Responsabilidade social empresarial e micro e pequenas empresas no brasil

10/01/2012 • Por • 376 Acessos

O SURGIMENTO DE UMA NOVA REALIDADE

O ser humano provoca uma série de mudanças no ambiente onde vive. Na pré-história, essas mudanças não tinham um impacto muito grande sobre o meio ambiente, pois a população da terra era pequena e a capacidade de alteração do ser humano era limitada tecnologicamente. A medida em que o tempo passou, a população aumentou e a capacidade tecnológica do ser humano se desenvolveu, permitindo assim, uma maior pressão sobre os recursos naturais.

Com a revolução industrial, as mudanças se aceleraram especialmente no que diz respeito ao consumo de recursos naturais, tanto como matéria-prima quanto como absorvente do subproduto dos processos industriais (lixo, esgoto, etc). 

A partir do século XX, devido a urbanização e melhoria nos padrões de vida e de consumo houve um estrondoso aumento na pressão sobre os recursos naturais.

Agora, já no século XXI, com a escassez dos recursos ambientais e a necessidade de crescimento econômicos das organizações, são lançadas questões socioambientais, movimentos e busca por recursos menos nocivos ao meio-ambiente.

A nova consciência ambiental surgia no bojo das transformações culturais que ocorreram na década de 60 e 70, ganhou dimensão e situou o meio ambiente como um dos princípios fundamentais do homem moderno.

Nos anos 80, os gastos com proteção ambiental começaram ser vistos, pelas empresas líderes, não primordialmente com custos, mas como investimentos no futuro e, paradoxalmente, como vantagem competitiva. (Tachizawa, 2010).

(Robles Jr, 2006), define Gestão Ambiental como " um conjunto de medidas e procedimentos definidos e adequadamente aplicados que visam a reduzir e controlar os impactos introduzidos por um empreendimento sobre o meio ambiente.

A expressão desenvolvimento sustentável é definida no relatório Brundtland como aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades

Responsabilidade Social Empresarial consiste num conjunto de iniciativas por meio das quais as empresas buscam – voluntariamente – integrar considerações de natureza ética, social e ambiental às suas interações com clientes, colaboradores, fornecedores, concorrentes, acionistas, governos e comunidades - as chamadas "partes interessadas" - visando ao desenvolvimento de negócios sustentáveis. (CNI – disponível em www.cni.org.br)

 A Responsabilidade Social Empresarial e as Pequenas e Médias Empresas

 Para a maioria das empresas, especialmente as de pequeno e médio porte, a inclusão de demandas e expectativas desses novos valores no planejamento de suas atividades é algo que pode soar um pouco distante de suas atividades rotineiras.

Porém cada vez mais empresas, principalmente as de grande porte estão levando em consideração a escolha de seus fornecedores, critérios relacionados às condições de trabalho, ao cumprimento das leis e ao respeito ao meio ambiente.

Ainda, consta o chamado "consumo consciente", que expressa uma tendência segundo a qual os consumidores passam a selecionar marcas e produtos a partir da responsabilidade socioambiental das empresas. 

A RSE é boa para os negócios de empresas de qualquer porte, pois significa oportunidades para as empresas construírem diferenciais competitivos, reduzirem custos e aprimorarem seus níveis de eficiência e desempenho.

A RSE, por sua vez, é um conjunto de atividades e iniciativas de sentido estratégico, que têm como objetivo preparar as empresas para responder, de forma positiva, a um conjunto de questões com as quais elas estarão cada vez mais confrontadas.

 O que significa ser uma empresa Sustentável?

 A primeira e mais importante condição é que as empresas sejam rentáveis, caso contrário estarão condenadas ao desaparecimento. Esse é o primeiro passo, já que empresa que não dá lucro não pode ser sustentável.

A empresa deve ter ética em seus negócios, tanto com relação aos seus clientes externos ou fornecedores, como também com seus clientes internos, seus colaboradores e governo, como também a mensuração dos impactos de suas atividades ou atitudes junto ao meio ambiente. Ela deve buscar a ética e a transparência em seus negócios, o aprimoramento das relações com seus diferentes públicos, a qualidade de seus impactos sobre a sociedade e meio ambiente.

As empresas que buscam a sustentabilidade em seus processos, produtos e relacionamentos tendem a conquistar a fidelizar seu consumidor.

C.M.V. (Comissão de Valores Mobiliários) tem proposto uma série de pontos sobre Governança Corporativa, incluindo a proposta de obrigatoriedade de divulgação do balanço social para empresas com faturamento anual acima de R$ 150 milhões.

