícios físicos,são exemplos,respectivamente.

Pelo fato da obesidade está presente em aproximadamente 80 a 90% dos diabéticos tipo II torne-se fundamental a realização de algum tipo de exercício (MELLO et al., 2003; SARTORELLI; FRANCO, 2003). Isso porque  pequenas reduções de massa corporal (5 a 10%) se associam a significativa melhora nos níveis pressóricos e nos índices de controle metabólico, reduzindo a mortalidade relacionada ao Diabetes. Dentre os exercícios recomendados, os aeróbios são sempre os mais escolhidos, devido ao fato de ainda serem os mais estudados e apresentarem um maior gasto de calorias. Exercício aeróbico refere-se ao uso de oxigênio no processo de geração de energia dos músculos. Esse tipo de exercício trabalha uma grande quantidade de grupos musculares de forma rítmica. Andar, correr, nadar e pedalar são alguns dos principais tipos desse exercício. (QUEVEDO; 2009) Para o diabetes tipo I, também mostra um grande beneficio ,quando lembramos que a redução de gordura no corpo,principalmente na região abdominal, potencializa a ação da insulina no organismo.

O benefício da atividade física regular tem sido amplamente divulgado. Estudos epidemiológicos mostram fortes evidências que o exercício físico regular associado a uma dieta equilibrada diminui a incidência de diabetes tipo I. Estudos mostram que o programa de exercício físico em indivíduos tipo II induz a melhora em variáveis como glicemia de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico, freqüência cardíaca, índice de massa corporal.A melhora nesses parâmetros decorrentes de uma pratica de atividade física regular e continuada, no paciente diabético são ainda mais importantes visto que o risco de mortalidade por doenças coronarianas é cinco vezes maior nesses indivíduos em comparação com quem não tem Diabetes Mellitus.

Esses bons hábitos junto a uma boa alimentação garantem ao paciente uma vida longa, e evitarão complicações que podem surgir decorrentes da falta de controle da glicemia. Complicações estas que estão relacionadas com alterações vasculares gerando lesões em órgãos alvo, ou seja, os danos, disfunção e falência de órgãos como rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos.(PICCOLI et al.,2005).

Algumas dessas complicações se desenvolvem, mas passam despercebidas, e só serão notadas quando houver um agravamento no quadro clínico. Essa é a principal característica das complicações crônicas.Nefropatia diabética(insuficiência renal),retinopatia diabética são alguns exemplos.

Segundo Silva; Silva (2005), apud Piccoli et al.,2005 a nefropatia diabética é progressiva (atinge 20% dos pacientes diabéticos após 20 anos ou mais de doença instalada), apresentando como primeiro sinal a microalbuminúria (presença de proteína na urina),que também está associada à doença da artéria coronária em pacientes com DM tipo II).

Depois dos rins, os olhos são os órgãos mais afetados pelo diabetes a longo prazo. Algumas doenças dos olhos como glaucoma e catarata ,também acontecem em indivíduos não-diabéticos,mais apresentam-se em maior índice em pessoas com diabetes.A retinopatia diabética é uma doença ocular limitada aos diabéticos e pode levar a cegueira.

 

Alimentos funcionais

Há em todo o mundo um crescente interesse pelo papel desempenhado na saúde por alimentos que contenham componentes que influenciam em atividades fisiológicas ou metabólicas, ou que sejam enriquecidos com substâncias isoladas de alimentos que possuam uma destas propriedades, os quais estão sendo chamados "alimentos funcionais"

De acordo com a secretaria de vigilância sanitária, do ministério da saúde, alimento funcional é "Aquele alimento ou ingrediente que além das funções nutritivas básicas quando consumido como parte da dieta usual produza efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para o consumo sem supervisão médica." (RDC nº 18 de 30/04/99)

Embora seja inegável a forte ligação entre dieta e saúde, apregoada há milênios, esse conceito tem sido fortalecido e rapidamente propagado nos últimos anos, sob a égide dos chamados alimentos funcionais. Essa nova Área das Ciências dos Alimentos e da Nutrição constitui, atualmente, uma tendência marcante na pesquisa e na indústria de alimentos.

