Bridectomia com enxerto gengival livre. Relato de caso clínico

10/06/2013 • Por • 730 Acessos

BRIDECTOMIA COM ENXERTO GENGIVAL LIVRE. RELATO DE CASO CLÍNICO.

 

José Ricardo Kina             CRO-23660

 

kinajr@hotmail.com

Introdução

 Bridas gengivais são dobras da membrana mucosa, contendo fibras musculares situadas predominantemente no lado vestibular da cavidade bucal de origem congênita ou adquirida. As adquiridas podem ser resultantes de acidentes, intervenções cirúrgicas ou processos infecciosos. Quando as bridas exercem perturbações anatomo/funcionais, promovendo o afastamento da gengiva marginal do dente, e/ou a diminuição da qualidade e quantidade de gengiva ceratinizada inserida, e/ou a diminuição do fundo do vestíbulo, e/ou dificuldade na remoção mecânica da placa bacteriana, fatores estes que podem determinar o aumento no acúmulo de placa bacteriana no local, predispondo a área à doença periodontal, ou ainda agir como fator secundário na etiologia de desenvolvimento das recessões gengivais, o tratamento cirúrgico para a sua remoção esta indicado (Kina et al, 2005; Taylor, 1939). 

 Caso Clínico

Paciente do sexo feminino, 18 anos de idade, sem qualquer relato significativo na anamnese, foi diagnosticada através do exame clínico com a presença de uma brida na região de pré-molares inferiores, com inserção próxima a margem gengival o que causava tensão sobre a gengiva marginal, deslocando a mucosa gengival do periodonto de sustentação. Além disso, provocava dificuldade na higiene e fisioterapia bucal da área, facilitando o acumulo de placa bacteriana e restos alimentares na área cervical dos dentes. (Fig.1) O plano de tratamento indicado foi a excisão cirúrgica da brida e em razão da falta de gengiva ceratinizada inserida na área, também se optou pela realização de enxerto gengival livre para que a área ganhasse contornos de funcionalidade e saúde. Sob anestesia terminal infiltrativa, foi realizado um retalho dividido na área para que se eliminasse a inserção da brida e para que fosse possível preparar um campo cirúrgico receptor para o enxerto gengival livre. (Fig.2) Através de dissecação aguda foi realizado um retalho dividido na área do palato para a colheita do enxerto gengival livre (Fig.3), que foi imediatamente posicionado na área receptora inferior. Suturas com fio de seda 4.0 foram realizadas para que o enxerto pudesse ficar em intimo contato com o leito receptor o que maximiza a sua revascularização (Oliver et al, 1968) (Fig.4). Ambas as áreas cirúrgicas doadora e receptora foram protegidas com cimento cirúrgico por 7 dias. A paciente foi medicada com analgésico e anti-inflamatório. Após 7 dias as suturas foram eliminadas e um plano de controle de placa bacteriana foi estabelecidos. (Fig.5) Após 1 ano a área se manteve estável, funcional e saudável, demonstrando que a escolha do plano de tratamento foi adequada. (Fig.6)

Discussão

As bridas gengivais anômalas podem ser fatores predisponentes para varias patologias periodontais (Taylor, 1939). Quando estão na eminência de desencadear ou estão causando alterações no periodonto, é indicada a sua eliminação. Varias técnicas cirúrgicas com vantagens e desvantagens podem ser utilizadas, na sua erradicação (Axin and Brasher, 1983; Kina et al 2005). A técnica planejada neste caso clinico, foi eleita em função da necessidade de remoção da brida, que estava inserida na margem gengival, promovendo  a sua movimentação e assim determinando maior acumulo e facilidade de penetração da placa bacteriana no interior do sulco gengival. Devido à falta de gengiva ceratinizada inserida na região, também se planejou a colocação de um enxerto gengival livre para melhorar a estabilização da gengiva marginal o que promoveu melhor condição de defesa para a área (Egli et al, 1975). A técnica de enxerto gengival livre foi idealizada para aumentar a estabilidade da gengiva marginal livre através do aumento da quantidade e qualidade da gengiva ceratinizada inserida em substituição a mucosa alveolar que é flácida, o que provoca instabilidade na gengiva marginal livre. Entretanto, a utilização desta técnica pode trazer inconvenientes ao paciente, relacionados principalmente ao pós-operatório, pois a cicatrização da área doadora se faz por segunda intenção podendo ser dolorida, dificultando a alimentação e fonação  nos primeiros dias após a cirurgia. Contudo, para este caso o resultado da técnica proposta mostrou-se satisfatório, o que acarretou em uma solução eficiente para devolução da saúde, da funcionalidade e da estética para a área.

Conclusão

Varias técnicas cirúrgicas podem ser propostas para a remoção de bridas gengivais. A escolha deve sempre se basear nos aspectos inerentes que podem prever a devolução da condição de saúde e de aumento da proteção da área comprometida.

Referencias Bibliograficas

Axin, S., Brasher, W.J. Frenectomy plus free gingival graft. J Prothetic Dent. 50:        16-19, 1983.

Egli, U., Vollmer, W.H., Rateitschak, K.H. Follow-up studies of free gingival grafts. Journal of Clinical Periodontology, 2: 98-104, 1975.

Kina, J.R., Luvizuto E.R., Macedo, A.P.A., Kina, M. Frenectomia com enxerto gingival livre: Caso clinico. Rev Odontol Araçatuba 26: 61-64, 2005

Oliver, R.C., Löe, H., Karring,T. Microscopic evaluation of the healing and revascularization of free gingival grafts. J Periodont Research, 3: 84-95, 1968.

Taylor, J.E. Clinical observations relating to the normal and abnormal frenum labii superioris. Am J Orthod, 25: 646-650, 1939.

                             

Kinajr                                                            

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  Fig. 1                                             Fig. 2                                           Fig. 3

    

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  Fig. 4                                             Fig. 5                                           Fig. 6

Kinajr