Os consumidores tendem a atribuir um valor importante a produtos e serviços que apóiem determinadas ações sociais ou ambientais, contribuindo por um mundo melhor;

Uma empresa socialmente responsável tende a remuneram melhor seus colaboradores, além da redução dos custos na produção, já que estão sempre em busca de novas soluções e tecnologias para a redução dos custos. Por fim e não menos importante, uma empresa que buscar a responsabilidade social tem maiores condições de competir no mercado externo, especialmente com relação a países mais desenvolvidos, em que essa questão tem um peso maior nas negociações.

 UM ROTEIRO BÁSICO PARA A SUSTENTABILIDADE.

 Segundo A CNI, um roteiro básico pelo qual as organizações poderão identificar aspectos importantes a serem priorizados em suas diferentes interações.

         Qualidade de Vida – como as ações da empresa afetam a qualidade da vida das pessoas dentro da própria empresa;

  • Mercado – como as ações da empresa afetam o mercado, ou, de forma mais concreta, como afetam a qualidade de vida de seus clientes, consumidores, fornecedores, parceiros, e, mesmo, concorrentes;
  • Observância das leis – qual o impacto das ações da empresa sobre a sociedade, isto é, sobre as comunidades dentro das quais ela opera. A empresa deve estar preparada para o diálogo com as diferentes organizações que representam interesses dentro dessas comunidades, buscando conhecer suas necessidades e expectativas, também é fundamental o estabelecimento de relações sustentáveis como os vários níveis e governo e com suas diferentes agências;
  • Meio Ambiente – deve refletir sobre a qualidade de suas interações com o meio ambiente, que é o espaço onde se desenvolve a vida.

 Analisando a pesquisa efetuada pela CNI-IBOPE, em dezembro de 2010. Retrato da sociedade brasileira: meio ambiente, percebe-se que 80% da população brasileira têm algum tipo de preocupação com o meio ambiente, sendo o desmatamento e o aquecimento global as questões mais importantes para os pesquisados.

47% dos entrevistados acredita que é possível conciliar proteção ambiental e crescimento econômico, como também 40% da população percebeu que no últimos anos as ações realizadas pelo governo, empresas e pessoas em prol da preservação do meio ambiente cresceu.

51% dos entrevistados aceitaria pagar mais por produtos ecologicamente corretos, mas apenas 11% optam por esse tipo de produto na hora da compra.

A pesquisa CNI/IBOPE revela ainda que quase metade dos entrevistados (47%) acredita que é possível crescimento econômico com proteção ao meio ambiente, enquanto 30% defendem fortemente o meio ambiente.

As novas tecnologias estão proporcionando o surgimento das chamadas organizações virtuais, entendidas como as que têm uma grande parcela de seus funcionários trabalhando fora das instalações físicas da organização, interligando-se por sistemas de informação (teletrabalho).

O teletrabalho deve proporcionar uma melhor qualidade de vida para o profissional, à medida que ele poderá escolher seu ambiente de trabalho. Do lado da organização, tem-se a minimização de riscos e das questões ambientais e a melhoria de performance no espaço da responsabilidade pública e cidadania (Tachizawa, 2010).

 " Responsabilidade Socioambiental é o exercício da ética e da cidadania com respeito a todas as formas de vida. Responsabilidade Socioambiental Corporativa é a atuação cidadã da empresa, que não pode ser confundida com ação social ou filantropia. É a incorporação dos conceitos de Responsabilidade Socioambiental em toda a sua gestão, visando a melhoria de condição de trabalho e vida de seus funcionários, a competitividade, o crescimento, o lucro, enfim, a sustentabilidade." (Eliane Belfort, disponível em: www.fiesp.com.br/comite/cores/resp_social.aspx).

 Em função das características básicas e das estratégias genéricas próprias das organizações pertencentes ao setor altamente concentrado, podem delinear estratégias de gesto e de responsabilidade social, conforme descritas a seguir:

 reciclagem de sucatas, resíduos e refugos;

  • expansão dos investimentos em controle ambiental;
  • Projetos sociais em meio ambiente;
  • Projetos sociais em educação, saúde e cultura;
  • Projetos sociais em voluntariado

IMAGEM AMBIENTAL DA EMPRESA PARA FINS DE MARKETING

 O posicionamento da marca, usado como diferencial de comunicação estabelece um lugar forte na mente dos consumidores, envolve aspectos emocionais ligados a produtos e serviços. A marca líder na mente dos consumidores desfruta de mais negócios, se comparada à segunda marca líder e assim por diante. Pode-se constatar que há várias formas de se criar vantagens competitivas, e uma marca forte é aquela que consegue ser reconhecida e identificada por sua identidade, sua essência e seus valores. (Oliveira, 2008).

