Poemas re's]colhidos ou de um nova epistème instética
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Assonância incógnita
Não se sabe ao certo
de certo modo
o que significa um silêncio
Mas um silêncio não é pecado
a quem nada fez de errado
Seja ou não uma forma de recado
que se diga, ao menos
caso encerrado
ou obrigado
FELLIPE KNOPP
Postado por O Poeta da coragem às
HELVÉTIKA
Remissivo ao verão de 2007/2008, um augúrio seco
Passara-se nosso tempo
teu e meutempo começam
como são
São ou temprano
temporão
contemporaneos
mundo insano
Vibração fugidia de uma luxação mnêmica
lastro irrastreável
dolor rarefeito
Pressão vertical da gelida pradaria
febre do caos
Insípida moribunda dos mananciais séquidos
vertigem e colisão
éter viscoroso em lua-de-queijo
A noite do porvir nas lacunas das hiâncias
o aceno contido
plataforma silenciosa
não se sabe quando outra vez
não se soube
não sebemos se se saberá
não sabemos
jamais o soubemos
Porque a raridade fusionou-se à escassez
fez-se uma mitologia de vertigo e sentimento
Helvecioso
Foi assim naquele tempo
eu mesmo vi
Uma lenda que nós dois criamos
para nós dois que a criamos
não a cremos
porque eu nos criamos
não crieu amor
Helveciosa
O mito que quiz lenda
humana
Meu coração gemeu nosso não
meu sentimento foi o nosso, helvética
naquele tempo, me lembro
eu vi
Magia não cri, tu fostes
Helvética, forasteira
Teu mês me durou mais de um ano
naqueles dias
Não tiveste vibração
a tivera por toda
Meus poemas não tiveram réplica
o que dizer de teu silêncio?
naquele tempo
Helvética
És-me toda em poema
Helvética
A memória apaga o tempo da memória
da memória do tempo
a distância
dinstante
Helvética
Três cds e saudade
naquele tempo
Qual neve me desliza à testa,
Helvética?
Foi-se que não fostes
Viera-me
a solenidade ríspida do real
sem prelúdio, sem sonho, sem ti
Helvética
FELLIPE KNOPP
Postado por O Poeta da coragem às
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Registro: 286.540 Livro:488 Folha:200 [FBN/EDA]
27-05-2003
CHAMAS DO PURGATÓRIO*
(fase religiosa) Gritos e chamas de vela
advindos do purgatório,
do inferno no consultório,
que coisa é aquela?
Chamas e gritos, da vela,
de dentro do consultório,
de fato o diabo existe,
foi criado em laboratório.
Habita zonas abissais,
no fogo que consome,
em tudo querido além mais,
nas frases, nos nomes.
Em ofensas, em mentiras,
em lágrimas de agonia,
em elementos que permeiam
nossa vã filosofia.
Adentrando zonas escuras
do querer além mais,
deram sopro à escultura,
deram vida à satanás.
Deram velas, deram gritos,
deram todos os elementos.
Deram à luz as trevas, um algo,
constituído por pensamentos.
Fica o mesmo espreitando,
tentando minar a calma,
esgotando a resistência,
tentando comprar minh'alma.
Ao inferno desceu,
no lugar onde fora forjado.
Tentaram criar a deus
e acabaram criando o Diabo.
FELLIPE KNOPP,
Ateu
___________________
* A respeito da proposição atribuída a Voltaire: "se deus não existe, precisamos inventá-lo"
(A data corresponde autenticamente à produção do poema disposto acima)
Postado por O Poeta da coragem
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
ARQUIPELADOS
COSMOS, COSMÉTICOS E KOSMYTHYKOS
Aforismos de chão-asco
zumbis-de-clichê
sofismas de ocasião
cospe afora
emporcalhado no chão
com seu verbo-fiasco
seu discurso sofismático
combinados ao mero acaso
camuflam contradição
numa situação débil
em que os agentes da passiva
divagam por sua vida
sonâmbulos pelo solo
sem densidade de seu pó
farelos do sono vocabular
significantes insulares
arquipélagos insones das horas abissais
FELLIPE KNOPP
Postado por O Poeta da coragem às
domingo, 2 de agosto de 2009
La logique du hic et nunc
"Sonhos" que você mesmo tem de realizar
não são sonhos, são projetos -
das mais humanas perspectivas
Acho que fui sempre mesmo precoce
desde moleque não tenho sonhos
ao que chamavam sonho
aprendi desde cedo a nomear correto:desejo
o limite da vontade
concreto no que pode
efetivo no que se consegue devidamente
jamais tive Sonho
no mais ilusório devaneio -
Pesadelos
o caos é o pesadalo que à revelia se efetuou
um antidesejo objetivado à sua própria moção
Papai Noel?
Jamais senti sua falta
nunca recebi sua visita
jamais presumi sua presença
o real sempre excluiu o noel!
deus? fora apenas um mero equívoco
um erro corrigível, óbivio
ao contrário do que possa parecer
não estou aqui a esperar coisa alguma!
