Casamento na Roça - Das Tradicionais Festas Folklóricas

Publicado em: 27/07/2011 |Comentário: 0 | Acessos: 316 |

Casamento na Roça

Personagens da peça

Autoridades: (6 personagens)

-                            Prefeito: Alexandrino Xexéu de Sá

-                            Primeira Dama: Felomena Fifi de Sá

-                            Juiz: Dr. Bacuri Pitanga da Fonseca

-                            Delegado: Dr. Figo Fino Pixaxado de Oliveira Pinto

-                            Escrivão: Bergamo Quirino de Alcimar Sacre Silva

-                            Padre: Nicrolando Frieira das Buchechas Maciadas

Pessoal do Casamento: (12 personagens)

-                            Noivo:Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição

-                            Noiva: Esmingarda da Mata do Ramo Rôxo

-                            Pai da noiva:  Simpiliço da Simpilicidade Símpilis Roxo

-                            Mãe da noiva: Cricri Prepeta do Ramo Roxo

-                            Pai do noivo: Martin Aboba Seca

-                            Mãe do noivo: Quelementina Liodora Seca

-                            Padrinho da noiva: Escândio Chumbo da Prata

-                            Madrinha da noiva: Antonia  Pereréca Grande da Prata

-                            Padrinho do noivo:  Zé Pipoca da Pitanga Verde

-                            Madrinha do noivo: Juca verde Pimenta Pereira

-                            1ºassistente: Saturnino Tremendo Home

-                            2º assistente: Lobata do Maxixe Pôde

       Casamento na Roça – Início da peça

 Juiz: Pessoal  que  estão me ouvindo, estão aqui para se casar o Sr. Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição  e a Senhorita dona Esmingarda da Mata do Ramo Rôxo.  Se tiver por aí alguém que saiba d´algum empedimento pode dizer agora, enquanto é tempo. Tô esperando, pode falar!

Noiva: Mais num tem impidimento não seu juiz, nós semo mesmo é livre e disimpidido; num é mêrmo Belxior?      (x:ch =som)

Noivo: É pois é Esmingarda, oia o tamanho dessa pregunta do dotô.

Saturnino: (Fala para o pai da noiva): Seu Simpilíço, se eu fosse vós mim cê, num deixava esse cabra casar cum sua fia não, ele num tem nem um pedaço de roça, ele é um vagabundo, eu inté sube que´le é casado e dexô a muié dele no Quixadá cum 10 fios pra criá.  Agora sim eu dava certo pra casar cum sua fia, eu tenho criação de porco, bode, jabuti, e inté um parmo de roça já prantada de fumo.

Noivo: Num to dizendo mermo! Era só o que me fartava, tu diz isso é pruquetu quer se casar cum ela, mais ela num te quer, se tu tem tudo isso que tu dixe é pruque tu roubou, eu não tenho nada mais num sô ladrão.

Pai da noiva: (Diz para o noivo): Oia home o que tu ta fazendo, bota logo a carga abaixo, diz se tu tem mermo arguma coisa, minha fia nunca passô fome, ela come de manhã, meio dia, de tarde e de noite. O bucho dela sempre ta cheio.

Noivo:   Num se procupe seu Simpiliço qui sá fia, vai cumê muito piqui com farinha todo dia e num vai passa má.

Juiz: Vamos deixar de cachorreira e vamos jogar esse casamento  para mais longe, porque o  que o Senhor Saturnino disse é grave  e não posso fazer o casamento, visto que o homem é casado.

Noiva: Num é casado não seu dotô, eu já dixe, o Belxior nunca mintiu e cumavera de mintir agora?

Mãe do noivo: Coitado do meu fio, cuma é que se alevanta um farso dessa moda, meu fio é sorteiro.

Pai do noivo: Meu fio num é casado não seu dotô, posso lhe agaranti: Taí o padrinho dele o meu cumpade Zé Pipoca da Pitanga Verde qui diga apois ele cunhece meu fio desde minino, criança, bem pequeno...