SOUZA et al 2003 apud MORAES F P et al afirma que:

 

Alimentos funcionais devem apresentar propriedades benéficas além das nutricionais básicas, sendo apresentados na forma de alimentos comuns. São consumidos em dietas convencionais, mas demonstram capacidade de regular funções corporais de forma a auxiliar na proteção contra doenças como, hipertensão, diabetes e câncer.

De acordo com ROBERFROID 2002 os alimentos funcionais apresentam as seguintes características:

a) devem ser alimentos convencionais e serem consumidos na dieta normal/usual;

b) devem ser compostos por componentes naturais, algumas vezes, em elevada concentração ou presentes em alimentos que normalmente não os supririam;

c) devem ter efeitos positivos além do valor básico nutritivo, que pode aumentar o bem-estar e a saúde e/ou reduzir o risco de ocorrência de doenças, promovendo benefícios à saúde além de aumentar a qualidade de vida, incluindo os desempenhos físico, psicológico e comportamental;

d) a alegação da propriedade funcional deve ter embasamento científico;

MORAES F. P. et al

e) pode ser um alimento natural ou um alimento no qual um componente tenha sido removido;

g) pode ser um alimento onde a natureza de um ou mais componentes tenha sido modificada;

h) pode ser um alimento no qual a bioatividade de um ou mais componentes tenha sido modificada

 

Abaixo estão descritas algumas substâncias que são consideradas funcionais:

Substância

 

Funções

Fontes alimentares

ÁCIDOS GRAXOS MONOINSATURADOS

Efeito protetor sobre cânceres de

mama e de próstata

Azeite de oliva

ÔMEGA – 3:

Efeito protetor de doenças

Cardiovasculares

 

Evita a formação de coágulos

sanguíneos na parede arterial

 

Diminui a pressão sanguínea

 

Aumenta o HDL plasmático

(colesterol bom) e reduz o colesterol

LDL (ruim)

 

Pode diminuir a quantidade de

triglicérides no sangue

Peixes de água fria e

frutos do mar.

ÔMEGA – 6:

Efeito protetor para as doenças

cardiovasculares.

óleos vegetais,

como azeite, óleo de

canola, milho e

girassol, bem como

nas nozes, soja e

gergelim

FITOESTERÓIS

Age precipitando o colesterol dietético presente no intestino, pode colaborar a redução da absorção do colesterol.

 

Têm propriedade de auxiliar no

controle de alguns hormônios sexuais e, eventualmente aliviar os sintoma de TPM por atenuar a queda de estrógeno que ocorre nesta fase

Óleos vegetais,

cremes vegetais com

adição desta

substância, legumes,

gergelim, e semente

de girassol

FITOESTRÓGENOS

Isoflavona

(genisteína e a daidzina)

Menor incidência de doenças cardiovasculares

 

Câncer de mama

 

Câncer de próstata

 

Osteoporose

Soja

 

Inhame

Antocianinas (flavonóides)

Possuem propriedades anticarcinogênicas,

anti-inflamatórias e

anti - alérgicas

Cerejas, jambolão,

uvas, vinho,

morangos, amoras

vermelhas, uvas,

vinho, berinjelas

entre outros

 

 

Antoxantinas (flavonóides)

 

Possuem propriedades anticarcinogênicas,

antiinflamatórias e

anti - alérgicas

 

 

Batata e repolho

branco

CAROTENÓIDES

Essenciais para a visão, diferenciação das células, desenvolvimento embriológico e outros processos fisiológicos, e ainda possuem ação estimulante ao sistema imunológico, inibem a mutagênese e protegem contra a oxidação e contra doenças cardiovasculares

Cenoura, abóbora e

mamão

LICOPENO

Reduz a concentração de radicais

livres

 

Previne o ataque cardíaco por impedir a oxidação de LDL

Tomate, melancia

FIBRAS SOLÚVEIS

Absorvente sobre os ácidos e sais

biliares que atenuam a velocidade de

absorção de diversos nutrientes, entre

eles a glicose e o colesterol

Algumas frutas,

vegetais,

leguminosas

(soja) e aveia

FIBRAS INSOLÚVEIS

Como celulose e lignina, por não

serem digeridos favorecem o bom

funcionamento dos intestinos, aumentando o volume fecal, e atualmente sendo citados como fator

importante na redução de incidência

de câncer de intestino (cólon).