Segundo (Oliveira, 2008) Balanço social, Relatório de Sustentabilidade Empresarial, Balanço Social Corporativo, Relatório Social e Relatório Socioambiental são alguns dos nomes utilizados pelas empresas, especialistas e acadêmicos para designar o material informativo sobre a situação da empresa em relação a questões sociais e ambientais. Essas publicações vêm se tornando cada vez mais populares, no Brasil e exterior, para divulgar as informações principalmente aos acionistas e outros stakeholders. Os balanços devem conter informações qualitativas e quantitativas sobre como a empresa está desempenhando sua função social e ambiental na sociedade.

O balanço social é um demonstrativo publicado anualmente pela empresa reunindo um conjunto de informações sobre os projetos, benefícios e ações sociais dirigidas aos empregados, investidores, analistas de mercado, acionistas e à comunidade. É também um instrumento estratégico para avaliar e multiplicar o exercício da responsabilidade social corporativa.

No Brasil, o tema começou a ser discutido em meados do ano de 1997 quando a partir de uma campanha comandada pelo IBASE, sob a presidência do então sociólogo Herbert de Souza, o Betinho iniciou as discussões sobre o tema, que até o momento sempre encontrava empecilhos como desconhecimento do assunto, falta de interesse e inadequação de informações. (www.balancosocial.org.br)

O modelo IBASE, foi o primeiro a ser padronizado com informações socioambientais para públicos externos. Este modelo tem sido desenvolvido em parceria com empresas públicas e privadas, conforme anexo A.

Neste modelo a empresa tem de preencher dados em relação aos indicadores internos e externos. Os dados são apresentados em relação a indicadores econômicos da empresa como receita líquida e resultado operacional. A grande vantagem do modelo IBASE é a sua simplicidade. Com informações diretas, é relativamente fácil para empresas, mesmo as pequenas, reportarem os dados e criarem uma estrutura para fazê-lo anualmente. Ao mesmo tempo, facilita o acesso à interpretação dos dados pelos diferentes stakeholders. Não necessita formação técnica para entender o balanço IBASE. Ele serve para qualquer empresa, em qualquer setor e de todos os tamanhos, e também tem a vantagem de poder se comparar rapidamente a evolução ao longo do tempo. (Oliveira, 2008)

Importância e desafio para pequenas e médias empresas

As dificuldades associadas à implantação das normas ISO 14000 para empresas de pequeno e médio porte, em geral, estão relacionadas a uma crença difundida de que empresas de pequeno e médio porte apresentam impacto ambiental reduzido. Isso pode, evidentemente, ser considerado verdadeiro quando se compara o impacto ambiental isolado de uma empresa deste porte com uma empresa de grande porte. O maior problema relacionado aos impactos ambientais de empresas com esse perfil ocorre devido ao efeito acumulativo por serem mais numerosas. Enquanto o impacto ambiental de empresas de grande porte é compreendido, o de pequenas ainda é desconhecido e pouco estudado. (Seiffert, 2010).

Micros e pequenas empresas tendem a analisar os impactos ambientais que causam individualmente, informando que este impacto é insignificante, porém, o que deve ser analisado é o montante impactado quando se verifica a ação contra o meio ambiente causada por uma séries de empresas pequenas. Podemos citar por exemplo: uma loja de comércio, no centro de uma cidade, sozinha, no final do dia se verifica na frente da loja algumas poucas caixas de papelão, que foram utilizadas no seus serviços daquele dia, individualmente este impacto é imperceptível, todavia, na mesma rua, ou centro comercial, somam-se todas as pequenas lojas com suas poucas caixas de papelão e já se é necessário um caminhão de lixo para limpar este espaço.

O que ocorre que na maioria das cidades, não existe um planejamento voltado para este impacto e o lixo, se não for recolhido por catadores avulsos, serão, com certeza, encaminhados ao lixo comum, material este que poderia ser reciclado.

Fontes de pesquisa:

Livro "gestão ambiental e responsabilidade social corporativa"

autor takeshy  tachizawa, 6 edição, 2010 – atlas – são Paulo.

Livro " Empresas na Sociedade – Sustentabilidade e Responsabilidade Social"

Autor – José Antonio Puppim de Oliveira - Ed. Campus – Rio de Janeiro – 2008.

Livro  "ISSO 14001 Sistema de Gestão Ambiental, Implantação objetiva e econômica"

Autor Mari Elizabete Bernardini Seiffert - Ed. Atlas, São Paulo, 2010 – 3º Ed.

www.varejosustentavel.com.br, acessado em 20 de abril de 2011.

www.cni.org.br, acessado em 28 de setembro de 2011.

Responsabilidade Social Empresarial/CNI: 2006, disponível em www.cni.org.br

http://www.fiesp.com.br/comite/cores/resp_social.aspx,

http://www.balancosocial.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm

Perfil do Autor

Marco Batalha

Marco Batalha - formado em administração de empresas, pós graduado em gestão estratégica de negócios pós graduado em controladoria e...