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Sustentabilidade Para A Agroindústria Do Caqui Em Louveira – Sp Por: Alfredo Paulo Coppini
Em Louveira – SP, a cultura do caqui vem ganhando importância, tanto pela área plantada quanto pela diversificação de regiões de plantio, o que tem aumentado as quantidades ofertadas do produto no mercado interno e externo. No Brasil o caqui é comumente consumido in natura. Seu baixo consumo per capita, seu curto período de colheita, a alta perecibilidade dos frutos, manejo e armazenamento ineficientes e o mercado regionalizado fazem com que a oferta do caqui no período de safra seja maior que a demanda. Tais fatos ocasionam queda de preços e perdas do produto. Por outro lado a exigência do mercado por um produto cada vez de melhor qualidade faz com que ocorra um índice elevado de perdas em sua classificação. Prejudicado pelas características climáticas da região de Louveira-SP, que tem no granizo seu principal vilão, os frutos são “machucados”, deixando-os com manchas escuras de péssima aparência. Este e outros problemas apresentam quebra de produção mensurada atualmente em 20% – aproximadamente 840.000 kg – que sempre foi descartada ou aproveitada de forma obsoleta na propriedade. As visitas realizadas na presença dos proprietários indicam possibilidades em melhorias nas fases de processamento do fruto in natura: a. Normalmente os sacos de apanha “sacolas”, alçadas pelo pescoço, estreitas e profundas pressionam os frutos de baixo, assim como a própria pressão causada contra corpo do catador. Como alternativa foi proposto adoção de recipientes mais largos e pouco profundos, com maior rigidez para não sofrer amassamentos. b. As caixas plásticas de acondicionamento após apanha, na sua maioria, apresentam reentrâncias que atritam o fruto, danificando-o principalmente por sua elevada altura pressionando os frutos de baixo. Outro fator é o posicionamento em que tais caixas ficam aguardando sua remoção; num primeiro instante são posicionadas à sombra do caquizeiro, porém com o passar do tempo, a movimentação do sol deixa as caixas expostas aquecendo os frutos e antecipando o processo de amadurecimento. Foi proposta a utilização de caixas mais baixas e com menos reentrâncias; e também a adoção de telas sombreadoras para amenizar os efeitos dos raios do sol. c. O transporte ao galpão, normalmente é realizado por pequenos veículos como utilitários, caminhonetes ou tratores que ao passar entre as fileiras da plantação danificam os frutos e também os galhos. Neste caso foi orientada a utilização de carrinhos de mão transportando as caixas até uma rua com dimensões apropriadas ao trânsito de veículos. d. O galpão, onde os frutos são direcionados, normalmente, está centralizado em alguma propriedade vizinha, onde vários fruticultores se utilizam do mesmo espaço para as etapas de classificação, embalagem e estufa. Por se tratar de um espaço utilizado para várias atividades como garagem, oficina, depósito de insumos, etc., muitos cuidados necessários às fases de preparação do alimento não são tomados, deixando crítica as condições de higiene e segurança. e. A classificação é feita visualmente ou separando-se o fruto por calibre (tamanho/peso), conseqüente descarte por manchas, marcas de granizo, outros defeitos e coloração e por final o embalamento. f. O estufamento para climatização é realizado por período de 8 horas para remoção do tanino “amargo” através de vaporização com gás etílico, ou gás etileno ou com carbureto – este último pouco utilizado.
Foram observadas nos galpões situações de perigos de contaminações biológicas, químicas ou físicas das frutas. Não foram constatadas criações de animais próximas a nenhum dos galpões visitados; porém em alguns deles verificou-se a existência de pássaros soltos. Quanto à ventilação, apesar de serem bem ventilados, nenhum possuía controle de temperatura, não havia lâmpadas protegidas e telas nas janelas e portas de entrada, não havia ralos com sistema de fechamento. Também se observou a presença de animais domésticos, com possibilidade de presença de pragas e roedores. A maioria dos galpões visitados não atende às exigências de higiene das legislações existentes (Portaria nº. 326, de 30 de julho de 1997 - Regulamento Técnico sobre "Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores de Alimentos"), assim como há falta de informação dos produtores quanto às legislações e contaminações do alimento. Quanto ao lixo gerado, poucos tinham área específica para depositá-los, e frutas descartadas durante o processo de classificação eram jogadas e amontoadas no piso.
O reaproveitamento do descarte do caqui para utilização como vinagre é realizado com o despolpamento e separação de polpa/cabo. O equipamento desenvolvido para desgalhar os cachos de uvas se mostrou adequado a esta utilização. O bombeamento do mosto é feito para o reservatório de fermentação após a utilização de enzimas na proporção de aproximadamente 4 a 5 ml para cada 1000 kg de mosto com o objetivo de auxiliar a fermentação e também aumento da dilatação – facilitar o desprendimento da parte líquida do bagaço; por período de 3 dias com conseqüente separação do suco da parte sólida. A remoção do suco (parte inferior do reservatório) e da massa seca pela parte superior do reservatório é feita por digestor com acondicionamento do suco em tanques fechados por período de 60 dias. O descarte da massa seca atualmente está sendo feito na sua maioria diretamente no solo em terreno desocupado. Devem-se direcionar formas de reuso deste composto rico em nutrientes, destinando-os para ração animal e adubo de compostagem. Toda limpeza e desinfecção são efetuadas nos equipamentos e tanques com utilização de mistura de água e álcool a 30%. A transformação do caqui em vinagre de dá a partir da transformação do suco do caqui em vinagre com aplicação de vinagres concentrados e elementos filtrantes dispostos em camadas sucessivas de carvão e tubos de bambu.
Conclui-se que há um grande esforço por parte dos frutificultores para melhorar sistematicamente sua produção e seu modo de vida. Por não estarem atentos às novas tendências de mercado, necessitam melhorar os ambientes onde se desenvolvem as etapas dos processos. As condições de higiene encontradas nas visitas, assim como a falta de organização dos galpões deixam a desejar. Indicar propostas de melhorias nos ambientes de processamento, assim como difundir possibilidades concretas que levariam à sustentabilidade do negócio é de fundamental importância para torná-lo competitivo, atendendo às exigências do mercado consumidor e conquistando novos mercados. Os frutos descartados e demais resíduos da industrialização do caqui poderão ser reciclados na forma de composto orgânico e reutilizados nas lavouras como adubo orgânico. Recomenda-se a consulta aos órgãos de assistência técnica para orientação na reciclagem dos resíduos agroindustriais. Além de contribuir com a preservação do meio ambiente contribuirá com adubação orgânica, condicionadora do solo, com excelentes vantagens no cultivo agrícola.
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Tags do Artigo: Sustentabilidade, Agroindústria, Caqui, Vinagre De Caqui, Doces De Caqui Fonte Artigos Gratuitos Online - Artigonal.com Perfil o autor:
Por Alfredo Paulo Coppini, Arquiteto e urbanista, sobre estudo de caso realizado em propriedades produtoras de caqui em Louveira – SP.
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