Cascas de cereais

Fonte:Jus Navigandi - Doutrina - Alimentos funcionais: aspectos relevantes para o consumidor

 

Os alimentos funcionais se caracterizam por oferecer inúmeros benefícios à saúde, além dos nutrientes básicos presentes em sua composição. Vários fatores contribuem para o desenvolvimento dos alimentos funcionais, sendo o principal deles a busca da população pela melhoria da qualidade de vida, optando por hábitos alimentares mais saudáveis que contribuam para a diminuição dos riscos de obtenção de doenças.

Segundo VIEIRA A. C. P(2007, p.1):

Naturalmente, todos os alimentos são funcionais, uma vez que nos proporcionam sabor, aroma e valor nutritivo. Entretanto, nas últimas décadas, o termo funcional está sendo aplicado a alimentos com uma característica diferente, a de proporcionar um benefício fisiológico adicional, além das qualidades nutricionais básicas encontradas. Tais alimentos também são vistos como promotores de saúde e podem estar associados à redução ao risco a certas doenças.

No entanto pesquisadores advertem que sozinhos, os alimentos funcionais não são capazes de garantir uma boa saúde. No entanto podem trazer benefícios à saúde quando fazem parte de uma dieta contendo uma variedade de alimentos saudáveis.

MORAES F. P(2006, p.2, vol.3) afirma que:

 

Uma grande variedade de produtos tem sido caracterizada como alimentos funcionais, incluindo componentes que podem afetar inúmeras funções corpóreas, relevantes tanto para o estado de bem-estar e saúde como para a redução do risco de doenças. Esta classe de compostos pertence à nutrição e não à farmacologia, merecendo uma categoria própria, que não inclua suplementos alimentares, mas o seu papel em relação às doenças estará, na maioria dos casos, concentrado mais na redução dos riscos do que na prevenção.

Alimentos funcionais no tratamento e redução de riscos do diabetes

 

Como já foi mencionado, uma má alimentação é um dos principais fatores de risco para o diabetes, e alimentos com propriedades capazes de ajudar no tratamento e reduzir os riscos da doença, conhecidos como alimentos funcionais, tornaram-se aliados da população na busca da melhoria da qualidade de vida.

São inúmeros os alimentos com propriedades que os classificam como funcionais. No entanto no tratamento e controle de risco do diabetes ainda há muito que se estudar. Vários dados de alimentos utilizados no controle do diabetes são encontrados. Todavia, são poucos os que possuem comprovação científica.

O que se pode dizer é que alimentos ricos em fibras solúveis presentes em frutas, verduras, cereais, leguminosas, apresentam efeitos evidentes na prevenção do diabetes.

 

Fibras

É difícil uma definição ideal do que são fibras, pois elas são constituídas por uma grande variedade de substâncias com propriedades físicas, químicas e fisiológicas diferentes (AMARAL A.C.M. et al). Segundo a Association of Official Analytical Chemists (AOAC), órgão americano, "fibra alimentar é a parte comestível das plantas ou análogos aos carboidratos que são resistentes à digestão e absorção pelo intestino delgado humano, com fermentação parcial ou total no intestino grosso".

São classificadas de acordo com sua solubilidade em água podendo ser solúveis e insolúveis. As fibras solúveis, usadas no tratamento do diabetes, retardam o esvaziamento gástrico, absorção da glicose e reduzem o colesterol. As insolúveis aceleram o transito intestinal e aumentam o peso das fezes.

As fibras solúveis presente na aveia, nas frutas, nas leguminosas, formam um gel esponjoso no intestino promovendo uma liberação lenta dos nutrientes para corrente sanguínea. No caso do diabetes isso proporciona um aumento lento e gradual da concentração de glicose no sangue, tornando bem mais fácil o controle pelo organismo. Além disso, as fibras também tornam as células mais sensíveis à insulina, sendo, portanto também eficaz no controle do diabetes tipo II.