(aliás, aqui designa lugar e não situação - lugar refere-se a espaço, e não condição)
estou em curso: segue-se a ambigüidade
e a polivalência
Por que não?
quando moleque sonhava sempre com o diabo
ele voava e dizia querer capturar-me
Hoje eu rio
pouco entendia
diabo é apenas metáfora
sintoma do mundo
o Inferno, esse sim parece ser-real
mas e daí ?
nomes, apelidos...
o mundo está posto
e nós postos no mundo
Imposto
impostura mundana
mundanação
nem me comprazo nem resigno-me
sonhos não tenho
até os mais trivialescos dos desejos são às vezes infrutíferos
mas não se deve superestimá-los
estão aí como quase tudo que há
não são melhores só porque não se os têm
são melhores que Eu os "mais-validos" ?
mais-valho Eu
entendo-o
e já sou entre os melhores
mundo está posto
não estou eu sobre este?
até me pleonarizo
Eu sou o que Sou
já que tudo mais é sintoma
FELLIPE KNOPP
Postado por O Poeta da coragem
Badalo dos retratos insolentes
Ecos malditos de iconografia degradada
sombra silenciosa de uma memória persistida
indecorosas representações assessórias
e à revelia
timbre malquisto dum abuso qualquer
sem valia aí mesmo
imagem sustenida
da ambiência exorcizada
ceol desvalido
de feixes de escuridão amiúde
o pormenor das nâuseas expurgadas
segue-se o vão desse nada significado
FELLIPE KNOPP
Postado por O Poeta da coragem
Perguntas e Respostas
Palavras-chave do artigo:
poetica estetica paradigmais paradogmas semeadura
Dias enegrecidos Corações partidos Noites chegando Sem luar nenhum Sonos solitários Insônias duplas Vãs Esperas Por fugidias paz
Saiba desfutar da inteligência. É isso que este poema de minha autoria retrata. DEIXE A POESIA FALAR POR SÍ SÓ
Hoje estou chato e cansado Com vontade de abrir o bico E dizer que fotos sensuais Antes eram só inspiração Para a solitária masturbação
Este poema narrativo retrata a trajetória dos garimpeiros de Serra Pelada desde seus primeiros dias à atualidade. E por trás destes, o "oportunismo" político instalado, como uma grande riqueza entregue à revelia de piratas de gravatas que estão no topo do poder do país.
Seja feliz por inteiro Em alguns instantes do dia Alimente no pensar simetria Não se entoque em labirintos Mantenha sempre a tua linha Fuja dos ângulos sem saída
O poema "O Florir do Jardim" é na verdade um poema histórico que está imersso no aspecto descritivo ddos primeiros dias na cidade de Bom Jardim e faz um "passeio" por sua história e a vida deste povo que a construíra, sendo desta forma, um poema memorial. Inicia com aspectos naturais e termina com os aspectos infraestruturais - a construção de seus prédios, ruas e a situação político-ideológica etc.
O texto a seguir trata-se de uma análise do poema TUMULTO, análise esta que se alicerça nos preceitos da semiologia, procurando atribuir sentido aos signos encontrados em tal composição poética.
Trata-se de uma composição poética extremamente pessoal e plurissignificativa. É perceptível um eu lírico triste e descontente com o mundo no qual está inserido. Isso induz o leitor a perceber que a ideia de tumulto sugerida pelo próprio título é, na verdade, uma desorganização introspectiva.
Direito de resposta, retrato de um negócio de família: as ninfomaníacas devedoras e o corno generoso.
Uma antiga prosa poética lírica da fase romântica do poeta, com o belíssimo e sublime estudo sobre alma e a emoção traduzidos com elegante forma estilística.
Dois poemas viscerais e tórridos, na linha crítica de uma estética agressiva e contundente, pertinente e tenaz.
Mistura-se a tendencia explosiva de uma forma coloquial, direta, espontânea, sem contudo apelar para uma sátira vulgar, mas sim apresentar um estudo de comportamento social velado sob códigos segmentados de maquiagem ideológica e denunciar-lhes maior podridão do que a livre-expressão de percepções. KNOPP elegantemente mescla o ponto de vista cético-refratário com uma nobreza no estilo de linguagem empregado, valendo-se de um calculo lexical e verbal que orientam a estética do poema.
Prefácio de um romance de ficção científica para uma nova época que já chega
A campanha propagandística do kit gay; e alguns poemas para sua tua alegria (rs)
Uma série de cinco poemas que oferta ao leitor uma síntese ótima de diversas fases do poeta, em que a rima aparece de modo mais livre, denotando o nível de normalidade que o autor atingiu no domínio habitual da rima, sem contudo exagerá-la. Perceba-se a leveza e fluidez que tem a rima naqueles poemas, a espontaneidade com que se a despende a constituir uma poética harmoniosa, elegante, resoluta, sem que a forma prejudique o discurso intencional contido no texto. Aprecie.
ou sobre o massacre espetacular ocorrido numa escola pública do município do Rio de janero.