Zé Pipoca: É verdade o que meu cumpade Martim dixe, sô inté capaz de jurar cum a mão na briba cuma meu afiado num é casado.

Pai da noiva: (Fala zangado, puxando da cintura um facão): - Eu quero é saber mermo se êxe cabra é casado, pruque se for eu quero logo dá um insino nele e é pra já!!! (puxa pelo facão e risca no chão).

Noiva: - Num é casado não papai, arrenego dexe tal de Saturnino qui só vei meter gosto ruim no casamento do zôto. Parece mais um bode do que gente!

Mãe da noiva: Se acarme mia fia qui você vai casar. (E diz para o marido): - Simpiliço dexa de afobação, apois tu num sabe que ele é direito e a famia dele também?

Pai da noiva: Num sei disso não Cricri Prepeta! Eu já tô é aguniado.

Madrinha: Apois é cumpade Simpiliço, tenha carma.  (Fala para a noiva). Num chore não mia afiada.  Tudo vai dá certo.

Noiva: Eu só tenho raiva é da tal de Lobata, pruque ela foi quem inventou qui o Belxior era casado, pruque ela era doida purele. Pragas de seiscentos diachos!

Lobata: Praga não, miserável! Eu nunca fiz conta dexe cara de bode, me arrespeite qui é mió, sua engraçadinha.

Noiva: Tu é doida mermo pelo Belxior, mais nem vai vê nem o apito da lancha, quem vai casar cum ele é eu.

Juiz: (Fala zangado):- Vamos acabar com essa zueira, senão não vai ter casamento nem nada.

Escrivão: Eu já tô quase doido!  Tô cum medo é de briga, num posso nem ficar de pé e nem inscrever, tô todo tremeno. 

Pai da noiva;  Eu já tou zuado, agora quem vai fazer êxe casamento é eu, cuma é seu  juízo, casa ou num casa os noivo?

Juiz: Eu também tô zuado com tanta zueira, casa sim Senhor Simpiliço.  Vamos seu escrivão, dê cá o livro. (pausa).

Juiz: (Pergunta):- Senhor Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição, quer arreceber a senhorita Esmingarda da Mata do Ramo Roxo como sua legitíma mulher?

Noivo: Quero Nhô sim, se não queresse num tava aqui, isperano tanto tempo puressa  progunta.

Juiz: (2ª pergunta): - A senhorita dona Esmengarda do Ramo Rôxo , quer arreceber o senhor Belxior Pira Lima da Imaculada Conceição, coma seu ligítimo homem?

Noiva: Isso num é nem pregunta qui si faça!  Tô  doida  de vontade qui o dotô mi preguntasse a pregunta.  Quero sim, é tudo qui eu mais quero.

  Juiz: - Então, como disseram que querem, eu declaro casados, como marido e mullher em meu nome.  A noiva de hoje em diante passa a se assinar com o nome de Esmengarda da Mata do Ramo Roxo da Imaculada Conceição.

Juiz: (Diz para o escrivão):- Escrivão, o casamento no civil acabou, lavre o termo perante a lei!

Padre: - Pessoal que tão presente, vocês escutaram o juiz fazer as perguntas e os noivos, maridos e mulher. E abençoa: Em nome do prato, do frito, do assado e amem-se. Agora as pessoas já podem jogar arroz nos noivos que é para eles serem felizes. Viva São João e viva São Pedro meu povo, viva!

A peça abaixo é baseada na letra do hino nacional, a qual  pretende mostrar os contrastes que há em relação a realidade social do país.  Deve ser dramatizada ao som de música suave numa mistura de teatro  e coreografia.

Link do site para acesso aos livros de Adilson Motta:

http://educacaoecidadania.sitepx.com/

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    Fonte do Artigo no Artigonal.com: http://www.artigonal.com/poesia-artigos/casamento-na-roca-das-tradicionais-festas-folkloricas-5071216.html

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