AMARAL A. C. M. et al (p.20) destaca que dentre os inúmeros benefícios que as fibras trazem para portadores de diabetes destacam-se:

 

Digestão e absorção lentas dos nutrientes, diminuição da glicose plasmática pós-prandial. Aumento da sensibilidade dos tecidos à insulina, aumento do número de receptores à insulina, estimulação do uso da glicose, controle da produção hepática de glicose, diminuição da liberação de hormônios contra-reguladores (glucagon), diminuição do colesterol sérico, diminuição dos triacilgliceróis séricos em jejum e pós-prandiais, possível atenuação da síntese de colesterol pelo fígado, pode aumentar a saciedade entre as refeições.

No final dos anos 90 foram realizadas pesquisas relacionadas aos fatores hormonais e sua relação no controle glicêmico, sendo então descoberta a importância do hormônio GLP-1 (Glucagon Like Peptide-1). a associação das fibras com tal hormônio se dá devido a produção de grandes quantidades de ácidos graxos de cadeia curta que são potentes estimuladores da secreção de GLP-1 pelas fibras solúveis altamente fermentáveis.

O GLP-1 é um peptídeo derivado do Proglucagon, encontrado em grandes concentrações na mucosa do íleo distal e intestino grosso. Também é considerado um potente agente antidiabetogênico, porque estimula a secreção de insulina, inibe a secreção de glucagon e retarda o esvaziamento gástrico. Essas reações levam à redução da glicemia, permitindo melhor controle glicêmico nos pacientes diabéticos. Alguns pesquisadores têm avaliado a relação entre a produção de GLP-1 através do consumo alimentar, sendo, portanto, descoberto que dependendo da dieta ofertada, pode-se encontrar maior ou menor produção de GLP-1.

AMARAL A.C.M. et al afirma que dietas ADA com teores de fibras adequados (de acordo com as recomendações) por período prolongado, melhoram significativamente o controle glicêmico e reduzem o requerimento diário de insulina exógena. Essas recomendações são padronizadas pela (American Dietetic Association) que recomenda, para adultos sadios, a ingestão de fibras de 20 a 35 g/dia ou 10 a 13 g de fibras para cada 1.000 kcal ingeridas. Para crianças (acima de 2 anos) e adolescentes (até 20 anos), a recomendação é igual à idade mais 5 g de fibras/dia. Para os idosos, recomenda-se de 10 a 13 g de fibras para cada 1.000 kcal ingeridas.

 

Fontes de fibras

Hortaliças: As paredes celulares das hortaliças, compostas principalmente por celulose, hemicelulose, pectinas, proteínas e polifenóis, são a principal fonte de fibras dietéticas, portanto eficazes no controle de risco do diabetes.

Aveia: cereal de boa qualidade nutricional rico em fibras solúveis e com efeito hipoglicêmico.

Soja: leguminosa rica em fibras solúveis, muito utilizada em pesquisas sobre o tratamento do diabetes, pois além de fibras possui um outro composto (isoflavona). Sabe-se que a genisteína, um tipo de isoflavona atua como inibidor das proteínas tirosina quinases (receptores para insulina), e sua ligação a estes receptores promovem aumento da secreção de insulina.

Farinha da casca do maracujá amarelo: Há muito se conhece sobre os efeitos calmantes do maracujá. Porém estudos realizados em pacientes portadores de diabetes demonstram sua eficácia no controle dos níveis glicêmicos desses pacientes.

A casca de maracujá é rica em pectina, uma fração de fibra solúvel capaz de ligar-se à água e formar compostos de alta viscosidade, conferindo-lhe efeitos fisiológicos peculiares (SANDERSON, 1981, apud MEDEIROS J S et al).

Além de alimentos ricos em fibras, algumas plantas comestíveis tais como Allium cepa L. (Liliaceae) (cebola) e Allium sativum L. (Liliaceae) (alho) são usadas no tratamento de diabetes por possuírem baixa concentração de carboidrato e gordura.

