Antologia Poética
Dentro do Medo
Agarro as palavras, arrasto-lhes o sentido,
pronuncio-as prudentemente,
silencio-lhes a aspereza e o mêdo,
pego-lhes de rompante,
como quem apanha uma serpente...
Viscosas, enrolam-se, estrangulam-me,
numa roda que gira entrecurtada
por silêncios que ruminam
sem propósito ou destino...
Rumo em direcção aos lugares
famintos de dôr e amor,
carentes de vida e de sonho...
Debruço-me donde vislumbrava
horizontes e marés...
Estemeço na vertigem,
irmã do abandono...
Olho-te no caminho da memória,
revejo a tua expressão,
sem vida...
Assusto-me nas palavras que não digo,
como quem ama em segredo...
Adormeço na tarde ainda quente
da tua presença colorida...
Adivinho a manhã que se recusa a nascer,
olhando a madrugada morta...
Abraço o vazio, num gesto sem nexo,
amarro memórias,
imagens, lugares, paisagens...
Recolho o último vestígio,
como quem emoldura
a sua própria imagem...
Ondulo o espanto no desencanto
do canto...
Navego na espuma dos dias
em busca de um navio fantasma...
Dançando na Noite
Dançavas na noite uma dança sem movimento,
corrias na direcção da madrugada,
em busca de um lugar teu...
palavra após palavra, descobrias um sentido
para manteres os olhos abertos...
O rubor do teu rosto, transparecia surpresa,
como se todas as manhãs
fossem reconhecidamente virgens e virginais...
Melancólica, a palavra suspensa
caminhava para o seu destino último...
O fogo flutuava em formas múltiplas,
indiferente à paisagem do teu verdadeiro ser...
Noite dentro da noite,
a madrugada rompia o seu derradeiro véu,
pausavas a vida, como quem suspende a respiração...
Absurda, a manhã orvalhava,
enquanto as lágrimas espreitavam,
cintilantes na boca do teu olhar...
A Armadilha do Tempo
Hoje, acordei fora de tempo,
olhei-te olhos nos olhos e senti algo estranho,
a tua tonalidade rosada havia desaparecido,
o brilho verde dos teus olhos,
já não continha a promessa de eternidade...
Assustado, ergui-me num golpe de desespero,
olhei-me no espelho e não me reconheci...
Vi a tonalidade grisalha, quase branco absoluto,
chorei em soluço mascarado,
procurei mil razões para sentir esperança,
procurei no calor dos teus lábios
as respostas que não queria ter...
Entardeci, sem que a materialidade dos objectos,
fosse capaz de distrair-me deste sentir lúcido
e absolutamente real...
Senti a consciência afiada,
um sentir profundamente triste...
Apoderou-se de mim a certeza,
abrupta e cruel da morte...
Inexplicável
Os mesmos lugares, a coincidência da sobreposição
dos nossos rastos...
Talvez as mesmas palavras,
os mesmos gestos...
Como se fosse possível duplicar factos,
gestos, palavras, lágrimas ou passos...
Estranhamente, alguém como nós,
ou a sombra dos nossos pensamentos,
continua a divagar pelos mesmos lugares,
como se tivessemos continuado
depois de ter partido...
Vozes, sons inominados, paisagens,
lugares, espaços e tempos,
movimentos e luminosidade,
abraços e beijos...
Algures, há um espaço tempo continuado,
onde o inexplicável habita,
ressuscitando vidas paralelas...
Algures, algo aconteceu na memória
do tempo, na fúria do mar,
confundiu mar e amar,
vento e lamento,
fim e princípio...
Algures, estamos vivos...
Barão de Campos http://sombrasdamemoria.blogspot.com
(Artigonal SC #976057)
UM LIVRE PENSAR SOBRE A VIDA, A NATUREZA EO MAL USO DELA PELO HOMEM, ALEGRIA, PAZ E FELICIDADE
PAI NOSSO QUE ESTÁS AQUI ABRANDA MEU CORAÇÃO PARA QUE EU POSSA AJUDAR MEU IRMÃO COM ESPERANÇA E AMOR NO CORAÇÃO. DAI-NOS A FORÇA DIVINA NECESSÁRIA PARA ULTRAPASSAR AS PEDRAS DE TROPEÇOS DA VIDA.
um hino ao rio que passa nos fundos da minha casa e que vindo da serra, correndo por uma reserva de mata atlântica, só bem nos faz.
DEGREDO E SOLIDÃO Rio 16 de novembro de 2009. Autor, Renaldo Nicacio Junior. Anunciaste uma ausência premeditada. Afastou o teu rosto, o teu corpo. Vives hoje o alheio... O desconforto. Quando olhas em torno de ti e não sentes menos que o outro, que não percebe que o resto da promissão se faz sentir em pedaços, em momentos, lento sofrimento. Tivestes que engolir a seco todo o mal que foi descoberto. Tivestes que mergulhar em um mar
Quando o amor encontra o endereço da sua outra parte....se completa.
SIMBOLOGIA E UTOPIA EM FORMA DE POESIA
POESIA CANTANDO UM MUNDO NOVO E QUE NÃO SEJA UMA UTOPIA
Minha querida mãe era uma linda mulher, De face, de coração, de atitudes, atos e emoções. Construir uma lar benevolente era seu mister. Viveu num clima de pureza, mas de puras sensações.
A decadência da civilização é uma consequência da globalização de um sistema político, social e económico, tutelado pelo capitalismo selvagem.
Poemas originais do autor, buscando o mais profundo do humano...
Estamos perante um novo formato esclavagista, no qual as empresas do sector crescem desmesuradamente. Mais grave se torna quando um dos patrões das empresas de trabalho temporário é líder do partido governamental...
Portugal comprometeu o processo democrático ao tornar-se refém das máfias financeiras...
Em pleno século XXI, contrariando as piores expectativas, o capitalismo selvagem tomou conta das economias mundiais, assumiu o poder e iniciou a nova era do esclavagismo travestido de democracia...