OKAYR et al, 2001 apud NEGRI G.2005, vol 41 afirma que:

 

Aloe vera tem sido muito usada em todo o mundo, devido às suas propriedades medicinais. O extrato aquoso da folha de Aloe vera mostrou atividade hipoglicêmica em ratos com diabetes tipo I e II, apresentando maior atividade no diabetes tipo II do que a glibenclamida. Aloe vera melhorou a cicatrização de ferimentos nos ratos que tiveram o diabetes induzido. O gel obtido da folha apresentou atividade hiperglicemiante, portanto, o extrato da folha sem o gel pode ser útil no tratamento do diabetes mellitus.

 

Isso comprova que além de alimentos ricos em fibras alguns outros alimentos possuem propriedades capazes de ajudar no controle do diabetes. No entanto ainda são poucos os dados concretos a respeito do assunto e muitas pesquisas ainda se encontram em andamento.

Conclusão

Sendo o diabetes uma doença que acomete uma parte significante da população e tendo em vista que os índices de incidência da doença têm aumentado rapidamente nos últimos anos, o cuidado com a alimentação, que é um dos principais fatores de risco da doença, tornou-se uma preocupação da população. Na busca da melhoria da qualidade de vida uma nova classe de alimentos, conhecida como alimentos funcionais foi introduzida no mercado pelos japoneses na década de 80.

Ainda há muito que se estudar sobre alimentos funcionais, mas diante do que se tem de concreto pode se dizer que embora muitas pesquisas ainda estejam em desenvolvimento, não se pode negar a eficácia já comprovada de tais alimentos, no tratamento e diminuição dos riscos de doenças como o diabetes.

Com base em revisão bibliográfica, observa-se que, num contexto geral, não apenas alimentos funcionais, mas uma alimentação saudável associada á pratica de exercícios físicos, possuem eficácia na prevenção e controle do diabetes.

Sendo assim, a torna-se indispensável atuação da Nutrição, visando uma reeducação alimentar da população, enfatizando a importância do consumo de alimentos saudáveis e com propriedades que proporcionem a redução dos riscos de se adquirir doenças relacionadas com a alimentação como o diabetes por exemplo.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Messina M., Messina V., Setchell K; Documento 176, Soja e diabetes, 2002.

 

Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences Vol. 41, n. 2, abr./jun., Giuseppina Negri,Diabetes mellitus: plantas e princípios ativos naturais hipoglicemiantes,2005.

 

Revista Eletrônica de Farmácia Vol. 3(2), 109-122, 2006

ISSN 1808-0804 ALIMENTOS FUNCIONAIS E NUTRACÊUTICOS: DEFINIÇÕES,LEGISLAÇÃO E BENEFÍCIOS À SAÚDE. Fernanda P. Moraes & Luciane M. Colla;Functional foods and nutraceuticals: definition, legislation and health benefits.

 

Carvalho,P. G B; Machado,C. M. M; Moretti C. L.; Fonseca, M. E. de N. -Embrapa Hortaliças, Hortaliças como alimentos funcionais

Sichieri,R.; Coutinho,D. C.; Monteiro, J. B. ; Coutinho, W. F.; Recomendações de Alimentação e Nutrição Saudável para a População Brasileira.

 

Amaral A. C. M.; Magnoni D. ,Cukier C. ;Fibra Alimentar.

 

Alimentos funcionais: aspectos relevantes para o consumidor

Texto extraído do Jus Navigandi, Adriana Carvalho Pinto Vieira, Adriana Regia Cornélio, J. M. Salgado

 

CASTILHO, A.C. et al. A Importância das Fibras Alimentares para o Paciente Diabético. Support, 2005.

 

SÁ, J. M.; MOTA, C. S.; LIMA, G. C. F.; MARREIRO, D. N.; POLTRONIERI, F. Participação da fibra solúvel no controle glicêmico de indivíduos com diabetes mellitus tipo II. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 34, n. 2, p. 229-243, ago. 2009.

 

CARVALHO, A. R. S.; VIVIAN, K. I; PICCOLI M. Identificando as complicações do diabetes mellitus em freqüentadores de um centro regional de especialidades;

 

QUEVEDO S. O papel do exercício físico no diabetes mellitus, p.3, 2009.

 

ALMEIDA, H. (Org.) Diabetes mellitus: uma abordagem simplificada para profissionais de saúde. São Paulo: Atheneu, 1997.

 

GROSS, J. L.; SILVEIRO, S. P.; CAMARGO, J. L.; REICHELT, A. J; AZEVEDO, M. J. Diabetes mellitus: diagnóstico, classificação e avaliação do controle glicêmico. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, São Paulo, v.46, n.1, p.16-26, 2002.

 

MELO, K. F. S.; GIANNELLA, M. L. C. C.; DE SOUZA, J. J. S.; FIDELIX, M. S. P.; NERY, M; NETO; D. G. Diabetes mellitus. Revista Brasileira de Medicina, São Paulo, v.60, n.7, p. 505-15, 2003.

 

SARTORELLI, D. S.; FRANCO, L. J. Tendências do diabetes mellitus no Brasil: o papel da transição nutricional. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, supl. 1, p.29-36, 2003.

 

Alan L. Rubin.Diabetes para leigos.2º Edição.Rio.Ed. AltaBooks,2008.

 

Avaliar artigo
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
  • 1 Voto(s)
    Feedback
    Imprimir
    Re-Publicar
    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/nutricao-artigos/alimentos-funcionais-e-diabetes-2807373.html

    Palavras-chave do artigo:

    aliementos funcionais diabetes

    Comentar sobre o artigo

    Ter uma pele macia, hidratada, jovial e sem manchas é o sonho de toda mulher. Uma alimentação saudável contribui fortemente para a manutenção da beleza externa, em especial, uma dieta que priorize a presença de frutas diferenciadas no cardápio.

    Por: Karina Silva Fariasl Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 06/11/2014 lAcessos: 18

    Para conquistar um coração saudável é preciso adotar uma alimentação equilibrada e saudável. Não há caminhos fáceis para alcançar este objetivo, muitas tentações tentarão barrar essa conquista. Porém, o resultado é recompensador, maior bem-estar, qualidade de vida e longevidade, são algumas das recompensas que aguardam as pessoas que almejam ter um coração mais saudável.

    Por: Karina Silva Fariasl Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 05/11/2014

    Suplementos Nutricionais - Uma das indústrias que mais cresce no mundo é a de suplementos nutricionais, ou mais amplamente conhecido como vitaminas, minerais e suplementos. Produzindo cerca de US $ 32 bilhões em receita para os suplementos nutricionais apenas em 2012, projeta-se para o dobro que em chegando a US $ 60 bilhões em 2021 de acordo com o "Nutritional Business Journal".

    Por: leloseidell Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 24/10/2014 lAcessos: 20

    A Aloe Vera é uma planta de beneficios incriveis para a nossa saúde. comprovadissima um suplemento alimentar, depurativo com propriedades antioxidantes

    Por: Marial Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 20/10/2014

    Até as pessoas que desejam engordar, precisam ingerir alimentos saudáveis. A carne vermelha tem diversos benefícios e deve estar presente na dieta para ganhar peso.

    Por: Michellel Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 17/10/2014 lAcessos: 13

    A insônia é um problema que aflige grande quantidade de pessoas. Para ajudar a combater o problema, alguns hábitos alimentares podem ser mudados. Este artigo fala sobre como algumas mudanças na alimentação pré sono pode ajudar a amenizar o problema.

    Por: Michellel Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 17/10/2014
    Alexandre delacaze

    A riqueza da diversidade da Amazônia, disponibiliza também uma grande variedades de frutos, que são coloridos, saborosos e muitos benefícios trazem para nossa saúde.

    Por: Alexandre delacazel Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 17/10/2014 lAcessos: 12

    Apesar de não parecer, existem milhares de pessoas que desejam engordar, mas não conseguem. Essas pessoas buscam formas para ganhar peso e acabam ingerindo alimentos ricos em gordura, acreditando que não existem alimentos calóricos e saudáveis ao mesmo tempo. Este artigo mostra que é possível ganhar peso sem perder a saúde.

    Por: Magra Onlinel Saúde e Bem Estar> Nutriçãol 15/10/2014 lAcessos: 18
    Perfil do Autor
    Categorias de Artigos
    Quantcast